

Nem todo pombo transmite doença, mas as fezes de aves contaminadas podem provocar infecções em humanos e pets, como criptococose, histoplasmose, ornitose e salmonelose.
Muito comuns em grandes centros urbanos, os pombos convivem com a população diariamente e há muito tempo carregam a fama de transmitir doenças perigosas.
No entanto, essa relação não é tão simples quanto parece e o maior risco nem sempre está associado ao contato direto com as aves.
Segundo Haag-Wackernagel e Moch (2004), os pombos podem atuar como reservatórios de cerca de 60 microrganismos capazes de causar doenças infecciosas em humanos e outros animais — as temidas zoonoses.
Ainda assim, a principal forma de transmissão está no contato ou inalação de fezes secas de aves doentes, que nem sempre são a maioria.
Dependendo do agente envolvido, essas infecções podem desencadear sintomas como febre, tosse, falta de ar, dores no corpo, diarreia, vômitos, dermatites e complicações mais graves, especialmente em humanos com imunidade comprometida.
Apesar dos riscos à saúde pública, os pombos são animais protegidos pela legislação e o controle da população deve ser feito com o manejo adequado, sem o extermínio das aves.
Para esclarecer tudo sobre o tema, neste guia completo com participação da bióloga Rayane Henriques, explicamos como ocorre a transmissão das principais doenças causadas por pombos, como preveni-las e quando procurar atendimento médico.
Boa leitura!
Antes de mais nada, é importante esclarecer que nem todo pombo transmite doença.
O pombo urbano (Columba livia) descende do pombo-das-rochas, uma espécie originária da região do Mediterrâneo que acompanha a humanidade há milhares de anos.
Criado inicialmente pelos asiáticos, esse animal chegou ao Brasil no século XVI trazido por imigrantes europeus como ave doméstica.
Ao longo dos séculos, a espécie foi utilizada para diferentes finalidades, como transporte de mensagens, competições esportivas, ornamentação e até fonte de alimentação.
Com o passar do tempo, no entanto, os pombos pararam de ser criados em cativeiro e encontraram nos grandes centros urbanos um ambiente favorável para viver.
Por causa dessa adaptação, o pombo urbano passou a ser classificado como uma ave sinantrópica, ou seja, uma espécie silvestre que vive livremente, mas se beneficia da convivência com o ser humano e com o ambiente urbano.
Nas cidades, essas aves passaram a se alimentar principalmente de restos de comida encontrados no lixo, uma dieta muito diferente da que teriam na natureza.
A alimentação inadequada e a exposição constante a ambientes contaminados favorecem o contato com fungos, bactérias e outros microrganismos capazes de causar doenças.
Além disso, como percorrem longas distâncias em busca de alimento, essas aves urbanas podem transportar agentes infecciosos e contaminar diferentes locais por meio das fezes, aumentando o risco de infecções em pessoas e animais. (HIDASI, 2013)
Isso não significa, porém, que todos os pombos transmitam doenças.
Assim como acontece com qualquer outro animal, aves saudáveis, bem alimentadas e criadas em ambientes limpos não transmitem doenças aos humanos apenas por serem pombos, como o veterinário especializado em animais silvestres Tiago Perez explica ao portal Amah Vet:
“[Os pombos] são aves como qualquer outra, papagaio, calopsita, canário e outros. Quando é devidamente cuidado e criado em boas condições de higiene, é um animal limpo e saudável. Infelizmente nas grandes cidades ele fica exposto a ambientes contaminados, se torna uma fonte de disseminação de doenças. E acaba sendo discriminado pela população”, esclarece o profissional.
Vale lembrar que o pombo urbano é apenas uma das cerca de 300 espécies de aves da família Columbidae, grupo que também inclui pombas, rolas e rolinhas, como a rolinha-roxa, a asa-branca e a juriti-pupu. (ZOONOMEN, 2003)

Os pombos podem estar associados à transmissão de cerca de 50 doenças diferentes, mas nem todas são disseminadas da mesma forma.
Em muitos casos, a transmissão acontece através da inalação de poeira ou do contato com fezes secas presentes em ambientes contaminados, e não com a ave em si.
Dependendo do agente e das condições de saúde da pessoa infectada, algumas infecções podem evoluir para quadros graves, causando complicações sérias, como meningite.
