

Doença do carrapato é um termo popular usado para identificar uma série de infecções graves transmitidas por carrapatos, como a erliquiose, a babesiose, a anaplasmose e a hepatozoonose canina.
Conhecidas como hemoparasitoses, essas enfermidades são causadas por hemoparasitas — microrganismos que invadem e atacam as células do sangue do animal.
Como consequência, o cachorro com doença do carrapato pode desenvolver anemia, letargia, perda de apetite, febre, icterícia e correr risco de vida.
No Brasil, as doenças causadas por carrapatos são consideradas endêmicas e estão presentes em praticamente todas as regiões do país.
O principal vetor de transmissão dessas enfermidades é o carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus), uma espécie comum em ambientes domésticos.
Por causa da gravidade das infecções, as hemoparasitoses estão entre as principais causas de morbidade e mortalidade em cães no mundo. (DANTAS-TORRES, 2010)
Além disso, muitos agentes envolvidos também podem infectar humanos, o que reforça a importância do controle e da prevenção para a saúde dos pets e das pessoas da casa.
Para ajudar você a proteger seu cão e reduzir os riscos para a família, convidamos a médica-veterinária Lysandra Jacobsen (CRMV/SP – 44484) para esclarecer todas as dúvidas sobre doença do carrapato em cachorro. Continue a leitura e descubra:

A doença do carrapato não é uma condição propriamente dita, mas umtermo usado para identificar diversas hemoparasitoses caninas, incluindo a erliquiose, a babesiose, a anaplasmose e a hepatozoonose canina.
As hemoparasitoses são doenças hematológicas infecciosas, ou seja, são infecções causadas por microrganismos que parasitam as células sanguíneas dos cachorros.
Dependendo do agente causador, a infecção pode afetar glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, prejudicando o funcionamento normal do organismo e colocando a vida do pet em risco.
Embora tenham o carrapato como principal vetor, as doenças do carrapato em cachorro são provocadas por agentes diferentes, como protozoários e bactérias. Por isso, cada uma apresenta características próprias e exige diagnósticos e tratamentos específicos.
Abaixo, listamos as principais doenças transmitidas por carrapatos em cães:
A erliquiose canina é uma das doenças mais conhecidas dentro do grupo chamado popularmente de doença do carrapato.
Causada por bactérias do gênero Ehrlichia, essa infecção pode evoluir para um quadro grave e até fatal quando o diagnóstico e o tratamento não são iniciados precocemente.
Depois de infectar o organismo, a bactéria invade os glóbulos brancos, onde se multiplica e se dissemina para órgãos como baço, fígado, medula óssea e linfonodos.
O principal vetor é o carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus), embora a transmissão também possa ocorrer por transfusão de sangue entre cães.
| Erliquiose canina | |
| Agente causador | Ehrlichia spp. (em especial Ehrlichia canis) |
| Tipo de agente | Bactéria |
| Principal vetor | Carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus) |
| Células afetadas | Glóbulos brancos (monócitos e macrófagos) |
| Principais sintomas | Febre, apatia, perda de apetite, aumento dos linfonodos, petéquias, epistaxe, alterações oculares, palidez de mucosa, fraqueza, sangramento e perda de peso |
| Prognóstico | Favorável quando tratada na fase aguda; reservado a desfavorável na fase crônica |
Também chamada de piroplasmose, a babesiose canina é causada por protozoários do gênero Babesia, principalmenteBabesia vogeli e Babesia canis.
Na babesiose, o protozoário invade os glóbulos vermelhos, podendo causar anemia hemolítica, febre, fraqueza, icterícia e urina escura.
Por esse motivo, a anemia é uma das principais alterações provocadas pela doença.
| Babesiose canina | |
| Agente causador | Babesia spp. (em especial Babesia vogeli e Babesia canis) |
| Tipo de agente | Protozoário |
| Principal vetor | Carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus) |
| Células afetadas | Glóbulos vermelhos (hemácias) |
| Principais sintomas | Febre, anemia hemolítica, icterícia, vômitos, aumento do baço, perda de peso e perda de apetite |
| Prognóstico | Geralmente favorável |
A anaplasmose, também conhecida como trombocitopenia cíclica canina, é causada pela bactéria Anaplasma platys e afeta especificamente as plaquetas, células responsáveis pela coagulação do sangue.
