Fecaloma em gatos: como identificar, tratar e ajudar um felino com fezes ressecadas

Por Redator Cobasi

Com colaboração: Marcelo Tacconi
Tempo de leitura: 21 minutos

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O fecaloma em gatos é uma condição caracterizada pelo acúmulo de fezes ressecadas e compactadas no cólon, formando uma massa que impede a evacuação normal dos felinos.

Conforme o quadro avança, os animais costumam apresentar vômitos, apatia, desconforto abdominal, dor ao evacuar, sangue nas fezes e ausência total de evacuação.

Sem tratamento, a massa fecal pode gerar complicações graves, como obstrução intestinal e infecção generalizada, colocando a vida do gato em risco. (LIDBURY, 2023)

Por conta disso, o fecaloma é considerado uma emergência e exige atendimento veterinário imediato.

Na maioria dos casos, o problema surge como consequência de episódios frequentes e prolongados de prisão de ventre em gatos.

Fatores como baixa ingestão de água, alimentação pobre em fibras, estresse, falta de higiene da caixa de areia e doenças também favorecem o desenvolvimento da condição.

Seu gato não está conseguindo fazer cocô? Neste guia completo com colaboração do médico-veterinário Marcelo Tacconi (CRMV-SP 44031), te ensinamos como identificar, tratar e prevenir o fecaloma felino. Continue a leitura e tire suas dúvidas!

O que é fecaloma em gatos?

O fecaloma, também chamado de fecólito, é definido como uma massa fecal ressecada e compactada que fica retida no intestino grosso dos felinos, mais precisamente, no cólon. 

A presença do bolo fecal endurecido dificulta a saída das fezes, fazendo com que o gato tenha dificuldade para defecar ou evacue de forma irregular. 

Qual a diferença entre constipação e fecaloma?

O fecaloma é uma complicação causada pela constipação prolongada. Por isso, embora muitos tutores tratem as duas condições como sinônimos, elas não são exatamente iguais.

De maneira geral, a constipação em gatos é caracterizada pela dificuldade persistente ou pela diminuição da frequência para evacuar. (BENJAMIN; DROBATZ, 2019)

A redução das evacuações faz com que as fezes permaneçam retidas no cólon por mais tempo do que o normal. 

Como essa região é responsável pela reabsorção da água, o conteúdo fecal perde umidade gradativamente, tornando-se cada vez mais seco e difícil de eliminar.

Quando esse processo não é interrompido, as fezes endurecidas se acumulam até formar uma massa compacta, resultando no fecaloma felino.

Ficou difícil de entender? Na tabela abaixo, comparamos alguns aspectos das condições.

ConstipaçãoFecaloma
O que éDificuldade persistente ou diminuição da frequência para evacuar.Acúmulo de uma massa de fezes endurecidas e compactadas no cólon.
O que acontece no intestinoAs fezes permanecem retidas por mais tempo, perdendo água gradativamente.As fezes já estão ressecadas e compactadas, dificultando ou impedindo a evacuação.
GravidadePode ser leve ou moderada quando tratada precocemente.É considerado um quadro mais grave e uma emergência veterinária.

Em outras palavras, a constipação representa a dificuldade para evacuar, enquanto o fecaloma é uma complicação causada pela permanência prolongada das fezes no intestino. 

O que causa fecaloma em gatos?

Como evitar o fecaloma em gatos

Os gatos podem desenvolver o fecaloma por diversos motivos, incluindo manejo inadequado, estresse e até problemas de saúde mais graves. Veja os principais:

Ingestão insuficiente de água

A hidratação do gato é um dos principais fatores de risco para a constipação e, consequentemente, para o fecaloma felino. (INTERNATIONAL CAT CARE, 2025).

Afinal, quando o organismo recebe menos água do que precisa, as fezes perdem umidade, ficam mais secas e difíceis de eliminar.

Infelizmente, os felinos são conhecidos por não consumirem líquidos como deveriam, o que cria o cenário perfeito para problemas intestinais em gatos.

