

A asma felina é uma doença respiratória crônica que afeta as vias aéreas inferiores dos gatos, dificultando a passagem do ar para os pulmões. A condição pode causar tosse, chiado ao respirar, respiração rápida e, em casos mais graves, falta de ar.
Na maioria dos casos, a asma em gatos está relacionada a uma reação alérgica a partículas inaladas, como poeira, pólen, fumaça, perfumes, produtos de limpeza fortes e areia sanitária com muito pó.
Quando o organismo do gato reage a esses gatilhos, as vias respiratórias inflamam, ficam mais estreitas e podem acumular muco, tornando a respiração mais difícil.
A asma felina não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com acompanhamento veterinário, tratamento adequado e cuidados no ambiente.
Como os sintomas podem ser confundidos com bolas de pelo, engasgo, bronquite felina e outras doenças respiratórias em gatos, é importante saber reconhecer os sinais e procurar orientação profissional.
Para explicar tudo sobre a doença e quais cuidados ajudam no controle das crises de asma em gatos, conversamos com o veterinário Marcelo Tacconi (CRMV – 44031). Continue a leitura!
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A asma felina é uma doença respiratória crônica que afeta o trato respiratório inferior dos gatos, especialmente os brônquios, canais responsáveis pela passagem do ar até os pulmões.
O problema acontece quando o organismo do gato apresenta uma reação exagerada a alérgenos e irritantes presentes no ambiente, como poeira, ácaros, pólen, grama, fumaça de cigarro, produtos de limpeza, perfumes e até um novo substrato para a caixa de areia.
Essa resposta alérgica provoca inflamação nas vias respiratórias e dificulta a passagem do ar. Durante a crise, os brônquios podem ficar inchados, produzir mais muco e sofrer um estreitamento chamado broncoconstrição.
Na prática, a passagem do ar fica menor, e o gato precisa fazer mais esforço para respirar. Apesar de a broncoconstrição ser considerada reversível em muitos casos, a inflamação persistente e a repetição das crises podem causar alterações mais duradouras nas vias aéreas.
Por isso, a asma felina exige acompanhamento veterinário, controle dos gatilhos ambientais e tratamento adequado. Estima-se que a asma felina acometa entre 1% e 5% da população felina.
Em quadros asmáticos, os gatos podem apresentar sintomas respiratórios leves, intermitentes ou crises intensas de falta de ar. Os sinais mais comuns são tosse, chiado ao respirar, respiração acelerada e dificuldade respiratória.
A tosse costuma ser um dos sinais mais frequentes da asma felina. Em alguns casos, o gato parece estar engasgado, tentando vomitar ou expulsar uma bola de pelo.
Durante o episódio, pode ficar agachado, com o corpo próximo ao chão, pescoço esticado para a frente e movimentos fortes da barriga.
Os principais sintomas de asma felina incluem:
Além dos sintomas isolados, a asma em gatos pode aparecer em dois padrões principais: quadro crônico e crise aguda.
Sim, a asma felina pode ser grave, mas nem todo gato apresenta os sintomas da mesma forma.
A doença pode aparecer como um quadro crônico, com sinais mais discretos e recorrentes, ou como uma crise aguda, quando a dificuldade respiratória surge de forma mais intensa e exige atendimento imediato.
| Tipo de quadro | Como aparece | Sinais mais comuns | Nível de atenção |
| Quadro crônico | Sinais mais discretos, recorrentes e que podem durar semanas ou meses antes do diagnóstico | Tosse seca mais de uma vez por semana, chiado, respiração um pouco mais rápida, esforço abdominal ao respirar e menor disposição para atividades | Precisa de avaliação veterinária, controle dos gatilhos ambientais e acompanhamento. |
| Crise aguda | Quadro mais intenso, com piora rápida e dificuldade respiratória evidente | Respiração muito rápida, falta de ar, respiração pela boca, pescoço esticado, mucosas arroxeadas, fraqueza ou colapso | Precisa de avaliação veterinária imediata, controle dos gatilhos ambientais e acompanhamento . |
A causa exata da asma em gatos ainda não foi totalmente definida. O que se sabe é que as crises costumam estar ligadas a uma reação exagerada do organismo diante de alérgenos e irritantes presentes no ambiente.
Quando o gato entra em contato com uma substância capaz de irritar as vias respiratórias, o sistema imunológico pode reagir de forma intensa. Essa resposta provoca inflamação nos brônquios, aumento da produção de muco e estreitamento das vias aéreas.
Esse processo reduz o espaço para a passagem do ar e dificulta a respiração. Por esse motivo, alguns gatos apresentam tosse, chiado, respiração acelerada ou crises de falta de ar depois da exposição a determinados gatilhos.
Em muitos casos, a identificação da causa não é simples, já que o mesmo ambiente pode reunir vários fatores capazes de irritar o trato respiratório, como:
Também vale considerar que o trato respiratório dos gatos tem características próprias. Os brônquios felinos são pequenos, sensíveis e têm musculatura capaz de se contrair diante de estímulos irritantes.
Assim, uma obstrução aparentemente pequena pode reduzir bastante a passagem do ar e transformar uma irritação inicial em um quadro respiratório mais sério.

