

O câncer de pele é uma doença que também pode afetar os cães e ocorre devido ao crescimento anormal de células, formando neoplasias ou tumores.
Na maioria das vezes, os primeiros sinais de câncer de pele em cachorro podem ser discretos, como pequenos caroços, feridas persistentes ou manchas espalhadas pelo corpo.
Com o passar do tempo, algumas dessas lesões podem aumentar de tamanho e, dependendo do tipo de tumor, invadir tecidos próximos ou se espalhar para outras regiões do organismo, comprometendo as funções vitais dos cães.
Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), o câncer de pele canino representa cerca de 30% a 40% dos diagnósticos de câncer em cães, o que reforça a importância de observar alterações na pele do animal.
A exposição à radiação ultravioleta é um dos fatores de risco para alguns tipos de câncer de pele em cães, especialmente em animais com pelagem curta, clara ou com pouca pigmentação.
Felizmente, nem todo tumor de pele em cachorro é câncer. Neoplasias benignas, como lipomas e papilomas, não provocam metástase, mas podem crescer, inflamar ou causar desconforto dependendo da localização.
Ainda assim, qualquer lesão de pele em cachorro deve ser observada com atenção, pois o diagnóstico precoce pode ampliar as opções de tratamento e melhorar o prognóstico dos tumores cutâneos malignos.
Notou um caroço, uma ferida persistente ou alguma mudança na aparência da pele do seu pet? Continue a leitura e descubra como identificar, tratar e prevenir o câncer de pele em cachorro.
| O que é câncer de pele em cachorro? | Uma doença causada pela multiplicação descontrolada de células da pele, formando tumores malignos. |
| Principais sintomas | Caroços, nódulos, verrugas, manchas escuras, crostas, sangramentos e feridas que não cicatrizam. |
| Nem todo caroço é câncer | Lipomas, papilomas e histiocitomas costumam ser benignos, mas somente os exames veterinários confirmam o diagnóstico. |
| Tipos mais comuns de câncer de pele em cachorro | Mastocitoma, carcinoma de células escamosas, melanoma canino e hemangiossarcoma cutâneo. |
| Como é feito o diagnóstico? | O veterinário pode solicitar citologia aspirativa, biópsia, exame histopatológico e exames de imagem. |
| Como tratar câncer de pele em cachorro? | A cirurgia é um dos principais tratamentos e pode ser associada à quimioterapia, radioterapia ou eletroquimioterapia. |
| Câncer de pele em cachorro tem cura? | Muitos casos podem ser tratados com sucesso, principalmente quando o tumor é identificado nas fases iniciais. |
| Como prevenir | Reduzir a exposição solar, usar protetor específico para cães e manter consultas veterinárias regulares ajuda a diminuir riscos e identificar lesões precocemente. |
Em condições normais, o organismo dos pets realiza um processo contínuo de renovação celular, substituindo tecidos antigos ou danificados por novos de maneira controlada.
A regeneração celular ajuda a manter a integridade da barreira cutânea e a proteger o corpo contra agentes externos, como microrganismos e substâncias irritantes que entram em contato com a pele.
Quando ocorrem falhas no processo de renovação, as células podem passar a se multiplicar de forma desordenada, formando massas ou nódulos em determinadas regiões da pele.
As alterações podem surgir em diferentes estruturas, como a epiderme, os folículos pilosos e as glândulas da pele. (FRANCISCO et al., 2008; LIMA, 2016)
As formações recebem o nome de neoplasias ou tumores cutâneos caninos e podem ser classificadas, conforme seu comportamento, em dois grandes grupos:
Por isso, é importante entender a diferença entre os termos: nem todo tumor de pele em cachorro é câncer. Apenas as neoplasias de comportamento maligno recebem essa classificação.
O câncer se desenvolve quando as células passam a se multiplicar de forma anormal e descontrolada, podendo invadir tecidos próximos e alcançar outras partes do organismo.
