Feridas em gatos: causas, sinais de alerta e como tratar corretamente

Por Cobasi   Tempo de leitura: 29 minutos

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feridas em gatos

Um arranhão discreto, uma ferida no pescoço, um machucado que não cicatriza ou até uma lesão com pus e mau cheiro podem surgir de repente e gerar muitas dúvidas: isso é grave? Dá para cuidar em casa? É caso de veterinário?

De forma simples, uma ferida em gato é qualquer lesão que rompe a proteção natural da pele, permitindo a entrada de microrganismos. Quando essa barreira é quebrada, o organismo reage com inflamação e inicia o processo de cicatrização. 

Dependendo da causa e da profundidade da lesão, esse processo pode ocorrer rapidamente ou evoluir para infecções locais e até sistêmicas.

As causas das feridas em gatos são variadas. Brigas e mordidas entre gatos estão entre as mais comuns, mas também podem estar relacionadas a objetos pontiagudos, acidentes, parasitas, alergias de pele, infecções bacterianas ou fúngicas e comportamentos como a lambedura excessiva.

Em muitos casos, a ferida começa pequena e escondida sob o pelo, tornando-se visível apenas quando já há inchaço, dor ou secreção.

Ao longo deste guia, você vai entender quais são as principais causas de feridas em gatos, como reconhecer os sinais de alerta, quando o problema pode ser simples e quando exige atendimento imediato. 

Também vamos explicar quais cuidados são realmente seguros, o que não deve ser feito em casa e como proteger a saúde do seu gato durante o processo de cicatrização.

O que é uma ferida em gato?

Uma ferida em gato surge quando a proteção natural da pele é rompida, permitindo dor, inflamação e risco de infecção. Isso pode acontecer em situações simples, como um arranhão, ou em lesões mais profundas, que exigem mais atenção e cuidados específicos.

Para entender por que algumas feridas são leves e outras mais preocupantes, é importante saber que a pele do gato é formada por camadas diferentes, cada uma com uma função no organismo.

Camadas da pele do gato

Epiderme (camada superior)

Forma a proteção mais externa da pele e funciona como a primeira barreira contra sujeira e microrganismos. Quando a ferida atinge apenas essa região, costuma ser superficial e tende a cicatrizar com mais facilidade.

Derme (abaixo da epiderme)

Nesta camada estão os vasos sanguíneos e estruturas importantes para a cicatrização. Feridas que alcançam a derme geralmente causam mais dor, podem inflamar com maior facilidade e demoram mais para fechar.

Subcutâneo (camada de gordura sob a pele)

Localizado mais profundamente, o subcutâneo contém gordura e ajuda a absorver impactos. Lesões que chegam até essa camada costumam ser mais graves, apresentam maior risco de infecção e, na maioria das vezes, precisam de avaliação veterinária.

Quando apenas a camada superficial é atingida, a recuperação tende a ser mais rápida. Já feridas que alcançam camadas mais profundas costumam doer mais, demoram para fechar e apresentam maior risco de complicações.

Além de proteger o corpo, a pele também ajuda a regular a temperatura, participa da defesa do sistema imunológico e permite que o gato perceba dor e sensações ao toque. 

Por isso, qualquer ferida precisa ser observada com atenção, mesmo quando parece pequena à primeira vista.

O que pode causar feridas aparecendo no gato?

Gato com ferimento na orelha sendo cuidado por uma pessoa, símbolo de amor e atenção com animais de estimação

Feridas em gatos podem ter origens diferentes e nem sempre estão ligadas apenas a um machucado visível. Entender as causas mais comuns ajuda o tutor a reconhecer a gravidade do problema e agir no momento certo.

Brigas e mordidas entre gatos

Brigas estão entre as principais causas de feridas em gatos, especialmente em animais que têm acesso à rua ou convivem com outros felinos. 

As mordidas costumam parecer pequenas por fora, mas geralmente causam ferimentos perfurantes, que atingem camadas mais profundas da pele.

Esse tipo de ferida costuma evoluir para abscessos, caracterizados por inchaço, dor, pus e mau cheiro alguns dias após a briga. As regiões mais afetadas costumam ser pescoço, rosto e base da cauda.

Infecções bacterianas e fúngicas

Bactérias e fungos são causas frequentes de feridas que não cicatrizam. Infecções bacterianas podem surgir após machucados ou mordidas mal cicatrizadas, enquanto os fungos, como os causadores da micose felina, costumam provocar falhas de pelo, descamação e feridas superficiais, principalmente na cabeça e nas patas.

