

Convulsão em cachorro é um termo usado para descrever uma alteração na condução elétrica do cérebro que causa sintomas como movimentos involuntários, rigidez muscular, salivação excessiva e até perda de consciência momentânea em cães.
Embora seja assustadora para os tutores, a crise convulsiva costuma passar sozinha e tem duração média de segundos a 3 minutos. (PLATT, 2013)
O episódio pode ocorrer isoladamente ou estar associado a doenças que afetam o sistema nervoso central, como a epilepsia canina — uma condição neurológica crônica que exige diagnóstico preciso e acompanhamento veterinário contínuo.
Durante um ataque, é importante que o tutor mantenha o cachorro convulsionando em um lugar seguro, longe de degraus, piscinas ou móveis. Não forneça alimentos nem tente manusear a boca ou pegá-lo no colo, pois isso pode causar acidentes.
Apesar de ser um quadro relativamente comum, a convulsão em cães pode estar associada a condições graves e precisa de avaliação veterinária para que sua causa seja investigada.
Pensando nisso, neste guia completo com participação da médica-veterinária Joyce Lima (CRMV/SP 39824), você vai aprender como agir antes, durante e depois de uma crise convulsiva em cachorro. Acompanhe!
Resumo rápido sobre convulsão em cachorro
Convulsão é um termo popular usado para descrever uma desordem na condução elétrica do cérebro que faz com que os animais tenham movimentos involuntários.
Muitas pessoas chamam o quadro de epilepsia, mas é bom lembrar que os dois termos significam coisas diferentes.
A convulsão em cachorro é um sintoma que pode acontecer por diferentes motivos, como alterações neurológicas, mudanças metabólicas, intoxicações e a própria epilepsia.
A epilepsia, por sua vez, é um distúrbio do sistema nervoso central caracterizado pela predisposição a crises convulsivas recorrentes e espontâneas.
Por isso, um cachorro que teve uma convulsão não necessariamente tem epilepsia.
O episódio precisa ser investigado por um médico-veterinário, que avaliará o histórico do animal e poderá solicitar exames para identificar a causa por trás da crise.
Durante uma convulsão, o cérebro do cão entra em um estado de atividade elétrica descontrolada. Isso significa que os neurônios passam a enviar sinais de forma intensa e desordenada.
Normalmente, o cérebro mantém um equilíbrio entre dois tipos de substâncias químicas, chamadas neurotransmissores:
Essas substâncias funcionam como uma espécie de “acelerador e freio” do cérebro.
Quando há um desequilíbrio momentâneo entre elas, por exemplo, muita excitação e pouca inibição, o cérebro perde o controle e começa a emitir descargas elétricas desordenadas, desencadeando a convulsão.
Esse fenômeno causa uma falha temporária na comunicação entre as regiões cerebrais e altera o controle motor, sensorial e comportamental do animal.
A instabilidade neurológica explica por que alguns cães apresentam apenas tremores localizados, enquanto outros caem, se debatem e perdem a consciência.
Segundo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as convulsões em cachorro costumam passar sozinhas e apresentam duração média de segundos a 3 minutos.
Se a crise durar mais de 5 minutos ou se o animal apresentar mais de um episódio no mesmo dia, é importante buscar atendimento veterinário imediatamente.

Na medicina veterinária, as convulsões em cães são classificadas principalmente pela sua forma de manifestação clínica.
A divisão considera como o cérebro e o corpo do cão reagem durante o episódio, resultando em dois tipos principais de convulsão:
A convulsão focal em cachorro acontece quando apenas uma área específica do cérebro é afetada por descargas elétricas anormais. Por atingir uma região localizada, os sintomas são mais sutis e podem passar despercebidos.
Durante o episódio, o cão pode apresentar:
Esse último comportamento é conhecido como Fly Snapping Syndrome (ou Fly Biting), uma forma de convulsão focal em que o cão parece morder moscas imaginárias.
A convulsão focal canina também pode ser dividida em outros dois tipos:
A convulsão generalizada em cachorro ocorre quando os dois hemisférios do cérebro são afetados simultaneamente. Por envolver todo o corpo, é a forma mais perceptível para os tutores.
Durante o episódio, o cão perde a consciência, cai, se debate intensamente e pode apresentar movimentos rítmicos nas patas (chamados de movimentos tônicos e clônicos), além de salivação excessiva, micção ou defecação involuntária.