Qualquer gato pode desenvolver asma felina, independentemente de sexo ou idade. Ainda assim, a primeira manifestação costuma ser observada com mais frequência em gatos jovens a adultos, por volta dos 4 a 5 anos.
Segundo estudos, algumas raças, como a Siamês, aparecem com mais frequência em relatos sobre a doença, o que sugere uma possível predisposição. Mesmo assim, gatos sem raça definida e felinos de outras raças também podem apresentar asma.
Pode ser difícil diferenciar em casa, porque asma felina, bola de pelo e bronquite costumam causar sinais parecidos, como tosse, engasgos, esforço abdominal e postura com o pescoço esticado.
Em alguns casos, o gato parece estar tentando vomitar ou eliminar uma bola de pelo, quando o sinal pode estar relacionado a uma doença respiratória.
Apesar da semelhança, são condições diferentes. A asma felina e a bronquite felina afetam as vias respiratórias, enquanto a bola de pelo está ligada ao acúmulo de pelos no trato digestivo.
A diferença fica mais clara quando observamos onde o problema acontece e quais sinais costumam acompanhar cada quadro:
| Condição | Onde acontece | Como costuma aparecer | Principal diferença |
| Asma felina | Vias respiratórias inferiores, principalmente brônquios | Tosse, chiado, respiração rápida, esforço abdominal e falta de ar | Costuma envolver reação alérgica, inflamação e broncoconstrição |
| Bola de pelo | Trato digestivo | Ânsia, engasgo, tentativa de vômito, pescoço esticado e possível eliminação de pelos | Está ligada ao acúmulo de pelos ingeridos durante a lambedura |
| Bronquite felina | Vias respiratórias inferiores, principalmente brônquios | Tosse seca e persistente, chiado, respiração ofegante e cansaço | Também inflama os brônquios, mas pode ter outro perfil inflamatório e outras causas associadas |
Não existe um exame específico capaz de confirmar sozinho a asma felina. O diagnóstico é feito pelo veterinário a partir da combinação entre histórico do gato, sinais clínicos, exame físico e exames complementares.
Durante a consulta, o veterinário avalia quando os sintomas começaram, com que frequência aparecem, se há crises de falta de ar e se houve mudanças recentes no ambiente ou na rotina do pet.
Também podem ser solicitados exames para avaliar as vias respiratórias e descartar outras causas de tosse, chiado e dificuldade para respirar. Entre os principais estão:
O diagnóstico também envolve o descarte de doenças com sinais parecidos, como bronquite crônica, vermes pulmonares, pneumonia e outras doenças do trato respiratório. Essa etapa é importante porque o tratamento muda conforme a causa.
Em gatos com falta de ar intensa, a prioridade é estabilizar o animal antes de realizar exames mais detalhados.
Nesses casos, o atendimento pode começar com o uso de oxigênio, redução do estresse e suporte respiratório, conforme a avaliação veterinária. Depois da estabilização, o profissional define quais exames são mais seguros e necessários.
Como os sintomas da asma felina podem se parecer com sinais de outras doenças, a observação em casa não confirma o diagnóstico. Ainda assim, algumas informações ajudam o veterinário a entender melhor o caso.
Sempre que possível, grave um vídeo do episódio de tosse ou desconforto respiratório do seu gato. O registro pode ajudar a diferenciar tosse, engasgo, tentativa de eliminar bola de pelo, chiado ao respirar e sinais de dificuldade respiratória.
Também vale anotar quando os sintomas aparecem, a frequência das crises e possíveis mudanças recentes no ambiente, como troca da areia sanitária, obras em casa ou alterações na rotina, por exemplo.
Essas informações ajudam a identificar possíveis gatilhos e tornam a avaliação veterinária mais completa.