Uma das principais características da doença é a redução cíclica das plaquetas.
Isso significa que a quantidade dessas células diminui durante alguns dias e, depois, volta temporariamente a valores próximos do normal.
| Anaplasmose canina | |
| Agente causador | Anaplasma platys |
| Tipo de agente | Bactéria |
| Principal vetor | Carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus) |
| Células afetadas | Plaquetas |
| Principais sintomas | Febre, apatia, perda de peso, vômitos, diarreia, petéquias, equimoses e uveíte. Alguns cães são assintomáticos. |
| Prognóstico | Favorável, principalmente quando tratada adequadamente |
A hepatozoonose é causada por protozoários do gênero Hepatozoon.
Diferentemente das demais hemoparasitoses, essa doença não é transmitida pela picada do carrapato, mas pela ingestão de um ectoparasita contaminado.
Uma vez no organismo, o protozoário pode alcançar órgãos como o baço, o fígado, a medula óssea, os pulmões e os músculos, além de infectar células do sistema imunológico.
| Hepatozoonose canina | |
| Agente causador | Hepatozoon spp. (em especial Hepatozoon canis) |
| Tipo de agente | Protozoário |
| Principal vetor | Carrapato-marrom-do-cão (Rhipicephalus sanguineus) |
| Forma de transmissão | Ingestão de carrapato infectado |
| Órgãos afetados | Baço, fígado, medula óssea, pulmões e músculos |
| Principais sintomas | Febre, palidez, perda de peso, anorexia, diarreia com sangue, aumento dos linfonodos e do baço. Alguns cães são assintomáticos. |
| Prognóstico | Varia conforme a carga parasitária e a presença de outras doenças; pode ser reservado nos casos graves |
Vale lembrar que um mesmo cachorro pode apresentar mais de uma hemoparasitose ao mesmo tempo, situação conhecida como coinfecção.
Casos assim costumam ser ainda mais graves, já que a presença de mais microrganismos modifica o curso clínico e potencializa a severidade dos sinais clínicos. (TRAPP et al. 2004)

Em um estudo realizado em Boa Vista, Roraima, entre os anos de 2023 e 2025, a Ehrlichia spp. foi o agente identificado com maior frequência em cães com doença do carrapato.
Ao todo, 2.486 laudos apresentaram resultado positivo para hemoparasitoses — e desse total, quase 90% dos casos estavam relacionados à Ehrlichia spp.
O estudo também identificou a porcentagem de cães com coinfecções, ou seja, infectados por mais de um hemoparasita ao mesmo tempo, revelando as seguintes métricas:
| Agente etiológico | Frequência entre os casos positivos |
| Ehrlichia spp. | 2220 (89,30%) |
| Anaplasma spp. | 168 (6,76%) |
| Anaplasma spp. + Ehrlichia spp. | 81 (3,26% |
| Hepatozoon spp. | 11 (0,44%) |
| Babesia spp. | 4 (0,16%) |
| Anaplasma spp. + Ehrlichia spp. + Hepatozoon spp. | 2 (0,08%) |
Além dessas condições, os carrapatos podem transmitir doenças infecciosas que afetam os humanos, como a Doença de Lyme e a Febre Maculosa.
Os cães costumam contrair doenças transmitidas por carrapatos após a exposição a esses parasitas, como a médica-veterinária Lysandra Jacobsen explica:
“São doenças transmitidas por meio da mordida de carrapato contaminado, que injeta na corrente sanguínea o agente infeccioso”.
A única exceção é a hepatozoonose, que ocorre pela ingestão de carrapatos contaminados quando o animal se lambe ou se coça.
Vale lembrar que a transmissão não ocorre diretamente de um cão para outro. Para que a doença seja disseminada, é necessária a participação do carrapato como vetor.

Cachorros com doença do carrapato apresentam sintomas muito parecidos, como febre, apatia, perda de apetite, icterícia e distúrbios neurológicos. (ALMEIDA et al, 2012).
A intensidade das manifestações clínicas varia de acordo com o agente causador e a fase da doença. No caso da erliquiose, por exemplo, os sinais surgem em três etapas diferentes.
A fase aguda da doença do carrapato costuma surgir entre 8 e 20 dias após a infecção, podendo durar de 1 a 4 semanas.