Alimentação inadequada

Como você deve imaginar, a alimentação também tem um papel importante no funcionamento e na saúde intestinal felina. 

Dietas com teor inadequado de fibras podem prejudicar o trânsito intestinal. Porém, o aumento de fibras não é indicado para todos os casos e deve ser orientado pelo veterinário.

Além disso, rações e alimentos de baixa qualidade podem comprometer a consistência e a qualidade do bolo fecal, dificultando sua passagem pelo intestino.

Estresse, higiene e mudanças ambientais

Gatos são animais muito sensíveis ao estresse. Por conta disso, mudanças no ambiente e na rotina — como a chegada de um novo animal, barulhos ou visitas — podem fazer com que os felinos simplesmente parem de usar a caixa de areia.

Quanto mais tempo as fezes permanecem retidas no intestino, maior é o risco de ressecamento, endurecimento e de formação do fecaloma.

Não higienizar a caixa de areia, posicionar o acessório em locais inadequados ou oferecer um número insuficiente de caixas por gatos também pode favorecer esse comportamento.

Ingestão excessiva de pelos

Durante a higiene diária, os gatos utilizam a língua para remover pelos soltos da pelagem. Nesse processo, é normal que parte desses fios seja ingerida e siga pelo trato digestivo.

Quando a quantidade de pelos é muito grande, eles podem se acumular no estômago e formar as famosas bolas de pelos, também chamadas de tricobezoares. 

Em alguns casos, esses pelos também se misturam ao bolo fecal, dificultando sua passagem pelo intestino e favorecendo a constipação e a formação de fecalomas.

Doenças e alterações metabólicas

Em casos mais graves, a constipação felina pode estar associada a problemas de saúde, como doenças neurológicas, gastrointestinais, articulares e metabólicas.

A artrite e outras condições que causam dor ortopédica, por exemplo, costumam dificultar a posição da defecação, fazendo com que os gatos retenham as fezes. 

Doenças metabólicas e sistêmicas, como desidratação, hipotireoidismo e doença renal crônica também são apontadas como possíveis causas de constipação em felinos.

Quais são os sintomas de fecaloma em gatos?

Os sintomas do fecaloma felino costumam surgir de forma gradual. Nos estágios iniciais, o tutor pode perceber mudanças no comportamento do gato, como:

  • esforço para defecar;
  • vocalização durante a evacuação;
  • eliminação de fezes secas, pequenas ou compactadas. 

O animal também pode entrar e sair da caixa de areia várias vezes, fazendo força para evacuar sem conseguir eliminar fezes.  

Com a evolução do quadro, surgem sintomas físicos intensos, como vômito, perda de apetite, apatia, distensão abdominal e fezes com sangue. (FOSSUM, 2008).

Quando levar o gato com fecaloma ao veterinário?

Se você perceber o gato fazendo força para defecar sem sucesso ou notar que ele está há 48 a 72 horas sem evacuar, procure atendimento veterinário com urgência.

O fecaloma felino é uma emergência veterinária e pode causar complicações graves, colocando a vida do seu pet em risco.

Quais complicações o fecaloma em gatos pode causar?

Fecaloma em gatos: fique atento ao seu pet

Quando o fecaloma não é tratado, o acúmulo contínuo de fezes pode provocar a dilatação progressiva do cólon e favorecer o desenvolvimento do megacólon felino.

Essa condição é definida pelo aumento do diâmetro do cólon, que faz com que a musculatura da parede colônica perca a capacidade de se contrair normalmente. 

Como consequência, as fezes deixam de ser empurradas em direção ao reto e a impactação fecal se torna cada vez mais intensa.

À medida que o quadro evolui, o gato pode desenvolver obstipação, condição em que o animal já não consegue esvaziar o cólon de forma espontânea. 

O fecaloma também pode causar uma obstrução intestinal parcial ou completa, que geralmente exige tratamento cirúrgico.