Sem tratamento adequado, essas infecções tendem a se espalhar, atingir camadas mais profundas da pele e agravar o quadro clínico.

Alergias e dermatite felina

Alergias de pele também podem levar ao aparecimento de feridas, geralmente associadas à coceira intensa. Reações à picada de pulgas, alimentos ou substâncias do ambiente fazem com que o gato se coce ou se morda repetidamente.

Com o tempo, esse comportamento causa escoriações e feridas superficiais, além de crostas e áreas sem pelo, especialmente no pescoço, dorso e barriga.

Parasitas de pele

Pulgas e ácaros provocam irritação constante na pele. Além da coceira, a reação inflamatória pode gerar pequenas feridas que se tornam maiores com o tempo. 

Em alguns gatos, a picada de pulga desencadeia uma reação alérgica intensa, com feridas recorrentes e dificuldade de cicatrização.

Lambedura excessiva e estresse

Nem toda ferida começa com um machucado externo. Alguns gatos desenvolvem feridas por lambedura excessiva, geralmente associada a estresse, ansiedade ou dor crônica

A pele fica avermelhada, sensível e pode evoluir para feridas abertas, principalmente nas patas, abdômen e flancos.

Cortes, arranhões e acidentes

Objetos cortantes, quedas, atropelamentos e outros acidentes também podem causar feridas em gatos. 

Essas lesões variam de superficiais a graves, com sangramento e dor evidente. Mesmo cortes pequenos devem ser observados, pois podem infeccionar se não forem bem cuidados.

Doenças infecciosas mais graves

Algumas doenças podem causar feridas mais extensas e recorrentes. Um exemplo importante é a esporotricose, uma infecção fúngica que provoca nódulos, feridas abertas e lesões que não cicatrizam, geralmente envolvendo camadas mais profundas da pele.

Outras doenças que também podem causar feridas em gatos incluem:

  • Leishmaniose felina (rara, mas possível em áreas endêmicas);
  • Complexo granuloma eosinofílico;
  • Neoplasias de pele.

Essas condições exigem diagnóstico e acompanhamento veterinário, pois podem representar riscos também para outros animais e para humanos.

A tabela a seguir mostra as causas mais comuns de feridas em gatos, com os locais mais afetados, sinais associados e o grau de gravidade de cada tipo de ferida.

CausaLocal mais comumSinais característicosGravidade
Brigas e mordidasPescoço, rosto e base da caudaInchaço, dor, pus, mau cheiro, ferida que “estoura” dias depoisAlta
AbscessosPescoço, cabeça e caudaCaroço quente e dolorido, secreção espessa e apatiaAlta
Infecções bacterianasQualquer regiãoFerida que não cicatriza, pus e vermelhidãoAlta
Infecções fúngicas (micose)Cabeça, orelhas e patasFalhas de pelo, descamação e feridas superficiaisMédia
Alergias de pele / dermatite felinaPescoço, dorso e barrigaCoceira intensa, crostas e áreas sem peloMédia
Parasitas (pulgas, ácaros)Dorso e pescoçoCoceira constante e pequenas feridas recorrentesMédia
Lambedura excessiva / estressePatas, abdômen e flancosPele avermelhada e feridas superficiais repetidasMédia
Cortes e arranhõesPatas e corpoSangramento, dor local e ferida visívelVariável
Acidentes graves (atropelamentos, quedas)Corpo, membrosDor intensa, feridas profundas, sangramentoAlta
Doenças infecciosas (ex.: esporotricose)Cabeça, patas, corpoNódulos, feridas abertas que não cicatrizamAlta

Por que algumas feridas em gatos são simples e outras exigem atenção?

Nem toda ferida em gato evolui da mesma forma. Enquanto alguns machucados cicatrizam rapidamente, outros podem se agravar e exigir cuidados veterinários. 

Essa diferença está relacionada principalmente ao tipo de ferida, à profundidade da lesão e ao risco de contaminação.

De acordo com estudos em medicina veterinária sobre lesões cutâneas em pequenos animais, a forma como a pele é afetada, se de maneira superficial ou profunda, influencia diretamente o risco de infecção e a necessidade de tratamento especializado.

Tipos de feridas em gatos

As feridas em gatos podem ser classificadas, de forma geral, em abertas e fechadas. Essa diferenciação é importante porque ajuda a entender o risco de infecção, a gravidade da lesão e quando é necessário buscar atendimento veterinário.

De acordo com revisões técnicas da medicina veterinária, as principais diferenças entre feridas abertas e fechados em gatos são:

Feridas fechadas (quando o machucado não aparece por fora)

As feridas fechadas são aquelas em que a pele parece intacta, sem cortes ou sangramentos visíveis. Mesmo assim, os tecidos abaixo da pele podem estar lesionados.