De acordo com o site oficial da Prefeitura de São Paulo, as principais doenças que pombo transmite são:
A criptococose, conhecida popularmente como “doença do pombo“, é uma doença infecciosa causada por fungos do gênero Cryptococcus.
Segundo Campos et al. (2009), a condição é transmitida pela inalação de poeira de fezes secas de pombo ou pela ingestão de alimentos contaminados com excrementos.
Depois de entrar no organismo, o fungo costuma atingir primeiro os pulmões e o paciente pode permanecer assintomático por um longo período.
Quando a infecção se manifesta, os sinais clínicos mais comuns são dor de cabeça, febre, sonolência, tosse e outras alterações respiratórias.
Pessoas com o sistema imunológico comprometido correm mais risco de desenvolver formas graves da criptococose. (PINTO, 2010)
Nesses casos, o fungo pode se disseminar pela corrente sanguínea e causar complicações como pneumonia e meningite, capazes de levar o paciente a óbito.
O diagnóstico da doença é feito por exames laboratoriais e o tratamento varia conforme a gravidade do quadro, podendo incluir antifúngicos orais e medicamentos intravenosos.
Além dos seres humanos, a criptococose também pode acometer cães e gatos.
Inclusive, já foram descritos casos da doença em animais de estimação que viviam em ambientes com presença de fezes de pombos. (JULIANO; SOUZA; SCHEID, 2006)
A salmonelose é uma infecção causada por bactérias do gênero Salmonella — agente responsável por milhões de casos de doenças gastrointestinais em humanos no mundo.
Embora a transmissão por pombos seja considerada pouco frequente, estudos já identificaram a presença da bactéria nas fezes dessas aves. (HOELZER; SWITT; WIEDMANN, 2011)
A contaminação via pombos acontece principalmente por transmissão indireta, por meio do contato com água, alimentos, objetos e superfícies contaminados pelas fezes do animal.
Os sinais clínicos da infecção incluem diarreia, dor abdominal, febre alta, vômito e, em casos mais graves, septicemia — uma infecção generalizada perigosa.
Na maioria dos pacientes, o tratamento é feito com hidratação, repouso e reposição de eletrólitos para evitar a desidratação.
Antibióticos costumam ser indicados apenas nos casos graves ou quando há risco de disseminação da infecção, sempre com orientação médica.
A ornitose, também chamada de psitacose ou febre dos papagaios, é uma infecção causada pela bactéria Chlamydia psittaci.
Os psitacídeos, aves da família Psittacidae, como papagaios e periquitos, são os principais reservatórios da bactéria.
Mas o agente infeccioso também pode ser encontrado em pombos, perus, gansos e outras espécies de aves. (BENCKE, 2007)
Estudos recentes indicam que cerca de 85% dos casos de ornitose estão relacionados ao contato direto com aves infectadas.
Os demais ocorrem pela inalação de partículas presentes em secreções respiratórias ou fezes secas contaminadas, além do contato direto com penas, tecidos e bicos dos animais.
Por conta disso, a ornitose atinge com mais frequência pessoas que possuem contato direto com aves, como funcionários de abatedouros, proprietários de pássaros e cuidadores.
Em humanos, os sintomas mais comuns da infecção são febre, calafrios, dor de cabeça, dores musculares, mal-estar, tosse seca e dificuldade para respirar.
A histoplasmose é uma micose sistêmica causada pelo fungo Histoplasma capsulatum, com ocorrência em todo o mundo e registrada em todas as regiões do Brasil. (AIDÉ, 2009)
De acordo com os pesquisadores, esse fungo costuma se desenvolver em solos com grande acúmulo de fezes de pombos e morcegos.
Quando seus esporos são inalados, eles atingem os pulmões, causando sintomas muito semelhantes aos da gripe e de outras doenças respiratórias.
Sinais clínicos comuns são mal-estar, febre, dor no peito, tosse seca, falta de ar, perda de apetite, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e rouquidão. (LIMA et al., 2012).
A evolução da doença depende da quantidade de esporos inalados e das condições do sistema imunológico do paciente.
Pessoas imunossuprimidas apresentam maior risco de desenvolver formas pulmonares graves, como lesões pulmonares compatíveis com pneumonia aguda. (SANTIAGO; SOARES, 2012)
Dermatites e alergias também podem estar relacionadas à presença de pombos, principalmente em locais com grande acúmulo de ninhos e fezes ressecadas.
