Hérnia de disco em cachorro: veterinária explica sintomas, causas, gravidade e tratamento

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Por Cobasi   Tempo de leitura: 31 minutos

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Dachshund

A hérnia de disco em cachorro é uma doença neurológica da coluna que acontece quando um dos discos intervertebrais sofre desgaste, deslocamento ou ruptura. 

Esses discos ficam entre as vértebras e funcionam como uma espécie de “amortecedor”, ajudando a proteger a medula espinhal e a reduzir o impacto dos movimentos do corpo.

Quando essa estrutura é comprometida, pode haver compressão da medula ou dos nervos da coluna, o que causa dor, dificuldade de locomoção e, em casos mais graves, alterações nos movimentos do animal. 

Alguns cães apresentam apenas incômodo ao andar ou ao serem tocados, enquanto outros podem perder força nas patas, arrastar os membros ou até ficar paralisados. 

As causas da hérnia de disco em cães variam conforme idade, raça, histórico de saúde e estilo de vida.

Em muitos casos, o quadro está ligado à degeneração natural dos discos intervertebrais ou à predisposição genética, principalmente em raças como Dachshund, Shih Tzu, Beagle, Lhasa Apso, Poodle e Bulldog Francês. 

Traumas, quedas, excesso de peso, movimentos bruscos e esforço repetitivo também podem aumentar o risco de problemas na coluna. 

Com orientação da médica-veterinária Joyce Lima (CRMV/SP 39824), neste artigo explicamos como identificar os sintomas, reconhecer sinais de gravidade, entender as possíveis causas e conhecer os tratamentos que podem ser indicados.

O que é hérnia de disco em cachorro?

A hérnia de disco em cachorro é uma doença neurológica da coluna vertebral, também chamada de discopatia canina ou doença do disco intervertebral em cães (DDIV).

A condição acontece quando um disco intervertebral sofre degeneração, deslocamento ou ruptura e passa a ocupar um espaço inadequado dentro da coluna.

Para entender o problema, vale imaginar a coluna como uma sequência de ossos articulados, chamados vértebras. Entre essas vértebras ficam os discos intervertebrais, estruturas que ajudam a amortecer o impacto dos movimentos do cachorro.

Ao caminhar, correr, pular, subir no sofá ou simplesmente se levantar, esses discos reduzem o atrito entre os ossos e permitem que a coluna se movimente com mais flexibilidade.

Infográfico mostra como a hérnia de disco em cachorro acontece, com disco intervertebral saudável, disco degenerado e compressão da medula espinhal.
Infográfico: representação simplificada da hérnia de disco em cachorro. Quando o disco intervertebral perde resistência, parte da estrutura pode se deslocar para o canal vertebral e comprimir a medula espinhal, causando dor e alterações nos movimentos.

Com a perda de resistência e elasticidade, o disco pode sair da posição esperada ou se romper. Com isso, parte da estrutura pode avançar para o canal vertebral, uma região dentro da coluna por onde passa a medula espinhal e que não deveria ser ocupada pelo material do disco.

Vale destacar que a medula funciona como uma grande via de comunicação entre o cérebro e o restante do corpo, levando informações que controlam movimentos, sensibilidade e várias respostas neurológicas.

Quando o disco deslocado ou rompido comprime a medula espinhal ou os nervos da coluna, essa comunicação pode ser prejudicada, dando origem aos sinais clínicos da hérnia de disco em cachorro.

Quais são os sintomas de hérnia de disco em cachorro?

A hérnia de disco em cachorro pode causar desde dor localizada até alterações neurológicas graves. Em casos leves, o tutor pode perceber apenas que o cachorro está mais quieto, rígido ou incomodado ao andar

Quando a compressão da medula espinhal ou dos nervos da coluna aumenta, podem surgir sinais como perda de coordenação, fraqueza nas patas, dificuldade para ficar em pé, arrastar os membros e paralisia.

Os sintomas variam conforme a região da coluna afetada, o grau de compressão e a velocidade de evolução da lesão. 

Um cachorro com hérnia de disco no pescoço, por exemplo, pode demonstrar dor ao movimentar a cabeça, rigidez cervical e dificuldade para abaixar o pescoço. 

Já uma hérnia toracolombar, localizada entre a região do tórax e da lombar, costuma afetar principalmente as patas traseiras.

Sinais iniciais de hérnia de disco em cachorro

Os primeiros sintomas de hérnia de disco em cachorro podem ser discretos, especialmente quando a compressão ainda é leve. Nessa fase, o cão pode continuar andando, mas demonstra desconforto em movimentos que antes fazia sem dificuldade.