Nesse período, os sintomas costumam aparecer de forma mais evidente, e incluem:
De acordo com Araújo et al. (2022), quando o tratamento é iniciado precocemente, a maioria dos cães consegue se recuperar da fase aguda da erliquiose.
Mas sem o atendimento veterinário, a doença pode evoluir para as fases seguintes
A fase subclínica é conhecida como o período silencioso da doença.
Nessa etapa, a infecção por carrapato permanece no organismo, mas o cachorro não apresenta sintomas por meses ou até anos.
Embora o animal aparente estar saudável, ele continua infectado e pode apresentar alterações discretas nos exames de sangue, como redução na quantidade de plaquetas.
A fase crônica da doença do carrapato é a sua etapa mais grave. Aqui, os sintomas reaparecem com maior intensidade, causando um maior comprometimento do organismo.
Além dos sinais clínicos listados anteriormente, é comum que o cachorro apresente:
Nos casos mais graves, a doença pode provocar pancitopenia, condição caracterizada pela redução simultânea dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.
A queda prejudica o sistema imunológico do cão, deixando-o mais vulnerável a infecções secundárias, como pneumonias, infecções de pele, etc.
Se o seu animal apresentar qualquer um desses sintomas, procure um médico-veterinário imediatamente!
O sucesso do tratamento da doença do carrapato está diretamente ligado à rapidez com que o animal inicia o tratamento assistido por um médico veterinário.
A doença do carrapato é uma enfermidade grave que pode comprometer diferentes órgãos e sistemas do organismo, levando muitos animais ao óbito.
O prognóstico varia conforme a fase da infecção, a resposta imunológica do cachorro, a presença de coinfecções e a velocidade do tratamento.
De modo geral, cães diagnosticados e tratados ainda na fase aguda apresentam excelente taxa de recuperação clínica. (SYKES, 2014; ARAÚJO et al., 2022).
Por outro lado, quando o diagnóstico é tardio ou o tratamento não é realizado corretamente, a doença pode evoluir para as fases subclínica e crônica.
Quando isso acontece, o pet apresenta alterações mais graves, como anemia não regenerativa e imunossupressão, fatores que tornam o prognóstico mais reservado e aumentam o risco de complicações. (BOTHREL et al., 2024)
As consequências da doença do carrapato não tratada variam de cão para cão, explica a médica-veterinária Lysandra Jacobsen:
“Por se instalar nas células do sangue, o cachorro pode sofrer com anemias severas, problemas de coagulação, distúrbios em órgãos vitais e pode levar até mesmo à morte.”
Outras complicações identificadas são vasculite, insuficiência renal, artrites, inflamação meningoencefálica e problemas neurológicos, como ataxia, convulsões e paresia. (SAINZ et al., 2015; ARAÚJO et al., 2022)

O diagnóstico da doença do carrapato canina começa com uma avaliação clínica realizada por um médico-veterinário.
Como os sinais clínicos são inespecíficos, o profissional fará uma investigação detalhada para entender o histórico do cachorro e identificar fatores que aumentam as suspeitas.
Durante a consulta, é normal que o veterinário pergunte:
Depois dessa conversa, o veterinário realizará o exame físico para avaliar alterações como febre, aumento dos linfonodos e outros sinais compatíveis com a hemoparasitose.
Ainda assim, a doença do carrapato só pode ser confirmada com certeza com a ajuda de exames de sangue e testes sorológicos.
Na tabela abaixo, listamos alguns exames que ajudam a identificar o agente causador da doença do carrapato e verificar possíveis alterações no organismo dos cães.
| Exame | O que é? | Para que serve? |
| Hemograma | Exame de sangue que avalia a quantidade e as características dos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. | Identifica alterações comuns em hemoparasitoses, como anemia, trombocitopenia e alterações nos leucócitos, além de avaliar o estado geral do cachorro. |
| Sorologia | Exame realizado a partir do soro sanguíneo (parte líquida do sangue do seu cão) para detectar anticorpos produzidos pelo organismo contra determinados microrganismos. | Auxilia na identificação das infecções. |
| PCR veterinário | Exame molecular que pesquisa o material genético (DNA) do agente infeccioso em amostras de sangue, linfonodos ou outros tecidos. | Confirma a presença do hemoparasita e ajuda a identificar exatamente qual microrganismo está causando a doença. |
| Esfregaço sanguíneo | Exame microscópico realizado a partir de uma gota de sangue espalhada em uma lâmina e corada. | Permite observar diretamente alguns hemoparasitas presentes nas células sanguíneas. |
| Urinálise | Exame laboratorial da urina. | Avalia a função dos rins e identifica alterações, como perda de proteínas, que podem estar associadas às doenças transmitidas por carrapatos. |
Encontrou um carrapato no cachorro? Fique atento! Em caso de sintomas, procure um veterinário e faça os exames laboratoriais indicados pelo médico-veterinário.
