

Olho de cereja em cachorro, ou cherry eye, é o nome popular para o prolapso da glândula da terceira pálpebra em cães.
A condição acontece quando a glândula localizada abaixo da pálpebra do pet, responsável pela lubrificação natural dos olhos, “sai do lugar” e forma uma bolinha vermelha no canto interno da região.
O olho de cereja tem como causa principal a fraqueza do tecido conjuntivo que mantém a glândula posicionada na cartilagem da terceira pálpebra.
Quando esse tecido não consegue exercer a sustentação adequada, a glândula se desloca com mais facilidade.
Em muitos cães predispostos, o enfraquecimento é uma característica anatômica herdada, e qualquer irritação, inflamação ou esforço adicional pode facilitar o prolapso.
Por isso, ainda que o tutor pense que o problema surgiu “do nada”, a raiz costuma estar na estrutura delicada que sustenta a região.
O tratamento mais efetivo para o olho de cereja em cachorro é a cirurgia, com o reposicionamento da glândula para preservar a lubrificação ocular e evitar complicações como olho seco crônico.
Vale lembrar que quanto antes o tutor procurar o veterinário, melhor o prognóstico da condição e menor o risco para o cão.
O olho de cereja é o resultado do deslocamento (ou prolapso) da glândula lacrimal acessória localizada na terceira pálpebra dos cachorros.
Em geral, os cães possuem três pálpebras: a superior, a inferior e a terceira pálpebra, também chamada de membrana nictitante.
Essa estrutura funciona como um escudo natural que ajuda a proteger a córnea e contribui de forma essencial para a produção de lágrimas dos pets.
A glândula localizada nessa membrana é responsável por grande parte da lubrificação basal do olho, e deveria permanecer protegida dentro da região.
No entanto, quando os ligamentos e tecidos conjuntivos que a seguram se tornam fracos, frouxos ou sofrem microlesões, ela se desloca e se torna visível no canto interno do olho.
E é exatamente esta protuberância avermelhada, com aspecto redondo e semelhante a uma bolinha, que caracteriza o cherry eye.
Além do fator estético, o deslocamento da glândula prejudica a produção lacrimal, deixando o olho mais vulnerável ao ressecamento, à irritação e a infecções oculares.
A causa central do olho de cereja é sempre o enfraquecimento dos tecidos que mantêm a glândula da terceira pálpebra firmemente ancorada em sua posição.
Essa fragilidade pode ser hereditária, mas também pode surgir como consequência de inflamações, atritos ou pequenas lesões no dia a dia.
Raças de focinho curto ou olhos mais expostos, como Bulldog Francês, Bulldog Inglês, Pug, Pequinês e Boston Terrier, apresentam maior probabilidade de desenvolver o problema.
O mesmo acontece com raças que tradicionalmente têm o tecido conjuntivo mais solto, como Cocker Spaniel, Shih Tzu, Lhasa Apso e Beagle.
Nestes casos, a condição surge cedo, muitas vezes em pets com menos de dos dois anos, e pode afetar um ou os dois olhos, de forma simultânea ou em momentos diferentes.
Em outros cães, o problema é precipitado por episódios repetidos de inflamação ocular, alergias ambientais, exposição constante à poeira, vento ou produtos irritantes.
Traumas leves são outra possibilidade, já que coçar o rosto com a pata, esfregar a face ou arrastar o focinho no chão pode acarretar o deslocamento de uma glândula já predisposta ao prolapso.
A suscetibilidade também varia entre os perfis. O histórico familiar costuma aumentar bastante o grau de suspeita, reforçando o caráter hereditário da condição.

