

A erliquiose canina é uma doença infecciosa causada pela bactéria Ehrlichia canis, microrganismo que chega até os cachorros através da picada do carrapato-marrom (Rhipicephalus sanguineus).
Considerada uma das hemoparasitoses mais comuns em cães, a erliquiose ficou conhecida como doença do carrapato — apelido dado a um grupo de enfermidades transmitidas por esse vetor, como a babesiose e a anaplasmose canina.
Entre elas, a infecção por Ehrlichia canis merece atenção especial porque atinge as células de defesa do organismo do animal, comprometendo seu sistema imunológico.
Como consequência, um cachorro com doença do carrapato pode apresentar desde sinais inespecíficos, como febre, até complicações graves, como anemia, sangramentos e imunossupressão.
Sem o diagnóstico e o tratamento adequado, a erliquiose canina pode colocar a vida do animal em risco. Felizmente, quando identificada rapidamente, a doença tem cura e apresenta boas chances de recuperação!
Mas, como saber se o cachorro está com doença do carrapato? Neste guia, te ensinamos tudo sobre o assunto, incluindo:
| O que é erliquiose canina? | É uma doença infecciosa causada pela bactéria Ehrlichia canis, transmitida principalmente pela picada do carrapato-marrom. |
| Quais são os sintomas? | Os sinais mais comuns incluem febre, apatia, perda de apetite, emagrecimento, anemia, sangramentos e mucosas pálidas. |
| Como acontece a transmissão? | A infecção ocorre por transmissão direta, quando um carrapato contaminado pica o cachorro durante a alimentação. |
| A doença tem cura? | Sim. Quando diagnosticada e tratada corretamente, com antibióticos ou transfusão de sangue, as chances de recuperação são altas. |
| Quais exames confirmam o diagnóstico? | O diagnóstico é feito com a combinação de hemograma completo, sorologia e PCR, sempre com a avaliação de um médico-veterinário. |
| Erliquiose e doença do carrapato são a mesma coisa? | Não. A erliquiose é uma das doenças transmitidas por carrapatos, mas o termo é mais amplo e engloba outras infecções transmitidas por esses parasitas, como a babesiose e a anaplasmose. |
A erliquiose canina é uma infecção bacteriana causada pela Ehrlichia canis, bactéria intracelular que se instala nos glóbulos brancos, as células de defesa dos cães.
Lá, o microrganismo se multiplica e provoca a sua destruição, levando o animal a um quadro progressivo de imunossupressão.
Esse ataque direto ao sistema imune afeta órgãos essenciais, como baço, medula óssea e linfonodos.
Por isso, quando não diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada, a erliquiose pode evoluir para um quadro grave e potencialmente fatal.
Considerada uma das principais doenças sanguíneas transmitidas por carrapatos, a infecção por Ehrlichia canis provoca uma série de alterações hematológicas nos pets, incluindo anemia, dificuldades de coagulação e, em casos mais avançados, hemorragias.
No Brasil, a erliquiose é mais conhecida como doença do carrapato, já que o carrapato Rhipicephalus sanguineus, chamado de carrapato-marrom, é o principal vetor da infecção.
Apesar da popularidade, é importante esclarecer que esse é um termo genérico usado para descrever diferentes hemoparasitoses e doenças hematológicas transmitidas por carrapatos, como a erliquiose, a babesiose e a anaplasmose.
Como cada condição possui agentes, sintomas e tratamentos distintos, os veterinários costumam utilizar os nomes científicos para não gerar confusão. Mas, no dia a dia, erliquiose e doença do carrapato acabam funcionando como sinônimos.

A erliquiose é causada por bactérias do gênero Ehrlichia, microrganismos que invadem os glóbulos brancos dos cães e utilizam essas células para sobreviver e se multiplicar.
De acordo com um estudo publicado pelo Instituto Butantan, atualmente, cinco espécies fazem parte desse gênero: E. canis, E. chaffeensis, E. ewingii, E. muris e E. ruminantium.
No entanto, só a E. canis foi encontrada em cães com erliquiose no Brasil até agora.
Para chegar até os animais — seus hospedeiros finais — as bactérias do gênero Ehrlichia “pegam carona” nos carrapatos, que atuam como transmissores (ou vetores) da doença.
Atransmissão da erliquiose ocorre principalmente pela picada de um carrapato-marrom infectado (Rhipicephalus sanguineus).