Entre os sinais mais comuns, estão:

  • dor na coluna;
  • rigidez no pescoço, nas costas ou nos membros;
  • postura encurvada;
  • cabeça baixa;
  • relutância para andar, correr, subir escadas ou pular;
  • tremores, calafrios ou espasmos musculares;
  • choro, latido ou vocalização ao ser tocado;
  • apatia ou menor interesse por brincadeiras.

É muito importante destacar que esses sinais não confirmam sozinhos a hérnia de disco, porque outros problemas ortopédicos, neurológicos e musculares também podem causar dor e dificuldade de locomoção.

Ainda assim, um cachorro com dor na coluna, rigidez ou mudança repentina na forma de andar precisa ser avaliado por um médico-veterinário.

Sinais neurológicos e sinais de maior gravidade

Os quadros mais complexos estão associados a quando a compressão afeta a medula espinhal ou os nervos da coluna com mais intensidade, o cachorro pode apresentar alterações neurológicas. 

Um dos primeiros sinais pode ser a perda de propriocepção, que é a capacidade de perceber a posição das patas e corrigir o apoio durante o movimento.

Para o responsável, o sintoma pode aparecer como um andar descoordenado, patas que “viram” ao caminhar, dedos arrastando no chão ou dificuldade para apoiar os membros corretamente.

Em vez de pisar com a parte de baixo da pata, o cachorro pode apoiar a parte de cima, como se não percebesse bem a posição do próprio pé.

Outros sinais de maior gravidade incluem:

  • perda de coordenação;
  • fraqueza nas patas;
  • andar cambaleando;
  • cachorro arrastando as patas;
  • dificuldade para ficar em pé;
  • incapacidade de andar;
  • paralisia parcial ou total;
  • perda de controle urinário ou fecal;
  • perda de sensibilidade nos membros.

A presença desses sinais exige atenção rápida. Ao notar que o cachorro não consegue andar, está arrastando as patas, perde força de forma repentina ou apresenta paralisia, o atendimento veterinário deve ser imediato.

Quando a hérnia de disco em cachorro é grave?

A hérnia de disco em cachorro é considerada mais grave quando afeta a capacidade de andar, causa fraqueza intensa, provoca paralisia ou compromete a sensibilidade das patas.

Esses sinais indicam que a compressão da medula espinhal ou dos nervos da coluna pode estar interferindo na comunicação entre cérebro e corpo.

Durante a avaliação, o médico-veterinário observa dor, coordenação, força dos membros, capacidade de locomoção e presença de sensibilidade profunda. De forma didática, a gravidade pode ser entendida em cinco graus:

GrauO que pode acontecer
Grau 1Há dor na coluna, mas o cão ainda consegue andar e não apresenta déficit neurológico evidente.
Grau 2Aparece fraqueza, perda de coordenação ou alteração ao caminhar, embora a locomoção ainda seja possível.
Grau 3A locomoção sem ajuda não é mais possível, mas ainda existe movimento voluntário dos membros.
Grau 4Existe paralisia, porém a sensibilidade profunda ainda está preservada.
Grau 5O cão não consegue se movimentar e também perde a sensibilidade nos dedos das patas, quadro considerado mais grave. 

Essa classificação ajuda a orientar a conduta veterinária, mas não deve ser usada como diagnóstico em casa.

Isso porque os sinais clínicos nem sempre evoluem em ordem: um cachorro pode apresentar sintomas graves de forma repentina, mesmo sem ter mostrado sinais leves antes.

Procure atendimento veterinário urgente se o cachorro não consegue andar, apresenta paralisia, perde a sensibilidade nas patas, sente dor intensa ou perde o controle da urina e das fezes.

O que causa hérnia de disco em cães?

A hérnia de disco em cães costuma estar ligada à degeneração dos discos intervertebrais, mas o desenvolvimento da doença pode envolver diferentes fatores. 

Predisposição genética, idade, conformação corporal, excesso de peso, traumas, quedas, acidentes e sobrecarga na coluna estão entre as causas mais associadas ao problema.

Por exemplo, um cachorro pode ter predisposição ao desgaste precoce dos discos e, depois de um salto, queda ou movimento brusco, começar a demonstrar dor, dificuldade para andar ou outros sinais de problema na coluna.

De modo geral, os fatores mais associados à hérnia de disco em cães são os seguintes:

Predisposição genética e raças com maior risco

Em algumas raças, o risco de hérnia de disco começa antes mesmo da fase idosa. A genética pode favorecer alterações nos discos intervertebrais e tornar a coluna mais vulnerável ao desgaste precoce. 

