Cachorro com dor de barriga: causas, sintomas e o que fazer para aliviar

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Por Redator Cobasi

Com colaboração: Joyce Lima
Tempo de leitura: 25 minutos

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cachorro com dor de barriga ao lado da tutora

Um cachorro com dor de barriga costuma tremer, ficar encolhido, recusar a ração e reagir ao toque no abdômen. 

Quando esses sinais aparecem junto com vômito repetido, barriga tensa ou tentativa de vomitar sem sair nada, a avaliação veterinária precisa acontecer no mesmo dia.

A dor de barriga em cães é um sinal clínico, não uma doença. Ela avisa que algo está acontecendo no abdômen, a região entre o tórax e a pelve que abriga estômago, intestinos, fígado, pâncreas, baço, rins e bexiga. 

Como não é um diagnóstico, a mesma queixa pode terminar em um ajuste de ração ou em uma cirurgia de urgência, e é o exame clínico que separa uma coisa da outra.

Com apoio das médicas-veterinárias Joyce Lima (CRMV-SP 39824) e Nathália do R. Martins (CRMV-SP 39844), este guia mostra como reconhecer o desconforto, o que fazer nas primeiras horas e quais sinais não podem esperar até o dia seguinte.

Como saber se o cachorro está com dor de barriga?

O sinal mais confiável é a mudança de comportamento. O cão com dor abdominal evita deitar, fica mais acuado, se afasta quando alguém encosta na barriga e perde o interesse pela comida antes de qualquer outro sintoma aparecer. 

Geralmente, o tutor percebe que o pet está diferente sem saber apontar exatamente o quê. Entre os sinais mais frequentes de desconforto gastrointestinal em cães estão:

  • Barriga inchada, endurecida ou com ruídos digestivos fora do normal;
  • Tremores, apatia ou relutância ao toque na região abdominal;
  • Mudança brusca no apetite ou recusa total da ração;
  • Vômitos, diarreia, fezes moles ou dificuldade para evacuar;
  • Busca insistente por grama ou por lamber superfícies frias;
  • Gases em excesso, prisão de ventre ou respiração ofegante.

“Normalmente, cães com cólica intestinal rolam no chão ou indicam que estão incomodados com a dor, se mantendo encolhidos e mais acuados”, explica a médica-veterinária Joyce Lima.

Quando o ruído na barriga vem sozinho, sem dor nem mudança de apetite, o quadro costuma ser outro. Vale entender o que provoca barulho na barriga e excesso de gases no cachorro.

Quando a dor de barriga em cachorro é emergência?

Procure atendimento veterinário imediato se o cão apresentar tentativa de vomitar sem sair nada, barriga dura ao toque leve, sangue no vômito ou nas fezes, gengiva pálida ou prostração.

Esses sinais aparecem em quadros que evoluem em horas, e o tempo de espera muda o desfecho. A tabela abaixo separa o que exige saída imediata do que dá para acompanhar em casa:

Sinal observadoO que costuma indicarQuando levar
Tenta vomitar e não sai nada, barriga inchando, salivação e inquietaçãoTorção gástricaAgora. Não ofereça água nem comida
Barriga dura ou tensa, com dor ao toque leveObstrução, peritonite, acúmulo de líquidoAgora
Sangue no vômito ou nas fezesParvovirose, úlcera, intoxicaçãoAgora
Gengiva pálida, esbranquiçada ou arroxeada, com prostraçãoChoque circulatórioAgora
Suspeita de ter engolido objeto, planta ou medicamentoCorpo estranho, intoxicaçãoAgora. Leve a embalagem ou o resto do objeto
Vômito repetido ao longo do dia, sem sangueGastrite, gastroenterite, verminoseNo mesmo dia
Recusa total de alimento por mais de 24 horasDiversas causasNo mesmo dia
Filhote com vômito ou diarreia, em qualquer intensidadeParvovirose, verminose, hipoglicemiaNo mesmo dia
Fezes moles por até 24 horas, com o cão ativo e bebendo águaIndiscrição alimentar, troca de raçãoObserve e anote. Consulte se não melhorar

Filhote, idoso e cão de porte pequeno: o prazo é mais curto

Filhotes desidratam mais rápido que cães adultos por causa da massa corporal pequena, então o mesmo episódio de vômito tem peso diferente. O que em um adulto saudável seria observado por 24 horas, em um filhote vira consulta no mesmo dia.