O principal objetivo do tratamento da asma felina é reduzir o inchaço dos brônquios e a produção de muco. Para isso, o veterinário pode indicar medicamentos anti-inflamatórios.
Em muitos casos, também podem ser usados broncodilatadores, que ajudam a abrir os brônquios quando há estreitamento das vias aéreas. Esses medicamentos facilitam a passagem do ar durante episódios de broncoconstrição, mas não substituem o controle da inflamação.
Como a asma felina é uma doença crônica, o tratamento pode ser necessário mesmo quando o gato não apresenta sintomas evidentes. Além dos medicamentos, o controle também envolve reduzir a exposição a irritantes inalados, como fumaça, aerossóis, perfumes, poeira e areia sanitária com muito pó.
A partir daí, o cuidado se divide em quatro frentes: controle da inflamação, uso de broncodilatadores quando indicado, terapia inalatória e atendimento emergencial em crises agudas.
O controle da inflamação é a base do tratamento da asma felina. O veterinário pode indicar corticosteroides por via oral, injetável ou inalatória, conforme a gravidade do quadro, a frequência das crises e a resposta do gato.
Os medicamentos ajudam a reduzir o inchaço das vias respiratórias, a produção de muco e a recorrência das crises. Mesmo quando o gato parece estar bem, o tratamento pode continuar sendo necessário para manter a doença controlada e evitar recaídas.
Além dos anti-inflamatórios, alguns gatos podem precisar de broncodilatadores em momentos de maior dificuldade respiratória.
Esses medicamentos ajudam a reduzir a broncoconstrição, abrindo os brônquios para facilitar a passagem do ar e aliviar o esforço respiratório.
Porém, os broncodilatadores não tratam a inflamação de base. Por isso, não devem ser usados de forma contínua, isolada ou sem orientação veterinária.

Em alguns casos, o veterinário pode indicar o uso de bombinha para asma em gatos, também chamada de inalador para gatos, junto com uma câmara de inalação e uma máscara própria para felinos.
A via inalatória leva o medicamento diretamente às vias respiratórias e pode ser uma alternativa para o controle de longo prazo da asma felina.
Esse método pode reduzir a exposição do organismo todo ao medicamento, mas exige adaptação. Alguns gatos estranham a máscara no início, então o uso deve ser introduzido de forma gradual, com orientação veterinária e paciência do tutor.
Mesmo com tratamento, alguns gatos podem apresentar crises agudas de asma felina. Sinais como respiração pela boca, grande esforço abdominal, mucosas arroxeadas, fraqueza ou colapso indicam emergência e exigem atendimento veterinário imediato.
Enquanto o gato espera atendimento, alguns cuidados podem ajudar a reduzir o estresse e evitar que o desconforto respiratório piore:
Nunca use medicamentos humanos, bombinhas ou remédios antigos sem prescrição veterinária para aquele episódio.
Em crises intensas, o foco do atendimento é estabilizar a respiração, reduzir o estresse, oferecer oxigênio e usar medicamentos de emergência conforme a avaliação profissional.
O controle da asma felina também depende do ambiente onde o gato vive. Reduzir irritantes respiratórios ajuda a diminuir a exposição aos gatilhos que podem favorecer novas crises, principalmente em gatos mais sensíveis.
Entre as crises, vale evitar fumaça de cigarro, aerossóis, perfumes, aromatizadores, incensos, produtos de limpeza com cheiro forte, poeira, mofo e areia sanitária com muito pó. Manter o ambiente limpo, ventilado e com menor acúmulo de poeira também contribui para reduzir o risco de crises.
Também vale observar se a tosse ou o chiado aparecem depois de mudanças na rotina, troca de produtos de limpeza, uso de fragrâncias ou alteração da areia sanitária. Esses sinais ajudam o veterinário a entender melhor o caso.
Períodos mais frios e úmidos podem contribuir para a piora dos sintomas em alguns gatos. Nessa época, os animais costumam permanecer mais tempo em ambientes fechados, o que pode aumentar o contato com poeira, mofo, ácaros e outros irritantes dentro de casa.
Algumas medidas simples ajudam no controle ambiental da asma felina:
Esses cuidados não substituem o tratamento veterinário, mas fazem parte do controle da doença.