Nesses casos, a transmissão ambiental é a principal responsável pelos sintomas.
A inalação de poeira em ambientes contaminados pode desencadear rinite e crises de bronquite em pessoas mais sensíveis. (HORTA, 2016)
Outro fator de risco é a presença de ectoparasitas, como ácaros, pulgas e piolhos de aves, que podem deixar os ninhos e entrar em contato com a pele humana. (VALADARES, 2004)
No caso do ácaro Ornithonyssus sp., as lesões costumam provocar pequenas manchas avermelhadas (petéquias) e coceira semelhante a picadas de insetos.
Embora os pombos possam transmitir algumas infecções aos humanos, muitas doenças são associadas à espécie de forma equivocada.
Em um estudo realizado no estado de São Paulo em 2014, por exemplo, 95,8% dos entrevistados afirmaram que os pombos transmitiam doenças.
Ainda assim, mais de 70% dessas pessoas não sabiam identificar corretamente quais infecções realmente estavam relacionadas a essas aves.
Algumas doenças apontadas pelos entrevistados, como a toxoplasmose e a leptospirose, por exemplo, nem mesmo têm o pombo como principal fonte de transmissão.
Além dessas infecções, durante a pandemia de COVID-19 também surgiram dúvidas sobre o papel dos pombos na disseminação do coronavírus.
Para desmistificar algumas crenças injustas, a seguir, esclarecemos os principais mitos envolvendo essas aves e a transmissão de doenças.
Não. A toxoplasmose — doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii — é a zoonose parasitária mais prevalente no mundo, mas apenas os felinos (como o gato doméstico, onças, jaguatiricas, gatos-do-mato dentre outros) são considerados fontes de infecção. (ACHA; SZYFRES, 2003)
Segundo os pesquisadores, até hoje, não existe comprovação de que os pombos ou qualquer outro animal possa transmitir os oocistos dos protozoários de maneira direta.
A única possibilidade teórica seria pelo consumo da carne crua ou malcozida de um pombo infectado, situação extremamente incomum no Brasil, já que esses animais raramente estão presentes no cardápio. (REY, 2005)
Não. A principal forma de transmissão da leptospirose — doença causada pela bactéria Leptospira — é o contato com água ou solo contaminados com a urina de ratos infectados.
No entanto, a confusão entre as espécies acontece com frequência, já que pombos e ratos são comuns em ambientes urbanos.
A associação é tão forte que muitas pessoas acreditam que os pombos transmitem as mesmas doenças dos roedores — aquele mito de que os pombos são “ratos com asas”.
Seja como for, os pombos não são considerados transmissores da leptospirose.
Ainda assim, quando são alimentados em praças e outros espaços públicos, as sobras de comida podem favorecer a proliferação de ratos, além de atrair baratas e moscas.
Não. Até agora, não existem evidências de que os pombos transmitam o vírus da COVID-19 aos seres humanos — mas isso não significa que essas aves sejam livres de coronavírus.
Até porque, coronavírus é um nome dado a uma grande família de vírus, e SARS-CoV-2, responsável pela COVID-19 em humanos, é apenas um deles.
Em um estudo publicado na revista Microorganisms, cientistas analisaram 203 pombos urbanos na Espanha e não encontraram nenhum animal infectado pelo SARS-CoV-2.
Em vez disso, identificaram um gammacoronavírus, um vírus diferente daquele que causa a COVID-19 e que já havia sido observado em pombos de outros países.
Durante a pandemia, os pombos acabaram sendo associados à COVID-19 por outro motivo.
Pesquisadores observaram um aumento dos casos de dermatites causadas pelo ácaro Ornithonyssus bursa, conhecido popularmente como piolho-de-pombo, no período.
Em entrevista ao Instituto Butantan, o biólogo Fernando de Castro Jacinavicius explica os motivos por trás da alta nas infestações:
“Uma explicação plausível para o aumento nos casos deriva do isolamento social, que obrigou as pessoas a permanecerem em casa, aumentando assim o risco de exposição de humanos aos ácaros”, comenta o cientista.
De acordo com a instituição, o ácaro Ornithonyssus bursa pode parasitar mais de 30 espécies de aves, incluindo os pombos.
Quando as aves fazem seus ninhos no forro do telhado das casas ou áreas próximas às residências, os ácaros podem entrar em contato com os seres humanos, provocando coceira, vermelhidão e dermatites.