Esse grupo inclui os cães condrodistróficos, termo usado para raças que apresentam alterações no desenvolvimento da cartilagem e, geralmente, têm pernas mais curtas em relação ao corpo. 

Entre as raças com maior propensão à doença do disco intervertebral, estão:

Entre as raças predispostas, o Dachshund — conhecido como cachorro salsicha — é uma das mais associadas à doença do disco intervertebral. 

Segundo a Veterinary Partner, estima-se que 25% dos Dachshunds terão pelo menos um episódio de doença do disco intervertebral tipo I ao longo da vida.

Essa maior vulnerabilidade tem relação com características próprias da raça, como corpo alongado, membros curtos e alterações no desenvolvimento da cartilagem, que podem acelerar a degeneração dos discos intervertebrais.

Envelhecimento e desgaste dos discos intervertebrais

Com o envelhecimento, os discos intervertebrais tendem a perder água, elasticidade e resistência, o que reduz a capacidade de absorver impactos durante os movimentos.

Esse desgaste pode favorecer pequenas rupturas, deslocamento do disco e alterações degenerativas na coluna. Por isso, cães idosos podem desenvolver hérnia de disco mesmo sem queda, atropelamento ou outro trauma evidente.

Traumas, quedas e acidentes

Atropelamentos, quedas, brigas, impactos fortes e movimentos bruscos podem comprometer a coluna vertebral e provocar dor ou alteração de locomoção.

Em alguns casos, o tutor percebe os sintomas depois de uma corrida intensa, de um salto do sofá ou de uma queda. O movimento nem sempre é a causa isolada, muitas vezes, apenas revela um problema que já estava em desenvolvimento. 

Excesso de peso e sobrecarga na coluna

O excesso de peso aumenta a carga sobre a coluna e pode contribuir para dor, dificuldade de locomoção e sobrecarga dos discos intervertebrais. 

A musculatura pouco desenvolvida também pode deixar a coluna menos protegida durante movimentos, saltos e mudanças rápidas de direção.

Em entrevista ao Vida de Bicho, a médica-veterinária Andrea Argentato Cecílio, pós-graduada em Fisiatria, resume essa relação:

“Fatores como genética, tamanho da coluna vertebral, desenvolvimento da musculatura e massa corporal são determinantes na incidência da doença e desempenham papel importante”.

Quais são os tipos de hérnia de disco em cães?

A hérnia de disco em cães pode ser classificada em Hansen tipo I, Hansen tipo II e Hansen tipo III. Essa divisão considera como o disco intervertebral se altera, se a lesão aparece de forma repentina ou progressiva e qual impacto pode causar sobre a medula espinhal. 

Infográfico compara os tipos Hansen I, II e III de hérnia de disco em cães, mostrando extrusão discal, protrusão discal e lesão aguda com compressão ou contusão da medula espinhal.
Infográfico: classificação Hansen da hérnia de disco em cães. O tipo I envolve extrusão discal, o tipo II está ligado à protrusão progressiva do disco e o tipo III representa uma lesão aguda, geralmente associada a impacto ou movimento de alta velocidade.

Na prática clínica, essa classificação ajuda o médico-veterinário a entender por que alguns cães apresentam dor ou paralisia de forma repentina, enquanto outros desenvolvem sinais de maneira mais lenta e progressiva. 

Hérnia de disco Hansen tipo I

No tipo I de Hansen, também chamado de extrusão discal, o problema começa na parte interna do disco intervertebral. 

Essa região recebe o nome de núcleo pulposo e, em um disco saudável, tem consistência gelatinosa, ajudando a amortecer os impactos da coluna. 

Com a degeneração, o núcleo pulposo perde água e fica mais rígido. Em alguns casos, o material pode mineralizar, ou seja, ficar mais duro, parecido com cartilagem ou osso. Com menos flexibilidade, o disco perde parte da capacidade de absorver impacto. 

O risco aumenta quando a parte externa do disco não consegue conter esse material interno. Se houver ruptura, o conteúdo do disco pode sair de forma repentina e avançar para o canal vertebral, região por onde passa a medula espinhal.

A extrusão discal é mais comum em cães pequenos condrodistróficos, como Dachshund, Beagle, Poodle, Shih Tzu e Lhasa Apso. Em raças predispostas, o quadro pode aparecer ainda em cães jovens ou adultos. 

Hérnia de disco Hansen tipo II

cachorro com hérnia de disco volta a andar
A hérnia de disco intervertebral é a doença espinal em cães, extremamente dolorosa e debilitante.

