Acne felina: saiba como tratar, limpar e prevenir pontinhos pretos no queixo do gato

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Por Cobasi   Tempo de leitura: 23 minutos

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acne felina

Espinhas e pontos pretos no queixo do gato são sinais clássicos de acne felina — uma alteração dermatológica muito observada em gatos domésticos.

Considerada um distúrbio de queratinização folicular, a condição acontece quando os folículos pilosos dos animais produzem queratina em excesso e acabam obstruídos.

As causas por trás desse processo ainda não foram totalmente esclarecidas, mas estudos indicam que fatores como dificuldade de autolimpeza, estresse, predisposição seborreica e outras doenças de pele podem contribuir para o surgimento das lesões.

O uso de comedouros e bebedouros de plástico também é discutido como um possível fator associado, pois superfícies com microfissuras podem favorecer o acúmulo de resíduos e microrganismos, além de existir a hipótese de hipersensibilidade ao material.

Em casos leves, a acne em gatos costuma causar apenas cravos escuros, conhecidos como comedões, na região do queixo e lábios inferiores dos animais.

Sem o tratamento adequado, os folículos obstruídos podem inflamar e formar crostas, pápulas, pústulas e lesões dolorosas, além de infecções bacterianas secundárias.

Jamais cutuque, esprema ou estoure lesões de acne felina.

O manuseio inadequado pode machucar, piorar a inflamação e favorecer a proliferação de microrganismos associados a infecções secundárias, como Streptococcus spp. e Staphylococcus spp.

Tem um gato com acne em casa? Ao longo deste conteúdo, você vai descobrir o que é, quais são as causas, como tratar, limpar e prevenir novas crises de acne felina. Boa leitura!


Guia rápido: o que você precisa saber sobre acne felina

A acne felina é uma alteração dos folículos pilosos que causa pontos pretos no queixo do gato, conhecidos como comedões.
A causa exata da alteração não é conhecida. Estresse, excesso de oleosidade, dificuldade de autolimpeza, doenças de base e outros fatores podem estar envolvidos.
A ruptura dos folículos pode favorecer uma infecção bacteriana secundária e agravar as lesões.
Nos casos leves, a acne felina costuma não causar dor. Dor, inchaço, pus e sensibilidade podem surgir quando há inflamação ou infecção secundária.
Nunca tente espremer a acne felina. Apertar os cravos pode causar dor e trauma, piorar a inflamação e aumentar o risco de infecção.
O tratamento varia conforme o quadro e pode incluir limpeza da região, produtos tópicos e medicamentos, como antibióticos, sempre prescritos pelo médico-veterinário.
Cuidados com a higiene da pele e dos acessórios, além da preferência por comedouros de cerâmica ou inox, podem ajudar no manejo da condição.


O que é acne felina?

A acne é uma dermatopatia felina associada a alterações no processo de queratinização dos folículos pilosos e das glândulas da pele dos gatos.

A condição acontece quando o acúmulo de queratina, células mortas e sujeiras causa o entupimento dos poros dos animais, levando à formação dos comedos ou comedões — aqueles pontinhos pretos parecidos com os cravos humanos.

Com a evolução do quadro, essas estruturas às vezes se rompem, desencadeando um processo inflamatório conhecido como foliculite.

Quando isso acontece, bactérias e fungos podem se proliferar e causar infecções secundárias, deixando as lesões mais inflamadas, doloridas e extensas.

Um estudo publicado na revista Veterinary Dermatology identificou bactérias em 45% dos casos de acne felina avaliados, em especial dos gêneros Staphylococcus e Streptococcus

O trabalho também encontrou indícios de Malassezia pachydermatis — associada à malasseziose felina — em 18% dos gatos e de Microsporum canis — associado à dermatofitose felina — em 4,5% dos felinos investigados.

Embora seja mais comum no queixo, as lesões de acne felina também podem atingir os lábios inferiores e toda a região ao redor da boca do animal.

Quando há infecção secundária associada, além dos cravos, os gatos costumam apresentar pústulas, crostas, secreção, vermelhidão e sensibilidade no local.

