

A castração é um procedimento seguro que traz diversos benefícios à saúde felina, prevenindo doenças e até reduzindo hábitos indesejados na espécie. Mas você já se perguntou se gata castrada entra no cio?
Miados intensos, agitação ou a mania de se esfregar no chão são comportamentos típicos do estro felino, a fase do ciclo reprodutivo em que as gatas estão prontas para acasalar.
Durante esse período — conhecido como cio — os hormônios sexuais das fêmeas aumentam, o que faz com que elas tentem chamar a atenção dos machos para o cruzamento.
Após a castração, os hábitos característicos da fase tendem a desaparecer, já que a cirurgia interrompe a produção hormonal responsável pelo instinto de reprodução.
Ainda assim, algumas condições podem fazer as felinas apresentarem sinais semelhantes ao cio, como a síndrome do ovário remanescente, tumores adrenais, estresse ou medo.
Isso nem sempre é normal e acontece por diferentes motivos, como uma cirurgia de castração incompleta, mudanças no ambiente ou tratamentos hormonais humanos.
Está desconfiando de que sua gata castrada entrou no cio? Neste artigo, vamos explicar por que isso acontece, como diferenciar os quadros e quando procurar o veterinário. Confira!
Antes de entender por que sua gata castrada parece estar no cio, é importante entender o que exatamente é o estro e como ele impacta o organismo da sua melhor amiga.
Tal como acontece com outros mamíferos, o corpo das gatas passa por mudanças hormonais e anatômicas para se preparar para uma possível gestação.
Esse processo faz parte do ciclo estral — o período fértil da fêmea — e conta com 6 fases: proestro, estro, interestro, metaestro, diestro e anestro. (FELDMAN e NELSON, 2004).
Como explicamos anteriormente, o cio é um termo popular utilizado para se referir ao estro, uma das principais etapas do ciclo reprodutivo dos gatos.
Durante esse período, a produção do hormônio estrogênio — responsável por regular o ciclo reprodutivo e preparar o corpo para a reprodução — aumenta. Como consequência, as fêmeas se tornam receptivas ao acasalamento e tentam chamar a atenção dos machos.
O objetivo do estro é trazer novos filhotes ao mundo. Por isso, quando a gestação não ocorre, as gatas podem entrar em um novo ciclo após cerca de 35 dias.
Vale lembrar que os felinos são poliéstricos sazonais, o que significa que podem entrar no cio várias vezes no ano, principalmente em estações ensolaradas. (SHILLE et al., 1979)
De acordo com um estudo publicado na revista Ciência Animal, para mostrar aos machos que estão prontas para acasalar, as fêmeas costumam apresentar os seguintes sinais:
Infelizmente, lidar com o comportamento sexual dos gatos pode ser bem estressante para os responsáveis, já que os miados constantes atrapalham a convivência com o animal.
Além do mais, o estro aumenta o risco de fugas e de uma gestação indesejada — especialmente se a fêmea tiver acesso à rua.
Por isso, muitos responsáveis procuram uma forma segura de prevenir o cio. E a castração é a opção mais indicada pelos médicos-veterinários!

A castração felina, também conhecida como esterilização, é um procedimento cirúrgico simples realizado na região abdominal dos animais.
O objetivo é garantir a saúde reprodutiva dos gatos, prevenindo infecções, doenças sexualmente transmissíveis e gestações indesejadas, é claro!
No caso das fêmeas, a técnica mais utilizada nas clínicas é a ovariohisterectomia, uma cirurgia que remove os ovários, as tubas uterinas e o útero do pet.
O procedimento é realizado por meio de uma pequena incisão abdominal de cerca de 1,0 a 1,2 cm entre o umbigo e a pelve da fêmea. (BEGUM e BHUVANESHWARI, 2018)
Antes da cirurgia, os profissionais podem recomendar um hemograma completo e um exame de urina para avaliar os riscos, especialmente em gatos com mais de 6 anos.
Após a cirurgia de castração felina, os níveis de hormônios sexuais diminuem, já que os ovários, responsáveis pela produção de estrogênio e progesterona, são removidos.
A queda acontece rapidamente nas primeiras 24 a 48 horas e continua de forma gradual ao longo das semanas, até que esses hormônios se tornem muito baixos ou indetectáveis.
Em entrevista à revista Cães e Gatos, a médica-veterinária Eliane D. Benati explica que a alteração hormonal pode influenciar o comportamento dos felinos. Por isso, é normal que os responsáveis notem algumas mudanças nos seus pets.
“A partir disso, progressivamente é possível perceber diminuição da marcação urinária, redução da agressividade territorial e por dominância, aumento da sociabilidade, diminuição da atividade exploratória e aumento do apetite”, resume a profissional.
As alterações fazem parte da adaptação do organismo à sua nova condição, e podem levar semanas ou até meses até se estabilizarem completamente.