As causas mais comuns de vômito e diarreia em filhotes são a parvovirose, os vermes intestinais e a ingestão de objetos. A parvovirose é a que muda a urgência: provoca vômito, diarreia com sangue e desidratação severa, e é mais grave justamente nos cães jovens e sem o ciclo de vacinação completo. 

Conhecer os sinais de alerta da parvovirose canina ajuda o tutor a não confundir o quadro com uma dor de barriga passageira.

O que fazer com o cachorro com dor de barriga nas primeiras horas?

A primeira ação é observar e anotar, não medicar. A dor de barriga é um sintoma, e o que o veterinário precisa para chegar à causa é a descrição do que aconteceu antes, com detalhes que só o tutor tem.

O que anotar antes de ir ao veterinário?

“Durante a consulta, é essencial relatar com clareza a rotina do pet e do ambiente em que ele vive. Essas informações ajudam muito no diagnóstico”, orienta a Dra. Nathália Martins.

Anote no celular, ainda em casa:

  • Quando os sintomas começaram e com que frequência se repetem;
  • Se há vômito, diarreia, febre ou dor ao toque no abdômen;
  • Cor, consistência e presença de sangue ou muco nas fezes;
  • Mudanças recentes na alimentação, incluindo petiscos e restos de comida;
  • Possível acesso a objetos, plantas, lixo ou medicamentos;
  • Histórico de vermifugação, vacinas, medicamentos em uso e dieta atual.

Uma foto das fezes ou do vômito no celular vale mais que a descrição de memória. Se o vômito for o sintoma principal, a cor ajuda a direcionar a investigação, como explicamos no guia sobre cachorro vomitando.

Água e comida enquanto a consulta não chega

Mantenha água limpa e fresca sempre disponível e deixe o cão beber no ritmo dele. Não force a ingestão com seringa, porque o líquido pode desencadear novo vômito ou ir para as vias respiratórias.

Sobre a comida, a decisão depende do quadro clínico. O veterinário pode indicar uma alimentação mais leve por um período determinado, e essa orientação considera idade, porte e a causa suspeita. 

Suspender a ração por conta própria tem risco real em filhotes, cães idosos, animais de porte pequeno e pets com doenças crônicas, que descompensam rápido sem alimento.

Remédio caseiro para dor de barriga de cachorro funciona?

Não existe remédio caseiro que trate a dor de barriga em cães. O motivo é simples: a dor é o sinal, não a causa. Nenhuma receita atua sobre uma verminose, uma obstrução ou uma pancreatite, e o tempo gasto tentando resolver em casa é o mesmo tempo em que o quadro avança.

As receitas que mais circulam e o que acontece na prática:

  • Chás de camomila, boldo ou hortelã: não têm dose nem margem de segurança estabelecidas para cães, e algumas plantas usadas em infusões humanas são irritantes para o trato digestivo canino.

  • Leite: o cão perde parte da enzima que digere a lactose depois do desmame, então o leite tende a piorar a diarreia e os gases em vez de acalmar o estômago.

  • Soro caseiro: a proporção de sal e açúcar da receita é calculada para o organismo humano e pode agravar o desequilíbrio de eletrólitos do cão.

  • Arroz com frango: a dieta leve tem lugar no tratamento, mas dentro de um plano indicado pelo veterinário. Oferecida antes da consulta, ela muda a consistência das fezes e atrapalha a leitura do quadro.

O que ajuda de verdade nas primeiras horas não custa nada: água à disposição, ambiente calmo, nada de exercício e observação atenta.

O que não oferecer ao cachorro com dor de barriga?

“Alguns medicamentos de uso humano podem ser altamente tóxicos para os cães, mesmo em pequenas doses. Então, mesmo um remédio aparentemente inofensivo pode ocultar sinais importantes e atrasar o tratamento adequado”, alerta a Dra. Nathália Martins.

Nunca medique por conta própria. Além do risco de intoxicação, o alívio temporário da dor esconde exatamente o sinal que o veterinário usaria para localizar o problema. 