No início, o crescimento pode ser discreto e restrito a uma área específica da pele. Mas, com a evolução do quadro, as células cancerosas podem atingir vasos sanguíneos e se espalhar para outras regiões do corpo. Esse processo é chamado de metástase.
Para entender a extensão da doença, as neoplasias podem ser classificadas por estágios. No caso do melanoma oral canino, essa avaliação é chamada de estadiamento e ajuda a determinar a extensão e a gravidade da doença.
A classificação utiliza o sistema TNM, recomendado pela Organização Mundial da Saúde. A sigla considera três aspectos principais:
Com base nesses critérios, o melanoma oral canino pode ser classificado nos seguintes estágios:
| Estágio | Critérios | Descrição |
| Estágio 1 | T1 N0 M0 | Tumor pequeno, com menos de 2 cm de diâmetro e sem sinais de metástase. |
| Estágio 2 | T2 N0 M0 | Tumor entre 2 e 4 cm de diâmetro, ainda localizado e sem metástase. |
| Estágio 3 | T1 N1 M0 T2 N1 M0 T3 N0 M0 | Tumor maior que 4 cm ou já com comprometimento de linfonodos regionais, mesmo sem metástases à distância. |
| Estágio 4 | Qualquer T, qualquer N e M1 | Presença de metástases à distância, afetando órgãos como pulmões, fígado ou ossos. |
Detectar o câncer ainda nas fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e recuperação dos cães. Então, qualquer alteração persistente na pele deve ser avaliada por um médico-veterinário.

Segundo Goldschmidt & Hendrick (2002), os tumores de pele em cães variam conforme a origem das células e a estrutura afetada, podendo ser benignos ou malignos.
Conheça os principais tumores cutâneos caninos e suas características:
O mastocitoma é um dos tumores malignos mais frequentes em cães, representando cerca de 11% das neoplasias cutâneas diagnosticadas na espécie. (VILLAMIL et al., 2011)
A condição começa nos mastócitos, células presentes na derme e tecido subcutâneo, responsáveis por participar de reações inflamatórias e alérgicas.
Cães com a condição podem apresentar lesões múltiplas ou individuais, acompanhadas de úlceras e vermelhidão localizada.
Em geral, os mastocitomas aparecem nos membros, abdômen, região axilar e escrotal dos animais — nesta última, de maneira mais agressiva. (SFILIGOI et al., 2005)
O carcinoma de células escamosas (CCE), também chamado de carcinoma espinocelular, é considerado o segundo tumor mais comum em cães. (ESPLIN, 2003)
A doença ocorre a partir da multiplicação desordenada dos queratinócitos, as células mais abundantes da epiderme, responsáveis pela produção de queratina.
Os cães afetados costumam apresentar feridas múltiplas ou solitárias nas regiões do tronco, orelhas, pálpebras, narinas, lábios, área inguinal e axilar. (RODASKI & WERNER, 2009)
As lesões de carcinoma em cachorro geralmente possuem um aspecto papilar, em forma de couve-flor, e podem sangrar com facilidade.
O adenoma de glândulas perianal, também chamado de adenoma hepatóide, é uma neoplasia benigna que se desenvolve a partir das glândulas localizadas na região perianal.
Essas glândulas são responsáveis pela secreção de um fluido que atua na lubrificação do reto e na comunicação olfativa entre cães. (DALECK et al., 2016).
Suas lesões se manifestam através de massas firmes, com forma nodular e localizadas na base do ânus ou da cauda dos animais.
Quando assume um caráter maligno, a condição passa a ser chamada de adenocarcinoma e costuma causar formações isoladas e ulceradas no dorso, flancos e patas dos cães.
O lipoma é uma neoplasia benigna composta por tecido adiposo, muito comum em cães com mais de 8 anos ou obesos. (SCOTT, D. W. et al., 2001)
Geralmente, a condição se manifesta como bolinhas de gordura moles, arredondadas e móveis, localizadas em regiões como o tórax, músculos do peito, pescoço e abdômen.