A asma felina não tem cura, por ser uma doença respiratória crônica associada à sensibilidade do organismo a alérgenos e irritantes ambientais.
Essa predisposição não pode ser eliminada, por isso o gato pode voltar a apresentar crises quando entra em contato com gatilhos como poeira, fumaça, perfumes, produtos de limpeza fortes ou areia sanitária com muito pó.
Mesmo sem cura, a asma felina pode ser controlada com acompanhamento veterinário, tratamento adequado, monitoramento da respiração e redução dos gatilhos ambientais.
Com esses cuidados, muitos gatos conseguem viver bem por anos, com menos crises e melhor qualidade de vida.
Um gato com asma pode viver muitos anos e ter boa qualidade de vida quando a doença é controlada corretamente. A expectativa depende da gravidade do quadro, da frequência das crises, da resposta ao tratamento e dos cuidados no ambiente.
Sim, crises graves de asma felina podem colocar a vida do gato em risco, principalmente quando há respiração pela boca, colapso ou grande esforço para respirar. São condições em que o atendimento veterinário precisa ser imediato.
Não, a asma felina não é contagiosa e não passa para humanos ou outros animais. A doença está relacionada a uma reação inflamatória das vias respiratórias do gato, geralmente após contato com alérgenos ou irritantes ambientais.
O estresse não costuma ser a causa única da asma felina, mas pode iniciar ou piorar crises em gatos sensíveis.
Mudanças na rotina, ambientes barulhentos, obras, chegada de novos animais e falta de enriquecimento ambiental podem aumentar o desconforto e favorecer episódios respiratórios.
Um gato com asma pode apresentar tosse seca, chiado ao respirar ou ruído semelhante a um engasgo. Em alguns casos, parece que o gato está tentando expelir uma bola de pelo, mas não elimina pelos ao final do episódio.
A areia sanitária não é necessariamente a causa da asma em gatos, mas pode ter impacto direto nas crises quando solta muito pó ou contém perfume forte. Durante o uso da caixa, partículas finas podem ficar suspensas no ar e ser inaladas pelo gato, irritando as vias respiratórias e favorecendo tosse, chiado ou falta de ar em animais sensíveis.
Para gatos com asma felina, o ideal é escolher uma areia sanitária sem fragrância, com baixa formação de pó e boa absorção. Também vale observar se os sintomas pioram depois da troca do substrato, já que mudanças na caixa de areia podem funcionar como gatilho para alguns gatos.
Na hora de escolher, priorize:
Para entender melhor as diferenças entre os tipos de areia e escolher a opção mais adequada para a rotina do seu gato, veja também nosso guia sobre a melhor areia para gatos.
Tosse recorrente, chiado, respiração rápida, esforço abdominal e falta de ar podem indicar asma felina, mas não confirmam o diagnóstico.
A avaliação veterinária é necessária para diferenciar asma de bronquite, bola de pelo, infecções, parasitas e outras doenças respiratórias.

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Formado em Medicina Veterinária pela UNESP/FMVA e com MBA em Neurociência, Consumo e Marketing pela PUC-RS, Marcelo divide a vida com seus pets, Meg e Valentina, que trazem alegria ao seu dia a dia.




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Meu gato tá fazendo um barulho estranho respirando com dificuldade levei três vezes ao veterinário e falaram q o pulmão estava comprometido passaram medicação e não resolveu trocaram a a medicação tbm não resolveu ele tá perdendo peso e com muita dificuldade pra respirar
Meu gato veio da rua com asma e ñ sei o que dou penso no aerolim
Olá, Sandra! Tudo bem?
È importante que leve o seu felino ao veterinário para que o médico faça um diagnóstico e prescreva a medicação adequada ao seu pet.
percebi que meu gato tem tido crise,s parece que ele quer soltar uma bola de pelo, mas não sai nada, é como uma tosse seca, ele também secreta uma mucose pelo olho direito dele que não para nem com colírio. Tenho quase certeza de que é asma, poderia ser alguma outra coisa?
OBS: as crises acontecem raramente, geralmente à noite.
Olá, Matheus! tudo bem?
é importante ressaltar que apenas um veterinário pode realizar um diagnóstico preciso com base em uma avaliação completa do seu gato. Existem outras condições que podem causar sintomas semelhantes.
Boa noite. Desculpe, mas você conseguiu uma solução para o seu gato/a? Tenho uma gata que está com os mesmos sintomas a duas semanas, já foi levada ao veterinário 3 vezes e não conseguimos a melhora dela mesmo com os remédios aplicados em todas as consultas. Agora ela começou a vomitar um líquido de cor marrom escuro. O panorama da gata está piorando. Sergio.