O sinal mais marcante do olho de cereja é a protrusão arredondada e avermelhada no canto interno do olho, mas outros sintomas podem acompanhar a condição.
Quando o prolapso é recente, pequeno e há pouca inflamação do tecido, o cão geralmente apresenta apenas leve lacrimejamento e um pequeno incômodo.
Nesses casos, a massa pode surgir e desaparecer, especialmente após o cachorro piscar ou esfregar o rosto.
Com a progressão do quadro, a glândula começa a permanecer exposta com maior frequência. O lacrimejamento pode aumentar e o tutor pode notar secreção esbranquiçada nas manhãs ou após o cão esfregar a cabeça.
A sensibilidade à luz também se torna mais evidente, e o animal pode piscar repetidamente ou manter o olho semicerrado para evitar o desconforto.
O grau de vermelhidão da conjuntiva aumenta e o cão passa a coçar a região com mais insistência, o que pode piorar o quadro.
Nos casos crônicos, a glândula pode ficar fibrosada e aumentar de tamanho. O tecido perde parte da capacidade de produzir lágrimas de maneira equilibrada, o que favorece quadros de olho seco, irritação constante e inflamações secundárias.
Nessas situações, o desconforto é mais evidente, e a resposta a colírios lubrificantes tende a ser limitada.
A condição pode aparecer em ambos os olhos, seja simultaneamente ou em momentos diferentes. Quando isso ocorre, o componente hereditário se torna ainda mais provável.
Em todos os estágios, o ideal é evitar que o cão coce ou esfregue a região para não agravar a exposição da glândula.
A evolução para esse estágio prolongado é uma das principais razões pelas quais o atendimento veterinário rápido é tão importante em quadros de olho de cereja. Afinal, sem correção, a glândula prolapsada:
A complicação mais temida é a ceratoconjuntivite seca (KCS), que exige colírios por toda a vida e monitoramento constante. Tratar cedo evita esse cenário.
Algumas doenças oculares podem gerar vermelhidão, inchaço ou protuberâncias na região interna do olho e, por isso, acabam confundindo responsáveis.
Diferenciar o cherry eye dessas outras condições é essencial para evitar diagnósticos equivocados e atrasos no tratamento.
A seguir, trazemos explicações mais completas para cada uma delas, destacando o que realmente as distingue do prolapso da glândula da terceira pálpebra:
Em quadros de conjuntivite folicular ou alérgica, a superfície interna da pálpebra fica tomada por pequenas pápulas, semelhantes a “bolinhas” distribuídas de forma difusa.
A região pode ficar avermelhada e causar coceira, mas não há uma massa única e arredondada no canto interno do olho, como ocorre no cherry eye.
Neste caso, trata-se de um processo inflamatório da própria conjuntiva, e não do deslocamento da glândula.

Quando há uma inflamação severa ou irritação prolongada, a conjuntiva pode inchar e formar uma área espessa e avermelhada.
Embora essa saliência lembre o aspecto volumoso do cherry eye, ela não tem o formato característico de “cereja” e não representa a glândula fora do lugar.
Em geral, a condição eventualmente desaparece quando a inflamação é controlada.
Tumores na pálpebra ou na conjuntiva costumam surgir em cães mais velhos e apresentam crescimento irregular, textura endurecida e bordas mal definidas.
O aspecto das protuberâncias tende a ser diferente da glândula prolapsada, que é arredondada, rosada e com superfície mais lisa.
Tumores também podem ulcerar, sangrar ou variar de tamanho de forma abrupta, algo que não ocorre no cherry eye.
Um cisto se forma quando há acúmulo de líquido ou material sebáceo, criando uma bolinha mais translúcida ou amarelada.
Os abscessos, por sua vez, ocorrem após infecções e apresentam maior dor à palpação, podendo liberar secreção.
Ambos geram protuberâncias, mas não surgem exatamente no canto interno do olho nem têm relação com a terceira pálpebra.
No entropio, a pálpebra se dobra para dentro e os pelos irritam a córnea. No ectrópio, ocorre o inverso: a pálpebra fica mais caída e expõe a conjuntiva.
Apesar de provocarem vermelhidão e incômodo, essas condições não formam nenhuma massa visível semelhante à glândula prolapsada.
A terceira pálpebra pode ficar espessa e inflamada por conta de alergias, infecções ou irritações crônicas.
Embora fique mais aparente, o tecido não se desloca totalmente para fora, mantendo-se aderido ao local anatômico correto.
Por isso, seu aspecto não é esférico ou saliente como no olho de cereja.
Regra de ouro: nunca autodiagnostique seu cachorro. Só um especialista poderá identificar a condição exata e indicar o tratamento ideal para cada pet.
Para confirmar o diagnóstico de cherry eye, o veterinário poderá solicitar os seguintes exames e procedimentos:

Embora exista a possibilidade de remissão espontânea em alguns casos iniciais, sem correção cirúrgica, a tendência é que o cherry eye surja de tempos e tempos.
Para piorar, o prolapso recorrente inflama e desorganiza o tecido, tornando a solução definitiva mais difícil. Em geral, existem duas formas de tratar a condição:
O padrão é recolocar a glândula no lugar e fixá-la para que continue produzindo lágrimas. A preparação cirúrgica é simples, e as técnicas mais usadas incluem:
Antes da anestesia, o veterinário realiza avaliação clínica completa, incluindo exame físico, testes oftálmicos e, em casos específicos, hemogramas e exames pré-anestésicos.
A remoção fica restrita a casos refratários, quando há múltiplas recidivas severas, glândula necrosada, tumores.
Em geral, essa intervenção aumenta muito o risco de ceratoconjuntivite seca ao longo da vida. Por isso, não é a primeira escolha.
Os custos envolvendo o tratamento do olho de cereja em cachorro variam conforme cidade, clínica, equipe (oftalmologista), exames e medicações receitadas.
Em linhas gerais, consulta + exames + cirurgia + colírios + revisões compõem o pacote.
No entanto, tratar cedo costuma ser mais barato do que lidar com complicações futuras, como úlceras e olho seco crônico.
Sinais de alerta: volte ao veterinário se notar secreção intensa, dor evidente, olho muito fechado, sangramento persistente, massa crescendo de novo (recidiva).
A recidiva depende de técnica cirúrgica, cicatrização do cão, manejo pós-operatório e tendência genética. Boas práticas que reduzem risco são:
Em cães com predisposição, o outro olho pode prolapsar mesmo após o sucesso no tratamento do primeiro. Por isso, vigilância é essencial.

Não há prevenção 100% eficaz para olho de cereja em cachorro, já que muitos quadros são desencadeados por conta de fatores anatômicos/genéticos.
Ainda assim, algumas medidas podem diminuir o risco da condição, como:
Em lares com braquicefálicos ou raças predispostas, planos de prevenção ajudam muito, incluindo:
Mito. Pode até “entrar” temporariamente, mas costuma voltar e piorar sem correção.
Mito perigoso. Traumatiza a glândula, aumenta inflamação e risco de úlcera.
Meia-verdade. Remove a “cereja”, mas aumenta muito o risco de olho seco crônico. Hoje, preservar é a regra.
Mito. Envolve função lacrimal e pode levar a dor e doenças corneanas.
Geralmente não é muito doloroso no início, mas incomoda. Se houver úlcera corneana ou infecção secundária, pode doer bastante.
Na grande maioria dos casos, sim. O objetivo é preservar a glândula e evitar olho seco. A remoção total é exceção.
Colírios ajudam com inflamação e lubrificação, mas não reposicionam a glândula. São coadjuvantes, não substituem a cirurgia.
É um procedimento rotineiro em oftalmologia veterinária, com ótimo prognóstico. Complicações são incomuns quando há técnica correta e bom pós-operatório.
Pode recidivar, mas a taxa é baixa quando cirurgia e cuidados estão adequados. Se voltar, o veterinário avalia a reoperação.
Sim. Em raças predispostas, operar cedo pode evitar danos lacrimais e recidivas inflamatórias.
É possível. Vigilância e consulta precoce são fundamentais.
Soro é apenas irrigação e pode ressecar com uso excessivo. Prefira soluções oftálmicas específicas para pets, conforme o veterinário.
É produção lacrimal insuficiente (KCS). Remover a glândula ou mantê-la prolapsada por muito tempo aumenta o risco dessa condição, que exige colírios diários pelo resto da vida.
O atendimento rápido evita perda visual e encurta o tempo total de tratamento.