Além da forma clássica, também existem variações das crises generalizadas, incluindo:
• Tônica: membros ficam rígidos e estendidos.
• Clônica: contrações rápidas, sem rigidez muscular.
• Mioclônica: pequenos espasmos musculares involuntários.
• Atônica: o cão fica em pé, imóvel e sem reação, com olhar fixo.
Em alguns casos, a convulsão se inicia de forma focal, afetando apenas uma região do cérebro, e logo se espalha para todo o corpo. Esse tipo de progressão é chamado de generalização secundária e é comum em cães com epilepsia.
Para visualizar melhor as diferenças, veja o comparativo abaixo:
| Características | Convulsão Focal (ou Parcial) | Convulsão Generalizada |
| Área do cérebro afetada | Uma região específica | Ambos os hemisférios cerebrais |
| Tipo de movimento | Localizado (pata, face, cabeça) | Generalizado (todo o corpo) |
| Consciência | Mantida (focal simples) ou levemente alterada (complexa) | Perdida completamente |
| Sintomas comuns | Lamber os lábios, virar a cabeça ou “morder o ar” | Quedas, tremores fortes, salivação, micção e defecação involuntárias |
| Gravidade aparente | Mais leve e de curta duração | Mais intensa e facilmente perceptível |
A tabela tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário.
Resumo rápido:
A convulsão em cães pode ter várias origens, e nem sempre há uma causa visível.
“A maioria dos casos de convulsão são idiopáticas, ou seja, não há um motivo específico que leva o animal a apresentar este quadro, mas este só pode ser confirmado após exclusão de outros fatores ou causas”, explica a médica-veterinária Andreia Tamaio, entrevistada pelo portal Vida de Bicho.
Segundo Nelson & Couto (2015), cerca de 65% dos casos são idiopáticos, ou seja, sem causa aparente, geralmente de origem genética.
Os outros 35% estão ligados a doenças neurológicas, metabólicas, tóxicas ou infecciosas.
Esse diagnóstico só é confirmado após a exclusão de outros fatores, com base em exames clínicos e neurológicos.
De forma prática, as causas de convulsão em cachorro se dividem em quatro grandes grupos:
São aquelas em que há algo errado no próprio cérebro do cão, como lesões, inflamações ou tumores:
São causadas por problemas que não estão no cérebro, mas em outros órgãos que afetam o funcionamento neurológico, como:
Quando corrigido o desequilíbrio, a convulsão tende a desaparecer.
Diversas substâncias e alimentos podem provocar crises convulsivas em cães. O cérebro reage à presença de compostos tóxicos, gerando descargas elétricas anormais.
Entre os principais agentes tóxicos que podem causar convulsão em cães estão:
Em casos de suspeita de intoxicação, procure um veterinário imediatamente. Essas crises podem evoluir para estado epiléptico, quadro grave e potencialmente fatal.
A epilepsia idiopática canina é a causa mais comum de convulsão em cães e tem origem genética.
De modo geral, a condição ocorre quando o cérebro apresenta predisposição para gerar descargas elétricas anormais, sem que haja uma lesão detectável.
Embora não tenha cura, a epilepsia idiopática pode ser controlada com medicamentos anticonvulsivantes, como fenobarbital (Gardenal) ou brometo de potássio, sempre sob prescrição veterinária.

Durante uma convulsão, o corpo do cão apresenta uma sequência de sinais físicos e comportamentais que costumam aparecer por fases:
Horas ou até dias antes da convulsão, o cão pode demonstrar mudanças sutis de comportamento, como:
Esses sinais indicam que o cérebro já está passando por alterações elétricas e ajudam o tutor a se preparar para uma possível crise.
É o verdadeiro início da crise, quando surgem os primeiros movimentos involuntários.
Nessa fase, o cão pode:
A tendência é que a fase dure poucos segundos, mas é um alerta claro de que a convulsão está começando.
É o momento mais intenso da convulsão. O cachorro pode apresentar os seguintes sintomas:
Após a convulsão, o cão passa por um período de recuperação que pode durar minutos a várias horas. Durante essa fase, é comum observar:
Esses sinais são resultado da exaustão cerebral após o esforço extremo durante a crise.
Se as crises e, consequentemente, os sintomas se tornarem frequentes ou o cão demorar muito para se recuperar, é essencial procurar um veterinário neurologista.
