

Pelo quarto ano consecutivo, o Cobasi Cuida, pilar social da Cobasi, apresenta os resultados da pesquisa sobre o cenário do abandono animal no país, consolidando um histórico iniciado em 2022.
A edição de 2025 foi realizada por meio de questionário online com 64 representantes de organizações de proteção animal, entre ONGs e protetores independentes, de diferentes regiões do Brasil.
A partir desse recorte, o estudo confirma um ponto central: os principais fatores que levam ao abandono de cães e gatos pouco mudaram ao longo dos últimos anos, indicando que o problema é estrutural e exige soluções contínuas.
A seguir, você confere os principais dados da pesquisa e soluções estratégicas.
Em 2025, o abandono de animais continuou ocorrendo majoritariamente em áreas urbanas.
Isso porque 82,9% dos casos foram registrados em centros urbanos, mantendo uma tendência já observada nas edições anteriores do estudo. Em 2024, por exemplo, esse percentual foi de 75%.
O dado reforça a relação entre o abandono e os desafios das grandes cidades, como mudanças frequentes de residência, restrições em imóveis alugados, alterações na rotina familiar e dificuldades financeiras, somados à falta de informação sobre posse responsável e a situações de negligência e maus-tratos.

Entre os dados de 2025, um movimento chama atenção: a redução no número de resgates de ninhadas de filhotes, que caiu de 45% em 2024 para 31% em 2025.
Também houve diminuição na incidência de animais com necessidades especiais, que passaram de cerca de 40% em 2024 para 10% em 2025.
Esse cenário pode indicar avanços pontuais em ações de castração e conscientização, uma pauta que o Cobasi Cuida trabalha de forma contínua desde 1998.
Ainda assim, o abandono destes animais vulneráveis segue sendo um desafio relevante, já que esses casos exigem mais cuidados, tempo e recursos até a adoção.
Esse desafio também aparece em outros estudos apoiados pelo Cobasi Cuida, como a Pesquisa Nacional de Transparência dos Dados de Abrigos de Animais, realizada pelo IMVC com apoio da Cobasi.
O estudo ajuda a dar visibilidade à realidade dos abrigos no Brasil e mostra como muitas dessas instituições operam no limite, lidando diariamente com mais entradas do que saída de animais e recursos muitas vezes insuficientes.

Assim como observado nos anos anteriores, os cães seguem representando a maior parte dos resgates por abandono.
Em 2025, os cães lideraram os casos, com 54%, seguidos pelos gatos (32%) e outros animais (14%), mantendo a tendência registrada de cães resgatados em 2024 (64%) e 2023 (55%).
Além da espécie, o perfil dos animais abandonados também pouco varia ao longo do tempo. Predominam entre os resgates:
Esses dados reforçam a importância de ampliar ações de orientação e conscientização antes e depois da adoção.
Os dados históricos do Cobasi Cuida, analisados desde 2022, mostram que os animais sem raça definida (SRD) representam a ampla maioria dos casos de abandono no Brasil, concentrando mais de 90% dos resgates ao longo dos últimos anos.
Esse cenário reflete, principalmente, a falta de castração e o crescimento descontrolado da população animal.
Entre os cães de raça, algumas aparecem de forma recorrente nos estudos, ainda que a ordem varie conforme o ano. Entre as mais citadas estão:

Entre os felinos, o padrão também se mantém ao longo dos anos. A maioria dos animais abandonados é sem raça definida, com ocorrências das raças:
Além disso, a cor da pelagem, especialmente preta e manchada, segue aparecendo com maior frequência.

Ao analisar o histórico das pesquisas, fica claro que os motivos alegados para o abandono praticamente não mudaram.
Em 2025, assim como nos anos anteriores, os fatores mais citados incluem:
A repetição desses motivos ao longo dos anos evidencia que o abandono não é um ato isolado, mas consequência direta da falta de planejamento e informação no processo de adoção.

De acordo com a pesquisa, 93,8% dos voluntários perceberam aumento no abandono de animais em períodos de crise econômica.
O aumento do custo de vida, a instabilidade na renda e as restrições habitacionais dificultam a manutenção dos cuidados contínuos com os pets, levando muitos responsáveis a subestimar esses custos.
A Pesquisa Nacional de Transparência dos Dados de Abrigos de Animais, conduzida pelo IMVC com apoio da Cobasi, evidencia que o abandono também impacta diretamente em saúde pública, planejamento urbano, segurança ambiental, desigualdade social e justiça interespécie.
Nesse contexto, a posse responsável se torna ainda mais essencial para evitar que situações imprevistas resultem na ruptura do vínculo entre tutor e animal.
Desde o início do estudo, ONGs e protetores apontam caminhos semelhantes para reduzir o abandono animal. Em 2025, seguem como estratégias prioritárias:
Além disso, cresce ao longo dos anos a percepção de que essas ações precisam estar acompanhadas de medidas estruturais, como:
Para o Cobasi Cuida, os dados reforçam que atuar na prevenção é tão importante quanto apoiar o resgate, ampliando o acesso à informação e fortalecendo projetos parceiros.
O cenário de 2025, analisado a partir de um histórico iniciado em 2022, mostra que enfrentar o abandono animal exige a atuação conjunta da sociedade, do poder público, das empresas e das organizações de proteção animal.
Dar visibilidade ao problema, informar e incentivar escolhas mais responsáveis é essencial para romper um ciclo que se repete ano após ano.
O Cobasi Cuida segue comprometido com esse propósito, porque cuidar dos animais é um compromisso de todos.
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