Diferente da ruptura repentina, o tipo II de Hansen costuma evoluir de forma mais lenta. Na medicina veterinária, esse deslocamento gradual recebe o nome de protrusão discal

A protrusão acontece quando a parte de fora do disco se desgasta, engrossa e passa a ocupar espaço dentro da coluna aos poucos. Com o avanço desse processo, a medula espinhal pode ser pressionada de forma progressiva.

Como a compressão avança aos poucos, os sinais também podem surgir de forma gradual. O cachorro pode começar com dor leve, rigidez, dificuldade para caminhar ou menor disposição para se movimentar. Com o tempo, a locomoção pode piorar. 

A hérnia de disco Hansen tipo II é mais comum em cães idosos, raças grandes ou cães que não fazem parte do grupo condrodistrófico

Pastor Alemão, Labrador e Golden Retriever aparecem entre os exemplos mais citados, mas qualquer cachorro pode desenvolver protrusão discal ao longo da vida.

Hérnia de disco Hansen tipo III

A Hansen tipo III é o tipo mais associado a eventos agudos, de alta velocidade, como traumas ou exercícios intensos, e pode causar contusão na medula espinhal.

Nesse quadro, a lesão pode acontecer como uma espécie de “batida” na medula dentro da coluna. 

Diferente dos tipos I e II, nem sempre existe uma compressão contínua e evidente do disco sobre essa região, mas ainda assim pode haver comprometimento neurológico importante.

A hérnia de disco em cachorro também pode ser classificada pela localização

Além da classificação Hansen, que considera como o disco intervertebral se altera, a hérnia de disco em cachorro também pode ser descrita de acordo com a região da coluna afetada.

Para contextualizar, a coluna vertebral dos cães é dividida em cinco áreas:

  • cervical: pescoço;
  • torácica: região do peito;
  • lombar: parte inferior das costas;
  • sacral: região próxima à pelve;
  • caudal: cauda.

Essa divisão ajuda a entender por que a hérnia de disco pode causar sinais diferentes em cada cachorro. 

Quando a lesão aparece no pescoço, recebe o nome de hérnia cervical. Quando afeta a transição entre tórax e lombar, é chamada de hérnia toracolombar. Também podem existir alterações em áreas mais baixas da coluna, como a região lombar e lombossacra. 

Infográfico sobre localização da hérnia de disco na coluna do cachorro, destacando as regiões cervical, toracolombar e lombar ou lombossacra, com sinais associados a cada área.
Infográfico mostra as principais regiões da coluna em que a hérnia de disco pode aparecer em cães: cervical, toracolombar e lombar ou lombossacra. A localização da lesão ajuda a explicar sintomas como dor no pescoço, fraqueza nas patas traseiras, dificuldade para levantar e alterações na movimentação da cauda.

Hérnia cervical em cães

A hérnia cervical acomete a região do pescoço do cachorro, principalmente entre a segunda e a terceira vértebras cervicais, área chamada de C2-C3.

Nesses casos, o cão pode apresentar rigidez, cabeça baixa, sensibilidade ao toque e dificuldade para abaixar o pescoço para comer ou beber água. 

Também pode haver dor cervical intensa, chamada tecnicamente de hiperestesia cervical, que significa aumento da sensibilidade ou dor na região. 

Segundo a Veterinary Partner, as hérnias cervicais representam cerca de 15% dos casos de hérnia de disco em cães, e 80% desses pacientes são Dachshunds, Beagles ou Poodles.  

Quando a lesão fica entre o pescoço e o início do tórax, os sinais também podem afetar os membros da frente, causando fraqueza, alteração ao andar, perda de coordenação ou dificuldade súbita de locomoção.

Dor forte no pescoço, piora repentina dos movimentos ou fraqueza devem ser avaliadas rapidamente pelo médico-veterinário.

Hérnia toracolombar

A hérnia toracolombar afeta a transição entre a região torácica e a lombar da coluna. Para o tutor, os sinais costumam aparecer principalmente nas patas traseiras, porque essa área da coluna tem relação direta com a locomoção dos membros posteriores.

Quando a lesão está nessa região, o cachorro pode apresentar fraqueza nas patas traseiras, perda de coordenação, dificuldade para levantar, andar cambaleando, arrastar os membros ou ficar paralisado. 

Os pontos T11-T12, entre a 11ª e a 12ª vértebras torácicas, e L2-L3, entre a segunda e a terceira vértebras lombares, estão entre os locais frequentes de hérnia toracolombar. 

Hérnia lombar e lombossacra

A hérnia lombar ou lombossacra acomete a parte mais baixa da coluna, próxima à região da pelve. Quando há comprometimento da região lombossacra, também pode ocorrer a chamada síndrome da cauda equina, um quadro em que as raízes nervosas localizadas no fim da coluna ficam comprimidas.