Ver um cachorro tendo convulsão é assustador, mas manter a calma é o primeiro passo para ajudá-lo com segurança.
Durante a convulsão, o cão não tem consciência do que está acontecendo, seus movimentos são totalmente involuntários.
Por isso, abaixo trouxemos um passo a passo completo de como agir antes, durante e após a crise com segurança e eficiência:
Convulsão em cachorro
| ✅ O que fazer | 🚫 O que não fazer |
| Garanta um ambiente seguro, longe de degraus, piscinas, quinas e móveis que possam cair. | Não coloque a mão ou qualquer objeto na boca do cão, ele pode morder involuntariamente. |
| Se possível, deite o cão de lado, com a cabeça apoiada sobre algo macio. | Não ofereça comida, água ou remédios, pois há risco de engasgo e aspiração pulmonar. |
| Cronometre a duração da crise (se ultrapassar 5 minutos, é uma emergência veterinária). | Não tente pegar o cão no colo, isso aumenta as chances de lesões na coluna ou quedas. |
| Filme o episódio, focando o rosto do cão (o vídeo ajuda o veterinário a identificar o tipo de convulsão). | Não tente imobilizar o corpo dele. |
| Mantenha outros animais afastados, pois é comum que reajam de forma agressiva ao cão em crise. | – |
Alguns cães demonstram mudanças sutis de comportamento antes de convulsionar. Essa fase, chamada de período pré-ictal, pode durar segundos ou minutos.
Como agir quando notar os primeiros sinais de convulsão em cachorro?
Essas ações simples podem evitar quedas e ferimentos quando a crise começar.
Durante a crise (fase ictal), o cão perde o controle muscular, podendo cair, se debater, babar e urinar involuntariamente. Esse é o momento mais crítico, quando o tutor precisa agir com calma e segurança.
Como agir durante uma crise convulsiva em cachorro?
Após o fim da crise, o cão começa a recuperar a consciência. Nessa fase, o animal pode ficar desorientado, com medo, cego temporariamente ou até apresentar agressividade leve.
Essas alterações comportamentais podem durar minutos ou até um dia inteiro. Isso é esperado, mas deve ser relatado ao profissional, que poderá ajustar o tratamento.
Como agir após a convulsão em cachorro?
O tutor tem um papel essencial no manejo das convulsões: agir com calma, segurança e registrar os episódios ajuda o veterinário a identificar o tipo de crise e definir o melhor tratamento.
Durante um ataque convulsivo em cachorro, é natural que o tutor tente agir rapidamente para proteger seu animal. Infelizmente, algumas atitudes simples podem piorar o estado do animal e até colocar a sua integridade em risco.
Por isso, tão importante quanto saber o que fazer quando o cachorro está convulsionando é saber o que NÃO fazer neste momento.
“Como neste momento o paciente está sofrendo movimentos involuntários, é possível ocorrer acidentes graves ou complicações maiores”, explica a neurologista veterinária Raquel Cantarella, em entrevista ao portal Vida de Bicho.

Como comentamos anteriormente, as convulsões em cães geralmente duram até três minutos, e o animal costuma se recuperar sozinho. No entanto, há situações em que a crise representa uma emergência e exige intervenção veterinária imediata.
Procure um hospital veterinário com urgência se:
Essas situações podem indicar um quadro chamado estado epiléptico, em que o cérebro não consegue interromper as descargas elétricas anormais.
Mesmo que a convulsão cesse antes dos cinco minutos, é importante agendar uma consulta o quanto antes. O veterinário avaliará se há necessidade de ajustar a medicação anticonvulsivante, solicitar exames complementares ou indicar internação preventiva.
As crises convulsivas podem estar ligadas a diferentes condições clínicas e se manifestar de maneira variada dependendo da fase de vida dos cães.
Por isso, uma crise em um filhote pode exigir uma abordagem diferente daquela observada em um cão idoso, por exemplo.
Como filhotes e cães idosos podem apresentar maior vulnerabilidade a diferentes problemas de saúde, uma convulsão nessas fases exige atendimento veterinário prioritário.
Calafrios e tremores muitas vezes provocam movimentos musculares incontroláveis em cães, o que faz com que alguns tutores confundam esses episódios com convulsões.
Apesar da semelhança, existem algumas diferenças importantes entre os quadros, como o nível de consciência do animal, a duração do episódio e os sintomas associados.