Com os resultados em mãos, o profissional indicará o tratamento adequado para o seu pet.
Apesar de ser uma enfermidade grave, a doença do carrapato tem tratamento e boas chances de recuperação quando o diagnóstico é feito precocemente.
O protocolo varia conforme o agente causador, o estágio da infecção e o estado de saúde do cachorro, por isso não existe um único remédio para doença do carrapato.
O plano terapêutico deve ser definido por um médico-veterinário e pode incluir:
Sobre tratamentos caseiros e soluções sem comprovação, a médica-veterinária Lysandra Jacobsen faz um alerta:
“Não é aconselhado utilizar misturas caseiras como vinagre, álcool, cloro e similares, pois não apresentam eficácia comprovada contra estes parasitas, além de causarem danos à saúde do animal”.
Por isso, nunca medique um cachorro com doença do carrapato por conta própria.
O tratamento deve ser definido pelo médico-veterinário após a confirmação do diagnóstico e a identificação do agente causador da doença.
O tempo de tratamento varia conforme o agente causador, a gravidade da infecção e a resposta do cachorro aos medicamentos.
O tratamento da erliquiose, por exemplo, costuma durar cerca de quatro semanas. Nos casos mais graves, pode se estender por seis a oito semanas.
A hepatozoonose canina, por outro lado, não tem cura e requer acompanhamento veterinário contínuo, por longo prazo.
Mesmo com melhora dos sintomas, o tratamento não deve ser interrompido sem orientação do médico-veterinário.

Embora qualquer cachorro possa desenvolver uma hemoparasitose, alguns fatores aumentam o risco de infecção ou favorecem a evolução para quadros mais graves.
A presença do carrapato é indispensável para a transmissão das hemoparasitoses.
Por isso, a doença é mais comum em cães de áreas endêmicas, como regiões tropicais e subtropicais, onde os ectoparasitas encontram condições favoráveis para viver.
Segundo o CRMV-SP, o risco também aumenta durante o verão, pois a combinação entre altas temperaturas e umidade favorece a reprodução dos ectoparasitas.
Como 95% da infestação permanece no ambiente, os tutores também devem ficar atentos aos locais que o cachorro frequenta.
Gramados, parques, áreas rurais, locais úmidos, quintais infestados e canis oferecem condições adequadas para a sobrevivência e a proliferação dos carrapatos.
A doença do carrapato pode acometer cães de qualquer idade, mas filhotes, cães idosos e cães imunossuprimidos apresentam maior risco de desenvolver complicações.
Nos animais idosos, a prevalência tende a ser maior devido ao maior tempo de exposição aos carrapatos ao longo da vida.
Já os filhotes e cães com baixa imunidade possuem menor capacidade de combater a infecção, o que pode favorecer a evolução para formas mais graves das hemoparasitoses.

A prevenção da doença do carrapato começa pelo controle desses vetores — tanto no cachorro quanto no ambiente.
Como esses ectoparasitas são os principais transmissores das hemoparasitoses, evitar a infestação é a forma mais eficaz de proteger o pet.
Para isso, a médica-veterinária Lysandra recomenda três cuidados essenciais:
O uso contínuo de produtos antiparasitários é uma prática importante para prevenir a doença do carrapato e outras infestações por ectoparasitas.
Hoje em dia, existem diversas opções de antipulgas e carrapatos para cachorro no mercado, cada uma com duração e formas de aplicação diferentes.