O ciclo da doença começa quando o parasita entra em contato com a E. canis ao se alimentar de um cachorro previamente infectado.
Uma vez no organismo do carrapato, as bactérias do gênero Ehrlichia se multiplicam nas células do sistema circulatório e das glândulas salivares.
A partir desse momento, então, o parasita se torna capaz de transmitir a infecção para novos hospedeiros quando se alimenta.
Vale lembrar que a transmissão é sempre horizontal, ou seja, o carrapato se infecta e passa a bactéria para os seus próximos hospedeiros — as fêmeas não contaminam seus ovos.
Isso acontece mesmo quando o parasita troca de estágio biológico. Portanto, tanto larvas, quanto ninfas e carrapatos adultos podem transmitir a erliquiose canina.

De acordo com Mavromatis (2006), os cães só servem como fonte de infecção durante a fase aguda da doença, quando há muitas bactérias na corrente sanguínea.
Os carrapatos, por outro lado, podem permanecer infectados por aproximadamente um ano.
A erliquiose também pode ser transmitida por transfusões de sangue contaminado, mas o carrapato-marrom continua sendo o principal vetor da doença.
Em seus estágios iniciais, a erliquiose é assintomática. Isso significa que a maioria dos cães infectados nem mesmo apresenta sinais evidentes da doença.
Conforme a bactéria se multiplica, as alterações começam a aparecer e o tutor pode notar mudanças no comportamento e no corpo do animal.
A doença costuma se manifestar entre 7 e 21 dias após a picada do carrapato, período conhecido como incubação (intervalo em que as bactérias estão se multiplicando).
Os primeiros sinais clínicos da erliquiose costumam ser sutis e inespecíficos — o que faz com que os tutores confundam o quadro com outras doenças ou desconfortos passageiros.
Cachorros com erliquiose podem parar de brincar ou se divertir de uma hora para outra, adotando uma postura mais reservada e até um pouco triste.
De acordo com um estudo organizado pela Universidade Federal de Minas Gerais entre 1998 e 2011, os primeiros sintomas geralmente incluem:
Nos quadros mais graves, a infecção pode provocar um importante comprometimento hematológico, afetando a produção e o funcionamento das células sanguíneas dos cães.
Nesse ponto, é mais fácil perceber que há algo de errado com o pet, já que o animal passa a apresentar sintomas específicos, como:
Como a erliquiose compromete o organismo do animal progressivamente, você deve levar seu cão ao médico-veterinário caso ele apresente qualquer um dos sintomas listados.
Quanto mais cedo a doença do carrapato for identificada, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de sequelas.

Sim, a erliquiose tem cura e, na maioria dos casos, o cachorro com doença do carrapato volta ao normal — principalmente quando o diagnóstico e o tratamento são realizados precocemente.
Como acontece com outras hemoparasitoses caninas, a possibilidade de cura depende de fatores como a fase em que a doença é identificada, a resposta imunológica do pet, a presença de outras infecções e a rapidez com que o tratamento é iniciado.
Em geral, cães diagnosticados cedo apresentam uma excelente recuperação e podem retomar sua rotina normalmente após o acompanhamento veterinário.
Quando a doença não é tratada rapidamente, o risco de complicações — como anemia e imunossupressão — aumenta, e a recuperação nem sempre é possível.
Atenção: mesmo após a cura da infecção, alguns exames continuarão detectando anticorpos contra a Ehrlichia canis por algum tempo.
Por isso, o médico-veterinário pode solicitar avaliações complementares para confirmar a recuperação do animal e acompanhar sua evolução clínica.
Algumas doenças apresentam sintomas muito parecidos com os da erliquiose, o que pode dificultar o diagnóstico clínico.