Um cão que para de reclamar da barriga depois de um analgésico continua com a obstrução, só que sem o sintoma que denunciava a urgência. Fora da mesa, em qualquer situação:

  • Analgésicos e anti-inflamatórios de uso humano;
  • Sobras de medicamentos de outros tratamentos, do pet ou da família;
  • Receitas caseiras, chás e compostos naturais sem indicação;
  • Mudanças alimentares por conta própria, incluindo jejum, arroz e petiscos fora da dieta;
  • Indução de vômito em casa, mesmo com suspeita de intoxicação.

Os medicamentos humanos estão entre as causas mais comuns de intoxicação em cães, e o paracetamol ilustra o motivo: em doses tóxicas, pode provocar lesão no fígado e alterações nas hemácias, comprometendo o transporte de oxigênio.

Alguns sinais de intoxicação podem surgir nas primeiras horas, enquanto as alterações hepáticas podem evoluir nos dias seguintes. Qualquer ingestão acidental exige contato imediato com o veterinário.

E para reforçar o último item da lista: nunca induza o vômito do cão sem orientação veterinária. Dependendo da substância ingerida, do tempo decorrido e do estado do animal, o veterinário pode contraindicar a medida, realizá-la na clínica ou orientar como proceder em uma situação específica. 

Havendo suspeita de intoxicação, ligue para o veterinário e saia de casa com a embalagem na mão. Vale a mesma lógica para a comida do dia a dia. A lista de alimentos proibidos para cães é maior do que a maioria dos tutores imagina.

O que pode causar dor de barriga em cachorro?

cachorro com dor de barriga

A dor de barriga em cães tem causas que vão de um petisco fora da dieta a uma emergência cirúrgica. Algumas passam horas, como a ingestão de um alimento inadequado. Outras evoluem rápido e definem o desfecho pelo tempo de resposta. As mais frequentes são estas:

1. Alterações na alimentação

Mudanças bruscas na alimentação podem causar dor abdominal, especialmente quando feitas sem orientação veterinária. Trocas repentinas de ração, excesso de petiscos ou restos de comida humana podem causar sensibilidade alimentar, e os sinais incluem gases, fezes moles, cólicas e até recusa de alimento.

2. Gastroenterite e infecções 

A gastroenterite é a inflamação do estômago e do intestino ao mesmo tempo. Não é uma doença única com uma causa única: é o nome do quadro, que pode ter origem em vírus, bactérias, parasitas ou algo que o cão comeu e não deveria. Os sinais clássicos são vômito, diarreia e dor abdominal aparecendo juntos.

Entre as viroses gastrointestinais, a parvovirose merece atenção especial por poder causar vômitos, diarreia frequentemente hemorrágica, desidratação e prostração, sobretudo em filhotes e cães não vacinados. 

A coronavirose entérica canina costuma provocar sinais leves ou até passar sem sintomas, embora quadros mais graves possam ocorrer em coinfecções ou variantes incomuns. 

3. Inflamações

Já no grupo das inflamações abdominais, uma das condições mais graves é a peritonite, inflamação do peritônio, a membrana que reveste os órgãos internos.

A doença pode surgir após perfurações intestinais, traumas ou complicações cirúrgicas, e tem alta taxa de mortalidade se não for tratada rapidamente. Os sinais incluem:

  • dor abdominal difusa;
  • febre alta;
  • prostração;
  • sinais de choque circulatório.

Exames complementares ajudam a diferenciar essas causas, e a escolha depende da suspeita clínica.
Nem todo aumento de volume abdominal é inflamação: o acúmulo de líquido livre na cavidade tem causas próprias, que explicamos em barriga d’água em cachorro.

4. Doenças parasitárias e verminoses

Parasitas intestinais, como Giardia spp., tênias e lombrigas, podem causar alterações gastrointestinais, especialmente em filhotes. A Giardia é um protozoário, enquanto tênias e lombrigas são vermes.

  • Giardíase (Giardia spp.): infecção causada por protozoários que pode provocar fezes moles, presença de muco, gases, desconforto abdominal e perda de peso.

  • Verminoses intestinais: incluem infecções por ancilostomídeos, tricurídeos, tênias e Toxocara canis, entre outros parasitas. Os efeitos variam conforme a espécie e a intensidade da infecção, podendo incluir inflamação intestinal, perda de nutrientes, anemia e comprometimento do desenvolvimento de filhotes.