Em casos extremos, a permanência prolongada das fezes no intestino causa septicemia, uma infecção generalizada que pode levar o pet a óbito.

Quais gatos têm maior risco de desenvolver fecaloma?

O fecaloma é diagnosticado com mais frequência em felinos adultos e idosos, entre cinco e nove anos de idade. (BICHARD; SHERDING, 2003)

Até o momento, não existe uma predisposição estabelecida em relação ao sexo ou à raça. 

Além da idade, diversas doenças e fatores relacionados ao manejo favorecem a constipação, condição que pode evoluir para o fecaloma quando não tratada.

Na tabela abaixo, reunimos os principais fatores descritos na literatura veterinária, segundo a PremieR Vet:

Grupo de fatores de riscoCondiçãoFrequência / Observações
Doenças da medula espinhal e coluna sacrococcígeaOsteoartrose (doença degenerativa)Frequente
Traumas na região sacrococcígea com retenção de fezes e urina, atonia da cauda e relaxamento do esfíncter analBastante frequente
DiscoespondilitePouco frequente
Deformidade sacrococcígea congênita do gato da raça ManxFrequente
Doenças neuromuscularesMegacólon idiopáticoFrequente
Disfunção do sistema nervoso autonômicoPouco frequente
Doenças metabólicasDoença renal crônica com hipocalemia (hipopotassemia)Muito frequente, principalmente em gatos idosos
Hipotireoidismo congênitoPouco frequente, mas a constipação costuma ser o principal sinal clínico
Hipotireoidismo adquiridoFrequente após o tratamento do hipertireoidismo, embora a constipação seja menos comum do que na forma congênita
ObesidadeFrequente
Hiperparatireoidismo secundário nutricionalPouco frequente
Causas obstrutivasFratura pélvicaFrequente
Tumores no reto ou ânusPouco frequente
Granuloma fúngico retalPouco frequente
Corpos estranhos (tricobezoares, corpos lineares etc.)Pouco frequente
Hérnia perinealPouco frequente
Divertículo retalPouco frequente
Causas inflamatóriasProctitePouco frequente
Inflamação e fístulas das glândulas anaisFrequente em gatos da raça Siamês
Causas farmacológicasUso de opioides, antagonistas colinérgicos e sulfato de bárioFrequente
Manejo inadequadoDieta pobre em fibras e rica em proteínas e carboidratosMuito frequente
Recusa em usar a caixa de areiaFrequente
Número insuficiente de caixas de areia ou acesso restrito ao sanitárioFrequente
Mudanças de ambiente ou hospitalizaçãoFrequente

Como saber se meu gato está com fecaloma?

Embora os sinais clínicos ajudem a levantar as suspeitas iniciais, somente um médico-veterinário é capaz de diagnosticar o fecaloma felino com precisão.

Para chegar ao diagnóstico, o especialista analisa o histórico do animal, realiza o exame físico e pode solicitar exames complementares, como a radiografia abdominal.

Anamnese e histórico clínico

A investigação começa pela anamnese, etapa em que o médico-veterinário reúne informações sobre o histórico do animal e a evolução dos sinais clínicos.

O que observar antes da consulta?

Antes de levar o gato ao veterinário, procure anotar ou lembrar informações como:

  • Há quantos dias o gato está sem evacuar;
  • Se o problema já aconteceu anteriormente;
  • Aspecto das últimas fezes eliminadas, como tamanho, consistência, presença de sangue ou muco;
  • Sinais de dor durante a evacuação, como esforço excessivo ou vocalização;
  • Presença de outros sintomas, como vômitos, perda de apetite ou apatia;
  • Alterações recentes na alimentação, no consumo de água, na rotina ou no ambiente, como mudanças de casa ou chegada de outro animal;
  • Como é o manejo da caixa de areia (quantidade, limpeza e localização);
  • Uso de medicamentos, cirurgias recentes ou diagnóstico prévio de doenças.

Quanto mais detalhes o tutor fornecer, mais fácil será identificar a causa da constipação e definir quais exames serão necessários para confirmar o fecaloma.

Exame físico

Depois da anamnese, o profissional realiza o exame físico para avaliar o estado geral do animal e identificar alterações compatíveis com o fecaloma.

Durante a palpação abdominal, o veterinário pode perceber dor, distensão do abdômen, dilatação dos segmentos do cólon e acúmulo de fezes no intestino. 

Além disso, a avaliação também ajuda a detectar sinais de desidratação e alterações ortopédicas ou neurológicas que possam dificultar a evacuação e favorecer a constipação.

Radiografia abdominal

A radiografia abdominal é o exame de imagem inicial mais utilizado para confirmar o diagnóstico, pois permite a visualização das fezes retidas.

O exame mostra alterações como dilatação do cólon, fragmentação do bolo fecal e compressão de órgãos próximos, informações importantes para definir o tratamento.

Radiografia fecaloma em gatos
Figura – Projeção radiográfica lateral  esquerda, apresentando grande volume de conteúdo fecal em intestino grosso. Fonte: FECALOMA GRAVE EM GATO: RELATO DE CASO. Colóquio Agrário. ISSN: 1809-8215, [S. l.], v. 2, pág.177–182, 2018. Disponível em: https://journal.unoeste.br/index.php/ca/article/view/1853 

A radiografia também ajuda a investigar possíveis causas do fecaloma, como tumores, fraturas pélvicas e lesões neurológicas. (FOSSUM, 2008).

Ultrassonografia abdominal e exames complementares

Dependendo da suspeita clínica, o veterinário também pode solicitar exames laboratoriais para investigar doenças metabólicas ou sistêmicas que favoreçam a constipação.

A ultrassonografia abdominal complementa a investigação ao permitir a avaliação da parede intestinal, de órgãos vizinhos e da presença de massas ou corpos estranhos.

Qual é o tratamento para fecaloma em gatos?

Segundo o médico veterinário Marcelo Tacconi, o fecaloma em felinos deve ser tratado como uma emergência. Isso significa que você deve levar o pet ao veterinário com o máximo de rapidez, assim que perceber o problema.

“O tratamento muda de caso para caso. O protocolo inicial é um enema (uma lavagem intestinal), podendo ser utilizados fluidoterapia, laxantes veterinários e, em alguns casos, o animal ser submetido a cirurgia”, explica o especialista.

Além do alívio imediato da constipação, o tratamento também deve identificar e corrigir a causa que levou à formação do fecaloma. Caso contrário, o gato pode apresentar novos episódios ao longo da vida.

De acordo com a gravidade do quadro, o médico-veterinário poderá indicar diferentes abordagens terapêuticas. Confira as principais:

TratamentoO que éObjetivoQuando pode ser indicado
Laxantes veterináriosMedicamentos que lubrificam ou facilitam a passagem das fezes pelo intestino.Favorecer a eliminação das fezes retidas.Casos de constipação leve, com pequena quantidade de fezes e ausência de megacólon.
Enema (lavagem retal)Lavagem intestinal realizada com soluções específicas para remover as fezes acumuladas.Auxiliar na evacuação e reduzir a retenção fecal.Quando há apenas constipação ou em associação aos laxantes, conforme avaliação do médico-veterinário.
FluidoterapiaAdministração de fluidos por via intravenosa para restaurar a hidratação do organismo.Corrigir a desidratação e oferecer suporte ao paciente durante o tratamento.Quando o gato apresenta desidratação ou necessita de suporte clínico, inclusive no pós-operatório.
Enterotomia Procedimento cirúrgico que realiza uma incisão no intestino para remover as fezes endurecidas.Eliminar a massa fecal quando ela não pode ser removida por métodos conservadores.Casos graves, com grande quantidade de fezes retidas, megacólon, recidivas ou falha do tratamento clínico.
Colectomia subtotal
(remoção cirúrgica do cólon)
Cirurgia que remove parte do cólon para restabelecer o funcionamento do intestino.Reduzir as recidivas e recuperar o trânsito intestinal.Casos de constipação crônica, megacólon ou quando outras abordagens não apresentam resultado satisfatório.