Está na dúvida se o seu cachorro está passando por uma convulsão ou um episódio de tremor? Na tabela abaixo, reunimos pontos que ajudam a diferenciar as duas condições.
| Convulsão em cachorro | Tremor em cachorro | |
| Duração | Geralmente é breve (segundos a 3 minutos) e apresenta início e fim definidos. | Pode durar mais tempo ou até ser contínuo. |
| Nível de consciência | O animal costuma perder a consciência ou ficar desorientado; muitas vezes nem reconhece o próprio tutor. | O cachorro permanece consciente e responsivo. |
| Sinais associados | O animal pode apresentar salivação excessiva, defecação ou micção acidental. | Não há sinais associados. |
| Envolvimento facial | Podem ocorrer espasmos faciais, movimentos de mastigação ou contrações involuntárias. | Não é uma característica predominante. |
Mesmo com essas particularidades, nem sempre é possível distinguir um tremor de uma convulsão apenas observando em casa. Se estiver com dúvida, busque ajuda veterinária.
Além dos tremores, outras condições podem produzir movimentos ou alterações de comportamento semelhantes aos observados em um cachorro com convulsão.
Alguns diagnósticos diferenciais investigados pelos médicos-veterinários são:
Por terem causas e tratamentos diferentes, essas condições precisam ser diferenciadas por um médico-veterinário. Na dúvida, leve o pet a uma avaliação aos primeiros sinais.
O diagnóstico começa com uma avaliação detalhada do histórico do cão e dos sinais observados durante e depois da crise.
Além disso, para entender a causa, o veterinário pode solicitar:
Esses exames ajudam a descobrir se a convulsão foi idiopática (sem causa definida, geralmente genética), estrutural (por lesão ou tumor) ou reativa (decorrente de intoxicação ou alterações metabólicas).
Para ajudar o médico-veterinário a investigar uma possível crise epiléptica em cães, é importante fornecer o máximo de informação sobre o episódio.
Alguns detalhes fundamentais para identificar padrões e possíveis causas são:
Se possível, grave um vídeo da crise e mostre o episódio ao médico-veterinário. Procure manter o cachorro no enquadramento e registrar o rosto e os movimentos do corpo.
A filmagem ajuda o profissional a entender como o episódio começou e quais manifestações ocorreram durante a crise. Por isso, mesmo que seja difícil assistir ao animal nesse momento, o registro pode ter grande valor para a avaliação.
A convulsão em si não é uma doença, mas sim um sintoma de algo que está acontecendo no organismo do cão. Por isso, a cura depende da causa.
Vale lembrar que, nesses casos, o tratamento não elimina a epilepsia, mas mantém o cão estável, ativo e com bem-estar preservado.
O acompanhamento veterinário regular é indispensável para ajustar doses, monitorar exames e prevenir efeitos colaterais dos anticonvulsivantes.
Com tratamento adequado e cuidados diários, os cães vivem por muitos anos com as crises controladas, levando uma vida praticamente normal.

O tratamento vai depender da causa da convulsão. Quando o problema está ligado a doenças de base, como infecções, intoxicações, traumas ou tumores, o foco inicial é corrigir o distúrbio que provocou a crise.
Já nos casos de epilepsia idiopática, em que não há uma causa identificável, o objetivo principal é controlar a frequência, a intensidade e a duração das crises, mantendo o cão estável e com qualidade de vida.
Segundo a veterinária Joyce Lima (CRMV/SP 39824), um dos medicamentos antiepilépticos mais utilizados em cães é o Fenobarbital, um fármaco pertencente à família dos barbitúricos.
“Popularmente conhecido como Gardenal, o Fenobarbital é um medicamento antiepiléptico indicado para cães que apresentam crises convulsivas, ajudando a reduzir a frequência, a gravidade e a duração dos episódios”, explica a veterinária.
Além do Fenobarbital, existem outros fármacos antiepilépticos para cães utilizados na medicina veterinária, com eficácia e segurança comprovadas que podem ser usados sozinhos (monoterapia) ou em associação (tratamento adjuvante).
No pet shop online da Cobasi, você encontra os medicamentos indicados pelo seu veterinário para cuidar da saúde do seu cachorro, com praticidade e segurança.