Esse tipo de ferida é comum em contusões e hematomas, geralmente causados por quedas, batidas ou acidentes.

Segundo o estudo sobre manejo de feridas em pequenos animais, o acúmulo de sangue ou líquidos sob a pele pode gerar pressão, dor e criar um ambiente favorável para inflamação e infecção.

Sem o cuidado adequado, os tecidos internos podem perder a vitalidade e, com o tempo, a ferida fechada pode se transformar em uma ferida aberta, aumentando o risco de complicações.

Feridas abertas (quando há rompimento da pele)

As feridas abertas são aquelas em que há interrupção visível da pele ou das mucosas. Cortes, lacerações e mordidas entram nesse grupo. 

Esse tipo de ferida apresenta maior risco imediato de contaminação, já que bactérias e outros microrganismos conseguem entrar com facilidade no organismo.

Na prática clínica veterinária, os principais tipos de feridas abertas em gatos incluem:

  • Avulsões, quando a pele é arrancada de forma brusca, geralmente em brigas entre animais ou acidentes graves.

  • Incisões e lacerações, causadas por objetos cortantes, vidros ou traumas, podendo variar de superficiais a profundas.

  • Queimaduras, que podem ser leves ou profundas, dependendo da extensão e da causa, como calor, produtos químicos ou eletricidade.

  • Feridas perfurantes, como mordidas, que muitas vezes parecem pequenas por fora, mas causam grandes lesões internas — um fenômeno conhecido na medicina veterinária como “efeito iceberg”

Essas feridas têm maior chance de infecção e, em muitos casos, exigem avaliação veterinária imediata para evitar complicações.

A profundidade da ferida influencia na gravidade

Feridas superficiais, que atingem apenas a camada mais externa da pele, costumam cicatrizar com cuidados simples. 

Já lesões que alcançam camadas mais profundas tendem a doer mais, demoram para fechar e apresentam maior risco de inflamação e infecção, principalmente se não forem tratadas corretamente desde o início.

Estudos clínicos mostram que quanto maior a profundidade da lesão, maior a chance de proliferação de bactérias nos tecidos, o que explica por que algumas feridas evoluem para abscessos ou infecções persistentes.

Localização e comportamento do gato também fazem diferença

A região do corpo onde a ferida aparece influencia diretamente na cicatrização. Lesões no pescoço, rosto, patas e base da cauda costumam exigir mais atenção, seja pela movimentação constante, seja pela dificuldade de manter o local limpo e protegido.

Além disso, o próprio comportamento do gato pode piorar a situação. Lamber, morder ou coçar a ferida com frequência atrasa a cicatrização e aumenta o risco de infecção, mesmo em machucados inicialmente simples.

Outros sinais e sintomas que costumam aparecer junto com feridas em gatos

Imagem de uma ferida infectada na pele de um gato de pelo dourado, possivelmente causada por ferimento ou inflamação.

Nem sempre a ferida é o único sinal de que algo não vai bem. Em muitos casos, o machucado vem acompanhado de outros sintomas, que ajudam a indicar a gravidade do problema e se há dor, inflamação ou infecção envolvida.

Como os gatos costumam esconder desconforto, mudanças sutis de comportamento ou no corpo podem ser o primeiro alerta de que a ferida precisa de atenção veterinária, mesmo quando parece pequena à primeira vista.

De modo geral, os sintomas que surgem junto com feridas em gatos são:

Dor e sensibilidade ao toque

Gatos com feridas costumam demonstrar dor de forma discreta. Evitar carinho em determinada região, reagir com agressividade ao toque ou miar ao ser manipulado são sinais comuns. Em feridas mais profundas, a dor tende a ser mais intensa e persistente.

Inchaço e vermelhidão ao redor da ferida

O inchaço local e a pele avermelhada indicam inflamação. Quando esses sinais aumentam com o passar dos dias, podem sugerir infecção ou formação de abscesso, especialmente em casos de mordidas.

Presença de pus ou secreção

Feridas com secreção amarelada, esbranquiçada ou com mau cheiro são sinais claros de infecção. Esse tipo de secreção não é normal no processo de cicatrização e exige avaliação veterinária.

Mau cheiro na região da ferida

O odor forte e desagradável costuma estar associado à proliferação de bactérias e tecido infectado. Mesmo quando a ferida parece pequena, o mau cheiro é um sinal de alerta importante.

