Smith: a vida de um gato com paralisia | Adoções Especiais

8 de fevereiro de 2021

Adoção de Animais, Gatos
Smith, gato com paralisia, e Apollo, seu irmão

Hoje nossa série “Adoções Especiais: Animais Deficientes” foi até Curitiba, no Paraná, para conhecer a história do Smith, um gato com paralisia nas patas traseiras. Hoje o Smith Jackson tem tutores que o amam, um irmão peludo e até sobrenome, mas sua história começou como a de muitos deficientes: sob o risco de eutanásia.

Smith, o gato com paralisia

A Amanda levou seu gatinho Apollo Jackson até a clínica veterinária para uma consulta de rotina. Porém, ela foi surpreendida com muitos miados vindos de uma gaiola. Eram pedidos de atenção do pequeno Smith.

Mesmo muito magro e com ferimentos pelo corpo, aquele gatinho continuava muito dócil e só queria a atenção da visitante. A Amanda se aproximou e, enquanto acariciava o pequenino, ficou sabendo da sua história. “Falaram que ele não tinha dono e se não achassem um lar temporário, a pessoa que era responsável pelo Smith faria a eutanásia. Iam matar o Smith apenas porque ele é um gato com paralisia nas patas traseiras”, Amanda se comove ao lembrar.

“Não sei por quanto tempo ele se arrastou na rua. O Smith estava magro e triste de ficar preso. Ele estava bastante machucado, mas claramente não estava desistindo de viver e está lutando até hoje. Naquele dia, eu não tinha o que fazer. Aquele gatinho me escolheu. Como amo esse gato”, conclui cheia de emoção. O Smith não corria mais risco de vida, mas ainda tinha um longo caminho pela frente na sua reabilitação.

Um percurso difícil

Smith, gato com deficiencia, e seu irmão Apollo

O passado do Smith é um pouco nebuloso. Ele se tornou um gato com paralisia após um possível atropelamento, mas nos seus exames não encontraram lesões que justificassem o trauma. No entanto, o passado dele já não importava mais, pois a Amanda estava decidida: “fiz o possível e o impossível pelo Smith. É uma grande responsabilidade e eu ouvi muito ‘eu não adotaria’, mas eu fui lá e adotei!”, relembra cheia de orgulho.

“Os primeiros dias foram tensos, mas depois de um tempo, o Apollo, meu outro gato, aceitou o Smith. Hoje são melhores amigos, a companhia para a nossa família. São a alegria da casa”, Amanda relembra como foi a adaptação do Smith. O mais interessante é que a deficiência dele não tinha nenhuma relação com a adaptação e sim o relacionamento do Apollo com o novo membro da família.

A cada história da série “Adoções Especiais: Animais Deficientes” vemos mais exemplos de que a vida desses pets é muito parecida com aqueles que não têm nenhuma deficiência. Os principais problemas estão relacionados ao preconceito de outras pessoas e às questões comuns a todos os pets, como aceitação entre animais e costume com a rotina.

Além da adaptação do Smith com o Apollo, o gatinho com paralisia precisou de alguns cuidados especiais com medicamentos e fisioterapia. Inclusive, esse é um procedimento muito comum em animais com deficiências motoras.

Fisioterapia para gato com paralisia

Gato em caixa de transporte aberta
O Smith faz sessões de fisioterapia todas as semanas para fortalecimento da musculatura e recuperação dos movimentos.

O Smith é realmente um gatinho de sorte. Ele foi salvo por sua tutora Amanda e ainda encontrou outras pessoas que o ajudaram na sua reabilitação. O Smith entrou na vida da Amanda sem planejamento e os gastos com ele começaram a pesar. 

Foi aí que a Dra. Paola apareceu e iniciou as sessões de fisioterapia de forma voluntária para o gatinho: “eu conheci o Smith quando estava internado após ser politraumatizado. Me propus a fazer a reabilitação dele como voluntária. O Smith sempre foi muito querido e aceitou logo de cara todas as terapias. Um jovem gatinho paraplégico lindo demais e carismático que encantou a todos pelo jeito simpático de encarar sua paralisia e tudo que passou”, explica a veterinária especialista em fisioterapia.

A fisioterapia é uma grande ferramenta na reabilitação de animais deficientes, como um gato com paralisia por exemplo. Essa terapia envolve exercícios físicos e o uso de diversos equipamentos. Ela age contra a hipertrofia muscular e em alguns casos é capaz de recuperar os movimentos e até fazer com que pets deficientes voltem a andar.

“A acupuntura também nos auxilia muito e vejo que a cada dia o Smith apresenta alguma melhora. Com essas terapias, nós evitamos a atrofia e as escaras das patas traseiras”, explica a Dra. Paola. Escaras são feridas que aparecem no corpo por causa da pressão provocada pelo pouco movimento. Elas são comuns em animais paraplégicos que não recebem o tratamento adequado. 

Ele ainda precisa passar por algumas consultas com outros veterinários especialistas, como neurologista. No raio-x que o Smith realizou, não foi identificada nenhuma fratura evidente, mas um lado da bacia é mais baixo que o outro.

Cadeira de rodas para gato

Gato com paralisia na cadeira de rodas
O gatinho possui uma cadeira de rodas adaptada, que o ajuda a ter mais mobilidade e se recuperar.

Além dos tratamentos com a fisioterapia e a acupuntura, outro item muito conhecido dos animais deficientes também é um grande parceiro na recuperação do Smith. A cadeira de rodas ajuda na recuperação do gatinho, como explica a Dra. Paola: “o Smith resiste um pouco em usar a cadeirinha de rodas, mas o ideal é que ele passe algumas horas por dia com ela para alinhar a coluna”.

Cada animal deficiente é um caso muito particular. A causa da paralisia pode ser uma lesão ocasionada por um trauma ou até uma infecção. O tratamento também varia muito e precisa ser acompanhado por um profissional.

Mas, além do tratamento adequado, ter uma família é muito importante para a recuperação desses animais.

O final feliz do Smith

A Amanda conheceu o Smith em uma clínica veterinária e o salvou da eutanásia.

“Minha família tem muito amor pelo Smith. É evidente que temos cuidados diários com ele e a sua rotina, mas o Smith ele é tão dócil, que nunca nem resistiu à fisioterapia. Ele é um gato que só quer muito carinho e amor”, conta a tutora Amanda.

Hoje, o Smith segue em tratamento e ainda pode ter muitas melhoras em sua condição. Mas o amor e o cuidado já estão garantidos!

“Nós não temos dúvidas de que ele é feliz. Na verdade, ele é simplesmente felicidade. O Smith ainda tem seus medos, se assusta fácil com qualquer barulho. Mas meu bebê Smith Jackson é um gatão lindão de quem eu nunca vou desistir. Me alegro por cada movimento dele. É um exemplo! Para ele não existe dificuldade. Ele sobe na cama e no sofá sozinho, além de brincar com o Apollo a madrugada toda”, Amanda se enche de alegria.

A vida de um gato com paralisia tem algumas diferenças, mas pode ser tão feliz e saudável quanto a de qualquer animal. O Smith é a prova disso!

Gostou de mais esta linda história? Confira os posts da série “Adoções Especiais: Animais Deficientes”: