

Sim, cachorro sonha. Enquanto dorme, muitos cães mexem as patas, movimentam os olhos, abanam o rabo, choramingam ou soltam pequenos latidos.
Esses comportamentos aparecem com mais frequência no sono REM (rapid eye movement), expressão em inglês para movimento rápido dos olhos.
A atividade cerebral aumenta e os sonhos tendem a acontecer. Algo parecido ocorre com os humanos. Cães também passam por diferentes fases do sono, alternando momentos mais leves, sono profundo e períodos de maior atividade cerebral.
Segundo a AKC (American Kennel Club), estudos com animais mostram que experiências vividas durante o dia podem reaparecer no sono. Isso ajuda a explicar por que um cachorro pode parecer correr, brincar ou reagir a alguma situação enquanto dorme.
Na maioria dos casos, os movimentos e sons fazem parte do sono normal. Para entender melhor o assunto, conversamos com a médica-veterinária Lysandra Barbieri (CRMV/SP 44484).
O conteúdo explica com o que os cães podem sonhar, se cachorro tem pesadelo, quando vale acordar e quais sinais pedem atenção.
As evidências científicas mostram que os cães passam pelo sono REM, fase marcada por maior atividade cerebral, movimentos rápidos dos olhos e redução da atividade muscular.
Esse padrão também aparece no sono humano e está associado aos sonhos mais vívidos. Durante o descanso, o cérebro continua organizando memórias, aprendizados e experiências recentes.
A presença do sono REM e a relação entre descanso, memória e aprendizado sustentam a conclusão de que cães sonham.
Estudos realizados diretamente com cães identificaram as diferentes fases do sono por meio da polissonografia, exame que monitora diversas funções do organismo enquanto o animal dorme.
Os resultados identificaram períodos de vigília, sonolência, sono não REM e sono REM. Essa organização mostra que o sono canino apresenta características semelhantes às observadas nos humanos.
Outra pesquisa analisou a atividade cerebral de cães após uma tarefa de aprendizagem. Os resultados encontraram uma relação entre o sono, o desempenho dos animais e a consolidação da memória.
A consolidação da memória é o processo usado pelo cérebro para organizar e armazenar informações recentes. Essa descoberta reforça a possibilidade de que experiências vividas durante o dia continuem sendo processadas enquanto o cachorro dorme.
Em 2001, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, monitoraram a atividade cerebral de ratos enquanto os animais percorriam uma pista em busca de alimento.
Durante o sono, os mesmos padrões registrados no trajeto voltaram a aparecer. A correspondência permitiu identificar até qual parte do percurso estava sendo reproduzida pelo cérebro.
O estudo não analisou cães, mas mostrou que o cérebro de um mamífero pode retomar durante o sono sequências de uma experiência real. A descoberta ajuda a compreender como memórias do cotidiano podem aparecer nos sonhos dos animais.
Sim, é normal cachorro se mexer enquanto dorme. Pequenas contrações musculares, movimentos das patas, alterações na respiração e sons baixos costumam aparecer durante o sono REM.
O corpo permanece relaxado durante o sonho, mas alguns movimentos involuntários podem acontecer. Por isso, o cachorro pode parecer correr, brincar ou reagir a alguma situação sem acordar.
Um cachorro sonhando pode apresentar comportamentos como:
Esses sinais costumam durar pouco e desaparecem sem a necessidade de interferência. Pequenos tremores e vocalizações durante o sono são considerados normais na maioria dos casos.
Movimentos rígidos, fortes ou prolongados não devem ser associados automaticamente a um sonho. Salivação excessiva, perda de urina, falta de resposta e confusão ao acordar também podem indicar uma crise convulsiva ou outro problema neurológico.
Sempre que o comportamento fugir do padrão habitual, vale gravar o episódio e mostrar o vídeo ao médico-veterinário. O registro ajuda a avaliar a duração, a intensidade e os movimentos apresentados durante o sono.

