

A formação de bolas de pelos em gatos, também conhecidas como tricobezoares, é uma condição comum associada ao processo de higienização dos felinos.
Afinal, os gatos são animais extremamente limpinhos, e o hábito de lamber a própria pelagem (o famoso banho de gato) faz parte da sua rotina de limpeza.
Estudos indicam que os felinos passam entre 25% a 30% do tempo realizando a auto higiene, o que representa quase um terço do período em que estão acordados!
Para isso, a língua áspera dos pets possui papilas projetadas para remover qualquer partícula de sujeira encontrada na região, funcionando quase como uma escova.
O problema é que através das lambeduras, os felinos costumam ingerir os fios soltos e mortos da pelagem — e é essa massa que se transforma em bolas de pelos no estômago do gato.
Dependendo do tamanho e da frequência das bolotas, os riscos associados podem ser graves, chegando até a causar obstrução intestinal felina, uma emergência veterinária.
Por isso, nesse artigo, vamos te ensinar o que fazer quando o gato está com bola de pelo, quando levar o pet ao veterinário e como prevenir o acúmulo de fios. Aproveite!
O tricobezoar felino — nome científico da bola de pelos em gatos — é uma massa de fios mortos, saliva, suco gástrico e até restos alimentares presentes no trato digestivo dos pets.
De acordo com Loureiro et al. (2014), o amontoado pode ser classificado em três grupos conforme o seu comprimento:
Em geral, as bolas de pelo têm um formato tubular, já que o processo de expulsão faz com que elas adquiram a mesma forma do esôfago dos animais.
A textura do tricobezoar costuma ser úmida, mas as bolotas secam rapidamente, ficando bem semelhantes às fezes. Você pode até achar que o seu gato errou a caixa!
Quando as bolas de pelo ainda não estão bem formadas, elas também costumam parecer um vômito comum, o que aumenta as chances de confusão.
Como comentamos anteriormente, a ingestão de pelos durante a lambedura é um processo normal e até esperado entre os felinos.
Na verdade, uma pesquisa publicada na Revista de Medicina e Cirurgia Felina mostrou que os gatos ingerem até 2/3 dos fios soltos durante a auto higienização.
Por serem compostos principalmente por queratina — proteína fibrosa não processada pelos ácidos e enzimas do trato gastrointestinal felino — os pelos não são digeríveis.
Ainda assim, gatos com um trato digestivo saudável conseguem lidar com a demanda, expelindo os fios naturalmente pelas fezes.
A formação de bolas de pelo pode acontecer mesmo em gatos saudáveis, já que a ingestão de fios durante a lambedura faz parte da rotina de higiene felina.
O risco aumenta quando há excesso de pelos soltos, lambedura compulsiva, alterações digestivas, estresse, parasitas ou doenças de pele.Entenda cada um deles!
A coceira excessiva, conhecida como prurido, pode fazer com que o seu gato aumente a frequência das lambeduras na tentativa de aliviar o desconforto.
De acordo com Cannon (2013), isso é muito comum em animais com ectoparasitas — como as temidas pulgas —, reações alérgicas e doenças de pele.
Animais que enfrentam quadros de estresse crônico às vezes desenvolvem tricotilomania, um tipo de transtorno obsessivo que ocasiona a lambedura compulsiva da pelagem.
Também chamada de alopecia psicogênica, a condição gera a ingestão de grandes quantidades de pelo em um curto período, aumentando as chances de tricobezoares.
Condições clínicas que afetam a estrutura e o conjunto de movimentos responsáveis por empurrar o bolo alimentar no intestino também estimulam a formação de tricobezoares.
Afinal, o funcionamento inadequado do órgão faz com que os pelos de gatos fiquem estagnados no estômago, impedindo a passagem e a eliminação natural da massa.
Os principais problemas e distúrbios digestivos felinos relacionados ao quadro são:
Durante a troca de pelagem sazonal — processo natural que ocorre na primavera e no outono — os gatos renovam o pelame e acabam soltando mais pelos do que o normal.
