

A febre maculosa é uma doença infecciosa febril aguda, causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada de carrapatos infectados.
A doença pode apresentar diferentes níveis de gravidade e, em alguns casos, evoluir rapidamente para complicações graves.
No estado de São Paulo, a Febre Maculosa Brasileira (FMB) apresenta letalidade média de 60%, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. O início precoce do tratamento é fundamental para reduzir o risco de agravamento e de morte.
Os primeiros sintomas surgem, em média, sete dias após a picada do carrapato infectado, mas esse período pode variar de 2 a 14 dias. Febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa, dores musculares, cansaço, náuseas e vômitos estão entre os sinais mais comuns.
Entre o terceiro e o quinto dia após o início da febre, podem aparecer manchas avermelhadas, principalmente nos pulsos e tornozelos, que também podem atingir as palmas das mãos e as solas dos pés. A ausência dessas manchas, no entanto, não descarta a febre maculosa.
Neste artigo, você vai ler:
A febre maculosa é uma doença infecciosa febril aguda causada por bactérias do gênero Rickettsia. A transmissão ocorre pela picada de carrapatos infectados e a doença pode variar de quadros mais leves até formas graves, com risco de complicações e morte.
No Brasil, duas espécies de Rickettsia estão associadas aos principais quadros clínicos:
As duas bactérias são transmitidas por carrapatos do gênero Amblyomma, mas as espécies de carrapato envolvidas e os locais de maior exposição podem variar de acordo com a região.
No estado de São Paulo, por exemplo, existem diferenças entre o interior, a Região Metropolitana e o litoral.
A febre maculosa também é uma doença de notificação compulsória no Brasil. Casos suspeitos ou confirmados devem ser comunicados às autoridades de saúde para investigação e adoção das medidas de controle necessárias.
A transmissão da febre maculosa acontece quando um carrapato infectado por bactérias do gênero Rickettsia se fixa à pele e se alimenta de sangue. Durante esse processo, a bactéria pode entrar no organismo e causar a infecção.
O contato com o vetor ocorre principalmente em locais onde esses parasitas encontram condições favoráveis para viver, como áreas de mata, pastagens, margens de rios, parques e regiões com circulação de animais silvestres ou de grande porte.
Quem quiser entender melhor como esse parasita age pode conferir também o conteúdo sobre carrapato-estrela.
A exposição também pode ocorrer de forma indireta, quando esses parasitas são levados para perto das pessoas por animais, roupas ou objetos que passaram por locais infestados.
Importante! A febre maculosa não passa de uma pessoa para outra, nem é transmitida pelo simples contato com cães, gatos, capivaras ou cavalos.
Esses animais podem participar do ciclo da doença por hospedarem ou transportarem o vetor, mas a infecção humana ocorre após o contato com um carrapato infectado.