Para te ajudar a levantar algumas hipóteses, mapeamos as condições que costumam causar confusão e explicamos como diferenciá-las abaixo:
| Doença | Agente causador | Sintomas semelhantes | Sintomas específicos | Como diferenciar |
| Babesiose canina | Babesia spp. (protozoário) | Febre, apatia, mucosas pálidas, perda de peso, petéquias e anemia em cachorro. | Icterícia (mucosas amareladas) e urina escura. | Esfregaço sanguíneo, sorologia e PCR. |
| Anaplasmose canina | Anaplasma platys e A. phagocytophilum (bactérias) | Febre, apatia, anorexia, perda de peso e distúrbios hemorrágicos | Febre intermitente e tensão abdominal. | Esfregaço sanguíneo, sorologia e PCR. |
| Leishmaniose canina | Leishmania spp. (protozoário) | Apatia, emagrecimento, anemia, aumento dos linfonodos e sangramento nasal. | Feridas na pele, crescimento exagerado das unhas (onicogrifose), alterações oculares e lesões que não cicatrizam. | Pesquisa parasitológica, testes sorológicos e moleculares. |
| Dirofilariose canina | Dirofilaria immitis (nematódeo) | Fraqueza, perda de peso e dificuldade para respirar. | Tosse persistente, sons anormais no coração e pulmões e alterações cardíacas. | Teste de antígeno, teste de Knott, radiografia torácica e ecocardiograma |
| Cinomose canina | Vírus da cinomose canina (VCC) | Febre, apatia, perda de apetite, dificuldade para respirar, vômitos e diarreia. | Secreção ocular e nasal, tosse, alopecia e sinais neurológicos, como vocalização e paresia. | Testes moleculares (RT-PCR) e citologia. |
| Parvovirose canina | Canine parvovirus tipo 2 (CPV-2) | Febre, apatia, perda de apetite, emagrecimento, vômito e diarreia. | Fezes escuras (melena), hipersalivação, aumento ou diminuição da sede. | Teste rápido ELISA fecal e PCR. |
Essa tabela tem caráter informativo e não substitui a avaliação profissional.
Mesmo quando a erliquiose é confirmada, outras doenças não devem ser automaticamente descartadas. Até porque, um parasita pode carregar vários agentes infecciosos de uma vez.
No Brasil, por exemplo, muitos cachorros com erliquiose estão co-infectados por Anaplasma spp., Babesia spp., Bartonella spp., Hepatozoon spp. e Mycoplasma spp.
Em um estudo que analisou a frequência de infecção porEhrlichia canis e Anaplasma platys em cães de Campo Grande, por exemplo, 9,94% dos cães analisados apresentaram co-infecção pelos dois agentes.
O quadro clínico de cães com infecções simultâneas tende a ser mais grave, com alto risco de anemia, sangramentos, perda de peso e outras alterações hematológicas sérias.
A presença de múltiplos agentes infecciosos também pode dificultar o diagnóstico e prejudicar a recuperação do animal. Então investigue com cautela!
A doença do carrapato pode atingir animais de qualquer raça, sexo ou idade, mas alguns grupos têm mais chances de entrar em contato ou desenvolver formas graves da condição.
Como a doença do carrapato ocorre por transmissão vetorial, a presença do carrapato-marrom é indispensável para a disseminação da Ehrlichia canis.
Por esse motivo, os casos de erliquiose canina são mais comuns em regiões de clima tropical e subtropical, como o Brasil, onde o parasita encontra condições favoráveis para sobreviver e se reproduzir durante grande parte do ano. (FONSECA et al., 2013)
De acordo com a revista Ciências Veterinárias, cães da raça Husky Siberiano e Pastor Alemão estão mais propensos a desenvolver formas graves da doença do carrapato.
A predisposição racial foi observada em um estudo que analisou o prognóstico da erliquiose em cachorros de diferentes linhagens.
Na pesquisa, os especialistas perceberam que a resposta imune mediada por células de cães da raça Pastor Alemão foi menor do que a dos cães da raça Beagle.
Cães que vivem ao ar livre ou têm acesso a áreas abertas, como quintais e parques, estão mais expostos a infestações de carrapatos e, consequentemente, à erliquiose.
O perigo aumenta ainda mais quando o animal não segue um protocolo antiparasitário adequado ou circula em ambientes superlotados ou mal higienizados.
A prevalência da doença do carrapato tende a ser maior em cães idosos, possivelmente devido ao maior tempo de exposição aos carrapatos ao longo da vida.
Já as formas mais graves da erliquiose costumam ser observadas em animais com imunossupressão, condição que reduz a capacidade do organismo de combater infecções.
Por esse motivo, cães idosos, filhotes ou animais portadores de doenças crônicas devem receber atenção redobrada.
A erliquiose canina é uma doença infecciosa progressiva, ou seja, seu quadro clínico evolui com o tempo, passando por três fases distintas: aguda, subclínica e crônica.