A maior parte das doenças dos pombos é transmitida pela exposição a fezes ou secreções de aves contaminadas, que pode acontecer por diferentes vias, como:
Para te ajudar a entender os riscos, na tabela abaixo, mapeamos os principais meios de transmissão das zoonoses apresentadas:
| Doença | Agente causador | Como ocorre a transmissão |
| Criptococose | Fungo Cryptococcus neoformans | Inalação da poeira formada por fezes secas de pombos. |
| Histoplasmose | Fungo Histoplasma capsulatum | Inalação de esporos do fungo presentes em locais com acúmulo de fezes secas de pombos ou morcegos. |
| Ornitose | Bactéria Chlamydia psittaci | Inalação de poeira formada por fezes secas ou secreções de aves infectadas. |
| Salmonelose | Bactérias do gênero Salmonella | Ingestão de alimentos ou água contaminados por fezes contendo a bactéria. |
| Dermatites e alergias | Ácaros (Ornithonyssus spp.) e poeira de ambientes contaminados | Contato acidental com ácaros presentes em ninhos ou aves parasitadas. Inalação do ar de ambientes com acúmulo de fezes e ninhos de pombos. |
A gravidade das doenças transmitidas por pombos depende tanto do agente infeccioso quanto das condições de saúde de cada paciente.
Em geral, o risco é maior entre pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes imunodeprimidos por HIV ou AIDS, pessoas que receberam transplantes de órgãos e usuários de medicamentos imunossupressores e corticosteroides.
Nesses grupos, infecções como a criptococose podem se disseminar pelo organismo e causar complicações graves, como pneumonia e meningite.
De acordo com estudos de 2014, a criptococose é a micose sistêmica mais frequente em pacientes com HIV — e nesse grupo, a infecção possui mortalidade variável de 10% a 73% dos casos positivos.
As doenças transmitidas por pombos costumam provocar sintomas respiratórios, gastrointestinais e sistêmicos em humanos.
As manifestações podem variar de acordo com o agente infeccioso envolvido, mas os sinais mais comuns são:
Além dos seres humanos, cães e gatos também podem desenvolver algumas infecções associadas aos pombos, principalmente a criptococose.
Nos casos de criptococose em cães e gatos, os sintomas costumam começar com perda de apetite, apatia, febre e emagrecimento.
Com a evolução da doença, podem surgir corrimento nasal, dificuldade para respirar e lesões na pele, especialmente na região do focinho, formando nódulos conhecidos popularmente como “nariz de palhaço”.
Nos casos mais graves, o fungo pode atingir o sistema nervoso central, causando perda de equilíbrio, andar em círculos, desorientação, convulsões, cegueira e até surdez.
O simples contato com pombos não significa, necessariamente, que uma pessoa desenvolverá alguma doença.
O grande risco está na inalação, ingestão ou contato direto com fezes secas contaminadas.
Caso os excrementos da ave entrem em contato com a pele, os olhos ou a boca, lave imediatamente a região apenas com água, para evitar a exposição ao pó.
Se, nos dias seguintes à exposição em locais com acúmulo de fezes, surgirem sinais de infecção ou qualquer mal-estar persistente, procure atendimento médico.

Evitar o contato com fezes e ninhos de pombos é a principal forma de prevenir as zoonoses transmitidas por essas aves.
Para isso, além da higienização adequada dos ambientes, também é importante adotar medidas que reduzam a permanência e a superpopulação da espécie, como:
Nunca alimente pombos com restos de comida ou pedaços de pão.
Por mais que pareça uma boa ação, a oferta de alimentos é um dos fatores responsáveis pelo aumento da população dessas aves — e com ela, o risco de dispersão de doenças.
Na natureza, os pombos se alimentam principalmente de grãos, frutos e insetos, desempenhando um papel importante na dispersão de sementes e controle de pragas.
Quando dependem da alimentação oferecida pelas pessoas, essas aves deixam de buscar recursos naturais, o que cria um desequilíbrio ambiental maior do que muitos imaginam.
Se possível, recolha sobras de ração e alimentos de animais domésticos para evitar não só os pombos, mas ratos, baratas e outros animais que oferecem riscos à saúde.
Como a maioria dessas infecções está associada ao contato com fezes contaminadas, você também deve limpar excrementos presentes no ambiente com cautela.