Febre e comportamento mais quieto

Quando a infecção ultrapassa a pele, o gato pode apresentar febre, apatia, menos interesse por brincadeiras e passar mais tempo escondido. Esses sinais indicam que o organismo está reagindo de forma sistêmica.

Lambedura excessiva ou coceira constante

Lamber ou coçar a região da ferida com frequência atrasa a cicatrização e pode piorar o quadro. Além disso, esse comportamento pode indicar coceira intensa, dor ou desconforto, comuns em alergias, infecções e parasitas de pele.

Queda de pelo e crostas ao redor da lesão

A presença de falhas de pelo, crostas ou descamação ao redor da ferida pode estar associada a doenças de pele, como alergias, infecções fúngicas ou bacterianas. Esses sinais costumam indicar que o problema não é apenas um machucado isolado.

Quando os sinais associados aos ferimentos em gatos são uma emergência?

Os sinais de alerta que exigem avaliação veterinária imediata são feridas acompanhadas de pus, mau cheiro, dor intensa, febre, inchaço progressivo ou mudança de comportamento, que não devem ser tratadas apenas em casa. 

Esses sintomas indicam que a lesão pode estar infeccionada ou evoluindo para uma complicação mais séria. Identificar esses sintomas junto com a ferida ajuda o responsável a agir mais rápido e a evitar que um problema simples se transforme em algo mais grave.

Como o veterinário identifica a causa das feridas em gatos?

Para definir o tratamento correto, o primeiro passo é identificar a causa da ferida. Como diferentes problemas podem provocar lesões parecidas na pele, a avaliação veterinária é fundamental para evitar tratamentos inadequados ou incompletos.

De modo geral, o diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada, considerando o histórico do gato, o ambiente em que vive e a evolução da ferida.

Avaliação clínica e histórico do gato

Gato passando para consulta veterinária para definir causa de feridas na região do rosto

O veterinário observa a localização da ferida, o aspecto da lesão, a presença de secreção, inchaço, dor e se há sinais de infecção. 

Informações como acesso à rua, convivência com outros animais, episódios de briga, coceira frequente ou doenças prévias ajudam a direcionar a investigação.

Exames complementares mais comuns

Quando a causa não é evidente, alguns exames podem ser indicados:

  • Citologia da pele, para identificar bactérias, fungos ou células inflamatórias.

  • Raspado de pele, útil em casos de suspeita de sarna ou outros parasitas.

  • Cultura bacteriana ou fúngica, indicada quando a ferida não cicatriza ou há infecções recorrentes.

  • Exames de sangue, para avaliar o estado geral do gato e identificar infecções sistêmicas.

  • Biópsia de pele, em casos de feridas crônicas, suspeita de doenças autoimunes ou neoplasias.

Esses exames ajudam a confirmar o diagnóstico e a escolher o tratamento mais adequado para cada situação.

Por que o diagnóstico correto faz diferença?

Tratar uma ferida sem saber a causa pode até aliviar temporariamente os sintomas, mas não resolve o problema na raiz.

Em alguns casos, o uso inadequado de medicamentos pode piorar a lesão, atrasar a cicatrização ou mascarar doenças mais graves.

O que pode acontecer se a ferida não for tratada corretamente?

Feridas em gatos podem parecer simples no início, mas quando não recebem o tratamento adequado, podem evoluir para complicações sérias e até colocar a vida do animal em risco. 

Independentemente da causa, toda ferida oferece risco de infecção, especialmente quando há atraso no cuidado ou interrupção do tratamento.

Infecção local e atraso na cicatrização

Uma das primeiras consequências é a infecção da ferida, caracterizada por vermelhidão intensa ao redor da lesão, dor ao toque, inchaço e secreção com pus ou mau cheiro.

Nessas situações, a cicatrização se torna lenta ou pode não acontecer, mesmo após alguns dias.

Com o tratamento correto, a maioria dos abscessos tende a cicatrizar em cerca de cinco a sete dias. Quando isso não ocorre, é um sinal de alerta de que algo pode estar impedindo a recuperação adequada.

Abscessos recorrentes e pus retido

Se a ferida não for tratada corretamente, existe o risco de um abscesso estourar e drenar apenas parcialmente. Isso pode deixar pequenas bolsas de pus sob a pele, favorecendo a recorrência da infecção. 

O mesmo pode acontecer quando o ciclo de antibióticos é interrompido antes do tempo indicado ou quando a drenagem não é mantida adequadamente.

Segundo orientações clínicas de hospitais veterinários internacionais, como o VCA Hospitals, abscessos mal manejados tendem a reaparecer e se tornar mais difíceis de tratar.

