

O aumento da presença de animais de estimação nos lares brasileiros trouxe um novo cenário: mais pets chegando à terceira idade.
Parte dessa mudança está ligada aos avanços em nutrição, medicina veterinária e cuidados preventivos, com isso, cães e gatos passaram a ter mais longevidade de vida.
Mas como é, na prática, cuidar de um pet idoso?
Para responder a essas perguntas, a Cobasi, por meio de seu pilar social Cobasi Cuida, realizou uma pesquisa com 527 responsáveis por pets idosos. Desse total, 433 eram responsáveis por cães idosos e 94 por gatos idosos.
O estudo analisou aspectos como saúde, alimentação, comportamento, impacto financeiro e preparo emocional. A seguir, você confere os principais resultados da pesquisa.
A amostra está concentrada na região Sudeste. Entre as principais cidades estão:




Como o número de participantes responsáveis por cães foi maior, os dados são mais representativos na pesquisa. Ainda assim, as respostas de tutores de gatos também ajudam a entender como o envelhecimento dos pets acontece nos grandes centros urbanos.
No recorte da pesquisa:
Em relação ao porte, predominam os cães de pequeno porte (52%), seguidos pelos de porte médio (29%), porte grande (12%) e porte mini (7%).
Entre os gatos, a concentração é ainda mais evidente:
Vale destacar que cães e gatos não envelhecem da mesma forma, e, no caso dos cães, o porte influencia diretamente o momento em que a fase sênior começa.
Para entender melhor quando o pet é considerado idoso de acordo com o porte, confira este conteúdo exclusivo do Blog da Cobasi.
Se existe um aspecto em que o envelhecimento dos pets se torna mais evidente, é na saúde. Dados da pesquisa mostram que uma parcela significativa de cães e gatos idosos já convive com alguma condição crônica.
Esse cenário muda a forma de cuidar. O acompanhamento deixa de ser pontual e passa a ser contínuo, com a necessidade de exames regulares, ajustes na rotina e, em muitos casos, uso de medicação por tempo prolongado.
A seguir, você confere um recorte da pesquisa que revela como está a saúde dos pets na terceira idade.

41% dos pets possuem doenças crônicas, sendo 36% com a condição controlada e 5% ainda sem controle. Já 59% não apresentam doenças crônicas
As condições mais citadas pelos cuidadores legais incluem:

66% não possuem doenças crônicas e 34% possuem, dessas, 3% ainda não controladas. Sobre as doenças em si, os entrevistados apontaram:
Apesar de incidências diferentes entre as espécies, algumas doenças aparecem em ambos os cenários, como a artrite, alterações hormonais e distúrbios intestinais, indicando que o envelhecimento compartilha padrões fisiológicos comuns entre cães e gatos.
Em ambas as espécies, 63% dos diagnósticos ocorreram após o surgimento de sintomas. No entanto, mais de 30% das doenças foram identificadas por meio de exames preventivos.
Esse dado é relevante, porque muitas condições crônicas evoluem de forma silenciosa, especialmente em gatos. A descoberta precoce por meio de check-ups regulares permite iniciar tratamento antes do agravamento, aumentando a qualidade e expectativa de vida.
O que a pesquisa evidencia é claro: na terceira idade do pet, a prevenção deixa de ser opcional e passa a ser parte essencial do cuidado.