O principal objetivo do tratamento de convulsão é reduzir a frequência e a intensidade das crises, permitindo que o cão tenha uma vida equilibrada e tranquila.
De acordo com o manual do tutor do paciente epiléptico, os veterinários consideram aceitável até uma crise a cada três meses, desde que o animal se mantenha bem entre os episódios, com comportamento, apetite e disposição normais.
Para acompanhar a evolução, é fundamental que o tutor registre cada crise, anote data, horário, duração, sintomas observados e, se possível, filme o episódio.
Essas informações ajudam o veterinário a avaliar a eficácia do tratamento e decidir se é preciso ajustar a dose ou trocar a medicação.
Cada cão tem um protocolo personalizado, definido pelo veterinário de acordo com os resultados dos exames e possíveis efeitos colaterais.
Alguns hábitos simples no dia a dia fazem toda a diferença no controle das convulsões:
Essas medidas simples ajudam a manter o tratamento estável e evitam recaídas, garantindo mais segurança e qualidade de vida ao seu cão.
Sim, em situações graves e prolongadas. Convulsões com duração superior a 5 minutos ou várias crises seguidas sem recuperação podem levar à hipertermia e falta de oxigênio, colocando a vida do cão em risco.
Embora seja muito raro, há também um evento chamado SUDEP (Sudden Unexpected Death in Epilepsy), que é a morte súbita inesperada durante a crise epiléptica.
Na maioria dos casos, o cachorro se recupera totalmente após a convulsão. No entanto, quando as crises são muito longas, frequentes ou não tratadas corretamente, podem deixar sequelas neurológicas temporárias ou permanentes.
Essas alterações acontecem porque, durante a crise, o cérebro sofre com a falta momentânea de oxigênio. Ou seja, quanto maior o tempo de crise, maior o risco de lesões cerebrais.
Logo após a convulsão, é comum o cão apresentar:
Esses sintomas geralmente duram de minutos a algumas horas, mas em alguns casos podem persistir por até 24 horas.
Crises muito intensas e repetidas sem controle podem causar danos irreversíveis ao tecido cerebral, resultando em:
Nem sempre é possível evitar completamente uma convulsão, especialmente nos casos de epilepsia idiopática, em que não há uma causa definida. Mas é possível reduzir os riscos e controlar as crises com acompanhamento veterinário e hábitos consistentes de cuidado.
De acordo com estudos (Carneiro et al., 2017), com o uso contínuo de medicamentos anticonvulsivantes para cachorro e uma rotina estável, a terapia pode reduzir até 80% das crises.
E o acompanhamento veterinário é indispensável para:
Mesmo em cães saudáveis, algumas atitudes simples diminuem o risco de crises:
Com atenção e rotina preventiva, o tutor pode minimizar as chances de novas crises e proporcionar ao pet uma vida longa, estável e feliz.

Não! A convulsão é um sintoma, uma reação do cérebro a uma descarga elétrica anormal.
Já a epilepsia é uma doença neurológica crônica, em que essas crises ocorrem de forma recorrente e espontânea.
Ou seja: nem todo cão que convulsiona tem epilepsia. Apenas o veterinário, com base em exames e histórico clínico, pode determinar o diagnóstico correto.
Algumas raças demonstram, segundo estudos e observações clínicas, uma predisposição maior a determinados tipos de convulsões. Confira abaixo as mais citadas:
| Raças com maior predisposição | Possível relação |
| Beagle, Border Collie, Labrador Retriever, Golden Retriever | Maior incidência de epilepsia idiopática (predisposição genética suspeita) |
| Yorkshire Terrier, Maltês, Lhasa Apso | Tendência a doenças inflamatórias do encéfalo (meningoencefalite) |
| Boxer, Bernese Mountain Dog, Irish Wolfhound | Maior risco de tumores cerebrais relacionados a crises convulsivas |
| Schnauzer, Cocker Spaniel, Basset Hound, Poodle | Casos frequentes de convulsões idiopáticas e reativas |
| Pastor Alemão, Pastor Belga, Vizsla, English Springer Spaniel | Observações clínicas de epilepsia hereditária e distúrbios neurológicos estruturais |
Importante: até o momento, não existe comprovação científica definitiva que vincule raça e convulsão como causa e efeito.
O que há são registros estatísticos e relatos clínicos que indicam maior incidência em determinadas raças, possivelmente por fatores genéticos ou neurológicos ainda em estudo.