O olho de cereja em cachorro é corrigível e, na imensa maioria dos casos, tem excelente prognóstico quando tratado no tempo certo e com a técnica adequada.
Como tutor, você faz a diferença: perceba os sinais, evite manipulação, siga o plano prescrito e mantenha a rotina de higiene e revisões.
Assim, seu melhor amigo volta a enxergar o mundo sem desconforto, com a proteção natural das lágrimas que a natureza planejou para ele.
Gostou do conteúdo? Então continue acompanhando o blog e fique por dentro de tudo que acontece na Cobasi!
| Atualizada em

Formado em Medicina Veterinária pela UNESP/FMVA e com MBA em Neurociência, Consumo e Marketing pela PUC-RS, Marcelo divide a vida com seus pets, Meg e Valentina, que trazem alegria ao seu dia a dia.




A Cobasi é mais do que uma pet shop online. Nós abastecemos a parte divertida do seu lar e conectamos você com o que há de melhor na vida. Aqui você encontra uma diversidade incrível de produtos essencial para cães, gatos, roedores, aves e outros animais, além de tudo para aquarismo, jardinagem e casa.






É normal ficar quente ao redor do olho?
Oi Patrícia, como vai? Isso pode ocorrer por vários motivos como é em uma área sensível, indicamos uma visita ao medico veterinário 🙂
Meu cão está com olho de cereja ele tem 3 meses raça sharpei ,tem algum colírio que eu poça utilizar nele?no momento eu não estou em condições financeiras para fazer a cirurgia ,desde já sou grata
Oi, Rosilene. Como vai? Todas as orientações medicamentosas devem ser passadas pelo médico-veterinário 🙂
Meu pet tem olho de cereja, qual o momento certo pra fazer a cirurgia ele tem 2 meses e 10 dias
Olá, Maria! Tudo bem?
A recomendação de cirurgias e tratamentos deve ser feita somente por um médico-veterinário, ok?
Oi.
Bom dia.
Meu cachorrinho tem 6 anos e está com inflamação na glândula da terceira pálpebra. Levei – o ao médico veterinário e o mesmo disse que o tto era cirúrgico, mas que era mais por estética e que não incomodava ou causaria nenhum prejuízo à visão dele caso não fosse feita a cirurgia.
Gostaria de perguntar, se tem alguma probabilidade dessa glândula crescer ou se fica do mesmo tamanho
Obrigada.
Olá, Rejane! tudo bem?
Essa informação só pode ser confirmada pelo médico-veterinário que avaliou o seu cachorro. Não deixe de contatá-lo para tirar todas as dúvidas!
Boa tarde!
Com qual idade pode fazer a cirurgia do olho de cereja? Pode fazer junto com a castração.
Adotei uma cachorrinha (SRD) com dois meses, penso que ficará com porte médio (10 a 13 Kg), ela está completando hoje 3 meses. Ela tem o focinho curto.
Grata
É necessário avaliar juntamente a um médico-veterinário pois algumas características individuais precisam ser consideradas. Quanto à possibilidade de fazer a cirurgia junto com a castração, consulte também o profissional. Eles poderão avaliar a condição da sua cachorrinha e orientar sobre a melhor abordagem.
O meu cão estár com uma cervejinha no lado esquerdo do olho já faz um bom tempo só que não tenho condições de pagar uma cirurgia estou precisando não cei o que fazer
Marcus, se o seu cão está com um olho de cereja, é importante levá-lo a um veterinário para avaliação e tratamento adequados. O tratamento pode incluir medicamentos ou cirurgia, dependendo da gravidade do caso.