Com isso, a higienização (e ingestão) da pelagem também se intensifica, fazendo com que as bolas de pelo se formem em quantidades ainda maiores.

A ânsia de vômito é o principal sinal de que o seu gato está com uma bola de pelos. E nesse estágio, o corpo do felino já está tentando expulsar o emaranhado do organismo.
Em um primeiro momento, a ânsia pode até parecer uma tosse ou um engasgo, o que deixa muitos responsáveis assustados, mas não é bem assim que funciona.
Como a bola de pelos fica alocada no trato digestivo dos gatos — não no respiratório — o movimento de expulsão vêm do abdômen, que se contrai repetidamente.
Além do esforço para a regurgitação, os felinos também podem apresentar comportamentos específicos, como miados e inquietação logo antes da tentativa de vomitar.
Quando o tricobezoar finalmente é expelido na forma de um vômito com pelos, esses sintomas costumam desaparecer rapidamente. Mas isso nem sempre acontece de primeira.
Se o seu gato não está conseguindo eliminar a bola de pelo, é possível que a massa esteja presa no trato gastrointestinal do animal.
Nesse caso, o felino pode apresentar outros sintomas que exigem atenção extra, incluindo:
Segundo a veterinária Jennifer Coates, do portal PetMD, quando esses sintomas duram mais de um ou dois dias, o quadro se torna perigoso e é hora de buscar ajuda veterinária.
Isso porque a bola de pelo no intestino do gato pode se transformar em uma obstrução intestinal — emergência veterinária que pode colocar a vida do pet em perigo.
O maior risco associado às bolas de pelos são as obstruções gastrointestinais parciais ou totais, que podem acontecer em diferentes regiões, como:
Nessa situação, o pet não consegue ingerir água ou ração como deveria, regurgitando qualquer alimento quase imediatamente após o consumo.

De acordo com Barrs et al. (1999), o bloqueio causado pelo acúmulo de pelos no trato digestivo ainda pode gerar inflamações graves e evoluir para o rompimento da parede do intestino.
Quando isso acontece, as chances de sepse — conhecida como infecção generalizada — aumentam, e muitos felinos podem até chegar ao óbito.
Se você encontrou o seu gato vomitando bolas de pelo e desconfia de uma possível obstrução, procure um médico-veterinário para avaliar a situação.
Apenas um profissional é capaz de examinar o animal e diagnosticar o tamanho e quaisquer complicações associadas ao tricobezoar.
No consultório, o especialista fará algumas perguntas sobre os sintomas e também o histórico de saúde do pet. Alguns exames que apoiam o diagnóstico são:
Com essas informações em mãos, o profissonal indicará um plano de tratamento personalizado às necessidades de cada felino.
Em casos simples, o tratamento para bola de pelo em gatos consiste em estimular o felino a expelir a pelagem morta naturalmente através da hidratação e da ingestão de fibras, mas tudo depende da orientação dada pelo médico-veterinário.
Para isso, os profissionais costumam recomendar a substituição da ração tradicional por alimentos úmidos e suplementos funcionais.
De acordo com Cannon (2013), substâncias à base de parafina e petrolato podem auxiliar na lubrificação do trato gastrintestinal e facilitar a eliminação de bolas de pelos.
No entanto, esse tipo de produto interfere na absorção de nutrientes e no processo de digestão dos felinos. E como tal, não são indicadas para tratamentos a longo prazo.
Além disso, muitos especialistas recomendam o uso de malte para gatos, um suplemento com efeito laxante disponível em pastas, biscoitos e até rações especiais.
Em casos de obstrução intestinal grave, também pode ser necessária a realização de uma cirurgia para remoção do excesso de pelos, processo conhecido como laparotomia.
Ver um gato sem comer por conta das bolas de pelos pode ser uma situação assustadora, e é normal que os tutores acabem procurando receitas caseiras na tentativa de ajudar o pet.
Apesar da boa intenção, algumas dessas ações podem piorar o quadro do animal ou causar danos secundários à saúde felina.