Atenção: o uso de laxantes, enemas ou qualquer outro medicamento nunca deve ser feito por conta própria. Quando utilizados de forma inadequada, esses produtos podem agravar a desidratação e aumentar o risco de complicações, como o prolapso retal. (LIDBURY, 2023)

Como prevenir o fecaloma em gatos?

Como o fecaloma geralmente se desenvolve como consequência da constipação, a prevenção consiste em adotar medidas que favoreçam o funcionamento do intestino, como:

Oferecer uma dieta equilibrada

Uma alimentação equilibrada ajuda a manter o intestino funcionando como deveria.

Dependendo da causa do problema, o médico-veterinário pode recomendar uma dieta gastrointestinal ou rações com maior teor de fibras alimentares.

Além disso, incluir alimentos úmidos no cardápio aumenta a ingestão diária de água e favorece a formação de fezes mais macias, reduzindo o risco de obstrução fecal.

Como as necessidades nutricionais variam de um animal para outro, qualquer mudança na dieta deve ser feita com orientação veterinária.

Garantir o consumo adequado de água

Ainda falando em hidratação, incentivar a ingestão de água do felino também é uma boa forma de prevenir fezes ressecadas em gatos. 

Nesse caso, o tutor pode investir em fontes de água específicas para os pets, que mantêm a água em movimento, do jeito que os felinos adoram.

Como estimular a hidratação dos gatos?

Outras estratégias simples que ajudam a aumentar o consumo de água e reduzir o risco de constipação em gatos são:

  • Distribuir diferentes fontes de hidratação pela casa, facilitando o acesso à água em vários ambientes.
  • Posicionar os recipientes em locais tranquilos, longe da caixa de areia e dos potes de comida, respeitando as preferências da espécie.
  • Apostar no mix feeding, misturando ração úmida e ração seca na mesma refeição para aumentar a ingestão diária de líquidos.

Limpeza frequente da caixa de areia

Como você já deve imaginar, uma das principais medidas de prevenção ao fecaloma em felinos é uma higienização regular e bem feita da sua caixinha de areia.

Gatos são animais extraordinariamente limpos, que não fazem suas necessidades em qualquer lugar. Se eles procuram a caixa de areia para fazer cocô e ela está suja, eles dificilmente vão fazer em outro lugar.

Por isso é fundamental que os tutores de gatos criem uma rotina regular de limpeza da caixa de areia, removendo os torrões formados pela urina e pelas fezes o quanto antes. 

Pelo menos uma vez por semana é necessário fazer uma limpeza completa do sanitário, lavando em água corrente e trocando totalmente a areia higiênica.

Se você tiver mais de um felino, ofereça ao menos 1 bandeja extra para cada animal da casa. Assim, você evita que disputas territoriais atrapalhem a saúde intestinal dos pets.

Exercícios e controle da obesidade

O sedentarismo e o excesso de gordura corporal podem reduzir os movimentos naturais do intestino, favorecendo episódios de gato com intestino preso e dificuldade para evacuar.

Para evitar esse problema, incentive o gato a brincar diariamente com brinquedos, arranhadores, prateleiras e nichos elevados. 

Essas atividades estimulam o funcionamento do intestino, promovem o controle de peso e ainda ajudam a reduzir o estresse — um gatilho bem conhecido para o fecaloma.

Escovação regular da pelagem

Outra forma de prevenir o fecaloma é a escovação regular dos pelos, pois o processo faz com que menos fios soltos fiquem no corpo e sejam ingeridos durante os banhos de gato.

De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Goiás (CRMV-GO), gatos de pelo longo podem precisar de escovação diária, enquanto os de pelo curto se dão bem com escovações semanais.