Essas etapas refletem a forma como o organismo do cachorro reage à infecção.
A classificação leva em consideração a quantidade de bactérias circulando no corpo, a resposta do sistema imunológico e a intensidade dos sintomas apresentados pelo pet.
| Fase | Duração | Características da fase | Principais sinais |
| Erliquiose aguda | 2 a 4 semanas | A bactéria se multiplica nas células mononucleares e órgãos como linfonodo, fígado e baço. | Febre, apatia, perda de apetite, emagrecimento, aumento dos linfonodos, petéquias e queda das plaquetas. |
| Erliquiose subclínica | Meses ou anos | A infecção continua ativa, mas o organismo consegue controlar parcialmente a bactéria. | Os sintomas diminuem ou desaparecem, embora o agente permaneça no corpo do animal. |
| Erliquiose crônica | — | A bactéria permanece no organismo por longos períodos e passa a causar danos mais importantes ao sangue, à medula óssea e ao sistema imunológico. | Anemia, mucosas pálidas, sangramentos, fraqueza intensa, emagrecimento, edema e maior predisposição a infecções secundárias. |
Embora nem todos os cães passem por todas as fases da erliquiose, entender como a infecção se comporta e quais alterações podem surgir em cada etapa vai te ajudar a identificar a doença do carrapato mais cedo. Veja os detalhes!
A fase aguda é a primeira etapa da erliquiose canina e ocorre já nas primeiras semanas após a picada do carrapato.
Nesse período, células infectadas com Ehrlichia canis migram para vasos sanguíneos menores, provocando inflamações conhecidas como vasculite.
Os sinais iniciais da doença são leves e inespecíficos, mas tendem a se agravar com o tempo. Entre os sintomas mais comuns estão:
Muitos tutores confundem esses sinais com indisposição passageira, mas os exames de sangue já mostram alterações como queda de plaquetas, início de anemia e leucopenia (redução de glóbulos brancos).
A fase aguda dura de 2 a 4 semanas. Se o sistema imunológico do cão conseguir controlar parcialmente a infecção, a doença evolui para a fase seguinte.
Com tratamento imediato, há grandes chances de cura total. Mas, sem ele, a evolução aguda pode ser fatal.
A evolução subclínica é conhecida como o período silencioso da doença. O cachorro parece saudável e, em muitos casos, os sintomas desaparecem totalmente.
Ainda assim, a bactéria permanece no organismo, em baixa atividade, alojada principalmente no baço e na medula óssea. Essa fase pode durar meses ou até anos.
O tutor pode não notar nada anormal, mas os exames de sangue ainda revelam alterações discretas, como plaquetas baixas ou elevação de anticorpos.
Isso acontece porque a Ehrlichia canis não é eliminada completamente pelo sistema imune — as alterações clínicas da doença só deixam de ser evidentes.
A partir desse ponto, o animal infectado pela doença do carrapato pode seguir dois caminhos:
Na fase subclínica, a própria resposta imunológica do animal pode contribuir para o agravamento da doença. E quando isso acontece, os cachorros entram na próxima fase.
A evolução crônica é o estágio mais grave e debilitante da erliquiose. Aqui, a Ehrlichia canis exerce impacto máximo sobre o organismo do pet e os sintomas iniciais retornam com intensidade ainda maior.
A medula óssea, responsável pela produção de glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas, sofre ataques que acabam destruindo o sistema imunológico do pet.
Como consequência, o cão se torna altamente vulnerável a infecções oportunistas, e a infecção adota um comportamento semelhante ao de doenças autoimunes.
Outro ponto importante é que o depósito de imunocomplexos em órgãos vitais causa inflamações sistêmicas.
Quando se acumulam nos rins, podem gerar insuficiência renal; nos olhos, provocam uveíte; nas articulações, levam a artrites dolorosas; no sistema nervoso, causam sintomas neurológicos como convulsões, desorientação ou dificuldade de locomoção.
Em geral, o quadro clínico do cão nessa etapa inclui:
O diagnóstico precoce é o principal fator para garantir a recuperação completa do animal, mas o prognóstico dessa fase é reservado.

A doença do carrapato em cachorro pode gerar complicações graves se não for identificada e tratada corretamente em seus estágios iniciais. Entre as mais comuns estão:
Quando a doença do carrapato compromete o sistema nervoso central, os animais também podem apresentar sinais neurológicos como ataxia, convulsões e paralisia dos membros.