Apesar de não apresentar risco de metástase, o crescimento exagerado pode causar desconforto, ulcerar e gerar quadros de dor. (GSCHWENDTNER, 2015).
O hemangiossarcoma cutâneo (HSA) é um tumor maligno derivado das células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos.
Embora possa atingir qualquer região do corpo, a condição afeta especialmente o abdômen ventral, prepúcio e membros pélvicos dos animais. (WARDI, 1994; CULBERTSON, 1982)
Suas lesões costumam apresentar coloração escura, variando do vermelho ao roxo-escuro, crescem rapidamente e podem aparecer em forma única ou múltipla.
Segundo Scott et al. (2001), o hemangiossarcoma é uma das formas mais invasivas de câncer de pele em cães, o que requer um diagnóstico rápido.
O papiloma é um tumor cutâneo canino benigno causado pelo papilomavírus canino, que provoca o crescimento anormal das células epiteliais. (MEDLEAU et al., 2009)
As lesões lembram verrugas pequenas, podendo ser múltiplas ou isoladas, e se multiplicam de maneira rápida, assumindo uma forma típica de couve-flor.
Embora tendam a desaparecer espontaneamente, os papilomas exigem observação, pois podem inflamar ou sangrar, especialmente quando localizados na boca ou nas pálpebras.
O melanoma é um tumor originado nos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina: um pigmento marrom ou preto que dá cor à pele e aos pelos dos cães.
Segundo Murakami et al. (2021), essa neoplasia pode ter comportamento benigno ou maligno, e surge principalmente na cavidade oral, cabeça, escroto e nos dedos dos pets.
Na região próxima às patas, quase 53% das lesões assumem um caráter maligno, sendo o segundo tipo de tumor mais comum entre os cachorros. (MANLEY et al., 2011).
Suas lesões costumam apresentar uma coloração escura característica, além de alta agressividade e grandes chances de metástase, atingindo linfonodos e pulmões.
O histiocitoma cutâneo canino (HCC) é um tumor benigno comum, representando cerca de 12–14% de todas as neoplasias cutâneas da espécie. (GOLDSCHMIDT et al., 1992)
A condição surge a partir da célula de Langerhans da epiderme, assumindo a forma de um nódulo solitário e sem pelos, geralmente na cabeça, membros e tórax do animal.
Em muitos casos, o histiocitoma regride espontaneamente em algumas semanas, mas deve ser acompanhado por um veterinário para descartar neoplasias malignas semelhantes.
As lesões cutâneas malignas em cães podem ter diversas origens, pois a transformação de uma célula normal em uma cancerígena ocorre a partir de alterações ou danos no DNA.
Isso costuma ser provocado por diferentes agentes cancerígenos, como:
A radiação ultravioleta (UV) é um dos principais fatores relacionados ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer de pele em cães, especialmente o carcinoma de células escamosas (CCE).
A exposição solar intensa provoca reações fotoquímicas que lesam o DNA, alteram o sistema imunológico e estimulam vias inflamatórias na pele. (KRAEGEL, 2004)
Esses efeitos são agravados em animais com falta de pigmentação, pelagem clara ou rala e em áreas constantemente expostas ao sol, como focinho, barriga e orelhas.
Além disso, a queratose actínica, uma lesão provocada pela luz solar, é considerada uma lesão precursora do câncer cutâneo. (WERNER, 2008; MEDLEAU; HNILICA, 2009)
Certos papilomavírus caninos também podem estar relacionados ao surgimento de tumores na pele, como os papilomas.
Quando os vírus infectam as células epiteliais, provocam o crescimento descontrolado e a divisão anormal, o que pode levar a mutações cromossômicas e instabilidade genética.
Embora a papilomatose canina costume ser benigna, em alguns casos, ela pode evoluir para formas malignas em função das alterações celulares promovidas pelo vírus.