Pensando nisso, criamos um guia rápido do que você pode ou não pode fazer quando um gato estiver sofrendo com bolas de pelos. Dê uma olhada!
| O que fazer | O que NÃO fazer |
| Procurar um médico-veterinário caso o felino não consiga eliminar a bola de pelo naturalmente. | Oferecer receitas caseiras como óleo de cozinha, manteiga, banha, gordura ou óleo mineral. |
| Manter o gato bem hidratado para ajudar o trânsito intestinal e facilitar a eliminação. | Usar medicamentos laxantes de uso humano ou qualquer remédio por conta própria. |
| Oferecer alimentos úmidos e ricos em fibras quando houver recomendação veterinária. | Administrar produtos à base de parafina ou petrolato por longos períodos sem acompanhamento. |
| Utilizar malte para gatos ou suplementos específicos com indicação do veterinário. | Ignorar episódios repetidos de vômito, perda de apetite ou sinais de dor abdominal. |
| Seguir corretamente o tratamento indicado, inclusive se houver necessidade de cirurgia. |

Como nem sempre é fácil lidar com as consequências das bolas de pelos em gatos, a prevenção ainda é a melhor forma de manter o seu pet longe dessas ameaças.
Felizmente, com a adoção de alguns cuidados diários é possível prevenir a formação de tricobezoares e garantir a saúde e o bem-estar do seu felino. As melhor práticas são:
Escovar a pelagem do seu gato vai evitar que os pelos soltos sejam ingeridos em quantidades acima do normal, principalmente durante as trocas sazonais do pelame.
Se você é tutor de um gato de pelo longo, a recomendação é fazer a higienização diariamente ou a cada dois dias, no máximo.
Vale lembrar que a escovação também é um ótimo momento para inspecionar a saúde dermatológica dos felinos, avaliando sinais de infestações parasitárias e dermatites.
Investir em uma dieta rica e balanceada é outra maneira simples de evitar bolas de pelos enquanto cuida do bem-estar do gato.
Hoje, é possível encontrar rações secas, úmidas, petiscos e suplementos alimentares criados especialmente para reduzir o acúmulo de pelagem no estômago do felino.
Ricos em fibras, esses alimentos favorecem o trânsito intestinal do pet, facilitando a eliminação das bolas de pelos junto com as fezes.
Mas atenção: antes de inserir os alimentos na rotina do seu felino, é importante conversar com um médico-veterinário para avaliar a necessidade e definir a linha ideal.
Atividades como pular, escalar e perseguir brinquedos contribuem para o funcionamento do organismo dos felinos — incluindo do seu trato intestinal.
Por conta disso, gatos ativos podem acabar expelindo pequenas quantidades de pelos ao usar o banheiro com mais facilidade. E os benefícios não param por aí.
Afinal, o enriquecimento ambiental é uma ótima forma de aliviar o estresse, que é um dos fatores de predisposição aos tricobezoares, como explica a médica-veterinária Isis Danielle Silveira Gomes, entrevistada pelo portal Vida do Bicho:
“Às vezes a alteração comportamental ocorre em casas que têm muitos gatos. Isso favorece a competição e pode estressar o animal. É preciso ter uma avaliação muito minuciosa para identificar o que pode estar causando o estresse, mas meu conselho é favorecer o ambiente para aquele animal. Isso já ajuda a minimizar qualquer tipo de problema”, completa a profissional.
Melhores brinquedos para gatos
Por fim, levar o seu pet ao médico-veterinário a cada seis meses é um cuidado essencial para prevenir o surgimento de doenças associadas às bolas de pelos.
Durante os check-ups, os profissionais podem detectar sintomas iniciais dos tricobezoares e indicar um tratamento preventivo para as bolotas.

O nome científico da bola de pelo em gato é tricobezoar. A palavra “trico” significa cabelo, enquanto bezoar representa qualquer material capaz de obstruir o trato digestivo.
Muitos tutores confundem a ânsia de vômito causada pelas bolas de pelo com tosses, já que a postura e o som produzido pelos felinos nas duas situações costumam ser parecidos.