Essas complicações são mais frequentes na fase crônica, quando o organismo já está debilitado e a resposta imunológica do cão está comprometida.
O diagnóstico da erliquiose deve ser feito exclusivamente por um médico-veterinário, com base no histórico do animal, sintomas clínicos e exames laboratoriais.
Durante a consulta, o profissional fará perguntas sobre:
Em seguida, o veterinário realizará um exame físico detalhado, com a avaliação das mucosas e da temperatura do pet, palpação de linfonodos e a ausculta cardíaca.
Se houver suspeita, o profissional também poderá solicitar exames mais específicos que detectam a doença do carrapato com precisão.
Os principais exames utilizados para diagnosticar a doença do carrapato em cachorro são: hemograma completo, testes sorológicos (ELISA e IFI) e PCR.
| Exame para doença do carrapato | Tipo de teste | O que avalia | O que pode identificar |
| Hemograma completo | Exame inicial — acende o alerta para a condição. | Analisa as células sanguíneas do cachorro. | Método complementar. Detecta alterações como hematócrito baixo, anemia e redução de plaquetas (trombocitopenia), mas não confirma o quadro. |
| Sorologia (ELISA e IFI) | Teste indireto — indica que o animal já teve contato com o antígeno. | Detecta anticorpos produzidos contra a Ehrlichia canis. | Método mediano. Indica que o animal teve contato com a bactéria, mas não confirma se a infecção está ativa. |
| PCR | Teste direto — confirma a presença do antígeno. | Pesquisa a presença do material genético da bactéria no sangue. | Método mais preciso. Confirma a presença da Ehrlichia canis e ajuda a diferenciar a erliquiose de outras doenças semelhantes. |
| Esfregaço sanguíneo | Teste direto — confirma a presença do antígeno. | Avalia uma amostra de sangue ao microscópio. | Método menos preciso. Pode identificar estruturas da bactéria dentro dos glóbulos brancos, mas funciona melhor na fase aguda da doença. |
Os sinais clínicos da erliquiose se confundem com os de outras doenças transmitidas por carrapatos e infecções que causam anemia, febre e queda de plaquetas. Sem exames específicos, o risco de diagnóstico incorreto aumenta.
Um bom exemplo é que tanto a babesiose quanto a anaplasmose podem causar anemia e prostração, porém cada uma exige tratamento com medicamentos diferentes.
Por isso, o conjunto hemograma, sorologia e PCR permite ao veterinário:
Essa combinação de métodos garante um diagnóstico mais seguro e um tratamento direcionado e eficaz.
Além dos exames, o veterinário pode solicitar avaliações complementares para verificar o estado do fígado, rins e medula óssea, já que a doença costuma afetar múltiplos órgãos.

O tratamento para doença do carrapato geralmente envolve o uso de antibióticos veterinários, como a doxiciclina. No entanto, o protocolo pode variar de acordo com a fase da infecção, a gravidade dos sintomas e o estado de saúde do cachorro.
Logo, não existe um tratamento único que funcione para todos os pacientes.
Após a avaliação clínica e a análise dos exames, o médico-veterinário define a abordagem mais adequada para cada caso, que pode incluir:
Os antibióticos são a base do tratamento da erliquiose. O medicamento mais utilizado é a doxiciclina, mas outras opções também podem ser indicadas em situações específicas.
O tratamento costuma durar entre 28 e 30 dias e deve ser seguido até o final, mesmo que o cachorro apresente melhora nos primeiros dias.
Em casos leves, como a fase aguda da doença, os sinais clínicos começam a regredir entre 24 e 48 horas após o início da terapia. (ALMOSNY & MASSARD, 2005)
Além do uso de antibióticos, alguns cães podem precisar de suporte clínico para controlar os sintomas associados à doença do carrapato.
Dependendo do quadro, o veterinário pode recomendar fluidoterapia para corrigir a desidratação, analgésicos para o controle da dor e estimulantes de apetite, por exemplo.
Casos graves de erliquiose são tratados em ambiente hospitalar, onde o cachorro recebe monitoramento constante e cuidados intensivos.
O protocolo de cuidados nessa fase pode incluir fluidoterapia intravenosa, suporte nutricional e outras medidas destinadas a estabilizar o paciente.