Traumas repetidos e processos inflamatórios crônicos também estão relacionados ao desenvolvimento de neoplasias de pele.
O reparo celular constante aumenta o risco de mutações no DNA e pode favorecer a formação de tumores. (HARGIS; GINN, 2013)
Algumas raças caninas apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de tumores cutâneos, indicando a influência de fatores genéticos.
Segundo Modiano et al. (1999), essa vulnerabilidade está ligada a alterações em genes e proteínas que controlam o ciclo celular e a apoptose — processo natural de morte celular.

Os sintomas de câncer de pele em cachorro podem surgir de forma discreta e passar despercebidos, principalmente nas fases iniciais.
Nenhum desses sinais é exclusivo da doença, pois outras alterações cutâneas podem apresentar características semelhantes.
Segundo pesquisadores da UNESP, um dos sinais de alerta é a presença de feridas que não cicatrizam, principalmente quando aumentam de tamanho ou apresentam sangramento.
O caroço na pele do cachorro também pode aparecer como sinal de alerta. Os nódulos podem formar pequenas elevações e apresentar consistência firme ou mole.
Bolinhas no corpo do animal, verrugas avermelhadas e manchas escuras também merecem atenção, já que alguns tipos de câncer podem se manifestar dessa forma.
Com a evolução da doença, outros sinais podem aparecer, como:
As neoplasias de pele em cães podem apresentar diferentes aspectos, dependendo do tipo de tumor. Caroços, nódulos, manchas, verrugas e feridas estão entre as alterações descritas.
Confira as características das lesões abordadas no conteúdo:
| Tipo de tumor | Aspecto da lesão | Locais mais comuns |
| Mastocitoma | Lesões elevadas e firmes, medindo de 1 a 10 cm, com superfície avermelhada ou ulcerada. Versões subcutâneas são moles e pouco delimitadas, como um lipoma. | Tronco, períneo, extremidades, cabeça e pescoço. |
| Carcinoma | Lesão avermelhada com inchaço, queda de pelos, descamação e ulceração. A pele pode ficar mais espessada e enrugada, ou formar feridas em forma de couve-flor. | Membros, orelhas, pálpebras, narinas, lábios, área inguinal e axilar. |
| Adenoma ou Adenocarcinoma | Nódulo firme e arredondado, de tamanho variável. | Base da cauda e região anal. |
| Lipoma | “Bolinhas” subcutâneas arredondadas e móveis, geralmente moles ao toque. Alguns ficam mais firmes se houver tecido fibroso. | Tórax, abdômen e membros torácicos. |
| Hemangiossarcoma | Lesões mal delimitadas, em forma de placas ou nódulos em tons de vermelho a azul-escuro. Nódulos superficiais têm até 2 cm, enquanto os subcutâneos atingem 10 cm e são esponjosos. | Áreas expostas ao sol, principalmente abdômen ventral, prepúcio e membros pélvicos. |
| Papiloma | Pápulas e placas róseas ou brancas, lisas e brilhantes, que evoluem para verrugas em forma de couve-flor. | Focinho, cavidade oral, conjuntiva e pele. |
| Melanoma | Manchas escuras, com pigmentação variável (do marrom ao preto), geralmente ulceradas e inflamadas. | Cabeça, membros, dedos e escroto. |
| Histiocitoma | Massa solitária, arredondada e sem pelos, em forma de cúpula ou botão. | Cabeça, tórax e membros. |
Algumas doenças dermatológicas podem apresentar sintomas muito semelhantes aos de uma neoplasia em cachorro, o que atrasa e atrapalha o diagnóstico do câncer de pele.
Entre as condições com manifestações parecidas estão:

Observar a evolução de feridas e nódulos pode ajudar a identificar alterações que merecem investigação, principalmente quando persistem, aumentam de tamanho ou não cicatrizam com facilidade.
A confirmação depende da avaliação de um médico-veterinário e de exames específicos, já que diferentes doenças de pele podem apresentar sinais semelhantes.
