Uddy: como cuidar de um cachorro surdo? | Adoções Especiais

28 de janeiro de 2021

Adoção de Animais
Golden Retriever feliz

Existem animais com diversos níveis de deficiências. Por aqui já contamos a história do Nick, um gatinho paraplégico, uma deficiência mais ampla, e hoje, é a vez do Uddy, um cachorro surdo. As espécies são diferentes, bem como as deficiências. Sabe o que eles têm em comum? O preconceito que infelizmente ainda envolve esse grupo de animais. 

Hoje, é a vez do Uddy nos ajudar a desconstruir esse preconceito e mostrar que cães deficientes podem ter uma vida semelhante à dos animais sem deficiências. Mais que isso, o Uddy veio para provar que eles merecem ser adotados!

Uddy, o cachorro surdo

Descobriram que o Uddy era um cachorro surdo, quando ele ainda era um filhote
Descobriram que o Uddy era um cachorro surdo, quando ele ainda era um filhote.

Sim! O Uddy é um cachorro surdo. No entanto, ele é muito mais que isso!

O Uddy é um Golden Retriever de 7 anos que vive em Londrina, no Paraná, é muito amado e tem uma vida quase normal. Você acha que esse quase é porque ele é surdo? Então está enganado! Ele só não é um cachorro normal porque tem quase 80 mil seguidores no Instagram

A história do Uddy começou há 7 anos, quando a Karin Egashira, sua tutora, o adotou. A Karin viu aquela bolinha de pelos pela primeira vez no criador, ele estava isolado do restante dos filhotes e ela foi informada de que ele poderia ser surdo. “Já me apaixonei e decidi que ficaria com ele. Então o adotei e levei pra casa”, conta Karin sobre o início da história do Uddy!

No ato da adoção, a tutora ainda não tinha muitas informações sobre cuidados com cachorro surdo, mas hoje, se tornou especialista: “O desafio em lidar com um cão surdo é grande, pois exige mais cuidado e atenção. Você não pode tocar nele de qualquer forma, pois eles se assustam com facilidade. Os comandos também são diferentes, eles são visuais”, explica a tutora.

Como cuidar de um cachorro surdo?

Uddy e sua tutora Karin Egashira
Uddy e sua tutora Karin Egashira

A Karin aprendeu muito nesses 7 anos por meio de vídeos e leituras. O companheirismo com o Uddy foi um diferencial e a relação especial desses dois vai muito além das palavras. A Karin e o Uddy desenvolveram uma linguagem só deles e hoje a comunicação é natural.

“Hoje, posso dizer que aprendemos muito e confesso que tenho dificuldade em lidar com cães que ouvem, pois me comunico mais por gestos com ele”, comenta. O adestramento e a adaptação de cães é baseado na repetição e no estabelecimento de uma rotina. Isso vale para animais com e sem deficiências! Após conhecer tantas histórias na série “Adoções Especiais”, já é possível perceber que sempre existe um período de conhecimento sobre as necessidades especiais, mas que depois tudo vira natural para o animal e seu tutor.

“Nossa rotina é de caminhadas todas as manhãs. Depois disso, nós vamos trabalhar. Sim, ele trabalha comigo todos os dias! Onde eu vou, ele está comigo. Procuro frequentar lugares pet friendly e gosto de compartilhar a nossa rotina nas redes sociais para mostrar que sim, é possível ter um cachorro de porte grande em apartamento, que é possível socializar um cão surdo e, principalmente, é possível incluí-lo na sua rotina“, conta Karin toda animada! Estabelecer uma rotina saudável funciona para animais com e sem deficiência. O tutor precisa de paciência, pesquisa e tempo, mas a fase de adaptação sempre é superada!

Ficou curioso para conhecer o Instagram do Uddy? Acesse @uddy_!

Adaptações necessárias

O uddy usa um coleira com identificação sobre sua deficiência.

Não foi só o Uddy e a Karin que tiveram que se adaptar, a relação das pessoas com um cão surdo é um pouquinho diferente. “Dentro do nosso trabalho ele usa um colete sinalizando que é um cão surdo e alertando para que as pessoas não toquem nele. Muitas vezes isso não é respeitado, mas é a forma que sei que ele fica seguro”, acrescenta Karin. Por não ter um dos sentidos mais apurados nos cães, a audição, o Uddy pode não perceber quando alguém se aproxima fora do seu campo de visão, por exemplo. Por isso, é tão importante comunicar que ele é surdo e precisa desse cuidado especial.

Apesar dessa adaptação ser mais importante por causa da deficiência do Uddy, a orientação geral para o convívio com cães é não acariciar os animais antes de conversar com o tutor. O animal pode ser assustado ou antissocial, o que pode gerar até uma mordida. Sendo assim, sempre pergunte ao tutor se você pode mexer no pet e, quando se aproximar, fique na mesma altura do animal e ofereça o dorso da mão para o cãozinho cheirar. 

Mais um cuidado que vai muito além da deficiência! É… parece que os animais deficientes são muito mais iguais do que diferentes!

Confira os cuidados especiais que devemos ter com cachorros surdos:

  • Quando um cachorro surdo estiver dormindo, acorde-o com calma acariciando a cabeça dele;
  • Use gestos e toques para se comunicar;
  • Use algo que o identifique como um cão surdo na coleira ou placa de identificação;
  • Mantenha a rotina de cuidados e saúde igual a de um cachorro sem deficiência.

Julgamento e discriminação com deficientes

Cães surdos podem se divertir, correr e brincar igual aos animais sem deficiência.

Não tem jeito. O diferente causa estranhamento e, em muitas pessoas, aflora o preconceito e a discriminação.

Infelizmente as pessoas discriminam o Uddy por achar que dá mais trabalho ou simplesmente por não conhecer e achar que cães como ele são bravos”, explica a tutora, que fica realmente chateada com o preconceito que o lindo Uddy e ela sofrem. 

De acordo com o dicionário Michaelis, preconceito é o “conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos necessários sobre um determinado assunto”. E é justamente por isso que esta série tem como um dos seus principais objetivos compartilhar informações sobre animais deficientes, seus cuidados e necessidades. É um passo importante para evitar situações desagradáveis com tutores de animais especiais e para aumentar as chances de adoção desses pets.

O que mais me incomoda nas pessoas é o julgamento. Muitas pessoas, ao receberem a informação de que ele é surdo, já vem com a frase: coitado. Não acho que um cão ou pessoa seja coitado por ser surdo. Eles têm uma vida normal como quaisquer outros. Só precisam de um pouco mais de cuidado e atenção”, conclui Karin.

O Uddy é um cãozinho de muita sorte por ter cruzado o caminho da Karin e há 7 anos ter uma tutora dedicada e compreensiva com suas limitações que, como vimos, são poucas. Esperamos que mais cachorros surdos e com outras deficiências tenham a oportunidade de ter uma família. E isso, só depende de nós! Adote um animal deficiente e dê a chance dele ter uma vida normal e cheia de amor.

Uddy, cachorro surdo, com seus brinquedos

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