Dependendo do local afetado, o cachorro pode demonstrar:

  • dor lombar;
  • dificuldade para levantar;
  • relutância para subir escadas;
  • alteração na postura;
  • desconforto ao movimentar as patas traseiras;
  • dor ao toque na parte baixa da coluna;
  • dificuldade para movimentar a cauda.

Vale ressaltar que nem toda dor lombar em cães é hérnia de disco. Problemas musculares, ortopédicos, articulares e até alterações abdominais podem causar sinais parecidos. Por isso, a localização exata da lesão precisa ser confirmada pelo médico-veterinário. 

Qual é a diferença entre hérnia cervical, toracolombar e lombossacra?

Na tabela abaixo, resumimos as principais diferenças entre hérnia cervical, toracolombar e lombossacra:

Localização da hérniaRegião afetadaVértebras relacionadasSinais mais comuns
Hérnia cervicalPescoçoPrincipalmente C2-C3Dor ao mexer a cabeça, rigidez, cabeça baixa, dificuldade para abaixar o pescoço
Hérnia toracolombarEntre tórax e lombarT11-T12 e L2-L3 estão entre os pontos frequentesFraqueza nas patas traseiras, perda de coordenação, dificuldade para andar ou paralisia
Hérnia lombar ou lombossacraParte mais baixa da colunaRegião lombar baixa e lombossacra, especialmente L7-S3Dor lombar, dificuldade para levantar, relutância para subir escadas ou pular

A localização da hérnia influencia os sintomas, a gravidade e a escolha do tratamento. Identificar onde está localizada a lesão ajuda o veterinário a decidir quais exames são necessários e qual abordagem pode oferecer melhor chance de recuperação.

Como é feito o diagnóstico de hérnia de disco em cachorro?

O diagnóstico de hérnia de disco em cachorro é feito pelo médico-veterinário com anamnese, histórico do animal, exame físico, avaliação neurológica e exames de imagem, conforme aponta o artigo publicado na Revista Multidisciplinar em Saúde.

A partir dessa investigação, o veterinário consegue avaliar dor na coluna, reflexos, força dos membros, coordenação, sensibilidade e possível compressão da medula espinhal.

A seguir, veja o papel de cada etapa no diagnóstico.

Anamnese e histórico do cachorro

A anamnese é a conversa inicial com o responsável pelo pet. O veterinário pergunta quando os sintomas começaram, se a piora foi repentina ou progressiva, se houve queda, trauma, salto, atropelamento ou mudança recente na rotina.

Informações como raça, idade, peso, estilo de vida e histórico de problema na coluna ajudam a entender o risco de doença do disco intervertebral. 

Um Dachshund jovem com dor súbita, por exemplo, pode levantar uma suspeita diferente de um cão idoso de grande porte com piora gradual da locomoção.

Exame físico

No exame físico, o veterinário avalia postura, dor ao toque, rigidez, sensibilidade na coluna e capacidade de locomoção. A palpação da coluna é importante porque muitos cães com doença do disco intervertebral demonstram dor em uma região específica.

Essa etapa também ajuda a diferenciar hérnia de disco de outros problemas que podem causar sinais parecidos, como dores musculares, alterações ortopédicas, lesões articulares ou traumas.

Exame neurológico

O exame neurológico avalia como o sistema nervoso do cachorro está respondendo aos estímulos e aos movimentos. 

Durante essa etapa, o médico-veterinário observa a forma de andar, o apoio das patas, os reflexos, a força dos membros, a coordenação, a sensibilidade e a propriocepção, que é a capacidade de perceber a posição das patas durante o movimento.

Essa avaliação ajuda a identificar sinais que nem sempre são óbvios para o tutor. Quando o cachorro arrasta os dedos, pisa com a parte de cima da pata ou não consegue corrigir o apoio corretamente, pode haver alteração neurológica. 

A partir desses testes, o veterinário consegue estimar a gravidade do quadro e localizar a região mais provável da lesão.

Radiografia

A radiografia é indicada para mostrar se houve alterações ósseas na coluna, redução do espaço entre vértebras, sinais de desgaste, presença de material calcificado e outras mudanças que ajudam na investigação.

Mesmo assim, a radiografia simples não deve ser usada sozinha para confirmar hérnia de disco. O exame não mostra com detalhes a medula espinhal, a lateralização da compressão nem a extensão completa da lesão.

Radiografia contrastada e mielografia

A radiografia contrastada, também chamada de mielografia em alguns contextos, usa contraste para ajudar a visualizar alterações ao redor da medula espinhal. Esse exame pode indicar se existe uma massa compressiva e de que lado a compressão parece estar.