Exames como a biópsia dermatológica canina permitem identificar células neoplásicas e ajudam a distinguir tumores benignos de malignos, orientando a escolha do tratamento.
Mesmo as neoplasias benignas precisam de acompanhamento veterinário, pois podem ulcerar ou causar desconforto ao animal. Ao notar alterações persistentes na pele do cachorro, procure um médico-veterinário.
Assim como acontece com humanos, alguns cães têm mais chances de desenvolver câncer de pele, seja por fatores genéticos, de idade ou sexo.
Esses aspectos influenciam tanto o surgimento quanto o comportamento das neoplasias cutâneas caninas, que podem se manifestar de maneira mais agressiva em certos pets.
Em geral, os principais fatores de risco para o desenvolvimento de tumor de pele em cachorros são:
A maioria dos tumores de pele em cachorro é diagnosticada em animais idosos, geralmente acima dos 8 anos de idade.
Mastocitomas, carcinomas, hemangiossarcomas, papilomaslipomas, melanomas e adenomas são mais frequentes nessa faixa etária. (LONDON & THAMM, 2013; RASKIN, 2003; SCOTT et al., 2001; MULLER & KIRK, 1996)
Cães com pelagem curta, clara ou pouco pigmentada têm maior risco de desenvolver carcinomas e hemangiossarcomas devido à maior exposição da pele à radiação ultravioleta. (GOLDSCHMIDT, M. H.; HENDRICK, M. J., 2002)
Algumas raças demonstram maior propensão ao surgimento de neoplasias cutâneas, como:
Pesquisas sugerem que os hormônios sexuais também podem influenciar a ocorrência e a agressividade dos tumores cutâneos.
Segundo os estudos citados, cadelas costumam apresentar mastocitomas menos agressivos, enquanto cães machos tendem a apresentar menor tempo de sobrevida. (LAUFER-AMORIM, 2011; KIUPEL et al., 2005).
Sem o tratamento adequado, o câncer de pele pode continuar crescendo e comprometer tecidos próximos.
Com a evolução do quadro, podem surgir dor, infecções, necrose da pele e perda de peso, afetando o bem-estar do animal.
Segundo London & Seguin (2003), cães com mastocitoma podem sofrer complicações secundárias relacionadas à degranulação dos mastócitos.
Entre as alterações descritas estão gastrite, úlceras gástricas, pressão baixa (hipotensão) e hemorragias.
Em fases avançadas, a doença pode comprometer funções vitais, como a respiração e o funcionamento de órgãos internos.
De acordo com Fighera (2008), em um estudo sobre causas de morte e eutanásia em cães, as neoplasias representaram 7,8% dos óbitos analisados, e as neoplasias cutâneas corresponderam a 12,4% desse total.

O diagnóstico de câncer de pele deve ser feito por um médico-veterinário, já que outras doenças podem causar alterações semelhantes na pele.
A investigação começa com uma avaliação clínica, que inclui o exame físico das lesões e uma anamnese, levantamento do histórico de saúde e das alterações percebidas pelo tutor.
As informações ajudam o veterinário a avaliar as possíveis causas e definir quais exames complementares são necessários.
Então os tutores devem estar preparados para responder algumas questões sobre o avanço dos quadros e mudanças de comportamento do animal, incluído:
Após a avaliação inicial, o veterinário pode solicitar exames laboratoriais e de imagem para avaliar o estado geral de saúde do animal e entender se há indícios de neoplasias.
A confirmação do diagnóstico de câncer de pele pode exigir diferentes exames, escolhidos de acordo com o tipo e a localização da lesão.
Entre os principais estão:
O tratamento do câncer de pele em cães varia conforme o tipo de neoplasia, a localização e o estágio clínico da doença.
De acordo com especialistas da UNESP, a cirurgia para remoção do tumor é o tratamento mais indicado na maioria dos casos.