Os sonhos dos cães provavelmente estão ligados às experiências vividas durante o dia, como explica a médica-veterinária Lysandra Barbieri:
“Ainda não é possível definir com o que o cachorro sonha, mas o ciclo de sono dos pets é bem parecido com o nosso. Acredita-se que o sonho esteja relacionado ao que foi vivido durante o dia, a algum brinquedo que marcou a memória ou até mesmo à captura e à perseguição de presas.”
Passeios, brincadeiras, cheiros, refeições, treinamentos e encontros com pessoas ou outros animais podem reaparecer durante o descanso.
Um movimento de corrida, por exemplo, pode estar relacionado a uma experiência recente, mas não revela com certeza o conteúdo do sonho.
Sim, é possível que o cachorro sonhe com o tutor. Como os sonhos caninos provavelmente retomam experiências do cotidiano, pessoas próximas, cheiros conhecidos e momentos de carinho podem aparecer durante o sono.
Deirdre Barrett, psicóloga da Faculdade de Medicina de Harvard, explica que os sonhos costumam refletir interesses e acontecimentos vividos durante o dia.
Como os cães criam vínculos fortes com os tutores, Barrett considera provável que o rosto, o cheiro e as interações com essas pessoas façam parte dos sonhos.
Ainda não existe um exame capaz de revelar o conteúdo de um sonho canino. Por isso, não é possível confirmar quando um cachorro está sonhando com o tutor, mesmo que movimentos, latidos ou abanadas de rabo apareçam durante o sono.
Sim, cachorro pode ter pesadelo. Como os sonhos parecem reunir experiências, memórias e emoções, situações desagradáveis também podem reaparecer durante o sono.
“Acredita-se que os cães possam ter lembranças ruins durante o sono, relacionadas a acontecimentos recentes ou experiências do passado”, reforça a médica-veterinária Lysandra Barbieri.
Um possível pesadelo pode fazer o cachorro acordar assustado, inquieto ou desorientado por alguns instantes. Os sons e movimentos apresentados durante o sono, sozinhos, não permitem confirmar que o sonho foi ruim.
Na maioria dos casos, o episódio termina sozinho e o cachorro continua dormindo. A atenção deve ser maior quando os movimentos ficam muito intensos, duram mais do que o habitual ou aparecem junto com dificuldade para despertar e desorientação ao acordar.
Não, o ideal é esperar o sonho terminar e permitir que o cachorro acorde naturalmente. Um despertar brusco pode causar susto, confusão e uma reação defensiva.
Mesmo um cachorro dócil pode rosnar ou morder por reflexo antes de perceber o que está acontecendo. No entanto, quando o sono parece muito agitado, chame o cachorro pelo nome com voz baixa e calma, mantendo certa distância.
Evite tocar, pegar no colo ou balançar o corpo durante o episódio. A médica-veterinária Amanda Pellizzer, em entrevista ao G1, explica que o contato repentino pode assustar o animal e provocar uma reação inesperada.
Depois que o cachorro abrir os olhos e reconhecer o ambiente, a aproximação pode ser feita com tranquilidade. Uma voz familiar e um carinho suave ajudam a transmitir segurança.
Também é importante respeitar o descanso sempre que possível. O sono participa da recuperação do organismo, do equilíbrio do comportamento e do processamento das experiências vividas durante o dia.

A principal diferença está na intensidade dos movimentos, na resposta do cachorro ao chamado e no comportamento após o episódio.
Durante um sonho, os movimentos costumam ser breves e intermitentes. As patas podem se contrair, chutar ou fazer movimentos parecidos com uma corrida, mas o corpo permanece relativamente relaxado.
Em uma possível convulsão, os membros tendem a ficar rígidos e tensos, com movimentos mais fortes, rítmicos e difíceis de interromper. O cachorro também pode não responder à voz do tutor.