Os sinais também variam conforme o parasita. Podem ocorrer:

  • fezes moles ou diarreia, com presença de muco em alguns casos;
  • sangue nas fezes em infecções intensas por determinados vermes;
  • perda de peso, fraqueza ou apatia;
  • anemia, especialmente em infecções por ancilostomídeos;
  • distensão abdominal e atraso no crescimento de filhotes;
  • presença de segmentos de tênia nas fezes ou ao redor do ânus, que pode causar incômodo na região.

Vômito e febre não são sinais típicos de todas as parasitoses e precisam ser avaliados junto a outras possíveis causas. O ato de arrastar o bumbum no chão também pode estar relacionado a problemas nas glândulas anais, e não apenas a parasitas.

Algumas infecções parasitárias podem não causar sintomas visíveis. Por isso, o médico-veterinário pode recomendar exames de fezes periódicos conforme a idade, o estado de saúde e o estilo de vida do cão. 

Dependendo do parasita investigado, pode ser necessário repetir a coleta ou combinar diferentes métodos de análise. Muitas parasitoses intestinais podem ser tratadas com medicamentos veterinários específicos

A escolha do produto e a duração do tratamento dependem do parasita identificado, da condição clínica do cão e do risco de reinfecção. Medidas de higiene, controle de pulgas e manejo do ambiente também podem ser necessárias.

5. Ingestão de corpo estranho

Objetos estranhos no trato gastrointestinal são causas graves de dor e podem gerar obstruções. Em termos técnicos, corpos estranhos gastrointestinais são quaisquer objetos ingeridos que não são metabolizados ou digeridos pelo organismo do animal.

Os sinais clínicos variam conforme a localização do objeto, mas podem incluir:

  • vômitos persistentes;
  • diarreia;
  • dor abdominal intensa;
  • anorexia (recusa de alimentos);
  • distensão abdominal e prostração;
  • desidratação e desequilíbrio eletrolítico;
  • sinais de choque, em casos graves.

De acordo com estudos, quando há obstrução total ou risco de perfuração intestinal, o quadro é considerado uma emergência cirúrgica (Brentano, 2010).

“Em casos como obstrução, pode ser necessário realizar uma cirurgia, e, nestes casos, o procedimento é bem mais sério e delicado”, explica Nathália Martins.

Entre os objetos mais perigosos estão brinquedos inadequados ao porte do animal, pedras, pedaços de pano, meias, ossos cozidos e sacolas plásticas.

Além de obstruir o trato gastrointestinal, esses objetos podem perfurar o intestino e causar infecções graves. O prognóstico depende do tipo, do tamanho e da localização do corpo estranho, e principalmente do tempo entre a ingestão e o atendimento veterinário.

6. Intoxicação alimentar ou contato com substâncias tóxicas

Segundo estudo de Kovalkovičová et al. (2009), os cães respondem por até 80% dos casos de intoxicação alimentar em pets. Isso ocorre pelo metabolismo menos seletivo e acesso fácil a alimentos humanos.

Muitas vezes, o tutor não percebe o perigo, mas alguns alimentos comuns para humanos são altamente perigosos para os cães. Entre os itens mais envolvidos em casos de intoxicação estão:

Os sinais clínicos costumam ser inespecíficos, mas incluem vômitos, diarreia, tremores musculares e dor abdominal aguda. Em casos graves, os cães podem apresentar alterações neurológicas e convulsões

7. Torção/dilatação gástrica (Síndrome de TGD)

A torção gástrica (DVG) ocorre quando o estômago se enche de gases e gira sobre o próprio eixo. Esse movimento interrompe a passagem e comprime vasos sanguíneos e órgãos vizinhos, como o baço, colocando a vida do animal em risco.

O risco está ligado ao formato do tórax, não ao tamanho isolado. Cães de peito fundo e estreito, mais altos que largos, são os mais atingidos.

O Dogue Alemão, que tem a maior proporção entre altura e largura, apresenta risco de cinco a oito vezes maior que cães de peito raso.

Junto dele, as raças de maior risco listadas pelo American Kennel Club são São Bernardo, Weimaraner, Setter Irlandês, Setter Gordon, Poodle Standard e Doberman (American Kennel Club).

A torção gástrica DVG é uma síndrome que causa:

  • Dor intensa;
  • Distensão abdominal;
  • Inquietação;
  • Salivação excessiva;
  • Tentativas frustradas de vômito.

De acordo com Galvão (2010) e Assumpção (2011), essa alteração anatômica é classificada como uma emergência cirúrgica, devido ao risco de isquemia e choque circulatório.