A indicação da cirurgia depende das características do tumor e da avaliação veterinária. Nos casos malignos, a intervenção precoce pode ajudar a evitar a progressão da doença e o comprometimento de outros tecidos.
Dependendo do caso, o tratamento pode incluir terapias complementares, como radioterapia e quimioterapia, para controlar células tumorais remanescentes.
A eletroquimioterapia também pode ser indicada, especialmente para carcinomas de células escamosas, pois aumenta a absorção dos medicamentos quimioterápicos pelas células.
Na tabela abaixo, compilamos os principais tratamentos indicadas para os tipos de câncer de pele mais comuns em cães:
| Tipo de câncer | Tratamento recomendado |
| Mastocitoma | – remoção cirúrgica com margens de segurança; (FULSCHER et al., 2006) – quimioterapia antineoplásica; – fármacos como vimblastina, prednisona, ciclofosfamida e lomustina, sempre sob orientação veterinária; (LONDON & SEGUIN, 2003; WELLE et al., 2008; LONDON & THAMM, 2013) – inibidores de tirosinaquinase em casos específicos. (LONDON, 2009; JARK et al., 2012) |
| Carcinoma | – cirurgia; (MOORE; OGILVIE, 2001; GUÉRIOS et al, 2003) – radioterapia em regiões comprometidas com massas tumorais que não são removíveis cirurgicamente; (KRAEGEL; MADEWELL, 2004) – em alguns casos, criocirurgia ou quimioterapia de suporte. |
| Adenoma ou adenocarcinoma de glândula perianal | – excisão cirúrgica do tumor; – castração do animal, devido à relação com hormônios sexuais. |
| Lipoma | – cirurgia para remoção do nódulo, geralmente curativa e com bom prognóstico. (JARK et al., 2016). |
| Hemangiossarcoma | – cirurgia seguida de quimioterapia ou radioterapia. (WARD et al., 1994; VIVAN, 2020). |
| Papiloma | – muitos regridem espontaneamente e não precisam de tratamento; – remoção cirúrgica, criocirurgia ou laser em casos persistentes. (VIEIRA & POGGIANI, 2012). |
| Melanoma | – cirurgia como principal tratamento; – criocirurgia em caso de impossibilidade da cirurgia; (NISHIYA et al., 2006) – radioterapia como tratamento primário ou complementar; (CUNHA et al., 2013) – quimioterápicos, como cisplatina ou carboplatina, sempre sob recomendação veterinária. (GRANDI & RONDELLI, 2016). |
| Histiocitoma | – muitos regridem espontaneamente e não exigem tratamento; – excisão cirúrgica ou criocirurgia. (ARAÚJO et al., 2009). |
Sim, alguns tipos de câncer de pele em cães podem ter cura, principalmente quando são diagnosticados e tratados nas fases iniciais.
A possibilidade de recuperação varia conforme o tipo de tumor e o estágio da doença. Nos casos em que a cura não é possível, o tratamento pode prolongar a sobrevida e proporcionar mais conforto ao animal.
O tempo de vida de um cachorro com câncer de pele varia conforme o tipo de neoplasia, o estágio da doença e a resposta ao tratamento.
Tumores mais agressivos, como o hemangiossarcoma e algumas formas de melanoma, podem reduzir a expectativa de vida, principalmente quando são identificados em estágios avançados.
Estudos citados no conteúdo apontam prognósticos mais reservados para esses tumores, mas o tempo de sobrevida não é igual para todos os cães e depende das características de cada quadro.

Conheça as principais formas de manter os tumores cutâneos bem longe do seu cachorro! Embora nem todos os casos possam ser evitados, a prevenção de câncer de pele em cães é possível, e alguns cuidados simples reduzem as chances de incidência da doença.
Evitar a exposição excessiva ao sol é uma das medidas preventivas mais importantes, especialmente para cães de pele clara, pelos curtos ou com áreas despigmentadas.