A pesquisa também evidencia que a medicação contínua e a suplementação já fazem parte da rotina de uma parcela relevante dos pets idosos, refletindo a necessidade de controle de doenças crônicas e suporte preventivo.
Entre os cães, o principal foco está na saúde ósseo-articular (30%), o que acompanha a alta incidência de artrite e artrose.
Também aparecem medicamentos voltados ao coração (13%), além de suplementações para pele e pelo (11%), fígado (8%) e visão (7%).
Já entre os gatos, a medicação está fortemente associada à função renal (22%), em linha com a predominância da doença renal crônica na espécie.
Também há uso de suporte ósseo-articular (11%), para sistema nervoso (8%), além de controle de diabetes (5%), colesterol/triglicerídeos (5%) e pâncreas (5%).
Vale reforçar que qualquer medicação ou suplementação deve ser administrada somente com prescrição e acompanhamento veterinário.
Medicamentos utilizados de forma inadequada, em dosagens incorretas ou sem diagnóstico preciso, podem mascarar sintomas, agravar quadros clínicos e até causar efeitos adversos graves.
O envelhecimento exige acompanhamento mais próximo, e os dados mostram que a maioria dos responsáveis legais mantém algum nível de regularidade nas consultas.
Entre os cães idosos, a frequência de consultas se distribui da seguinte forma:
O dado mais relevante é que nenhum responsável legal declarou ausência total de acompanhamento veterinário.
Nos últimos 12 meses, os exames realizados foram:
O destaque para exames de sangue e imagem reforça a busca por monitoramento preventivo e investigação de doenças crônicas.
Entre os gatos idosos, o padrão é semelhante, mas com maior concentração em consultas anuais:
Quanto aos exames realizados nos últimos 12 meses:
A combinação de sangue, ultrassom e urina é especialmente relevante para gatos idosos, considerando a alta incidência de doenças renais na espécie.
A alimentação se torna ainda mais estratégica na terceira idade. A própria pesquisa mostra que muitos tutores revisam a dieta dos pets conforme eles envelhecem — um movimento essencial para acompanhar as novas necessidades do organismo.
Esse cuidado tem base científica. A dissertação “Nutrição de Cães e Gatos Idosos”, desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta que o envelhecimento provoca mudanças no metabolismo, na digestão e na absorção de nutrientes.
Como consequência, a dieta precisa ser ajustada de forma individualizada para preservar a saúde e a qualidade de vida ao longo do tempo (UFRGS, 2021).
Na pesquisa da Cobasi, 55% dos responsáveis por cães idosos afirmaram que precisaram mudar a alimentação do pet por conta da idade.
A principal motivação para essa mudança foi a recomendação de um médico-veterinário (46%). Também se destacam alterações no paladar e no apetite (40%), necessidade de controle de peso (18%) e dificuldade para mastigar (10%).
Entre os gatos, o movimento é semelhante: 59% dos tutores disseram ter alterado a alimentação devido ao avanço da idade. Assim como nos cães, a principal razão foi a recomendação profissional (51%).
Outros fatores mencionados foram a presença de alguma doença (22%) e mudanças no apetite (22%).

Há um movimento claro de busca por ração específica para pets idosos. No caso dos gatos, 56% dos responsáveis afirmaram que houve um aumento da alimentação úmida após o pet ficar idoso.
Em relação ao tipo de alimentação, 53% afirmam que a principal alimentação é mista (úmida e seca), também conhecida como Mix Feeding, 45% somente com ração seca e os outros 2% somente com ração úmida.
Para os cães, 61% dos responsáveis afirmam que a principal alimentação é com ração seca, seguida de 30% com alimentação mista (seca e úmida), 5% com alimentação natural e os outros 4% apenas ração úmida
O que esses dados evidenciam é que a alimentação na senioridade deixa de ser apenas questão de saciar fome e se torna um componente estratégico do cuidado:
Exatamente o que a pesquisa da UFRGS e outras referências científicas também apontam como essencial para longevidade com qualidade.
As mudanças comportamentais são, muitas vezes, o primeiro alerta do envelhecimento. Elas impactam a dinâmica da casa, aumentam a dependência do responsável legal e exigem adaptações na rotina.
Mais do que um processo biológico, a terceira idade é também uma mudança na relação entre tutor e animal : o vínculo se intensifica à medida que o cuidado se torna mais presente e atento.
Entre os cães idosos, as alterações mais percebidas foram:
Com a mobilidade reduzida, muitas famílias fizeram adaptações na casa:
A maioria, (69%), citou que o tipo de brinquedo do cão não mudou, os mais citados foram:
No entanto, o tema acende um alerta: os brinquedos devem ser escolhidos de acordo com a fase de vida e a personalidade do animal, garantindo estímulos adequados e seguros.
Por exemplo, a preferência por brinquedos mais macios pode estar relacionada à sensibilidade dentária e à diminuição da força de mordida, algo comum em pets idosos.
Esse ponto também foi abordado em outra pesquisa da Cobasi, que analisou os brinquedos mais procurados para cães e provocou a reflexão sobre se eles realmente atendem às necessidades dos animais.
Saiba mais no estudo completo sobre os brinquedos mais procurados por cães em 2025.
Nos gatos, as alterações comportamentais também aparecem com força:
A adaptação do ambiente é ainda mais marcante entre os felinos:
Essas mudanças indicam preocupação com mobilidade, conforto e prevenção de acidentes, especialmente em gatos que já apresentam dificuldade para saltar ou acessar áreas elevadas.