Como vimos até aqui, em condições normais, uma gata castrada não produz os hormônios necessários para a reprodução. Logo, ela não pode entrar no cio!
Mas, então, por que alguns felinos continuam apresentando sinais semelhantes aos do estro, como miar alto ou se esfregar no chão?
Nesses casos, o comportamento não está relacionado a um ciclo reprodutivo normal, mas a alterações específicas que podem envolver os hormônios ou o ambiente do pet.
Algumas dessas situações são raras, mas merecem atenção, pois podem indicar que algo não está funcionando como deveria no organismo da gata. Veja as principais causas!
Um dos principais motivos que levam uma gata castrada a apresentar sinais de cio é a síndrome do ovário remanescente (SOR).
A condição acontece quando pequenos fragmentos de tecido ovariano permanecem no organismo e continuam produzindo estrogênio, o hormônio responsável pelo estro.
Na maioria dos casos, a condição ocorre porque a castração não foi feita como deveria, geralmente pela dificuldade em visualizar os ovários da fêmea.
Mas o quadro também pode ocorrer se a gata possuir um tecido ovariano extra, separado dos ovários principais.
Em situações ainda mais raras, um fragmento removido pode se reimplantar no abdômen durante a cirurgia e voltar a funcionar com o tempo!
A reativação acontece porque os restos ovarianos da gata recebem a irrigação sanguínea mais uma vez. É o processo chamado de revascularização.
Como resultado da síndrome do ovário remanescente, a gata castrada pode entrar no cio e até sofrer com uma pseudogestação. (CRIVELLENTIN&BRORINCRIVELLETIN, 2015)
Outra causa rara que pode explicar o comportamento de cio em gatas castradas são os tumores na região das glândulas adrenais.
Localizadas próximas aos rins dos animais, essas duas estruturas regulam funções importantes, como o metabolismo e a resposta ao estresse.
No entanto, neoplasias na região adrenais podem causar alterações hormonais em felinos, incluindo a produção excessiva de hormônios sexuais.
Quando isso acontece, a gata apresenta sinais muito semelhantes ao cio, mesmo sem possuir ovários. Neste caso, o comportamento pode ser constante ou recorrente.
Um estudo publicado na PubMed Central descreveu o caso de uma gata castrada de 15 anos que parecia entrar no estro a cada duas semanas.
Os principais sinais observados no animal eram a vocalização excessiva, rolar no chão, lamber a vulva e tomar a postura de acasalamento.
Ao investigarem o caso mais de perto, os pesquisadores descobriram níveis elevados de hormônios sexuais, e o ultrassom identificou a presença de um carcinoma adrenocortical.
Após a remoção cirúrgica do tumor, os sinais do cio desapareceram rapidamente e os níveis hormonais voltaram ao normal alguns meses depois.
Segundo aDireção-Geral de Alimentação e Veterinária, o contato com medicamentos usados por pessoas da casa também pode causar distúrbios hormonais em gatos.
Isso acontece principalmente com produtos dermatológicos à base de estrogênio, como cremes ou géis aplicados nas coxas, abdômen ou nos braços dos responsáveis.
A exposição pode acontecer de forma direta ou indireta, por meio de roupas, sofás ou até lençois compartilhados pelos pets e seus familiares.
Com o contato frequente, o organismo do animal absorve os hormônios e acaba desencadeando alterações como:
Os quadros podem surgir após semanas ou até meses de exposição contínua, o que dificulta a identificação da causa.
Felizmente, na maioria dos casos, os sintomas diminuem ou desaparecem quando o contato com o hormônio é interrompido. Simples e prático!
Miados intensos, agitação e carência — sintomas associados ao cio — às vezes não têm nada a ver com o estro. Sua gata castrada pode estar só tentando se comunicar com você!
Em muitos casos, o comportamento está relacionado à fome, falta de atenção, tédio, mudanças na rotina ou até ao estresse em gatos.
Situações que causam medo podem gerar a vocalização excessiva e a inquietação da fêmea, principalmente em ambientes barulhentos ou com alterações recentes.
Além disso, é importante observar se há sinais de dor, já que algumas doenças são silenciosas e não geram mais do que pequenas mudanças no comportamento do pet.
Se os miados forem persistentes ou não melhorarem mesmo após as necessidades da gata serem atendidas, é importante consultar um veterinário para saber o que está acontecendo.
Isso porque, muitas vezes, o animal está tentando dizer que algo não vai bem com a sua saúde, mesmo sem apresentar outros sintomas evidentes.

