Como é ter um gato deficiente em casa? | Adoções Especiais

7 de janeiro de 2021

Adoção de Animais, Gatos
gato deficiente filhote

Hoje, quem participa da nossa série “Adoções Especiais: animais deficientes”, é a médica veterinária Bianca Bennati, que atende na SPet localizada na Cobasi SBC Faria Lima, em São Bernardo do Campo, São Paulo. Ela é a tutora do Nick, um gato deficiente, que levou muita alegria para a vida da doutora!

Continue a leitura e conheça a história da Bianca e do Nick!

gato deficiente branco e outro gato

“O Nick apareceu na minha vida de uma forma um pouco triste e em uma fase ruim. Eu tinha acabado de perder meu primeiro animal, que me acompanhou por 16 anos, o que acabou me deixando depressiva. Eu falava que não queria nenhum animal naquele momento, mas uma conhecida viu um gatinho se arrastando na rua. Eu nunca tinha tido um gato, não tinha a menor ideia de como era cuidar de um e sequer tinha visto o animal. Só sabia que ele precisava de mim“, conta Bianca, que pretendia apenas cuidar e depois doar o gatinho.

Porém, nesse momento, o tal gato já tinha ganhado o nome de Nick e uma grande parte do coração da Bianca.

“Quando eu adotei o Nick, eu nem sabia como era a cor dele, a idade ou se o problema dele tinha cura e como seria para lidar. Na época eu estava no segundo ano da faculdade de Medicina Veterinária e tinha o mesmo conhecimento de um animal paraplégico do que qualquer outra pessoa.  Levei no veterinário e descobri que o Nick não voltaria a andar e tive que aprender a cuidar dele”, completa.

Rotina com um gato deficiente

Às vezes o Nick precisa usar proteção para não machucar as patas quando corre de um lado para o outro.

Após levar o Nick ao médico veterinário, a Bianca precisou aprender como lidar e cuidar de um gato deficiente: “demorei para pegar o jeito, mas hoje eu posso falar que estamos num equilíbrio. Ele não é incontinente, por isso, pode ficar sem fraldas. Eu consigo perceber quando ele está com vontade e hoje acidentes com fezes ou urina são raros”. 

Apesar da rotina dos dois funcionar muito bem e não ser exaustiva para a Bianca, ela precisou fazer algumas adaptações e escolhas.

“O Nick urina e defeca por massagem e meus pais e amigos não conseguem realizar o procedimento com a mesma habilidade que eu. Por isso, eu não posso fazer viagens longas. É só viajar por mais de 3 dias, que o Nick apresenta infecção urinária. Se eu viajar para longe ou por muito tempo, preciso levá-lo”, explica a médica veterinária.

Assim como ter um animal deficiente em casa exige adaptações na rotina. O mesmo vale para animais sem deficiências! Tutores de cães precisam passear várias vezes ao dia e deixar o animal em hotéis ou com parentes para viagens. Já donos de gatos, precisam retirar plantas tóxicas da casa, limpar a caixa de areia e até adaptar o ambiente. Ter um animal em casa muda a rotina e todo tutor deve se preparar para isso. 

“Não me arrependo de nenhuma das minhas escolhas”, reflexão de Bianca sobre a adoção do Nick.

“Muitas vezes deixei de ir em passeios, viagens e até mesmo morar fora do país por conta dele, mas não me arrependo de nenhuma das minhas escolhas. Todo dia quando vou dormir, ele escala a cama pra vir deitar comigo. Isso vale mais que qualquer coisa”, complementa Bianca, que tirou o Nick da rua e cuida dele desde então.

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Preconceito contra cães e gatos deficientes

Todos os animais dão trabalho para os seus tutores. Os deficientes possuem necessidades especiais, mas muitas vezes elas sequer impactam decisivamente na rotina. O maior problema relacionado a esses animais é o preconceito enfrentado por eles e seus tutores.

“Hoje eu não vejo o Nick como um animal com problema, especial ou diferente. Ele está adaptado e consegue se virar muito bem com tudo. Sobe e desce a escada e os móveis, brinca bastante e até corre. Para mim, ele é um gato feliz e normal, eu não vejo problema nenhum nele! Isso devia ser pra todo mundo, não só para os animais, como também para as pessoas com deficiência. Devemos deixar de lado preconceitos e ignorância. É impressionante como ainda se fala em eutanásia por sofrimento”, lembra a tutora do Nick. Ela cita um tema, que infelizmente ainda é muito comum: a eutanásia de animais deficientes.

Não é raro que pessoas achem que animais com deficiências não são felizes, sentem dor ou sofrem e, por isso, a melhor opção é a eutanásia. Porém, se cuidados da forma correta, eles podem ter uma vida saudável e muito feliz, como a Nick! Isso só depende da gente!

Nick passeando na rua de forma adaptada e divertida.

“No caso do Nick, meu gato deficiente, uma fratura na coluna o deixou paralizado da cintura pra baixo. Apesar da condição, ele não tem incontinência fecal ou urinária. O fato dele conseguir se locomover por vontade própria e segurar as necessidades, facilita muito o manejo diário. A qualidade de vida dele, é a mesma de qualquer gato normal”, completa Bianca.

“Existem outros tipos de deficiências ainda mais fáceis de lidar. Por exemplo, a perda parcial ou total da visão ou audição e a amputação de uma pata. E existem as deficiências ainda mais complexas, como uma tetraplegia ou animal paraplegico, mas incontinente. Nesses casos os animais precisam de cuidados mais intensos”, explica a médica veterinária Bianca Bennati.

Deficiências simples ou complexas: com um tutor responsável, o animal terá uma vida muito melhor e feliz.

Ficou curioso para saber mais sobre esses casos, como a rotina de animais cegos, por exemplo? Continue acompanhando nossa série “Adoções Especiais: animais deficientes”, porque ainda temos lindas histórias e muita informação para você.

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