Apesar de ser útil em alguns casos, a escolha da mielografia depende da avaliação veterinária, da estrutura disponível e da necessidade de localizar melhor a lesão antes do tratamento.

Tomografia computadorizada

A tomografia computadorizada oferece imagens mais detalhadas da coluna do que a radiografia simples. O exame pode ajudar a identificar material dentro do canal vertebral, alterações ósseas, perda de gordura epidural e distorções relacionadas à compressão.

Em casos com suspeita de compressão importante, a tomografia pode auxiliar no planejamento do tratamento, inclusive quando existe possibilidade de cirurgia.

Ressonância magnética

A ressonância magnética é um dos exames mais completos para avaliar doenças degenerativas da coluna. A principal vantagem é permitir melhor visualização da medula espinhal, dos discos intervertebrais e dos tecidos moles.

Esse exame pode ser especialmente importante em quadros neurológicos mais complexos, quando existe suspeita de edema, hemorragia, alterações internas na medula ou lesões que não aparecem bem em outros exames.

Por que o diagnóstico precoce é importante?

veterinário fazendo exames em um cachorro

O diagnóstico precoce de hérnia de disco em cachorro aumenta as chances de controlar a dor, evitar a progressão do quadro e escolher o tratamento mais adequado. 

Quanto mais rápido o animal é avaliado, maiores são as possibilidades de reduzir o risco de piora neurológica. Procure atendimento veterinário imediato se o cachorro:

  • apresentar dor intensa na coluna;
  • arrastar as patas;
  • não conseguir ficar em pé;
  • perder força nos membros ou deixar escapar urina e fezes.

Hérnia de disco em cachorro tem cura?

A hérnia de disco em cães pode ter boa recuperação em muitos casos, mas o prognóstico depende da gravidade da lesão, da região da coluna afetada, da presença de sensibilidade nas patas e da rapidez do atendimento veterinário.

Quando o cachorro ainda consegue andar e a compressão da medula espinhal é leve, o tratamento conservador pode ser suficiente. 

Em quadros com perda de movimento, paralisia ou piora neurológica, a cirurgia pode ser indicada para aliviar a pressão sobre a medula e aumentar as chances de recuperação.

Segundo a Veterinary Partner, quando o cão não consegue andar, mas ainda apresenta sensibilidade à dor profunda nos membros, a taxa de sucesso da recuperação com cirurgia pode variar de 83% a 93%

Já quando há paralisia sem percepção de dor profunda, o prognóstico se torna mais reservado, principalmente se o quadro já dura mais de 48 horas.

Por isso, a perda da capacidade de andar deve ser tratada como emergência. O tutor não deve esperar para ver se melhora em casa, porque o tempo entre o início dos sinais graves e o atendimento pode influenciar diretamente a recuperação.

Qual é o tratamento para hérnia de disco em cachorro?

Segundo a médica-veterinária Joyce Lima, a hérnia de disco em cachorro pode ser tratada de duas formas principais: tratamento conservador ou cirúrgico. 

A escolha depende da gravidade da dor, dos sinais neurológicos, da capacidade do cachorro de andar, da localização da hérnia e do grau de compressão sobre a medula espinhal. 

Tratamento conservador

O tratamento conservador é uma abordagem sem cirurgia, indicada em alguns casos de hérnia de disco, especialmente quando o cão ainda consegue andar, não apresenta piora neurológica importante e a dor pode ser controlada com acompanhamento veterinário.

Joyce Lima explica: “No tratamento conservador, opta-se por muito repouso, uso de anti-inflamatórios (para a redução da dor e da inflamação do disco intervertebral) e é sugerido o acompanhamento com fisioterapeutas veterinários e terapias alternativas (como acupuntura e ozonioterapia)”.

O repouso é uma parte essencial desse cuidado, porque ajuda a reduzir a sobrecarga sobre a coluna durante a recuperação. O período e o nível de restrição de movimento devem ser definidos pelo veterinário conforme a gravidade da lesão, a dor e a evolução do cachorro.

Durante essa fase, o tutor não deve massagear a coluna, forçar caminhadas ou iniciar exercícios sem orientação. Mesmo quando o animal parece melhor, correr, subir escadas ou pular no sofá pode agravar a lesão se esses movimentos forem liberados antes da hora.

Tratamento cirúrgico

cirurgia de hernia de disco em cachorro

“A cirurgia para hérnia de disco em cachorro costuma ser considerada para reduzir a compressão da medula, remover o líquido extravasado do disco intervertebral e retirar possíveis pedaços de ossos e minerais que comprometam o disco”, explicou.  