Como a síndrome do ovário remanescente é a principal causa de sinais de cio em gatas castradas, investigar esse quadro costuma ser o ponto de partida dos médicos-veterinários.
Os sintomas da condição são praticamente os mesmos do cio comum. Então, fique atento se a sua felina apresentar os seguintes comportamentos após a esterilização:
Outro ponto importante é a repetição desses episódios. No caso da síndrome do ovário remanescente, eles acontecem a cada seis ou oito meses, em média. (KUMAR et al., 2018)
Seja como for, o diagnóstico do quadro deve ser feito por um médico-veterinário com base no histórico do animal e nos resultados de exames específicos.
O principal teste solicitado é a citologia vaginal, que avalia a presença de células epiteliais cornificadas — um indicativo da atividade hormonal ovariana. (BROWN, 2017)
Já o ultrassom abdominal funciona como um grande aliado para a identificação de tecidos remanescentes ou até tumores na região.
Em casos mais complexos, o profissional pode indicar a laparotomia exploratória, cirurgia que envolve a abertura da cavidade abdominal das fêmeas.
Apesar de invasivo, o procedimento permite a inspeção direta dos órgãos reprodutivos e garante o diagnóstico correto. (WHITE, 2018).
Identificar a síndrome do ovário remanescente o quanto antes faz toda a diferença para a saúde e o bem-estar da sua gata castrada.
Afinal, além de permitir uma gestação inesperada, o tecido ovariano ativo pode causar complicações que vão além da reprodução felina. (SILVA et al., 2018).
Em alguns casos, a síndrome aumenta as chances da fêmea desenvolver cistos ovarianos ou hiperplasia endometrial.
E se isso acontecer, as gatas castradas podem apresentar sintomas adicionais, como aumento do volume abdominal e problemas urinários. (MARTINS, 2007)
As complicações acabam afetando a qualidade de vida do animal. Por isso, é importante procurar um médico-veterinário assim que notar os primeiros sinais de cio após a castração.

O tratamento da síndrome do ovário remanescente em gatas é cirúrgico, pois essa é a única forma de remover o tecido ovariano que continua no organismo da gata.
Atualmente, a abordagem mais indicada é uma cirurgia exploratória chamada celiotomia. (PERKINS e FRAZER, 1994, MACPHAIL e FOSSUM, 2019; BUENO e RÉDUA, 2020)
O procedimento pode ser realizado por laparotomia ou laparoscopia. A última é uma opção menos invasiva, o que diminui a dor no pós-operatório e melhora a recuperação do pet.
Sempre que possível, a cirurgia é realizada durante o estro, pois nesse período as estruturas dos ovários ficam mais evidentes, facilitando a identificação do tecido.
Segundo um artigo publicado na RevistaFT, tratamentos medicamentosos para a síndrome do ovário remanescente já foram usados no passado, mas não são indicados hoje em dia.
Se a melhor forma de evitar problemas envolvendo o cio das gatas é a castração, garantir que esse procedimento seja feito de forma segura é o único jeito de prevenir a síndrome do ovário remanescente!
Afinal, quando a cirurgia é realizada com os cuidados adequados (e por profissionais qualificados) o risco de complicações diminui significativamente.
Por isso, vale a pena prestar atenção em alguns pontos-chave antes, durante e depois da castração da sua gata, como:
A idade ideal para a castração de gatas ainda é um assunto polêmico entre os profissionais da área. Mas, em geral, gira em torno dos primeiros 4 a 5 meses de vida do animal.
Segundo a médica-veterinária Tatiana Borges, do VET Profissional, a castração antes do primeiro cio, conhecida como castração precoce, pode trazer inúmeras vantagens aos pets.
Estudos indicam que, nessa fase da vida, o procedimento reduz em até 91% o risco de tumores mamários, além de prevenir a piometra e evitar comportamentos ligados ao estro.
É claro que algumas desvantagens também podem estar associadas à castração precoce.
Gatos esterilizados entre sete semanas e sete meses costumam ganhar peso com mais facilidade do que felinos não castrados, por exemplo. (MARCHINI et al., 2021)
Via de regra, o momento ideal deve ser definido de forma individualizada, seguindo a orientação de um médico-veterinário — o que nos leva ao próximo ponto!
Escolher uma clínica bem estruturada e um veterinário experiente ajuda a garantir que a castração da sua gata ocorra da melhor forma possível, dos exames pré-operatórios ao pós-cirúrgico.
Afinal, apesar de simples, a esterilização é uma cirurgia, e como tal, complicações podem surgir, inclusive a síndrome do ovário remanescente.
Logo, vale a pena buscar clínicas de confiança, como as da Pet Anjo, onde os veterinários são preparados para cuidar da sua gata com atenção em todas as etapas.
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Mas os cuidados não acabam na mesa cirúrgica. Na verdade, o pós-operatório da castração também é um momento sensível que exige atenção especial dos responsáveis.
Em geral, os pontos das gatas são retirados entre 10 e 15 dias após o procedimento, mas todo o processo deve seguir as orientações do médico-veterinário. (VIEIRA et al., 2020).
Lembre-se de acompanhar a cicatrização da ferida de perto, pois os felinos têm mais propensão à pseudocicatrização e úlceras indolentes, que atrapalham a recuperação.
Também é fundamental evitar que a gata lamba ou mexa na região operada para prevenir problemas como pontos abertos ou inflamações. (OLIVEIRA et al., 2022)
Roupinhas cirúrgicas e um colar elizabetano podem ser grandes aliados nessa tarefa, mas confirme a necessidade do uso com um médico-veterinário.
Às vezes, as gatas castradas sentem dor nas primeiras horas após a cirurgia, então preste atenção a comportamentos relacionados, como miados exagerados.