Na hora da limpeza, nunca varra as fezes secas. Primeiro, umedeça toda a área com uma solução desinfetante à base de cloro ou quaternário de amônia diluído em água.
Em seguida, faça a remoção utilizando luvas e máscara — ou um pano úmido cobrindo nariz e boca — para evitar a inalação de partículas contaminadas.
A limpeza periódica de telhados, forros e beirais, bem como a proteção de alimentos e reservatórios de água, também pode ajudar a prevenir o acúmulo de sujeira de pombos.
Os pombos procuram telhados, beirais, marquises e outras estruturas protegidas para descansar e construir ninhos.
Quanto mais fácil for encontrar abrigo, maior será a permanência dessas aves no local e o acúmulo de fezes.
Para evitar esse problema, a recomendação é dificultar o acesso aos pontos de pouso e nidificação com medidas simples, como:
Dispositivos espanta-pombos, como objetos brilhantes, móbiles e réplicas de aves de rapina, também podem ajudar a afastar os animais temporariamente.
Lembre-se que os pombos são considerados fauna sinantrópica, e por isso, são protegidos pela Lei de Crimes Ambientais n° 9.605/98.
Embora medidas de controle da população possam ser tomadas, não é permitido exterminar nem maltratar essas aves.
O seu objetivo deve ser impedir que pombos ocupem áreas urbanas e incentivar que busquem ambientes mais adequados para viver, como explica a bióloga Rayane Henriques:
“Como o pombo pode trazer doenças, o controle da população da espécie é essencial, assim como para melhorar a qualidade de vida desses animais, pois, quando falamos em controle de população não estamos pensando em “exterminar a espécie”, mas sim de fazê-la procurar um local adequado para viver, com água e alimentação adequadas”, reforçou.
Sim. Apesar da má fama envolvendo a transmissão de doenças, os pombos são aves lindas, inteligentes e sociáveis que podem se tornar excelentes animais de estimação.
De acordo com o portal de notícias G1, a criação de pombos domésticos (Columba livia) é liberada e não exige autorização especial do IBAMA.
E com o crescimento de projetos de resgate e adoção da espécie, cada vez mais pessoas têm se interessado pela possibilidade de cuidar de um pombo em casa.
Na maioria dos casos, esses animais são resgatados ainda filhotes ou após acidentes que os impedem de voltar à natureza, como ataques de animais e atropelamentos.
Antes de serem encaminhados para adoção, as aves passam por avaliação veterinária e fazem uma série de exames para garantir que estejam saudáveis.
Quando criados em ambiente limpo, com alimentação adequada e acompanhamento veterinário, os pombos não transmitem doenças e podem viver por cerca de 10 anos ao lado dos tutores.
Os cuidados com um pombo doméstico são semelhantes aos de outras aves de estimação e incluem:
Como qualquer outro pet, os pombos também precisam de atenção e carinho dos seus tutores. Em entrevista ao portal GQ, Nina Zambardino, presidente da Animal Gang, grupo independente de amparo a animais exóticos e sinantrópicos, explica:
“Você precisa ter tempo para se dedicar ao animal, ter um certo período do dia para soltá-lo e poder interagir. O pombo é um pet muito tranquilo. Ao contrário da calopsita, que pode te bicar e machucar, o pombo bica mas não dói”, acrescenta.

Depende. Pombos que vivem soltos nas cidades ficam expostos a ambientes contaminados e podem carregar agentes causadores de doenças.
Nesse caso, a infestação de aves acaba sendo um perigo para a saúde das pessoas e pets ao seu redor.
Já pombos criados em cativeiro, com boa higiene, alimentação adequada e acompanhamento veterinário, não apresentam o mesmo risco e podem ser excelentes aves de estimação.
Os pombos não costumam transmitir doenças pelo toque. Na maioria dos casos, a contaminação acontece pela inalação de poeira de fezes secas ou pelo contato com ambientes contaminados pelos excrementos de aves doentes.
O contato direto ou indireto com pombos de rua pode estar associado à transmissão de doenças respiratórias, doenças fúngicas, doenças gastrointestinais e doenças alérgicas, como histoplasmose, criptococose, salmonelose, ornitose e dermatites. (BENCKE, 2007; FUJITA, 2010; SANTIGO; SOARES, 2012; VALADARES, 2004).