Veja um comparativo das principais:
| Tipo de antiparasitário | Como funciona | Tempo de proteção | Vantagens | Pontos de atenção |
| Comprimido antiparasitário | O princípio ativo é absorvido pelo organismo e elimina os carrapatos após eles se alimentarem do sangue do cachorro. | Varia conforme o fabricante (geralmente de 30 a 90 dias). | Ação rápida, não perde eficácia com banhos. | Deve ser administrado na dose correta e reaplicado conforme a recomendação do fabricante ou do veterinário. |
| Pipeta antiparasitária | É aplicada diretamente na pele e se distribui pela camada lipídica, protegendo o cachorro contra carrapatos e pulgas. | Varia conforme o produto (geralmente cerca de 30 dias). | Fácil aplicação e boa opção para cães que não aceitam comprimidos. | O animal geralmente não deve tomar banho antes ou logo após a aplicação, conforme orientação da bula. |
| Coleira antiparasitária | Libera continuamente substâncias que repelem ou eliminam carrapatos e pulgas por contato. | Pode proteger por até 8 meses, dependendo da marca. | Longa duração, praticidade e proteção contínua. | Deve ser ajustada corretamente ao pescoço do cachorro e substituída ao final do período de ação. |
A escolha do melhor antipulgas para cachorro varia conforme as necessidades e nível de exposição do seu animal. Na dúvida, peça indicações para um médico-veterinário!
Além do uso desses produtos, é importante inspecionar regularmente a pele e os pelos do cachorro, principalmente após passeios em áreas com vegetação.
Como a transmissão das hemoparasitoses costuma ocorrer quando o carrapato se alimenta do sangue do animal por 2 a 3 dias, a remoção rápida do parasita ajuda a reduzir o risco de infecção. (FOURIE et al., 2013)
A inspeção deve ser mais intensa nas orelhas e nas patas, principalmente entre os dedos.
Na Cobasi, você encontra tudo o que precisa para proteger seu cachorro, desde coleiras antipulgas até medicamentos orais e tópicos. Cuide do seu amigo de quatro patas e mantenha os carrapatos longe de casa com a gente!
A médica-veterinária Lysandra também ressalta que eliminar os carrapatos presentes no ambiente é tão importante quanto tratar o animal infestado:
“É essencial realizar a higienização do ambiente, pois grande parte do ciclo de vida dos carrapatos ocorre fora do pet.”
Sem esse cuidado, o cachorro pode voltar a entrar em contato com carrapatos infectados e desenvolver uma nova infecção, mesmo após concluir o tratamento.
Para garantir o controle dos vetores no ambiente, o médico-veterinário poderá recomendar o uso de carrapaticidas ambientais ou a dedetização do local.
Segundo Vieira e Tuerlink (1997), produtos à base de piretroides são os mais indicados para controlar o Rhipicephalus sanguineus, dependendo da orientação do fabricante.
Manter quintais, canis e outras áreas de convivência sempre limpos, com a grama aparada e livre de entulhos é outra boa forma de impedir infestações de carrapato em cachorro.
Por fim, o acompanhamento regular ajuda a identificar alterações associadas à doença do carrapato precocemente, antes que a doença evolua para quadros mais graves.
As consultas preventivas também são ótimos momentos para atualizar o protocolo de vacinação e uso de antiparasitários do seu cachorro.
Embora não exista vacina para as principais hemoparasitoses caninas, um pet saudável tem mais chances de receber um diagnóstico precoce e um tratamento adequado.
Sempre que notar sintomas como febre, apatia, perda de apetite ou encontrar carrapatos no animal, procure atendimento veterinário.
Quando o assunto são hemoparasitoses, o tempo faz toda a diferença para a recuperação plena do seu melhor amigo.

Além das hemoparasitoses que acometem exclusivamente os cães, os carrapatos também podem transmitir doenças com caráter zoonótico, ou seja, que afetam humanos, como:
Sim, algumas enfermidades transmitidas por ectoparasitas, como a febre maculosa e a doença de Lyme, são zoonoses e podem acometer seres humanos.
No entanto, essas doenças não são transmitidas diretamente do cachorro para as pessoas. A infecção ocorre quando um carrapato contaminado pica um humano.
Isso significa que um cachorro infectado não transmite diretamente a doença para os humanos da casa, mas o carrapato contaminado pode transmiti-la a outras pessoas.
Portanto, ao identificar a presença de carrapatos em seu pet ou ambiente, é essencial agir rapidamente para evitar riscos à saúde do animal e de todas as pessoas ao seu redor.
Quer saber mais sobre a doença do carrapato? Dá o play no vídeo que a Cobasi TV preparou!