Os sintomas da febre maculosa podem começar de forma repentina e, nos primeiros dias, são pouco específicos, podendo ser confundidos com outras infecções, como dengue e leptospirose.
Nos casos de Febre Maculosa Brasileira, causada pela Rickettsia rickettsii, o quadro pode evoluir rapidamente.
Entre os primeiros sinais mais frequentes estão:
Ao procurar atendimento, é importante informar se houve passagem recente por pesqueiros, sítios, fazendas, trilhas, áreas de mata e outros locais onde esses parasitas possam estar presentes. Esse histórico ajuda o médico na investigação da doença.
Com a evolução da doença, podem aparecer manchas avermelhadas na pele, chamadas de exantema.
Na Febre Maculosa Brasileira, esses sinais costumam surgir entre o terceiro e o quinto dia após o início da febre, principalmente nos pulsos e tornozelos.
As manchas também podem atingir as palmas das mãos, as solas dos pés, o tronco e a face. Inchaço nas mãos e nos pés também pode ocorrer.
Nos casos mais graves, as manchas podem evoluir para petéquias, pequenos pontos avermelhados ou arroxeados causados por sangramentos sob a pele.
Também podem ocorrer queda da pressão arterial, choque, alterações neurológicas, dificuldade respiratória, comprometimento dos rins, manifestações hemorrágicas e necrose, principalmente nas extremidades.
Não, a ausência de manchas não descarta febre maculosa. Na infecção por Rickettsia rickettsii, o exantema aparece em cerca de 60% a 70% dos casos e pode não estar presente, inclusive em formas que evoluem rapidamente para manifestações graves. (portal.saude.sp.gov.br)
Por esse motivo, não é indicado esperar o aparecimento das manchas para procurar atendimento quando houver febre e outros sintomas após exposição a carrapatos ou passagem por uma área de risco.
O período de incubação da febre maculosa pode variar de 2 a 14 dias. Isso significa que os sinais podem surgir vários dias depois do contato com o carrapato, inclusive quando a pessoa não percebeu que foi picada.
Sim, a febre maculosa pode ser grave e levar à morte, principalmente nos casos de Febre Maculosa Brasileira causados pela Rickettsia rickettsii. A doença pode evoluir rapidamente quando o tratamento não é iniciado nos primeiros dias.
A bactéria provoca alterações nos vasos sanguíneos e pode comprometer a circulação e o funcionamento de diferentes órgãos.
Nos quadros graves, podem ocorrer problemas respiratórios, alterações neurológicas, insuficiência renal, hemorragias, choque e necrose nas extremidades.
O início precoce do tratamento reduz o risco de complicações e aumenta as chances de recuperação. Diante da suspeita de febre maculosa, a orientação médica é iniciar o tratamento sem esperar a confirmação dos exames laboratoriais.
A febre maculosa tem cura, especialmente quando o tratamento é iniciado precocemente e a resposta costuma ser melhor quando a doença é reconhecida nos primeiros dias, antes do surgimento de complicações graves.
A demora no início da terapia aumenta o risco de comprometimento de órgãos e de evolução para quadros mais severos. Mesmo sem a confirmação laboratorial, diante da suspeita clínica, o médico pode iniciar o tratamento imediatamente.

O diagnóstico da febre maculosa combina a avaliação clínica com exames laboratoriais. O médico analisa o conjunto de sinais apresentados, a evolução do quadro e informações que possam reforçar a suspeita da doença.
Entre os exames que podem ser solicitados estão:
Exames complementares, como o hemograma, também podem mostrar alterações importantes para a avaliação do quadro, mas não confirmam a doença isoladamente.
A confirmação laboratorial não deve atrasar o tratamento. Diante da suspeita clínica, a terapia pode ser iniciada antes mesmo do resultado dos exames.