Quando a doença do carrapato provoca anemia severa, trombocitopenia grave ou insuficiência medular, o veterinário também pode indicar a transfusão de sangue.
A melhor forma de proteger o seu cachorro contra a erliquiose canina é mantê-lo bem longe das infestações de carrapatos.
Como ainda não existe vacina contra a doença do carrapato, a prevenção depende da combinação entre o uso de antiparasitários, cuidados com o ambiente e acompanhamento veterinário regular. Abaixo, listamos as principais medidas recomendadas por especialistas:
Hoje em dia, existem várias opções eficazes para prevenir infestações, incluindo coleiras antiparasitárias, comprimidos antiparasitários, pipetas e shampoos específicos.
Marcas como Bravecto, NexGard e Simparic oferecem proteção prolongada — alguns deles por até 12 semanas, tanto em ambientes internos quanto externos.
Ainda assim, é importante lembrar que nem todo antipulgas e carrapatos para cachorro funciona da mesma maneira.
“A diferença entre elas é que uma medicação oral para controle vai matar o carrapato quando ele picar o animal, e, dependendo da carga parasitária, a doença pode ser transmitida já nesse primeiro contato.
As medicações que são repelentes (líquidos aplicados na pele e coleiras), não deixam o carrapato picar”, explica a médica-veterinária Isabella do Espirito Santo Martins, em entrevista ao portal Vida de Bicho.
Para manter o esquema de proteção sempre em dia, não se esqueça de fazer aplicações periódicas, nos intervalos indicados pela fabricante.
Quer saber qual o melhor remédio para prevenir e tratar infestações de carrapatos em cachorros? Leia nosso artigo e descubra 10 ótimas opções!
O combate aos carrapatos não deve se limitar ao animal. Como boa parte do ciclo de vida do parasita acontece no ambiente, manter os espaços que o seu cachorro frequenta limpos e higienizados é uma etapa fundamental da prevenção.
Para isso, lave caminhas, cobertores, brinquedos e outros objetos do pet de tempos em tempos, evite o acúmulo de lixo em quintais e jardins e apare o gramado regularmente.
Os carrapatos podem sobreviver por semanas ou até meses sem um hospedeiro, escondidos em frestas, rachaduras, muros e locais com vegetação alta.
Se você identificar uma infestação no ambiente, produtos químicos próprios para o controle de ectoparasitas em áreas externas podem ajudar.
Tire um tempo para examinar a pelagem do seu cachorro após passeios em parques, chácaras, sítios, áreas com vegetação ou locais frequentados por muitos animais.
Os carrapatos adoram se fixar na região das orelhas, pescoço, axilas, patas e entre os dedos dos animais — e podem passar despercebidos sem uma boa inspeção.
Consultas periódicas ajudam a detectar precocemente qualquer sinal de infecção e garantem o uso correto dos produtos preventivos contra carrapatos.
Nas unidades da Pet Anjo, você encontra profissionais capacitados para acompanhar a saúde do seu pet em todas as fases da vida. Conheça nossos endereços e agende uma consulta!

Não exatamente. A erliquiose é uma das principais doenças transmitidas por carrapatos e, por isso, é chamada popularmente de doença do carrapato. No entanto, esse termo é amplo e engloba outras infecções transmitidas por esse parasita, como babesiose e anaplasmose.
Resumindo: a erliquiose é um tipo de doença do carrapato, mas não a única condição conhecida por esse apelido.
A principal diferença entre a erliquiose e a babesiose canina é que a primeira afeta os glóbulos brancos dos cães, enquanto a segunda destrói os seus glóbulos vermelhos.
Além disso, essas duas hemoparasitoses conhecidas como “doença do carrapato” são causadas por agentes etiológicos diferentes. Veja um comparativo geral na tabela:
| Característica | Erliquiose canina | Babesiose canina |
| Agente causador | Bactéria Ehrlichia spp. | Protozoário Babesia spp. |
| Transmissão | Principalmente pelo carrapato-marrom (Rhipicephalus sanguineus) | Principalmente pelo carrapato-marrom (Rhipicephalus sanguineus) |
| Células afetadas | Glóbulos brancos (leucócitos) | Glóbulos vermelhos (hemácias) |
| Principal alteração sanguínea | Redução de plaquetas e comprometimento do sistema imunológico. | Destruição das hemácias que causa anemia hemolítica progressiva. |
| Sintomas mais comuns | Febre, apatia, sangramentos, petéquias, mucosas pálidas, aumento dos linfonodos, alterações oculares e neurológicas. | Anemia, febre, mucosas pálidas, perda de apetite, perda de peso, depressão, petéquias e, em alguns casos, icterícia. |
Em muitos casos, o animal pode ser contaminado por ambas as doenças ao mesmo tempo, o que agrava o seu quadro clínico. Por isso, o diagnóstico correto é fundamental.