Embora todas estejam associadas a carrapatos, cada uma dessas infecções possui agentes causadores, formas de evolução e impactos diferentes no organismo. Veja uma comparação simples abaixo:
| Doença | Agente causador | Tipo de agente | Principais estruturas afetadas | Principal característica |
| Erliquiose | Ehrlichia spp. (principalmente Ehrlichia canis) | Bactéria | Glóbulos brancos | Compromete o sistema imunológico e pode causar sangramentos e queda das células do sangue. |
| Babesiose (piroplasmose) | Babesia spp. (principalmente Babesia vogeli e Babesia canis) | Protozoário | Glóbulos vermelhos | Destrói as hemácias, provocando anemia hemolítica e, em alguns casos, icterícia. |
| Anaplasmose | Anaplasma platys | Bactéria | Plaquetas | Caracteriza-se pela redução cíclica das plaquetas, favorecendo sangramentos. |
| Hepatozoonose | Hepatozoon spp. (principalmente Hepatozoon canis) | Protozoário | Células do sistema imunológico | É a única que ocorre pela ingestão de carrapatos infectados, e não pela sua picada. |
Vale lembrar que um mesmo cachorro pode apresentar mais de uma hemoparasitose ao mesmo tempo, situação conhecida como coinfecção.
Apesar das diferenças entre elas, os sintomas costumam ser muito semelhantes, o que dificulta a identificação da doença apenas pela observação clínica.
Por isso, o diagnóstico depende da associação entre a avaliação do médico-veterinário e exames laboratoriais, como hemograma, que permitem identificar o agente causador.
Os sinais da doença do carrapato costumam ser inespecíficos, podendo incluir febre, apatia, perda de apetite, gengivas pálidas, sangramentos e perda de peso.
Como esses sintomas também podem indicar outras condições clínicas, não é possível confirmar a doença do carrapato em cães apenas pela observação.
O diagnóstico deve ser feito pelo médico-veterinário por meio da avaliação clínica e de exames de sangue, como hemograma, testes sorológicos e testes rápidos.
Sim. A anemia causada por carrapato é uma das alterações mais comuns em cães com hemoparasitoses. Isso acontece porque algumas doenças, como a babesiose, destroem diretamente as hemácias, enquanto outras, como a erliquiose, podem comprometer a medula óssea e reduzir a produção das células do sangue.
Sim. Um cachorro que já teve doença do carrapato pode ser infectado novamente caso seja exposto a outro carrapato contaminado.
Isso acontece porque doenças infecciosas transmitidas por carrapatos, como a erliquiose, não conferem imunidade permanente.
Por isso, mesmo após a recuperação, é fundamental manter o uso de antiparasitários e o controle ambiental para evitar novas infecções.
Sim, mas o prognóstico de uma infecção transmitida por carrapato depende de fatores como a resposta do animal, a presença de coinfecções e a rapidez do tratamento.
De modo geral, quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de controlar a infecção e evitar complicações.
Por outro lado, quando a doença não é tratada, ela pode evoluir rapidamente e comprometer órgãos vitais.
Depende do agente causador. A erliquiose, a babesiose e a anaplasmose canina são consideradas doenças curáveis. Já a hepatozoonose canina não tem cura e requer acompanhamento veterinário e tratamento por longo prazo.
Mesmo nas doenças consideradas curáveis, alguns cães podem apresentar sequelas, como claudicação, se o tratamento for iniciado tardiamente ou quando o quadro já está avançado.
Os carrapatos são pequenos parasitas da classe Arachnida que agem como ectoparasitas hematófagos, ou seja, se alimentando do sangue de animais.
Suas picadas podem causar desconforto, dor, coceira e até transmitir doenças, como é o caso da babesiose e erliquiose.
De acordo com a Embrapa, existem quase 900 espécies de carrapatos no mundo, que podem acometer cães, cavalos e, é claro, humanos.
Existem duas famílias de carrapatos que são mais comuns em animais domésticos: Ixodidae e Argasidae .
Carrapatos da família Argasidae são conhecidos como carrapatos moles e podem parasitar animais em algumas situações. No entanto, entre os cães, o carrapato-marrom-do-cão, da família Ixodidae, é um dos vetores de maior importância.
Já a família Ixodidae possui cerca de 600 carrapatos diferentes, que são conhecidos como carrapatos duros e podem transmitir diversas doenças para os animais.