A melhor forma de diferenciar um gato tossindo de um gato expelindo uma bola de pelo é analisar os sinais associados a cada quadro, como mostramos na tabela:
| Características | Bola de pelo | Tosse |
| Som | O som costuma ser mais úmido, parecido com um engasgo. | O som geralmente é seco, áspero ou sibilante. Pode existir chiado no peito e dificuldade para respirar. |
| Movimento | Há contrações abdominais e movimentos de ânsia de vômito. | O esforço vem mais do peito e da respiração. |
| Postura do animal | O gato adota uma postura agachada, mantendo a cabeça baixa. | O gato pode apresentar respiração ofegante e manter a boca aberta. |
| Eliminação de fluidos | Com o esforço, o gato pode expelir pelos, líquido ou espuma pela boca. | Normalmente não há eliminação de nenhum fluído. |
| Duração e frequência | Os episódios costumam ser curtos e terminam após a expulsão da bola. | A tosse pode durar mais tempo e se repetir por vários dias. |
| Sinais associados | O gato costuma voltar ao normal logo depois do vômito. | O gato pode continuar desconfortável e apático. |
A tosse em gatos geralmente é um sinal de doenças mais graves, como a rinotraqueíte viral felina. Nesses casos, é importante levar o seu pet ao veterinário imediatamente!
Hoje em dia, existem muitos produtos criados especialmente para prevenir e eliminar as bolas de pelo em gato, como:
Ajudam no funcionamento intestinal e favorecem a eliminação dos pelos pelas fezes. Alguns também possuem compostos naturais que auxiliam a saúde digestiva.
Petiscos funcionais com alto teor de fibras são altamente palatáveis, melhorando a aceitação de gatos que não se dão bem com suplementos ou medicamentos.
Fórmulas com fibras e prebióticos ajudam a reduzir o acúmulo de pelos no sistema digestivo. As versões úmidas ainda contribuem para uma melhor hidratação.
As graminhas também estimulam o funcionamento intestinal. Além disso, são uma forma de enriquecimento ambiental e costumam agradar bastante os felinos.
Se você notou que o seu gato está tentando vomitar e não consegue, o primeiro passo é manter a calma e observar se realmente se trata de uma bola de pelo.
Se ele estiver apenas tossindo ou tentando expelir o tricobezoar sozinho, não interfira e deixe que ele elimine o emaranhado naturalmente.
Caso os episódios se repitam ou o pet apresente dificuldade para respirar, o mais seguro é procurar um médico-veterinário.
Nesse artigo completo, a médica-veterinária Talita Ellen Pastore (CRMV-45887) dá dicas extras de como lidar com um gato engasgado. Aproveite para ler!
Quando o gato não consegue eliminar a bola de pelo pelas fezes ou pelo vômito, o material pode se acumular no estômago ou no intestino e formar um tricobezoar maior.
Além de causar desconforto abdominal, náuseas e constipação, o emaranhado pode gerar uma obstrução intestinal, situação grave que exige intervenção médica imediata.
Sim, as bolas de pelo podem colocar a vida do seu gato em risco se evoluírem para uma obstrução gastrointestinal não diagnosticada.
Isso porque o bloqueio causado pelos fios impede a passagem normal de alimentos, líquidos e resíduos, provocando vômitos, dor, desidratação e dificuldade para evacuar.
Com o tempo, o acúmulo de pelos também acaba provocando inflamações graves e, em casos mais severos, o rompimento da parede intestinal dos felinos.
Quando isso acontece, o risco de sepse (infecção generalizada) aumenta consideravelmente, e alguns gatos podem ir a óbito.
De acordo com a PremieRpet, os gatos de pelo longo e semilongo costumam ser mais acometidos por tricobezoares do que os felinos de pelo curto.
Isso acontece porque o comprimento dos fios favorece o enovelamento dos pelos durante a lambedura e aumenta as chances de acúmulo no trato digestivo.

Agora que você já sabe como identificar, tratar e prevenir a formação de bola de pelos no estômago do gato, que tal explorar outros conteúdos sobre saúde felina?
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