Infecção sistêmica e risco à vida

Em casos mais graves, a infecção pode ultrapassar a pele e atingir a corrente sanguínea, levando a um quadro de infecção sistêmica. O gato pode apresentar febre persistente, apatia, perda de apetite e piora rápida do estado geral. 

Nessas situações, o atendimento veterinário imediato é essencial, pois o risco de complicações graves, e até óbito, aumenta significativamente.

E quando a ferida não cicatriza, qual o tratamento?

Feridas que continuam infeccionadas mesmo após o início do tratamento podem indicar problemas subjacentes. 

Alguns vírus, como o vírus da imunodeficiência felina (FIV) e o vírus da leucemia felina (FeLV), comprometem o sistema imunológico e dificultam a recuperação do gato após infecções de pele.

Nesses casos, o veterinário pode solicitar exames de sangue para investigar essas doenças e ajustar o tratamento.

Além disso, uma ferida com secreção persistente pode indicar a presença de material estranho no local, como um dente quebrado, uma garra, terra ou fragmentos de plantas.

Nessas situações, pode ser necessária exploração cirúrgica, cultura bacteriana ou outros exames específicos para identificar o agente causador.

Como tratar feridas em gatos?

gato com colar elizabetano descansando na janela

Na maioria dos casos, o tratamento de feridas em gatos começa no consultório, porque o veterinário precisa avaliar profundidade, contaminação e dor, além de descartar complicações (como abscessos, tecido morto ou corpo estranho). 

O plano costuma seguir três objetivos: 

  1. Remover sujeira, pus ou corpos estranhos

  2. Retirar tecido doente ou morto que impede a cicatrização

  3. Controlar e prevenir infecções

A partir desses três pontos, o veterinário define quais etapas serão necessárias em cada caso.

Remover sujeira, pus e corpos estranhos da ferida

O primeiro passo é garantir que nada esteja mantendo a inflamação ativa. Feridas, especialmente as causadas por mordidas, podem esconder pus, fragmentos de dentes, garras, terra ou detritos.

Em abscessos, é comum que o veterinário precise drenar a ferida, muitas vezes com sedação ou anestesia. 

Em alguns casos, um dreno de látex é colocado para impedir que a pele feche antes da hora, permitindo a saída adequada da secreção e reduzindo o risco de recorrência da infecção.

Retirar tecido doente para permitir a cicatrização

Quando existe tecido morto ou muito danificado, ele precisa ser removido para que a cicatrização aconteça corretamente. Esse processo é chamado de desbridamento.

Nesse cenário, o veterinário remove apenas o que está inviável, preservando o máximo de tecido saudável possível. Isso é especialmente importante em feridas por mordida, que muitas vezes parecem pequenas por fora, mas causam grandes danos internos.

Controlar a infecção e proteger a ferida durante a recuperação

Depois de limpa e preparada, a ferida precisa ser protegida para cicatrizar. Dependendo do caso, o veterinário pode:

  • Fechar a ferida com pontos, quando o risco de infecção é baixo.

  • Manter a ferida aberta temporariamente, quando há contaminação ou infecção profunda.

  • Prescrever antibióticos, analgésicos e medicamentos tópicos.

  • Aplicar curativos ou bandagens, quando indicados.

O objetivo aqui é evitar que bactérias voltem a se proliferar e permitir que o organismo do gato complete o processo de cicatrização de forma segura.

Como cuidar de ferida em gato em casa com segurança?

Depois da consulta, quando o veterinário avalia a ferida e autoriza o cuidado domiciliar, o tutor passa a ter um papel importante na recuperação do gato. 

O objetivo desses cuidados é manter a ferida limpa, protegida e em processo adequado de cicatrização, seguindo exatamente as orientações profissionais.

1. Limpar a ferida da forma correta

Quando a limpeza em casa é indicada, o cuidado tem uma função simples: remover sujeira visível, pelos soltos ou secreção superficial, ajudando a manter o local limpo.

  • O soro fisiológico estéril costuma ser a opção mais segura e recomendada.

  • Em situações específicas e apenas quando orientado, água corrente pode ser usada em feridas pequenas e superficiais, sempre com muito cuidado.

  • A limpeza deve ser delicada, sem esfregar, apertar ou tentar “abrir” a ferida.

Se houver dúvida sobre como limpar ou se a ferida parecer diferente do esperado, o ideal é não manipular e entrar em contato com o veterinário.

2. Aplicar os medicamentos prescritos

Dependendo do tipo de ferida, o veterinário pode indicar medicações tópicas, como pomadas ou sprays cicatrizantes, além de medicamentos por via oral, como antibióticos e analgésicos.