Não. Embora o carrapato-marrom-do-cão seja o principal responsável pela doença do carrapato no Brasil, outras espécies podem atuar como vetores de alguns hemoparasitas.
No caso da babesiose, por exemplo, carrapatos Dermacentor reticulatus e Haemaphysalis spp. podem transmitir o protozoário Babesia em outras regiões do mundo.
Além disso, a infecção também pode ocorrer por transfusão de sangue contaminado e, em alguns casos, pela transmissão da mãe para os filhotes durante a gestação.

Se quiser saber mais sobre como cuidar da saúde do seu pet, continue a visita no Blog da Cobasi. Aqui, você encontra conteúdos exclusivos para garantir o bem-estar do seu cão.
Não perca a oportunidade de se manter sempre atualizado!
LEMES, I. S. Hemoparasitas Caninos. São José do Rio Preto – SP 2016. Disponível em:
ARAÚJO, R.R. et al. Avaliação diagnóstica das hemoparasitoses em cães: Revisão. Pubvet, v.16, n.10, 2022. Disponível em: https://www.pubvet.com.br/uploads/38da73077b7e0a9a9676ff85f52ec7ca.pdf
FERRAZ, Alexsander et al. Prevalência de Hemoparasitoses em Cães na Região Sul do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Ensaios e Ciência C Biológicas Agrárias e da Saúde, v. 25, n. 5-esp, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.17921/1415-6938.2021v25n5-espp609-612
GARCIA, Y. S et al. Frequência de hemoparasitos transmitidos por carrapatos em cães: levantamento realizado em um laboratório de análises clínicas veterinárias em Boa Vista, Roraima. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, 8(4), e84077. Disponível em: https://doi.org/10.34188/bjaerv8n4-152
EMBRAPA. Carrapatos: protocolos e técnicas para estudo. 2016. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1041177/1/Carrapatosprotocolosetecnicas.pdf
CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Com produção de 5 mil ovos em 21 dias, carrapatos viram praga no verão. 2012. Disponível em: https://crmvsp.gov.br/com-producao-de-5-mil-ovos-em-21-dias-carrapatos-viram-praga-no-verao/
ROYAL CANIN. Anaplasmose em gatos e cães: o que o médico-veterinário deve saber para conduzir o caso. 2025. Disponível em: https://portalvet.royalcanin.com.br/guia-de-doencas/anaplasmose/
ROYAL CANIN. Erliquiose canina: conheça a doença e saiba como diagnosticar e tratar. 2025. Disponível em: https://portalvet.royalcanin.com.br/saude-e-nutricao/outros-assuntos/erliquiose/
ROYAL CANIN. Babesiose canina: guia prático sobre a doença. 2026. Disponível em: https://portalvet.royalcanin.com.br/saude-e-nutricao/outros-assuntos/babesiose-canina/
| Atualizada em
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Meu cachorro está com a doença do carrapato e já estou tratando só que ele está com muito cansaço e com a barriga muito inchada isso pode ser proveniente da doença ou não?
Oi Leandra, como vai? Deixarei um conteúdo que pode te auxiliar neste momento, mas procure um medico-veterinário para auxiliar na saúde e bem-estar do seu cachorro!
Muito bom Ótimo resumo
A transfusão de sangue e segura. Para cachorro com plaquetas baixas devido a doença do carrapato. Obrigada.
Minha cadela tem 14 anos e pegou a doença do carrapato, mais já estou tratando, só que não aguenta ficar em pé,só deitada. Mais está comendo sopinha que fiz com batata cenoura quiabo e inhame. Estou fazendo o certo? Só estou em dúvida de dá o suplimento,se é uma vez só por dia.
Elisângela, recomendamos que consulte o médico-veterinário pois é necessário garantir que a sua cadela esteja recendo todos os nutrientes necessários, principalmente quando se está em tratamento.
minha cachorra está com a doença do carrapato, já entramos com antibiótico e vitaminas, mas gostaria de saber se posso dar o antipulgas também, posso?
Olá, Isabelli! É fundamental consultar o veterinário que está cuidando da sua cachorra para receber orientações específicas sobre o uso de antipulgas durante o tratamento da doença do carrapato. O profissional poderá avaliar se o uso do antipulgas é seguro e recomendável no contexto do tratamento atual.