8. Doenças gastrointestinais crônicas

Vômito frequente, diarreia com muco, perda de peso e apetite irregular por semanas podem indicar doença crônica no sistema digestivo. Esses quadros se desenvolvem ao longo do tempo e estão ligados a inflamações persistentes no trato gastrointestinal.

A mais conhecida é a Doença Inflamatória Intestinal (DII), condição imunomediada em que o intestino do cão reage de forma anormal, provocando inflamação crônica e prejudicando a absorção de nutrientes. 

É mais comum em raças como Pastor Alemão, Boxer, Shih Tzu e Yorkshire Terrier, mas pode afetar cães de qualquer porte. Os sintomas incluem:

  • Vômitos intermitentes;
  • Diarreia com muco;
  • Emagrecimento gradual;
  • Apetite instável.

9. Gastrite canina

A gastrite em cães causa inflamação do revestimento do estômago, sendo frequentemente associada ao consumo de alimentos gordurosos, estresse ou ingestão de substâncias irritantes.

Segundo a médica-veterinária Joyce Lima (CRMV-SP 39824): “A ‘queimação’ (ou azia/gastrite, como conhecemos nos seres humanos) normalmente se manifesta com náuseas e enjoo, gerando reflexo de vômitos.”

Além disso, é comum que o cão apresente salivação excessiva, lambedura de superfícies e vômitos em jejum.

10. Pancreatite em cães

A pancreatite é a inflamação do pâncreas, o órgão que produz as enzimas digestivas. Quando essas enzimas são ativadas cedo demais, dentro do próprio pâncreas, ele passa a digerir a si mesmo. É uma das causas mais frequentes da postura de prece.

A associação com comida gordurosa e com lixo é real, mas a maior parte dos casos é idiopática, ou seja, não se identifica a causa. 

Schnauzer Miniatura e Cocker Spaniel Inglês estão entre as raças predispostas (PetMD). Na forma aguda, os sinais são letargia intensa, dor abdominal, vômito persistente, diarreia e desidratação grave. 

Na forma crônica, o cão fica menos doente: apetite reduzido, perda de peso, apatia e episódios intermitentes de dor.

Trata-se de uma condição grave que requer intervenção veterinária imediata. O tratamento é de suporte, com fluidoterapia, controle da dor e da náusea, e dieta com baixo teor de gordura durante a recuperação.

11. Fatores emocionais e estresse

O sistema gastrointestinal dos cães é sensível ao estresse e às mudanças emocionais. Em pets mais ansiosos, situações como separação do tutor, alterações na rotina, chegada de outro animal ou barulhos constantes podem desencadear sintomas físicos reais, como:

  • diarreia intermitente;
  • vômito sem causa aparente;
  • gases e desconforto abdominal;
  • perda de apetite.

Esse tipo de reação é explicado por um fenômeno cada vez mais estudado na medicina veterinária: o eixo cérebro–intestino–microbioma

Em cães, o estresse pode estar associado a alterações na microbiota intestinal, no apetite e no funcionamento do sistema digestivo. 

Como vômito, diarreia e perda de apetite também aparecem em diversas doenças, causas clínicas devem ser descartadas antes de atribuir os sintomas ao estresse.

A observação atenta de fezes, episódios de vômito e oscilações de apetite é fundamental para identificar esse tipo de distúrbio de origem emocional.

12. Cólica

A cólica abdominal pode surgir em diferentes contextos, como acúmulo de gases, verminoses, má digestão, gastrite ou até infecções urinárias. 

É comum que o animal evite o toque na barriga, tente se isolar ou até morder a região abdominal. Alguns cães também apresentam vocalizações, inquietação e mudanças no apetite. 

Além disso, a veterinária Joyce Lima explica: “Normalmente, cães com cólica intestinal rolam no chão ou indicam que estão incomodados com a dor, se mantendo encolhidos e mais acuados”.

Como o veterinário descobre a causa da dor de barriga em cachorros?

veterinária fazendo exame na região da barriga de cachorro

O diagnóstico começa na anamnese, a entrevista detalhada com o tutor, e no exame físico. É a partir daí que o profissional decide quais exames complementares fazem sentido, em vez de pedir todos de uma vez.

“O médico-veterinário pode solicitar exames de imagem (como ultrassom e raio-X) e laboratoriais (como hemograma, função renal e hepática)”, explica a Dra. Nathália Martins.