A doença pode surgir uma única vez, como um episódio isolado, ou apresentar caráter crônico, com crises recorrentes ao longo da vida.

O que causa acne felina?

Excesso de oleosidade, estresse, baixa imunidade, má higienização do ambiente e doenças de base, como dermatites alérgicas, podem estar associados à acne felina.

No entanto, atualmente, a doença é considerada idiopática e multifatorial.

Isso significa que as causas da acne felina ainda não foram completamente esclarecidas, embora alguns fatores possam influenciar seu surgimento e sua evolução.

Em entrevista ao portal O Liberal, a médica-veterinária dermatologista Alessandra Freire explica mais sobre a etiologia da condição:

“Não existe uma causa exata desse surgimento da acne felina, porém, animais que têm oleosidade em excesso, também o estresse que causa baixa do sistema imunológico, questões de má higienização do ambiente, muito tigelas de plástico, já elas têm um índice maior de acumular bactérias e o pet entra em contato, ajudam desenvolver a acne.”

Quando as lesões estão associadas a outras dermatopatias, como dermatite alérgica, demodicose, dermatofitose ou malasseziose, o quadro é chamado de acne secundária.

Afinal, comedouro de plástico causa acne felina?

A maioria dos especialistas concorda que o contato com plástico pode aumentar o risco de acne felina, mas o mecanismo por trás dessa relação ainda gera controvérsias.

Uma das hipóteses está relacionada à possibilidade de hipersensibilidade ao material, como o médico-veterinário dermatologista Luís Felipe explicou ao G1:

“Pode acontecer hipersensibilidade ao material do comedouro, principalmente aqueles de plástico que desbotam ou que soltam cor, mas não é bem elucidada essa causa.”

Outra hipótese está relacionada à higiene inadequada e ao acúmulo de bactérias nas tigelas, como a médica-veterinária Isabelle Guimarães contou à revista Cães e Gatos:

“Os potes de plástico podem ser um problema devido às microfissuras e sua superfície porosa, tornando o ambiente propício para o acúmulo de alimento. E, mesmo que com a limpeza regular, os potes podem reter resíduos e odores”, informa.

Por conta disso, a maioria dos especialistas recomenda que os gatos usem comedouros e bebedouros de louça, vidro, cerâmica ou inox.

Esses materiais são mais fáceis de limpar no dia a dia e não acumulam restos de alimento ou biofilme, como bactérias e fungos, tão facilmente.

Ainda assim, é importante lembrar que somente a troca do comedouro não garante a melhora da acne felina — pois as bactérias já podem estar instaladas nos folículos dos animais e precisarão de um tratamento clínico personalizado.

Quais são os sintomas de acne felina?

acne em gatos

Os sintomas da acne felina variam conforme a intensidade do quadro, mas os comedões — cravos em gato — costumam ser o primeiro sinal clínico da condição. 

As regiões mais afetadas são o mento (queixo), o lábio inferior e, ocasionalmente, toda a região perioral dos felinos.

Nos casos leves, os gatos apresentam apenas o acúmulo de material queratinoso escuro, o que faz muitos tutores confundirem a acne felina com uma simples sujeira no queixo.

Sem o tratamento adequado, no entanto, a inflamação cutânea pode evoluir, causando outros sinais clínicos, como:

  • eritema: vermelhidão provocada pela inflamação da pele;
  • pápulas: pequenas elevações avermelhadas parecidas com uma espinha em gato;
  • pústulas: pequenas lesões elevadas que contêm pus;
  • edema: inchaço causado pelo acúmulo de líquido nos tecidos;
  • alopecia localizada: perda de pelos restrita à área afetada;

Em quadros moderados a graves, quando os folículos se rompem, o processo inflamatório alcança tecidos mais profundos, criando o cenário ideal para infecções secundárias.

Nesse estágio, o gato com pontos pretos no queixo pode apresentar nódulos (furunculose), cistos, crostas, secreção purulenta, dor ao toque e aumento dos linfonodos.