Sim. Embora o risco seja menor em comparação aos animais que vivem em quintais ou na rua. Os parasitas podem chegar ao ambiente doméstico de diferentes formas, inclusive pegando carona em roupas, sapatos ou até mesmo na pelagem de outros animais.
Passeios, visitas a pet shops, creches, hotéis para cães e o contato com pets infestados também aumentam o risco de exposição a doenças transmitidas por vetores.
O tratamento dura, em média, 4 semanas — mas pode se estender até 8 semanas nos casos mais graves. Cães que chegam à fase crônica geralmente precisam de acompanhamento contínuo por meses.
Sim. Um cachorro tratado pode ter doença do carrapato novamente se for picado por um carrapato infectado após sua recuperação. Isso acontece porque a infecção por Ehrlichia canis não gera imunidade permanente.
Em outras palavras, mesmo que o animal tenha sido tratado com sucesso, ele continua suscetível a novas infecções ao longo da vida.
As chances de sobrevivência dependem principalmente da rapidez do diagnóstico e do início do tratamento — mas, sim, a doença do carrapato pode matar.
Quando a erliquiose é identificada nas fases iniciais, a maioria dos cães apresenta boa resposta aos antibióticos e se recupera completamente. Casos diagnosticados tardiamente possuem um prognóstico mais reservado.
A erliquiose não costuma ser transmitida por contato direto entre cães ou de cães para humanos. A transmissão ocorre principalmente pela picada de carrapatos infectados e, mais raramente, por transfusão de sangue contaminado.
Mesmo que o cão não transmita a erliquiose diretamente para humanos, a presença de carrapatos infectados no ambiente representa risco para pessoas e animais.
Por conta disso, a doença é considerada uma zoonose vetorial, pois o mesmo vetor que picou o cachorro pode picar humanos e transmitir a bactéria.
Casos de erliquiose monocítica humana já foram relatados, com sintomas como febre, dor muscular e mal-estar. Por isso, manter o ambiente livre de carrapatos é uma forma de proteger toda a família!
Não. Cães com erliquiose ativa ou histórico recente da doença não devem doar sangue, pois existe o risco de transmissão da bactéria para o animal que receber a transfusão.
Por esse motivo, os bancos de sangue veterinários realizam uma série de exames antes de aprovar um doador, como a médica-veterinária Carolina Sultanum explicou ao Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP):
“Esta coleta é essencial para checarmos se o pet tem alguma doença que pode ser transmitida pelo sangue, como erliquiose (doença do carrapato), dirofilariose (verme do coração), leishmaniose e brucelose. Este diagnóstico minimiza o risco da transmissão destas doenças e de efeitos colaterais do receptor”, conclui.
A erliquiose canina é uma doença séria, mas com atenção aos sintomas, medidas preventivas e visitas frequentes ao veterinário, seu cão pode viver com segurança e saúde.
Na Cobasi, você encontra antiparasitários, itens de higiene e produtos para controle ambiental que ajudam a proteger toda a família contra a doença do carrapato.
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Ótimo me ajuda muito pois trabalho em que vende medicamento veterinario obrigado
Gostei muito do vídeo explicativo sobre Erliquiose canina. Meu cão tem.
Mas tbm foi picado por mosquito palha, e tem vermes do coração.
Por favor, faça um vídeo sobre isso.
O Bruce tem 13 anos e usa Revolution 1 X por mês. Mas na bula não fala nada sobre o mosquito palha ‼️☹️
Toma tbm Milbemax, para ajudar no controle dos vermes do coração. Toda família sofre junto…….o Bruce é muuuuito amado.
Por favor ? nos ajude.
Obrigada. NK
Ótimo conteúdo, meu pet está com essa doença e o tópico foi de grande ajuda! Abraço e obrigado!