Os mais utilizados são:

  • Hemograma e bioquímica sanguínea: detectam inflamações, infecções e alterações renais ou hepáticas.

  • Parasitológico de fezes: pode detectar ovos, cistos ou antígenos de parasitas, inclusive em animais sem sintomas. Como alguns parasitas são eliminados de forma intermitente, um resultado negativo isolado não exclui completamente uma infecção.

  • Ultrassonografia abdominal: mostra os órgãos internos em tempo real e revela inflamações, líquido livre e corpos estranhos que não aparecem no exame de sangue.

  • Radiografia: detecta bloqueios intestinais, acúmulo de gás e objetos ingeridos, e é o exame que confirma a torção gástrica.

Como é feito o tratamento da dor de barriga em cachorros?

O tratamento depende da causa e pode envolver medicação, ajuste na alimentação, hidratação intensiva ou cirurgia.

“Se a causa do mal-estar for infecção, o tratamento consiste na administração de medicamentos como vermífugos e antibióticos. Para garantir a recuperação do pet, siga as orientações de um médico veterinário”, orienta a Dra. Nathália Martins.

Entre as abordagens mais comuns:

  • Hemograma e bioquímica sanguínea: detectam inflamações, infecções ou alterações renais/hepáticas.

  • Parasitológico de fezes: identifica vermes e protozoários.

  • Ultrassonografia abdominal: analisa órgãos internos e possíveis inflamações ou corpos estranhos.

  • Radiografia: detecta bloqueios intestinais, gases ou ingestão de objetos.

Como prevenir a dor de barriga em cães?

Boa parte dos episódios de dor abdominal em cães tem origem em frentes que estão sob controle do tutor: o que o pet come, o que ele encontra pelo caminho e a rotina de saúde preventiva.

1. Mantenha vermifugação e vacinação em dia

As verminoses estão entre as causas mais comuns de dor abdominal, e a vacinação é uma das principais medidas de prevenção da parvovirose. O protocolo vacinal deve ser definido pelo médico-veterinário de acordo com a idade, o histórico e o risco de exposição do cão. 

A frequência do vermífugo para cachorro muda conforme a idade e a rotina do animal, e cada produto traz no rótulo a dosagem por peso e o intervalo entre as doses. O calendário de vacinas fica a cargo do veterinário que acompanha o pet. 

2. Faça exames preventivos com frequência

A medicina veterinária preventiva ajuda a identificar alterações antes que evoluam para quadros graves, e isso pesa mais em cães idosos, já que muitos problemas digestivos se desenvolvem de forma silenciosa, sem sintomas evidentes nas fases iniciais.

Quais exames entram na rotina é uma decisão do veterinário, conforme a idade, a raça e o histórico do animal. Esse tipo de diagnóstico precoce só é possível com acompanhamento veterinário regular.

O monitoramento é ainda mais importante em cães idosos, já que muitos problemas digestivos se desenvolvem de forma silenciosa, sem sintomas evidentes nas fases iniciais.

3. Supervisione os passeios e evite ingestão de objetos

Durante os passeios, muitos cães tentam comer restos de comida, fezes, lixo ou até objetos não comestíveis. Além do risco de intoxicação, esse hábito pode provocar obstruções intestinais graves, exigindo cirurgia.

Dica prática: ensine comandos como “deixa” e “solta” para evitar ingestões acidentais, pode ser uma aliada em cães curiosos e com comportamento compulsivo.

4. Evite mudanças bruscas na dieta

A alimentação influencia diretamente o equilíbrio intestinal. Alterações repentinas na ração estão entre as principais causas de desconforto gastrointestinal, como diarreia e dor abdominal.

Antes de introduzir um alimento novo, converse com o veterinário do seu pet, porque a escolha considera idade, porte, peso e condições de saúde.

Depois disso, faça a troca de ração de forma gradual, ao longo de cerca de sete dias, aumentando a proporção do alimento novo e reduzindo a do antigo a cada dois dias, até a substituição completa.

gráfico com as fases para a troca de ração correta

Durante esse período, observe o cão com atenção: fezes muito moles, gases excessivos ou apatia podem indicar que a mudança está sendo rápida demais.

Como a Cobasi pode ajudar o seu cachorro com dor de barriga?

