Querido Dusty

18 de outubro de 2018

Meu pet e eu

Eu sei que pode parecer estúpida ou mesmo utópica esta carta que estou lhe escrevendo neste exato momento, mas sei que tudo o que queria ter te falado enquanto você esperava naquela salinha da Doutora Juli se encontra aqui, neste simples pedaço de papel, até que de maneira exagerada. Se não consegui te falar durante sua vida, quem sabe eu consigo me expressar de forma grotesca nesta carta, em que você possa estar escutando em seu paraíso, repleto de pessoas que possam te levar para passear assim como Zomi fazia. Por acaso você se lembra daquela promessa que você havia feito logo depois de eu ter assistido Marley e eu, pela primeira vez? De que você nunca me deixaria? Bom, eu sei que foi egoísta de minha parte, porque você aguentou um ano difícil de câncer, mas de fato, não descumpriu nosso pacto. Antes de você ir para veterinária eu cochichei nos seus ouvidos “Dusty, eu te liberto, você já aguentou demais. Nossa promessa já não mais existe”. Eu te amo Dusty e por mais clichê que possa parecer eu NUNCA vou te esquecer.

Eu me lembro como se fosse ontem, quando você entrou correndo desesperadamente na sala de jantar e papai falou “olha o mais novo membro da nossa família!”, realmente família. No primeiro momento, subi na minha cadeira totalmente assustada, com medo de que você, Dusty, com seus 70 centímetros de comprimento, seus pelos dourados todos bagunçados e seus dentinhos quase nem nascidos fossem me atacar. Hoje, quando me lembro dessa cena, me divirto bastante, porque sei que você nunca machucaria sua família.

Quando você chegou em casa eu tinha apenas 4 anos e portanto passei minha infância e parte de minha adolescência com você. Não sei como é viver sem você, não sei como é viver sem sua alegria, sem suas lambidas, sem seus tímidos latidos (não tão tímidos quando Zomi chegava de manhãzinha para trabalhar).

Lembro-me de seu tão famoso ataque: você comia todas as comidas da cozinha (tortas, bolos, frango, e mamãe chegou inclusive a me culpar! Até que Guto finalmente pegou você no flagra), você atacava seu armário, chegou até a comer minha meia rosa-choque! Mamãe falou que quando nos lembrássemos de você, deveríamos apenas nos recordar dos bons momentos e posso afirmar que com você só existiram os bons, de fato.

Acho que a pessoa que mais agradeço e mais xingo atualmente é a Carol, sua “mãe”, pois foi ela quem insistiu em te incluir em nossa família, em minha vida e foi por causa dela que eu me apaixonei incondicionalmente por você e agora, meu coração  se encontra gelado, duro e sofrido.

Queria saber onde você está, queria saber no que você está pensando, desejando e sonhando. Te amo muito bebê. Várias pessoas falam como amam seus cachorros, gatos, aves… Mas você não entra nessa fala tão comum. Eu não só te amo, você parece ter tomado posse de mim, de meus pensamentos, de meu corpo. Você é especial, Dusty: estava sempre sorrindo, abanando o rabo, pulando, pedindo carinho, animando a todos. Você é tão especial que até conquistou a mamãe.

Tem tanta coisa que quero te falar que tenho medo de acabar esta carta. Mas infelizmente tudo tem um fim, assim como nossa promessa, nossos passeios até o supermercado (que eu e a Carol te levávamos para ser nossa cúmplice em nossos ataques de comida), nossos jogos de futebol em seu espacinho, nossos churrascos que você nunca desistia de roubar nossa carne…

Existem pessoas que falam que não vale à pena ter um cachorro por causa da dor que você sente ao perdê-lo, mas eu posso dizer que não tem nada nesse mundo que eu trocaria pelos 12 anos que passei e dividi com você.

Dusty, eu te amo e não é pouco! Espero que você descanse bem, em paz, que você esteja em um sonho, divertido, alegre e especial, assim como você era para nossa família. Quem sabe a gente se vê no futuro!

Vou sentir saudades ao sentar na cozinha, deixar minhas mãos caídas e não encontrar sua cabeça de pelos dourados a procura de um carinho, vou sentir saudades ao ir à lavanderia e não sentir seu cheiro forte, vou sentir saudades nos dias de trovões ao abrir a porta da cozinha e não te achar choramingando, procurando desesperadamente por abrigo. Dusty, vou sentir sua falta sempre!

Com carinho,

Vitória.

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