Antes da cirurgia, o veterinário precisa localizar a área da compressão. Para isso, exames avançados como tomografia computadorizada, ressonância magnética ou mielografia podem ser necessários. 

Esses exames ajudam a identificar qual disco está causando o problema e qual abordagem cirúrgica faz mais sentido para o caso.

Existem diferentes técnicas cirúrgicas, como hemilaminectomia, laminectomia dorsal, fenda ventral e fenestração. A escolha depende da região afetada, do tipo de hérnia, do grau de compressão e da avaliação do cirurgião veterinário.

Como é a recuperação do cachorro após o tratamento da hérnia de disco? 

A recuperação da hérnia de disco varia conforme a gravidade da lesão, o tipo de tratamento e a resposta do animal. Após a cirurgia ou o tratamento conservador, o objetivo é controlar a dor, recuperar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida.

O processo pode incluir repouso, fisioterapia, cuidados de enfermagem e retorno gradual às atividades. Em cães que não conseguem andar, a rotina exige atenção extra, como ajuda para urinar, higiene adequada, prevenção de feridas e adaptações no ambiente.

A reabilitação física pode contribuir para o progresso de muitos pacientes, desde que o plano seja acompanhado por profissionais capacitados.

Como cuidar de cachorro com hérnia de disco em casa?

Os cuidados em casa devem seguir a orientação do médico-veterinário. Durante a recuperação, o tutor precisa reduzir os riscos de impacto na coluna, evitando pulos, escadas, corridas, pisos escorregadios e brincadeiras bruscas.

O ambiente também deve ser adaptado para dar mais segurança e conforto ao cachorro. Durante a recuperação, o enriquecimento ambiental precisa ser calmo e controlado, com estímulos que não incentivem nenhum tipo de movimento brusco.

Alguns cuidados úteis incluem:

Essas adaptações ajudam a reduzir movimentos que possam piorar a lesão e deixam o cachorro mais confortável durante o tratamento.

É indicado fazer fisioterapia para cachorro com hérnia de disco?

A fisioterapia veterinária pode ser indicada para ajudar na recuperação da força, da coordenação, do equilíbrio, da mobilidade e do conforto. 

O acompanhamento também pode ser importante no pós-operatório ou em cães que passaram por dor, fraqueza, perda de movimento ou paralisia.

O tratamento pode fazer grande diferença no conforto e na capacidade funcional de muitos pacientes. Mesmo assim, os exercícios precisam ser prescritos por um médico-veterinário ou por um profissional especializado em reabilitação veterinária.

O plano deve considerar a fase da doença, o tipo de hérnia, o grau de dor, os sinais neurológicos e a evolução do cachorro. Exercícios feitos antes do momento certo ou de forma inadequada podem piorar a dor e aumentar o risco de novas lesões.

Como prevenir hérnia de disco em cachorro?

hérnia de disco em cães tem cura

Não é possível prevenir todos os casos de hérnia de disco em cachorro, principalmente quando existe predisposição genética. 

Ainda assim, alguns cuidados ajudam a reduzir a sobrecarga na coluna, proteger os discos intervertebrais e diminuir o risco de crises, especialmente em raças mais predispostas.

Em cães com maior risco, a prevenção deve ser vista como uma forma de controlar fatores que pioram o desgaste da coluna, e não como uma garantia. Peso adequado, exercícios de baixo impacto, ambiente seguro e acompanhamento veterinário fazem diferença na rotina.

Controle de peso

Manter o cachorro no peso ideal é uma das medidas mais importantes para proteger a coluna. 

Quando há excesso de peso, os discos intervertebrais e as articulações recebem mais carga no dia a dia, o que pode piorar dores, dificultar a locomoção e aumentar a sobrecarga em cães predispostos.

O ideal é oferecer uma ração adequada ao porte, à idade, ao nível de atividade e às necessidades específicas do cachorro, sempre com orientação do médico-veterinário. 

Para cães acima do peso, o veterinário pode indicar ajustes na quantidade diária, mudanças na rotina alimentar ou uma ração light, conforme o caso.

Também vale ajustar a quantidade diária, evitar excesso de petiscos e acompanhar o escore corporal, que ajuda a identificar se o animal está magro, no peso ideal ou acima do recomendado. Em raças predispostas, esse cuidado precisa ser constante.

Evitar pulos, escadas e impactos repetitivos

Movimentos de impacto podem forçar a coluna, principalmente em cães com dorso longo, pernas curtas ou histórico de problema na coluna. Subir e descer de camas, sofás, escadas e carros com frequência pode aumentar a sobrecarga na região lombar e toracolombar.