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Consultas preventivas

Além de oferecer alimentação de qualidade e adequada ao seu gato, faça consultas de rotina com o médico-veterinário para acompanhar o desenvolvimento dele. 

Assim fica muito mais fácil reconhecer um problema no início, quando as possibilidades de resolução são maiores.

Em estágios iniciais, o profissional poderá sugerir medidas preventivas para gatos com predisposição ao fecaloma, incluindo:

  • Dieta para constipação felina: a inserção de fibras alimentares promove o funcionamento adequado do intestino.
  • Suplementos probióticos: feitos com bactérias boas, contribuem para o equilíbrio da microbiota intestinal, prevenindo fezes duras em gato.

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Perguntas frequentes sobre fecaloma em gatos (FAQ)

Tratamento de fecaloma em gatos

Por que dá fecaloma em gatos?

O fecaloma ocorre quando as fezes permanecem retidas no intestino por muito tempo, perdendo água e ficando endurecidas. 

A retenção fecal em gatos geralmente é consequência da constipação e pode estar relacionada à baixa ingestão de água, alimentação inadequada, estresse, doenças gastrointestinais felinas ou outras condições que alteram o funcionamento do intestino.

Quando a prisão de ventre em gatos é grave?

A constipação deve ser avaliada pelo médico-veterinário quando o gato permanece mais de 24 horas sem evacuar ou apresenta sintomas adicionais, como esforço intenso para defecar, dor, vômitos ou perda de apetite.

Quantos dias um gato pode ficar sem fazer cocô?

De acordo com a Purina, a maioria dos gatos evacua de uma a duas vezes ao dia. Ainda assim, esse padrão pode mudar conforme os felinos envelhecem. 

Se o seu gato não consegue fazer cocô ou está com constipação há mais de 24 horas, procure um médico-veterinário.

Gato com fecaloma consegue comer?

Nem sempre. O fecaloma costuma causar dor  e desconforto abdominal, fazendo com que muitos gatos percam o apetite.

Qual o medicamento indicado para fecaloma?

Não existe um único medicamento indicado para todos os casos. O tratamento deve ser definido pelo médico-veterinário e depende da gravidade do quadro.

Alguns protocolos terapêuticos podem incluir fluidoterapia, enemas ou laxantes para gatos.

Nunca administre laxantes ou enemas de uso humano em casa, pois eles podem agravar o quadro de fecaloma e colocar a vida do animal em risco.

Fecaloma em gato tem cura?

Sim, o fecaloma pode ser tratado, especialmente quando identificado cedo. Porém, a recuperação depende da gravidade do quadro e do controle da causa da constipação.

No entanto, a recuperação também depende do tratamento da causa que levou à constipação. Seguir corretamente as orientações do médico-veterinário é fundamental para evitar novos episódios.

Se você quer ajudar seu gato com prisão de ventre, mantenha os cuidados recomendados mesmo após a melhora inicial.

Nos casos de recorrência, especialmente quando o tratamento clínico não apresenta resultados, o médico-veterinário pode indicar uma colectomia subtotal para reduzir o risco de novos episódios. (BRIGHT, 1991)

O conteúdo te ajudou?

Para saber mais sobre saúde felina e como cuidar bem do seu gato, fique de olho nos artigos publicados no Blog da Cobasi.

Aqui, você encontra dicas de especialistas, indicações de acessórios, produtos que facilitam a rotina de cuidados com pets e muito mais!


Referências

SANTOS et al. FECALOMA EM GATOS – REVISÃO DE LITERATURA. Anais do encontro de ciências agrárias do UNIGOIÁS. Goiânia(GO) UNIGOIÁS, 2023. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/iieca/731575-FECALOMA-EM-GATOS—REVISAO-DE-LITERATURA 

BASTOS, et al. Fecaloma em gato: relato de caso. OBSERVATÓRIO DE LA ECONOMÍA LATINOAMERICANA, [S. l.], v. 23, n. 8, p. e11030, 2025. Disponível em: https://ojs.observatoriolatinoamericano.com/ojs/index.php/olel/article/view/11030 

FECALOMA GRAVE EM GATO: RELATO DE CASO. Colóquio Agrário. ISSN: 1809-8215 , [S. l.] , v. 2, pág. 177–182, 2018. Disponível em: https://journal.unoeste.br/index.php/ca/article/view/1853 

LIDBURY, J.A. Tratamento de constipação em gatos. Vetfocus, v.33.1, 2023. Disponível em: https://vetfocus.royalcanin.com/pt/cientifico/treating-constipation-in-cats. 