O envelhecimento do pet traz mudanças que vão além da rotina, e também impacta diretamente o orçamento dos responsáveis legais do animal.
A pesquisa mostra que tanto os gastos com alimentação quanto os custos veterinários tendem a aumentar na terceira idade, exigindo planejamento e adaptação.
Entre os cães idosos:
Ou seja, 52% perceberam algum aumento.
Entre os gatos idosos:
Nesse caso, 56% registraram aumento nos custos com alimentação.
Quando o assunto é saúde, o impacto financeiro também aparece.
Entre os tutores de cães:
Ou seja, 62% perceberam aumento nas despesas veterinárias.
Entre os tutores de gatos:
Aqui, 63% registraram aumento.
Mesmo com alto nível de cuidado, o limite financeiro existe.
Entre os tutores de cães:
Entre os tutores de gatos:
O dado reforça que, mesmo em um público engajado, há sensibilidade ao preço.
Para administrar as despesas, os tutores adotam diferentes estratégias.
A pesquisa também indica que o tutor de pet idoso compra majoritariamente em pet shops especializados, buscando produtos específicos para essa fase da vida.

Além dos desafios práticos e financeiros, o envelhecimento do pet também mobiliza o lado emocional dos familiares.
Quando o assunto é dificuldade no cuidado com a saúde, emoção e ansiedade aparecem como desafios relevantes:
O preparo para lidar com o envelhecimento também revela insegurança.
Entre os responsáveis por cães, apenas 25% se sentem totalmente preparados, enquanto 48% dizem estar parcialmente preparados e 27% não se sentem preparados.
Já entre os tutores de gatos, 29% afirmam estar preparados, 54% parcialmente preparados e 17% não se sentem preparados.
Os dados indicam que, embora o cuidado esteja presente, a maioria vive essa fase com sentimento de preparo incompleto, mostrando que o envelhecimento pet exige não apenas atenção clínica, mas também equilíbrio emocional.
A pesquisa mostra que o envelhecimento dos pets está redesenhando a rotina dos lares brasileiros, e exigindo uma postura cada vez mais ativa dos tutores.
De forma clara, o cenário aponta que:
O tutor de pet idoso atua de forma preventiva, acompanha diagnósticos de perto e incorpora medicação e suplementação à rotina, numa lógica semelhante ao cuidado geriátrico humano.
A dieta passa a ser guiada por orientação veterinária e condições clínicas, com maior busca por produtos específicos para a terceira idade.
Embora priorize pet shops especializados, o tutor administra custos com planejamento, parcelamento e pesquisa de preços. Ainda assim, há limite financeiro mesmo entre os mais engajados.
O ambiente doméstico passa por ajustes práticos para garantir conforto, segurança e mobilidade.
O envelhecimento do pet mobiliza ansiedade, insegurança e sensação de preparo incompleto, mostrando que essa fase exige não apenas cuidado clínico, mas equilíbrio emocional.
Em resumo, ter um pet idoso hoje significa:
✔️ Mais prevenção
✔️ Mais acompanhamento
✔️ Mais adaptação
✔️ Mais planejamento
E, ao mesmo tempo, mais responsabilidade financeira e emocional. O envelhecimento pet não é apenas uma fase da vida do animal. É também uma transformação na dinâmica da casa e na jornada do tutor.
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