  • Use somente os medicamentos prescritos para o seu gato.

  • Respeite horários, quantidade e tempo total do tratamento.

  • Nunca interrompa antibióticos por conta própria, mesmo que a ferida pareça melhor.

Esses cuidados são essenciais para evitar infecções persistentes e recorrência do problema.

3. Impedir que o gato lamba, morda ou coce a ferida

Esse é um dos pontos mais importantes do cuidado em casa. A lambedura constante retarda a cicatrização, irrita o tecido e aumenta muito o risco de infecção.

  • O colar elizabetano costuma ser a forma mais eficaz de proteção.

  • Em alguns casos, o veterinário pode orientar alternativas, como roupas cirúrgicas, camisetas ou bandagens, dependendo da localização da ferida.

  • A proteção nunca deve apertar, abafar a ferida ou dificultar a respiração e a movimentação do gato.

Mesmo que o gato demonstre incômodo com o colar, ele é temporário e fundamental para a recuperação.

4. Trocar curativos apenas se houver orientação

Se a ferida estiver enfaixada, o veterinário irá orientar se, quando e como trocar o curativo.

  • Alguns curativos precisam ser trocados diariamente; outros permanecem por mais tempo.

  • Curativos mal colocados podem escorregar, acumular sujeira ou apertar demais.

  • Se a pessoa responsável não se sentir seguro para trocar, o ideal é retornar à clínica.

5. Observar a ferida todos os dias

A observação diária permite perceber rapidamente se algo não está evoluindo bem. Durante o cuidado em casa, fique atento a:

  • Dor crescente;

  • Inchaço;

  • Presença de pus ou secreção;

  • Mau cheiro;

  • Ferida que não diminui ou piora com o tempo.

Qualquer um desses sinais indica que a ferida precisa ser reavaliada pelo veterinário.

O que NÃO deve fazer durante o cuidado em casa

Alguns produtos comuns podem irritar o tecido, atrasar a cicatrização e causar dor intensa. Em geral, deve-se evitar:

  • Usar álcool ou água oxigenada;

  • Aplicar produtos com óleos essenciais;

  • Passar pomadas, sprays ou receitas caseiras não prescritas;

  • Manipular feridas profundas, extensas ou com tecido exposto.

Na dúvida, NÃO FAÇA e entre em contato com o veterinário. Cuidar da ferida do gato em casa não significa tratar sozinho. Significa seguir corretamente as orientações do veterinário, proteger a ferida e observar a evolução. 

Esse cuidado compartilhado é o que garante uma cicatrização mais rápida, segura e sem complicações.

Quando parar o cuidado em casa e procurar o veterinário?

Mesmo quando o cuidado em casa foi liberado pelo veterinário, é fundamental saber quando interromper esse manejo e buscar atendimento novamente. 

Algumas situações indicam que a ferida não está evoluindo como deveria ou que surgiram complicações:

  • sangramento que não cessa;

  • pus, secreção ou mau cheiro;

  • aumento de dor, inchaço ou vermelhidão;

  • ferida que não melhora ou piora com o tempo;

  • mudança no comportamento do gato.

Além disso, os gatos nem sempre demonstram dor de forma evidente. Então, fique atento a sinais como:

  • apatia ou isolamento;

  • falta de apetite;

  • irritabilidade ao toque;

  • diminuição da movimentação.

Atenção! O seu  gato pode tentar remover os pontos, curativos ou lamber excessivamente a ferida, o que aumenta o risco de complicações. Nessa situação, o veterinário pode precisar reforçar a proteção e até ajustar o tratamento.

Como acontece a cicatrização de feridas em gatos?

gato com roupa pós-cirurgica olhando pela janela

Depois que a ferida é avaliada e tratada corretamente, o corpo do gato inicia um processo biológico natural para reparar o tecido lesionado. Essa recuperação não acontece de uma vez só. 

Na verdade, ocorre em etapas bem definidas, descritas na medicina veterinária, e faz com que a ferida mude de aparência ao longo dos dias; 

Fase inflamatória

A primeira etapa é chamada de fase inflamatória e começa imediatamente após a lesão. Nesse momento, o organismo ativa seus mecanismos de defesa para proteger a área machucada e evitar que microrganismos se espalhem.

É nessa fase que o tutor pode notar sinais como vermelhidão ao redor da ferida, leve inchaço, aumento de calor local e sensibilidade ao toque. 

Esses sinais acontecem porque o corpo envia células de defesa para limpar a região, combater bactérias e formar um coágulo inicial, que ajuda a “selar” a ferida temporariamente.