BICHARD, S. J.; SHERDING, R. G. Manual Saunders – Clínica de Pequenos Animais.

2. ed. São Paulo: Roca, 2003. 

MCGAVIN, D.M.; ZACHARY, J.F. Bases da patologia em veterinária.4. ed. Rio de Janeiro, 2009. p. 1540.

BENJAMIN, S.E.; DROBATZ, K.J. Retrospective evaluation of risk factors and treatment outcome predictors in cats presenting to the emergency room for constipation. Jornal of Feline Medicine and Surgery, v.22, n.2, 2019. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/1098612X19832663. 

INTERNATIONAL CAT CARE. Constipation in Cats. 2025. Disponível em: https://icatcare.org/advice/constipation-in-the-cat/.

FOSSUM, T.W. Cirurgia de pequenos animais. 3. ed. Rio de Janeiro, 2008. p. 1632.

BRIGHT, R. M. Idiopathic megacolon in the cat: Subtotal colectomy with preservation of the ileocolic valve. Vet Med Rep., v.3, n. 183, p. 186- 187, 1991.

CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA DO ESTADO DE GOIÁS.  Benefícios da rotina de escovação de pelos de cães e gatos. Disponível em: https://crmvgo.org.br/beneficios-da-rotina-de-escovacao-de-pelos-de-caes-e-gatos/

ROYAL CANIN PORTAL VET. Constipação em gatos: principais causas e como conduzir o caso. 2026. Disponível em: https://portalvet.royalcanin.com.br/saude-e-nutricao/trato-gastrointestinal/constipacao-em-gatos/ 

PREMIER VET. Manejo clínico da constipação crônica em felinos. 2025. Disponível em: https://premiervet.com.br/artigos/manejo-clinico-da-constipacao-cronica-em-felinos/ 

Marcelo Tacconi

Com colaboração: Marcelo Tacconi

Médico-veterinário | CRMV - 44031

Formado em Medicina Veterinária pela UNESP/FMVA e com MBA em Neurociência, Consumo e Marketing pela PUC-RS, Marcelo divide a vida com seus pets, Meg e Valentina, que trazem alegria ao seu dia a dia.

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3 Comentários

  1. Kawany disse:

    Fecaloma é algo tão comum entre os felinos por conta da ingestão de pelo que formam as bolas de pelo. Fale sobre tratamento cirurgico e pós cirúrgico. Não damos tanta importância por ser algo natural dos gatos, mas essas bolas de pelo se não cuidadas através de uma alimentação específica traz tristes resultados. Estou com meu gatinho indo para cirurgia porque apenas alimentava ele com ração seca, ele não sai para rua então a alimentação dele é zero grama, zero mato, zero fibra. Devia ter levado à sério a questão da alimentação rica em substâncias para ajudá-lo a eliminar a bola de pelo.

  2. Ledir disse:

    Meu gato fez a cirugia devido fecaloma. Foi indicado a alimentação por 15 dias a pastosa. Após esse período terei que dar ração para constipação intestinal. Qual é a melhor e a intermediária.
    Agradeço.

    • Cobasi disse:

      Olá, Ledir! Tudo bem?
      Como o seu pet está se recuperando de uma cirurgia devido o fecaloma, que é uma condição caracterizada pelo ressecamento e retenção das fezes dentro do intestino do pet, a recomendação é que você converse com o médico-veterinário a respeito da continuidade da alimentação do seu animal de estimação.

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