Alguns sinais ajudam a diferenciar um sonho comum de uma possível crise convulsiva. Confira as principais diferenças:
| Sinal | Cachorro sonhando | Possível convulsão |
| Movimentos | Breves, leves e intermitentes | Fortes, rígidos e repetitivos |
| Duração dos movimentos | Geralmente menos de 30 segundos | Pode durar mais tempo |
| Resposta ao chamado | Pode acordar ou reagir à voz | Costuma não responder |
| Corpo | Permanece mais relaxado | Pode ficar rígido e tenso |
| Salivação | Não costuma acontecer | Pode ocorrer |
| Urina ou fezes | Não são esperadas | Podem acontecer |
| Depois do episódio | Retoma o comportamento normal | Pode apresentar confusão, ofegância ou desorientação |
Segundo o Dr. Jerry Klein, veterinário-chefe da AKC, convulsões são respostas motoras anormais e incontroláveis que começam no cérebro.
Algumas atingem o corpo todo, enquanto outras provocam movimentos rítmicos apenas em uma região. Por isso, nem toda crise convulsiva apresenta tremores intensos.
Mantenha a calma e afaste objetos que possam machucar o animal. Não tente abrir a boca nem impedir que o cachorro engula a língua, pois isso não acontece durante uma convulsão.
Cronometre o episódio e, quando for possível, grave um vídeo. O registro ajuda o médico-veterinário a avaliar os movimentos, a duração e a recuperação do cachorro.
Se for seguro, deite o animal de lado, sem imobilizá-lo, e apoie a cabeça sobre algo macio para evitar batidas.
Toda suspeita de convulsão deve ser comunicada ao médico-veterinário. Crises repetidas em um período de 24 horas exigem atendimento de emergência.
Enquanto o cachorro dorme, o cérebro continua trabalhando no processamento das experiências vividas, na organização de informações e na consolidação de memórias.
Pesquisas que acompanharam a atividade cerebral de cães identificaram mudanças bem definidas entre os estágios do sono. Na fase REM, associada aos sonhos mais intensos, o cérebro fica mais ativo, enquanto a musculatura permanece relaxada.
Esse relaxamento reduz os movimentos do corpo, mas não os elimina por completo. Pequenas contrações das patas, movimentos dos olhos e vocalizações podem surgir durante o sono sem indicar, por si só, um problema.
Para facilitar a compreensão, a tabela abaixo resume as principais mudanças observadas durante o descanso:
| Etapa do ciclo | O que acontece no organismo | O que pode ser observado | Relação com os sonhos |
| Sonolência | O corpo começa a relaxar, mas ainda percebe o ambiente | Reação a barulhos, mudança de posição e abertura dos olhos | Pouco provável |
| Sono não REM leve | A atividade corporal diminui gradualmente | Respiração mais regular e menor resposta aos estímulos | Pode haver processamento de informações |
| Sono não REM profundo | O organismo entra em um período de maior recuperação | Relaxamento intenso e maior dificuldade para despertar | Menos associado aos sonhos vívidos |
| Sono REM | A atividade cerebral aumenta e o tônus muscular diminui | Movimentos dos olhos, pequenas contrações e vocalizações | É a fase mais associada aos sonhos |
| Desperta | A resposta ao ambiente retorna gradualmente | Movimento da cabeça, mudança de posição ou tentativa de levantar | O ciclo de sono termina |
A classificação pode variar de acordo com o método usado em cada pesquisa. Alguns estudos separam vigília, sonolência, sono não REM e sono REM.
Outros dividem o sono não REM em três estágios, identificados a partir dos padrões elétricos do cérebro e de outros registros fisiológicos.
Os cães podem passar por essas etapas diversas vezes ao longo do dia e da noite. A duração de cada período varia conforme idade, rotina, nível de atividade e condições de saúde.
Um ambiente tranquilo, confortável e protegido de interrupções favorece a qualidade do sono do cachorro. A rotina também faz diferença, principalmente quando os horários de alimentação, passeios, brincadeiras e descanso seguem certa regularidade.