Cuidar de um cachorro com dor de barriga é, na maior parte das vezes, uma questão de observar bem e agir na hora certa.

O tutor que sabe reconhecer a postura de prece, checar a gengiva e diferenciar o que espera do que não espera chega ao veterinário com informação útil, e isso encurta o caminho até o diagnóstico.

E, quando o veterinário indicar o vermífugo, a dieta ou o item de higiene que o seu pet precisa, a Cobasi ajuda na parte prática. Com o Cobasi Já, o pedido chega em pouco tempo, o que faz diferença quando a recomendação é para começar hoje.

Na Compra Programada, os itens de rotina chegam sozinhos na frequência que você escolher, com desconto, e você não corre o risco de deixar a vermifugação atrasar. E o Amigo Cobasi acumula pontos nas compras do dia a dia para usar depois.

Se quiser continuar cuidando bem da saúde do seu amigo, o Blog da Cobasi tem conteúdo produzido com orientação veterinária e base científica.

Dúvidas comuns sobre dor de barriga em cães

por que o cachorro come grama

Por que cachorro com dor de barriga come grama?

Cães com dor abdominal podem buscar a grama para induzir o vômito ou acelerar o trânsito intestinal, tentando eliminar o que está causando o incômodo. 

A grama é rica em fibras e pode estimular o reflexo de vômito ou ajudar em casos de constipação leve.

Esse comportamento é comum dos cães, mas é importante observar a frequência e se há outros sintomas associados, como apatia, perda de apetite ou vômitos persistentes. Nesses casos, o ideal é buscar avaliação veterinária.

“Posso dar Buscopan para cachorro?”

Sim, o Buscopan pode ser usado em cães, mas somente com prescrição veterinária. Segundo o laboratório Boehringer Ingelheim, ele é indicado em casos específicos, como cólicas gastrointestinais ou espasmos.

O princípio ativo, butilbrometo de escopolamina, tem efeito antiespasmódico e é usado em casos como:

  • Cólicas gastrointestinais ou urinárias;
  • Dor abdominal associada à diarreia;
  • Espasmos durante exames clínicos.

Entretanto, o uso sem diagnóstico correto pode ser perigoso. Por isso, nunca medique por conta própria. Mesmo quando a substância é liberada para uso veterinário, a dose, a frequência e o contexto clínico devem ser avaliados por um profissional.

“Sentiu que seu pet está com dor abdominal? Leve ao veterinário. Ele é o único capaz de identificar a causa e indicar o tratamento ideal”, orienta a veterinária Nathalia.

Quando é indicado procurar um veterinário?

Procure um veterinário se o cachorro apresentar:

  • Vômitos persistentes ou com sangue;
  • Diarreia intensa e prolongada;
  • Recusa total de alimentos por mais de 24h;
  • Abdômen inchado, rígido ou dolorido;
  • Prostração, gemidos ou dificuldade para deitar.

Como o ultrassom ajuda no diagnóstico de dor abdominal?

O ultrassom veterinário mostra imagens em tempo real dos órgãos abdominais, revelando alterações que não aparecem nos exames de sangue.

Além de identificar com precisão inflamações, obstruções, corpos estranhos, tumores e alterações crônicas. É um exame rápido, indolor e não invasivo.

cachorro correndo

O conteúdo te ajudou? Cuidar de um cachorro com dor de barriga pode ser desafiador, mas com a informação certa, é possível agir com mais segurança e prevenir problemas maiores.

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Joyce Lima

Com colaboração: Joyce Lima

Médica-Veterinária

Formada pela USP, Joyce possui especializações em Medicina Veterinária Preventiva e um MBA em Liderança de Alta Performance. Apaixonada por sua gata, Mia, ela reflete todo o carinho e dedicação que tem por ela em sua prática profissional.

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3 Comentários

  1. Valdete disse:

    Simplesmente Amo Cobasi! Loja maravilhosa. Excelente atendimento! #TDB ❤️

  2. Marcela Aparecida Ananias codo disse:

    Meu cachorro está com muita dor de barriga eu queria saber o que eu posso dar para ele

    • Cobasi disse:

      Marcela, entendemos que você deseja uma solução rápida para o seu pet, no entanto, é necessário ter um diagnóstico, para então, receitar medicamentos. Por esse motivo a ida ao veterinário é tão importante, além disso, somente o profissional pode receitar medicamentos ao seu cachorro.

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