A limpeza deve ser feita com cuidado para evitar que a poeira contaminada seja espalhada pelo ar. Antes de começar, utilize luvas e máscara ou um pano úmido cobrindo nariz e boca.
Em seguida, umedeça completamente as fezes com desinfetantes à base de água sanitária ou quaternário de amônia diluídos em água.
Caso os excrementos atinjam a pele, os olhos ou a boca, lave imediatamente a região com água. Se, após a exposição a ambientes contaminados, surgirem sintomas ou qualquer mal-estar, procure atendimento médico para uma avaliação.
A melhor forma de fazer o controle de pombos é eliminar as condições que favorecem sua permanência no local. Isso inclui não oferecer alimentos às aves, recolher sobras de ração e proteger reservatórios de água para reduzir a atração desses animais.
Outra medida importante de prevenção é impedir que os pombos utilizem telhados, beirais e outras estruturas como abrigo. Para isso, você pode instalar telas, espículas, fios de nylon e barreiras físicas que dificultem o pouso e a construção de ninhos.
Os pombos são protegidos pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que prevê multa e até detenção para quem pratica maus-tratos ou mata animais sem autorização.
No caso dos pombos urbanos, o manejo e o controle devem seguir a Instrução Normativa Ibama nº 141/2006 e as regras estaduais e municipais aplicáveis.
Ao longo deste conteúdo, vimos que os pombos podem, sim, transmitir algumas doenças aos humanos — mas que muitos dos riscos atribuídos a essas aves não passam de mitos.
Com medidas simples de prevenção e manejo ambiental, é possível proteger sua família e controlar a presença dos pombos de forma ética e segura.
Quer saber como manter essas aves longe da sua casa ou empresa? Fique ligado no Blog da Cobasi e confira nosso guia completo com as principais formas de afastar pombos!
Instituto Butantan. O ácaro da pandemia: aumento de picadas pelo piolho-de-pombo pode ser uma decorrência do isolamento social. 2022. Disponível em: https://www.butantan.gov.br/noticias/o-acaro-da-pandemia-aumento-de-picadas-pelo-piolho-de-pombo-pode-ser-uma-decorrencia-do-isolamento-social
Prefeitura de São Paulo. Pombos. 2023. Disponível em: https://prefeitura.sp.gov.br/web/saude/w/vigilancia_em_saude/controle_de_zoonoses/animais_sinantropicos/4579
Amah Vet Clínica Veterinária. Posso ter um pombo como bicho de estimação? Veterinário tira dúvidas. 2020. Disponível em: https://www.amah.vet/posso-ter-um-pombo-como-bicho-de-estimacao-veterinario-tira-duvidas/
Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo. 2011. Disponível em: https://crmvsp.gov.br/doenca-do-pombo-pode-causar-pneumonia-e-meningite/
G1. Veja lista de animais que podem ser domesticados sem autorização do Ibama; capivara está fora. 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2023/05/01/veja-lista-de-animais-que-podem-ser-domesticados-capivara-esta-fora.ghtml
GQ Brasil. Você adotaria um pombo? Projeto em São Paulo mostra que é possível. 2026. Disponível em: https://gq.globo.com/um-so-planeta/noticia/2026/02/voce-adotaria-um-pombo-projeto-animal-gang-mostra-que-e-possivel.ghtml
PORTILLO et al. Rastreio de SARS-CoV-2 e Outros Coronavírus em Pombos Urbanos (Columbiformes) do Norte de Espanha sob uma Perspectiva ‘One Health’. Microorganisms, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.3390/microorganisms12061143
MIRANDA et al. Percepção da população sobre a participação dos pombos (Columba livia domestica) na transmissão de zoonoses. Atas de Saúde Ambiental – ASA, v. 2, n. 1, p. 23-28, 2014. Disponível em: http://www.revistaseletronicas.fmu.br/index.php/ASA/article/view/362
GOMES et al. Pombos urbanos columba livia como agentes transmissores de infecções na cidade de araguaína-to. Jornal Facit de Negócios e Tecnologia, 2020. Disponível em: https://revistas.faculdadefacit.edu.br/index.php/JNT/article/view/760/0
| Atualizada em

A Bióloga Rayane é formada pela PUC-Campinas e pós-graduada em Manejo e Conservação da Fauna Silvestre pela Unisa. Apaixonada pelo cuidado e bem-estar animal, ela resgatou sua gata Jojo, vítima de maus-tratos, durante a pandemia.
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