A cama para cachorro deve ter espaço suficiente para que o pet consiga se esticar, mudar de posição e apoiar todo o corpo.
Modelos com maior sustentação podem oferecer mais conforto para todos os cães, especialmente os idosos, os de grande porte e aqueles com sensibilidade nas articulações.
O local escolhido também precisa estar livre de correntes de ar, calor excessivo e barulhos constantes. Uma área muito movimentada pode dificultar o sono profundo e provocar despertares frequentes.
Alguns cuidados ajudam a tornar o descanso mais tranquilo:
Dormir bem contribui para a recuperação do organismo, o aprendizado, a memória e o equilíbrio do comportamento.
Quando o cachorro apresenta inquietação frequente, dificuldade para dormir ou despertares acompanhados de dor e desorientação, a orientação veterinária é necessária.
Não existe um número cientificamente definido de sonhos por dia. O cachorro pode passar pelo sono REM várias vezes durante o descanso, mas não é possível confirmar se cada período corresponde a um novo sonho.
Um estudo sobre a classificação do sono canino acompanhou cães por várias semanas e encontrou diferenças entre o descanso diurno e o noturno.
O sono REM representou, em média, cerca de 12% do tempo dormindo durante o dia e 20% durante a noite. Os valores foram apresentados originalmente como proporções de 0,12 e 0,20.
Os resultados mostram que os cães passam mais tempo em sono REM durante a noite. A pesquisa, porém, não permite contar quantos sonhos acontecem nem identificar quando cada sonho começa ou termina.
| Informação | O que a ciência indica |
| Sono REM durante o dia | Cerca de 12% do tempo dormindo |
| Sono REM durante a noite | Cerca de 20% do tempo dormindo |
| Quantidade de sonhos por noite | Ainda não pode ser medida |
| Cada período REM representa um sonho? | Não é possível confirmar |
| Cachorro sonha todos os dias? | É provável, mas não há como comprovar cada sonho |
Esses números representam a média dos cães avaliados no estudo e não funcionam como uma regra para todos os pets. Idade, rotina, ambiente e condições de saúde podem alterar a duração e a distribuição das fases do sono.

Abanar o rabo durante o sono pode ocorrer enquanto o cachorro sonha, mas também pode ser apenas uma contração muscular involuntária. O movimento sozinho não revela o conteúdo nem confirma que o animal está sonhando.
O movimento das patas é comum durante o sono REM. Quando é leve, breve e termina sozinho, costuma fazer parte do sono normal.
O comportamento pode estar relacionado ao processamento de uma experiência, como uma brincadeira ou um passeio, mas não é possível confirmar o conteúdo do sonho apenas pela observação.
Pequenos latidos, gemidos ou rosnados podem aparecer durante o sono REM. Vocalizações breves e ocasionais costumam ser normais.
O cachorro pode choramingar durante um sonho sem necessariamente sentir dor. Vale observar se o episódio termina rapidamente e se o comportamento volta ao normal após o despertar.
O sono canino apresenta fases semelhantes às do sono humano, incluindo os períodos não REM e REM. A ciência ainda não consegue afirmar se a experiência e a complexidade dos sonhos são iguais.
É provável que o cachorro passe pelo sono REM diariamente, principalmente quando consegue descansar por tempo suficiente. Ainda não existe uma forma de confirmar se todo período REM corresponde a um sonho.
Pequenos tremores e espasmos podem fazer parte do sono. Movimentos fortes, prolongados, acompanhados de rigidez, falta de resposta ou desorientação precisam de avaliação veterinária.

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Formada em Medicina Veterinária pela UNESC - Campus Colatina, Lysandra é apaixonada pelos seus pets adotados: Pretinha, Cabrita e Tuí. Cada um deles reforça sua dedicação à Medicina Veterinária e reflete seu amor pelos animais.
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