Sempre que possível, evite a exposição prolongada ao sol entre 10h e 16h, período de maior intensidade citado pelo Hospital Veterinário da UFG.
Além disso, crie ambientes com sombra e abrigo contra o sol, garantindo que o animal possa aproveitar o dia de forma segura.
O uso regular de um protetor solar específico para cães também é uma medida eficaz que complementa a proteção do pet contra o sol.
De acordo com o Hospital Veterinário da UFMG, esses produtos são seguros e não possuem substâncias tóxicas que possam causar problemas se o pet lamber a região.
A aplicação deve ser feita diariamente, principalmente nas áreas com menos pelos, como orelhas, focinho, abdômen, axilas e região genital.
Manter a imunidade do cão sempre forte é fundamental para prevenir tumores causados por vírus oportunistas, como os papilomas.
Por isso, mantenha a carteira de vacinação do seu cachorro em dia, invista em vermifugação, proteção contra ectoparasitas e uma alimentação de qualidade!
Em locais com surtos, também vale a pena separar o pet de outros cães infectados, higienizando potes de alimentação, caminhas e outros itens pessoais do animal doente.
Por fim, as consultas anuais ou semestrais com o veterinário são indispensáveis para identificar precocemente qualquer sinal de neoplasias, como feridas, nódulos ou manchas.
O diagnóstico rápido aumenta consideravelmente as chances de cura do câncer de pele canino, possibilitando um tratamento menos invasivo e mais seguro ao seu pet!
O câncer de pele em cães ainda é uma doença cercada por dúvidas e crenças populares que podem atrapalhar a prevenção e seu diagnóstico precoce.
Abaixo, esclarecemos 4 mitos e verdades importantes sobre o tema!
Mito! O câncer de pele não é transmitido entre cães nem passa dos animais para os tutores.
Algumas lesões, como os papilomas, podem estar associadas ao papilomavírus canino. Nesses casos, o vírus pode ser transmitido entre cães, mas isso não torna o câncer de pele uma doença contagiosa.
Verdade! A exposição à radiação ultravioleta está relacionada ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer de pele, como o carcinoma de células escamosas canino.
Mito! Nem todo caroço na pele do cachorro é câncer. Lipomas, cistos sebáceos, inflamações e infecções cutâneas podem causar alterações semelhantes.
Mesmo assim, qualquer caroço ou ferida persistente deve ser avaliado por um médico-veterinário, que poderá indicar exames como a biópsia quando necessário.
Verdade! Embora os tumores cutâneos sejam mais comuns em cães idosos, animais jovens também podem desenvolver a condição.
Fatores como predisposição genética, exposição à luz solar, infecções virais e lesões contínuas também podem estar presentes em animais mais jovens.

Sim, tumores malignos podem invadir tecidos próximos e se espalhar para outras regiões do organismo, processo chamado de metástase.
Cães com pele clara, pouca pigmentação ou pelagem curta podem apresentar maior risco de alguns tumores relacionados à exposição à radiação ultravioleta, como o carcinoma de células escamosas.
Caroços que persistem, aumentam de tamanho ou aparecem acompanhados de feridas, sangramento ou outras alterações na pele precisam de avaliação veterinária.
Não. Papilomas, por exemplo, são tumores benignos. Como diferentes lesões podem apresentar aparência semelhante, qualquer alteração persistente deve ser avaliada por um médico-veterinário.
O mastocitoma é um tumor maligno e pode apresentar comportamento mais agressivo em determinados casos. Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento veterinário são importantes para definir a gravidade do quadro.

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SciELO Brasil – Pesquisa Veterinária Brasileira | Neoplasias cutâneas em cães: 656 casos (2007-2014) em Cuiabá, MT
SciELO Brasil – Ciência Rural | Estudo retrospectivo de 761 tumores cutâneos em cães
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A Cobasi vai além de uma pet shop online: aqui, no Blog da Cobasi, ensinamos você todos os cuidados com pets, casa e jardim.
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