Acne felina dói?

A acne felina costuma ser assintomática e não provoca dor. O desconforto surge com o aumento da inflamação ou diante de complicações, como a infecção dos folículos pilosos, conhecida como foliculite bacteriana.

Nessas situações, o gato pode apresentar sensibilidade, inchaço, secreção purulenta e abscessos, além de um odor desagradável devido à drenagem de pus.

Como saber se é acne felina, micose, ácaros ou alergia?

Como explicamos, infecções bacterianas, fúngicas, parasitárias ou alérgicas que atingem a pele podem estar associadas à acne felina ou até surgir como complicação do quadro.

Embora essas doenças causem sintomas semelhantes, a origem das lesões é diferente e, consequentemente, seu tratamento também será

Por isso, diante de alterações na pele, o veterinário precisa investigar qual enfermidade dermatológica está por trás do cravo em gato, processo chamado de diagnóstico diferencial.

A avaliação considera o aspecto e a localização das lesões, além do histórico do gato e, quando necessário, exames específicos.

Segundo a TECSA Laboratórios, as condições que precisam ser investigadas nesse processo são a demodicose, a malasseziose, a dermatofitose e a atopia

Na tabela abaixo, listamos as principais diferenças entre os quadros:

CondiçãoO que é?Principais sintomasComo diagnosticar?
Demodicose
(ácaro)
Doença inflamatória causada pela proliferação anormal de ácaros do gênero Demodex.Alopecia, eritema, descamação e crostas, principalmente na face e cabeça do pet.

O prurido varia conforme o tipo de ácaro e pode ser intenso. Otite externa ceruminosa pruriginosa pode ocorrer.
Raspagem da pele e tricograma.
Dermatofitose
(micose)
Micose cutânea causada por fungos, principalmente Microsporum canis.Queda de pelos, descamação e lesões crostosas, geralmente circulares.

As alterações podem ser localizadas ou generalizadas, geralmente na porção cervical do pet.
Raspagem da pele, tricograma e cultura fúngica.
MalassezioseInfecção de pele causada pela proliferação excessiva da levedura Malassezia.Prurido, alopecia, eritema, seborreia, pele espessada e odor desagradável.

Otite com cerúmen castanho também pode ocorrer.
Citologia, dermato-histopatologia e cultivo fúngico.
Dermatite atópica
(atopia)
Reação de hipersensibilidade relacionada a alérgenos ambientais.Prurido recorrente e lesões provocadas pela coceira, podendo apresentar diferentes manifestações cutâneas.

Placas, granulomas, eritema facial, inchaço no queixo, distúrbios seborreicos e otite ceruminosa também são relatadas.
O diagnóstico envolve a exclusão de outras causas de prurido, como infecções e parasitas, e pode incluir testes para alérgenos ambientais

A tabela acima tem caráter informativo e não substitui a avaliação veterinária.

Quando levar o gato ao veterinário?

A acne dos felinos não é considerada grave em seus estágios iniciais, mas é importante procurar um médico-veterinário assim que os sinais da condição forem identificados.

Sem o tratamento adequado, a obstrução dos folículos cria um ambiente propício para a proliferação de microrganismos e pode evoluir para uma infecção dolorosa e incômoda, prejudicando a qualidade de vida do seu pet.

Na dúvida, procure atendimento assim que notar alterações na região do queixo e boca do animal, mesmo que, inicialmente, sejam apenas alguns pontinhos pretos persistentes.

Quais gatos possuem predisposição à acne?

gato idoso de pelo longo

Estudos organizados por Scott et al. (2010) mostraram que a acne pode atingir felinos de todas as idades, raças ou sexos

A idade de início das lesões varia de 6 meses a 14 anos, com mediana de 4 anos.

O intervalo é interessante pois refuta a hipótese do surgimento da acne em gatos estar ligado à fase da puberdade, como acontece com os humanos.