O tratamento da febre maculosa é feito com antibióticos específicos e deve ser iniciado assim que houver suspeita clínica, sem esperar a confirmação dos exames laboratoriais.
Segundo o Ministério da Saúde, a doxiciclina é o antibiótico de primeira escolha para os casos suspeitos de febre maculosa, independentemente da faixa etária ou da gravidade do quadro.
A indicação, a forma de administração e o tempo de tratamento devem ser definidos pelo médico de acordo com cada caso.
Quando o tratamento adequado é iniciado precocemente, a febre pode começar a regredir entre 24 e 72 horas. Casos graves podem exigir internação e acompanhamento hospitalar.
O médico-veterinário e professor associado da Universidade de São Paulo (USP) Marcelo Bahia Labruna também chama atenção para a importância de relatar ao médico qualquer contato recente com carrapatos:
“Se o indivíduo apresenta febre e dores no corpo e esteve em contato com carrapatos nos últimos dez dias, é importante relatar no atendimento médico, uma vez que a mortalidade da febre maculosa é alta e o tratamento utiliza antibióticos específicos.
Evite as áreas de risco e se atente com relação aos animais domésticos, que podem levar carrapatos para dentro de casa”, orienta Marcelo Bahia Labruna.
O tratamento da febre maculosa está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao apresentar sintomas após possível exposição a carrapatos, procure uma unidade de saúde para avaliação médica.
O atendimento rápido é especialmente importante porque o tratamento pode ser iniciado diante da suspeita clínica, antes mesmo da confirmação laboratorial.
A prevenção da febre maculosa começa pela redução do contato com carrapatos, principalmente em áreas de mata, locais com vegetação e ambientes frequentados por animais que podem hospedar esses parasitas.
Os cuidados devem acontecer tanto durante a permanência nesses locais quanto na volta para casa.
Algumas ações preventivas recomendadas são:
Encontrar um carrapato no corpo não significa que houve transmissão da febre maculosa, mas a remoção deve ser feita assim que o parasita for identificado. Quanto menor o tempo de permanência na pele, menor tende a ser o risco de transmissão.
Algumas fases do carrapato são muito pequenas e a picada pode passar despercebida. A inspeção do corpo e das roupas durante e após atividades em áreas de risco ajuda a identificar o parasita mais cedo.
Ao encontrar um carrapato fixado à pele, faça a retirada o mais rápido possível com uma pinça.
Segure o parasita próximo à pele e puxe cuidadosamente na vertical, evitando romper ou esmagar o corpo durante a remoção. A retirada rápida ajuda a reduzir o risco de transmissão.
Não tente fazer o carrapato se soltar usando álcool ou calor. Depois da retirada, lave bem a região com água e sabão.
Caso apareçam sintomas nos dias seguintes, procure atendimento médico e informe sobre o contato recente com carrapatos.
Para os pets, confira também como tirar carrapato de cachorro.
Cães podem ser infectados por bactérias causadoras da febre maculosa após a picada de carrapatos infectados, embora a ocorrência da doença clínica seja considerada pouco frequente.
Quando apresentam sintomas, podem surgir febre, falta de apetite, prostração e outros sinais que exigem avaliação veterinária.
Nos gatos, os casos de doença são menos documentados. Para a saúde pública, porém, cães e gatos têm outro papel importante: podem transportar carrapatos de áreas com vegetação para o ambiente doméstico, aumentando a possibilidade de contato desses parasitas com as pessoas.
Essa situação merece atenção principalmente após passeios, acesso a matas ou permanência em locais onde há presença de carrapatos.
Ao encontrar parasitas no animal ou perceber alterações de comportamento, febre, falta de apetite ou prostração, procure um médico-veterinário.
A proteção dos pets ajuda a reduzir infestações e também diminui a possibilidade de carrapatos serem levados para dentro de casa. O cuidado precisa combinar prevenção o animal, inspeção frequente e atenção ao ambiente.
Algumas medidas importantes são:
Antiparasitários podem ser encontrados em diferentes apresentações, como comprimidos, pipetas e coleiras. O produto precisa ser específico para o animal que será tratado, respeitando as indicações de uso e a frequência recomendada.
Na Cobasi, você encontra opções de antipulgas e carrapatos para cães e gatos, além de produtos para ajudar nos cuidados com o ambiente e na rotina de prevenção.
Escolha a alternativa mais adequada para o pet e, em caso de dúvida, consulte um médico-veterinário antes do uso.

No Brasil, os principais vetores da febre maculosa pertencem ao gênero Amblyomma. O carrapato-estrela (Amblyomma sculptum) tem papel importante na transmissão da Febre Maculosa Brasileira, especialmente no interior de São Paulo e em outras áreas da Região Sudeste.
Na Região Metropolitana de São Paulo, o Amblyomma aureolatum também pode transmitir a doença. Já em áreas de Mata Atlântica, principalmente no litoral, o Amblyomma ovale está associado à transmissão de Rickettsia parkeri.
Não, nem todo carrapato está infectado por Rickettsia e nem todas as espécies têm o mesmo papel na transmissão da febre maculosa.
As capivaras não transmitem febre maculosa diretamente para as pessoas. Em algumas regiões, porém, são importantes hospedeiros dos carrapatos e podem atuar como amplificadoras da Rickettsia rickettsii, favorecendo a manutenção da bactéria no ciclo de transmissão.
O risco para humanos está relacionado ao contato com o carrapato infectado, e não ao simples contato com a capivara.
Não há vacina disponível para prevenir a febre maculosa. A proteção depende principalmente de evitar o contato com carrapatos, adotar cuidados em áreas de risco, inspecionar o corpo e retirar rapidamente qualquer parasita encontrado.
O cachorro não transmite a febre maculosa diretamente para uma pessoa. O animal, no entanto, pode transportar carrapatos do ambiente para dentro de casa ou para áreas próximas aos tutores.
Manter a prevenção contra carrapatos em dia e examinar o pet após passeios em áreas com vegetação ajuda a reduzir esse risco.

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Jornalista e apaixonado pelo universo pet, escrevo para a Cobasi criando conteúdos que ajudam tutores a cuidar melhor dos seus pets. Em casa, divido a rotina com o Zé e o Tobby, um Shih Tzu e um vira-lata, a Mary, uma gatinha branca, e o Louro, um papagaio.
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