Para reduzir esse risco, o tutor pode usar rampas, escadinhas próprias para pets, camas mais baixas e tapetes antiderrapantes. Pisos escorregadios também merecem atenção, porque quedas e movimentos bruscos podem comprometer a coluna e as articulações.

Exercícios de baixo impacto

A atividade física é importante, mas precisa respeitar o porte, a idade, a raça e a condição clínica do cachorro. Exercícios de baixo impacto ajudam a manter a musculatura mais forte sem exigir esforço excessivo da coluna.

A natação pode ser uma boa opção porque ajuda a desenvolver a musculatura sem sobrecarregar articulações e coluna. 

Mesmo assim, qualquer atividade deve ser feita com cautela, sem exageros e com orientação profissional quando o animal já tem histórico de dor ou hérnia de disco.

Acompanhamento veterinário em cães predispostos

Cães com predisposição genética precisam de acompanhamento mais atento. Em alguns casos, o componente genético tem grande peso no desenvolvimento da hérnia de disco, e pouco pode ser feito para impedir totalmente o aparecimento da doença.

Com consultas regulares, é possível identificar alterações de postura, perda de mobilidade e sinais iniciais de problema na coluna. 

Quanto mais cedo o veterinário avalia o cachorro, maiores são as chances de ajustar a rotina, controlar a dor e evitar agravamento do quadro.

Perguntas frequentes sobre hérnia de disco em cachorro

hérnia de disco em cachorro

Cachorro com hérnia de disco precisa operar?

Não é todo cachorro com hérnia de disco que precisa operar. A cirurgia tende a ser considerada quando o animal não anda, mas ainda sente dor profunda nos membros.

O prognóstico costuma ser melhor do que em quadros nos quais essa sensibilidade já foi perdida.

Um cachorro com hérnia de disco pode voltar a andar?

Sim, muitos cães com hérnia de disco podem voltar a andar, mas a recuperação depende da gravidade da lesão e da rapidez do tratamento.

Por exemplo, cães com sinais leves tendem a ter melhores chances de recuperação. Já quadros com paralisia, perda de sensibilidade ou demora no atendimento exigem mais cautela, porque podem envolver lesão neurológica grave.

Quanto tempo demora para o cachorro voltar a andar após hérnia de disco?

O tempo de recuperação varia bastante. De modo geral, o prazo depende do grau da hérnia, da região afetada, do tratamento realizado e da resposta individual do cachorro. Por isso, o veterinário é quem deve orientar a expectativa de recuperação em cada caso.

Posso caminhar com cachorro diagnosticado com hérnia de disco?

Caminhadas só devem ser feitas com liberação do médico-veterinário. Em muitos casos, principalmente no início do tratamento, o cachorro precisa de repouso restrito para evitar piora da lesão.

Portanto, não é indicado forçar caminhadas, iniciar exercícios, massagear a coluna ou estimular movimentos sem orientação profissional.

Como carregar um cachorro com hérnia de disco?

Um cachorro com suspeita ou diagnóstico de hérnia de disco deve ser carregado com a coluna bem apoiada e alinhada. O ideal é sustentar o peito e a região do quadril ao mesmo tempo, mantendo o corpo na posição horizontal.

Evite pegar o cachorro apenas pelas patas da frente, pelo tronco ou deixando a parte traseira sem apoio.

Hérnia de disco em cachorro pode levar à morte?

A hérnia de disco em cachorro não costuma ser tratada como uma doença que leva diretamente à morte, mas pode causar complicações graves quando não recebe atendimento adequado. Em casos severos, a falta de tratamento pode comprometer muito a qualidade de vida do animal.

A idade influencia o risco de hérnia de disco em cachorro?

Sim, a idade pode influenciar, mas cães jovens e idosos podem desenvolver hérnia de disco. 

A médica-veterinária Joyce Lima responde: “A Doença do Disco Intervertebral Hansen Tipo 1 é mais comum em cães jovens (até 5 anos) e de algumas raças específicas. Enquanto a do Tipo 2, é predominantemente observada em cães idosos (entre 8 e 10 anos)”.

Por esse motivo, a idade deve ser avaliada junto com outros fatores, como raça, histórico de saúde, conformação corporal, peso e sinais apresentados pelo cachorro.

Gato tem hérnia de disco?

Gatos podem ter hérnia de disco, mas a incidência é muito menor do que em cães. Mesmo assim, sinais como dor na coluna, dificuldade para andar, fraqueza, alteração de postura ou perda de movimento também exigem avaliação veterinária.

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Dachshund preto

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Por Cobasi

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