Essa resposta inflamatória, quando controlada, é esperada e necessária. O que foge do normal é quando surgem dor intensa, secreção purulenta, mau cheiro ou piora progressiva do aspecto da ferida, o que pode indicar infecção.

Fase proliferativa

Após os primeiros dias, a cicatrização avança para a fase proliferativa, também chamada de fase de reparo. É aqui que o organismo começa, de fato, a reconstruir a área lesionada.

Surge então um tecido novo, geralmente rosado e úmido, conhecido como tecido de granulação. Esse tecido preenche a ferida, protege contra infecções e cria a base para o crescimento da nova pele. 

Com o avanço dessa fase, a ferida tende a diminuir de tamanho, as bordas começam a se aproximar e o fechamento progressivo passa a ficar visível.

A presença desse tecido rosado costuma ser um bom sinal, desde que não haja excesso de secreção ou mau cheiro (sinais que indicam que a cicatrização pode não estar evoluindo como deveria).

Fase de maturação

Mesmo quando a ferida já parece fechada por fora, o processo ainda não terminou. A fase de maturação ou fase de remodelação, é a etapa final da cicatrização.

Nesse momento, o organismo reorganiza as fibras de colágeno da região, tornando a pele mais resistente e funcional. Esse processo é lento e pode durar semanas ou até meses, especialmente em feridas mais profundas ou extensas.

Durante esse período, a área cicatrizada pode permanecer mais sensível e vulnerável a novos traumas. Por isso, mesmo após o fechamento da ferida, ainda é importante evitar lambedura excessiva, coceira e impactos no local.

Cada ferida tem seu próprio ritmo de cicatrização

O tempo e a forma como uma ferida cicatriza variam bastante. Fatores como profundidade da lesão, localização no corpo, presença de infecção, idade do gato e estado geral de saúde influenciam diretamente nesse processo.

Feridas profundas ou localizadas em áreas de muita movimentação, como patas, pescoço e base da cauda, costumam demorar mais para cicatrizar. Já os machucados superficiais, quando bem cuidados, tendem a evoluir de forma mais rápida e previsível.

Como prevenir feridas em gatos?

Nem todas as feridas em gatos podem ser evitadas, mas muitos casos estão ligados a situações previsíveis do dia a dia. 

Com alguns cuidados simples, é possível reduzir significativamente o risco de machucados, infecções e feridas que se repetem ao longo do tempo. A seguir, veja algumas orientações práticas para proteger a saúde da pele do seu gato:

Evitar brigas e acesso a ambientes de risco

Brigas entre gatos estão entre as principais causas de feridas, especialmente mordidas que podem evoluir para infecções e abscessos. Para reduzir esse risco à saúde do pet, é recomendado evitar o acesso livre à rua e diminuir o contato com felinos desconhecidos.

Em casas com mais de um gato, vale observar sinais de conflito e, quando necessário, buscar orientação veterinária ou comportamental para reduzir disputas e evitar confrontos frequentes.

Ambientes externos também aumentam a chance de cortes, atropelamentos e contato com agentes infecciosos presentes no solo, em plantas ou em outros animais. 

Oferecer um ambiente controlado e seguro é uma das formas mais eficazes de prevenir feridas e outros problemas de saúde associados.

Manter o controle de parasitas em dia

Pulgas e ácaros causam coceira intensa, inflamação e feridas causadas pelo próprio gato ao se coçar ou lamber. O uso regular de antiparasitários indicados pelo veterinário ajuda a prevenir dermatites, feridas recorrentes e infecções secundárias.

Observar a pele e o comportamento com frequência

Muitas feridas começam pequenas e ficam escondidas sob o pelo. Criar o hábito de observar o gato ajuda a identificar problemas precocemente:

  • falhas de pelo;

  • crostas ou áreas avermelhadas;

  • coceira excessiva;

  • sensibilidade ao toque em regiões específicas.

Quanto mais cedo a ferida for identificada, mais simples tende a ser o tratamento.

Reduzir estresse e comportamentos de autolesão

Estresse, ansiedade e dor crônica podem levar à lambedura excessiva e formação de feridas, especialmente no abdômen, patas e flancos. Enriquecimento ambiental, rotina previsível e acompanhamento veterinário ajudam a prevenir esse tipo de problema.

Manter acompanhamento veterinário regular

Consultas de rotina permitem identificar doenças de pele, infecções, alergias ou alterações imunológicas antes que se manifestem como feridas. Gatos idosos ou com doenças crônicas se beneficiam ainda mais desse acompanhamento.