Não. Uma gata castrada só engravidará se a sua cirurgia não tiver sido realizada corretamente, como no caso da síndrome do ovário remanescente.
Isso porque a castração remove o útero e os ovários do animal, impedindo a produção de hormônios sexuais, o estro e a reprodução.
Se houver suspeita de cio ou prenhez após o procedimento, é importante procurar um médico-veterinário para investigar possíveis alterações.
O miado excessivo em gatas pode acontecer logo após a castração, quando o animal ainda está sob efeito da anestesia.
Nesse período, os felinos costumam ficar confusos, sonolentos ou desorientados, o que gera vocalizações sem um motivo claro.
Além disso, o miado também pode indicar dor, desconforto ou medo, já que essa é uma forma de comunicação do animal, como explicamos neste artigo completo!
Não. Segundo a médica-veterinária Camila Ackermann, especialista entrevistada pelo portal Vida de Bicho, as gatas não menstruam como as cadelas ou até as mulheres humanas.
Durante o ciclo reprodutivo, as fêmeas da espécie reabsorvem o revestimento uterino, sem eliminá-lo. O que pode aparecer nesse período é uma secreção vaginal discreta.
Caso haja sangramento, a recomendação é procurar um médico-veterinário, pois isso não é normal e pode ser um sintoma de doenças mais sérias na região.
Gatas castradas não entram mais no cio. Após a cirurgia, os hormônios sexuais que regulam o ciclo reprodutivo caem rapidamente, já nas primeiras 24 a 48 horas.
Ao longo das semanas seguintes, os níveis continuam diminuindo até se tornarem muito baixos, o que impede o estro e controla o comportamento hormonal em gatas.
Se sinais semelhantes ao estro persistirem por semanas depois da castração, é importante investigar, pois isso pode indicar alterações como a síndrome do ovário remanescente.
Não. A castração é um procedimento seguro e relativamente simples. Falhas podem acontecer, mas são raras e, geralmente, estão associadas a situações específicas, como a existência de um tecido ovariano extra.
Seja como for, escolher um bom profissional e uma clínica de confiança reduz os riscos associados e aumenta as chances de um procedimento bem-sucedido.
Na verdade, nesses casos, é necessário realizar uma nova cirurgia para remover o tecido ovariano que permaneceu no organismo e está causando os sinais de cio.
Como as gatas castradas não ficam no cio, os responsáveis podem notar algumas mudanças comportamentais após a cirurgia, incluindo menos agressividade com outros felinos e a redução da marcação urinária.
A castração também contribui para uma vida mais longa e saudável, principalmente pela redução do risco de doenças, como a piometra e tumores mamários.
Por outro lado, o apetite dos gatos castrados costuma aumentar por conta da diminuição dos hormônios, o que exige mais atenção com a alimentação para evitar a obesidade.

Agora que você já sabe por que uma gata castrada pode apresentar sinais semelhantes ao cio, fica mais fácil identificar quando esse comportamento merece uma visita ao veterinário.
Como explicamos, miados excessivos nem sempre indicam um estro verdadeiro, e sim alterações hormonais como a síndrome do ovário remanescente.
Na dúvida, sempre que algo parecer diferente, observe sua melhor amiga com atenção e busque a orientação de um profissional para evitar complicações.
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