Mas, mesmo que a raça do seu cão esteja na lista, isso não significa que ele terá convulsões. O que existe é uma predisposição genética, e o acompanhamento veterinário regular é a melhor forma de identificar sinais precoces e garantir qualidade de vida.
Não. Embora os movimentos involuntários sejam comuns nos dois quadros, tremores podem surgir por diferentes motivos, como ansiedade, estresse, medo, excitação, frio, dor, náusea, etc.
Quer saber outros motivos pelos quais seu cachorro pode estar tremendo? Leia nosso artigo completo no Blog da Cobasi!
Não é recomendado. Logo após a crise convulsiva canina, o animal pode permanecer desorientado por um tempo. Em casos mais graves, também é possível que outros episódios aconteçam nas próximas 24h, o que exigirá atendimento veterinário.
Na dúvida, o mais seguro é monitorar o cachorro até que ele saia da fase pós-ictal e o seu comportamento volte ao normal.
Sim. Mesmo que o cachorro pareça bem após a crise, a consulta com o médico-veterinário é importante para investigar por que a convulsão aconteceu.
O episódio pode estar relacionado a diferentes condições, como intoxicações, alterações metabólicas, infecções, traumas, doenças neurológicas ou epilepsia.
Durante a avaliação, o profissional considera o histórico do animal, a frequência e a duração das crises e outros sinais apresentados.
A partir dessas informações, pode solicitar exames para identificar a causa e definir a melhor conduta caso o cachorro sofra com ataques epilépticos, por exemplo.
Não existe um único exame para convulsão em cachorro. A investigação começa com o histórico clínico e a descrição detalhada dos episódios.
A partir dessas informações, o veterinário pode solicitar exames de sangue e de imagem, incluindo tomografia computadorizada ou ressonância magnética. Em alguns casos, também pode ser necessária a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR).
Após a crise, o cão entra em um período chamado fase pós-ictal, que pode durar de alguns minutos a várias horas, e apresentar alguns sinais como:
Esses comportamentos são normais, mas devem ser relatados ao veterinário, especialmente se durarem mais de um dia.
Sim, no início do tratamento, é comum o cão apresentar sonolência, aumento de sede e apetite. Esses efeitos costumam diminuir conforme o organismo se adapta à medicação, mas devem ser acompanhados pelo veterinário.
Os anticonvulsivantes, como o fenobarbital (Gardenal), levam de 15 a 21 dias para atingir níveis estáveis no organismo. Após esse período, o veterinário costuma solicitar exames de sangue para verificar se a dose está adequada e avaliar a função hepática.
Nos primeiros meses, as consultas são mais frequentes para ajustar a dose e avaliar os exames. Com o tratamento estabilizado, os retornos costumam ocorrer a cada 3 a 6 meses.
Na maioria dos casos, sim. Estudos indicam que apenas 15% dos cães podem suspender os anticonvulsivantes com segurança.
Quando há necessidade de interromper ou trocar o medicamento, isso deve ser feito de forma lenta e supervisionada, nunca de forma abrupta.
Sim, mesmo com o tratamento correto, alguns cães podem ter crises ocasionais, especialmente se houver alterações na dose, estresse, calor excessivo ou jejum prolongado. Nesses casos, o veterinário deve reavaliar o protocolo para ajustar a medicação.
Sim. Após a crise, é comum o cão ficar exausto e sonolento. Deixe-o descansar em um ambiente calmo e seguro, observando se ele recupera a consciência normalmente.
Pode, mas somente quando estiver totalmente consciente. Ofereça pequenas quantidades e observe se o cão engole sem engasgar.
Sim, mesmo crises curtas podem indicar um problema neurológico, metabólico ou tóxico. Registre o episódio e procure o veterinário para investigar a causa.
Agora que você já sabe o que fazer em caso de convulsão em cães, lembre-se: informação é o melhor cuidado que você pode oferecer ao seu pet.
No Blog da Cobasi, você encontra mais conteúdos sobre saúde, comportamento e bem-estar animal, com dicas validadas por veterinários. Até a próxima!
| Atualizada em

Formada pela USP, Joyce possui especializações em Medicina Veterinária Preventiva e um MBA em Liderança de Alta Performance. Apaixonada por sua gata, Mia, ela reflete todo o carinho e dedicação que tem por ela em sua prática profissional.
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