Prevenir feridas não significa apenas evitar cortes ou arranhões visíveis. A prevenção também ajuda a reduzir a dor, infecções, uso de antibióticos e o risco de complicações que podem exigir tratamentos longos ou até cirurgias.

Perguntas frequentes sobre feridas em gatos

doença do gato feridas

Feridas em gatos podem cicatrizar sozinhas?

Algumas feridas pequenas, como arranhões superficiais, até podem cicatrizar sozinhas. O problema é que, mesmo nesses casos, sempre existe risco de infecção.

Gatos carregam muitas bactérias na boca, nas unhas e no próprio ambiente. Por isso, feridas que parecem simples podem piorar rápido. 

Se houver inchaço, dor, pus, mau cheiro ou marca de mordida, o ideal é procurar um veterinário. O que parece pequeno por fora pode ser mais grave por dentro.

Com o que posso limpar a ferida do meu gato?

Quando o veterinário libera a limpeza em casa, o mais seguro costuma ser soro fisiológico estéril, usado apenas para remover sujeira visível, pelos ou secreção superficial.

Em alguns casos específicos, o veterinário pode orientar o uso de outras soluções, mas isso sempre deve ser feito com orientação profissional.

Por que algumas feridas não levam pontos e ficam abertas?

Nem toda ferida pode ou deve ser fechada. Quando há infecção, muita contaminação ou mordida, fechar a pele pode “prender” bactérias dentro da ferida.

Nesses casos, o veterinário pode optar por deixar a ferida aberta para cicatrizar aos poucos, permitindo limpeza e drenagem adequadas. Apesar de parecer estranho, essa conduta costuma ser mais segura e evita complicações.

O que fazer se a ferida do meu gato estiver sangrando?

Se houver sangramento, a primeira atitude é pressionar o local com gaze ou um pano limpo, de forma firme, por alguns minutos. 

Se o sangramento não parar rapidamente, o gato deve ser levado ao veterinário com urgência. Não aplique pomadas, desinfetantes ou outros produtos sem orientação, isso pode atrapalhar o tratamento.

O que é normal durante a cicatrização de uma ferida?

A cicatrização não acontece de um dia para o outro. Nos primeiros dias, é comum a ferida ficar um pouco avermelhada ou sensível. Com o tempo, pode surgir um tecido rosado e úmido, que é um bom sinal de cicatrização.

O que não é normal são sinais como piora da dor, secreção com pus, mau cheiro ou aumento do inchaço. Nesses casos, a ferida precisa ser reavaliada.

Como são as feridas da esporotricose em gatos?

As feridas da esporotricose geralmente não cicatrizam, podem aumentar com o tempo e surgem como nódulos, crostas ou feridas abertas na pele.

É uma doença grave, que pode ser transmitida para outros animais e também para humanos. Qualquer ferida persistente, que não melhora ou piora com o tempo, precisa ser avaliada para descartar essa e outras infecções.

O conteúdo te ajudou? Se quiser saber mais sobre a saúde do seu gato de forma geral, no Blog da Cobasi você encontra outros conteúdos confiáveis, pensados para orientar os responsáveis por pets no dia a dia. Até a próxima!


Por Cobasi

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6 Comentários

  1. Luanda disse:

    Por favor me ajudem ,meu gato tava com uma ferida ,agora tá comendo o rosto todo ? Não sei oq passar

    • Cobasi disse:

      Oi Luanda, como vai? Deixaremos aqui um conteúdo que pode te auxiliar neste momento, mas lembre-se as visitas ao medico-veterinario devem ser frequentes para o bem-estar e cuidado de seu gato 🙂

  2. Elaine Scardova disse:

    Olá boa tarde, tem uma gata que aparece no meu telhado já faz 7 messes que agente cuida dela; comida, água e um local para dormir, só que ela desapareceu durante 3 dias e apareceu hoje com dois ou três buracos na pele entre o baço e o rin queria saber se tem como vc me falar que tipo de doença é ou o quê eu possa fazer pra ajudar ela

    • Cobasi disse:

      Olá, Elaine! Como vai?
      Somente um médico-veterinário poderá diagnosticar a gata, portanto, leve-a para uma consulta com o profissional!

  3. Gisele disse:

    Meu gato é um siamês e saiu uma ferida arredondada no pescoço, a primeira e agora esta saindo mais por favor, é câncer?

    • Cobasi disse:

      Olá, tudo bem?
      Esses machucados podem surgir por diversos motivos, e para um diagnóstico é necessário identificar o que originou as feridas. Por isso, somente um médico-veterinário conseguirá avaliar e diagnosticar o seu pet.

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