Apesar da condição não possuir predisposição racial ou sexual comprovada, gatos com pelagem longa ou braquicefálicos podem apresentar maior dificuldade de higienização da região do queixo, como a médica-veterinária Isabelle Guimarães explica ao portal Cães e Gatos:

“Gatos de pelagem longa tendem a ter um maior acúmulo de oleosidade e sujeira na região do queixo, o que dificulta a boa ventilação e limpeza natural da pele. Já os braquicefálicos, como os persas e himalaios, devido a sua anatomia facial, possuem maior dificuldade de realizar a higienização perioral, aumentando o risco de aparecerem os comedões”.

Animais imunossuprimidos ou com doenças crônicas também podem apresentar alterações na microbiota e dificuldade de regeneração da pele, facilitando o surgimento das lesões.

O estresse, a baixa imunidade e a dificuldade de limpeza são outros fatores que tendem a favorecer a acne no gato, principalmente entre pets obesos, com artrite e osteoartrite:

“Gatos obesos ou também aqueles que possuem artrite ou osteoartrite e alterações comportamentais tendem a se limpar menos, favorecendo o acúmulo de secreção sebácea”, complementa a médica-veterinária.

Como é feito o diagnóstico da acne felina?

O diagnóstico da acne veterinária em gatos é feito principalmente a partir da avaliação das lesões e do histórico médico do animal. 

Para entender quando as alterações começaram, como evoluíram e quais fatores podem estar envolvidos, é provável que o profissional faça algumas perguntas durante a consulta, então esteja preparado para responder sobre:

  • Histórico de doenças: problemas de pele anteriores e outras condições de saúde;
  • Higiene: frequência de limpeza do comedouro e bebedouro;
  • Alimentação: tipo de dieta e mudanças recentes na alimentação;
  • Rotina e estresse: alterações no ambiente ou no comportamento do gato;
  • Contato com outros animais: convivência com outros gatos ou pets;
  • Surgimento das lesões: quando apareceram e se mudaram de aspecto;
  • Sintomas associados: presença de coceira, dor, secreção ou queda de pelos;
  • Tratamentos anteriores: produtos ou medicamentos utilizados recentemente.

No exame clínico, a presença de comedões no queixo é um dos sinais de alerta que levantam as suspeitas iniciais do quadro. 

Pústulas, secreção, coceira ou inflamação intensa, por outro lado, costumam direcionar a investigação para uma infecção secundária ou outra doença dermatológica.

Quais exames complementares podem ser solicitados?

Em quadros leves, sem complicações, o exame clínico costuma ser suficiente para confirmar o diagnóstico de acne em gatos.

Mas, quando existem sinais de infecção secundária, lesões persistentes ou dúvidas sobre a causa, o veterinário poderá solicitar exames complementares para guiar a investigação.

ExameO que avalia?
CitologiaIdentifica células inflamatórias, como neutrófilos, e bactérias presentes nas lesões, ajudando a confirmar uma infecção bacteriana secundária.
Coloração de GramIdentifica as bactérias encontradas na citologia e auxilia na escolha do tratamento antibiótico adequado.
Biópsia de peleAnalisa as alterações do tecido, permitindo avaliar a obstrução folicular, a inflamação perifolicular e a infiltração linfocítica, além de ajudar a confirmar a acne e investigar outras causas.

Como tratar a acne felina?

O tratamento para acne felina varia conforme a gravidade das lesões e a presença de infecções secundárias. O plano terapêutico deve ser definido por um médico-veterinário, mas geralmente envolve as seguintes medidas:

Troca e higienização de comedouros e bebedouros

A limpeza local é uma das primeiras medidas para controlar a acne, principalmente quando existem comedões sem sinais de infecção. 

O objetivo é reduzir o acúmulo de sebo, resíduos e microrganismos na região.

Para isso, os médicos-veterinários costumam indicar a substituição de comedouros e bebedouros de plástico por tigelas de aço inoxidável ou cerâmica.

Os acessórios de alimentação devem ser lavados regularmente, de preferência uma vez ao dia, para evitar o acúmulo de restos de ração e biofilme.

Shampoos antissépticos para tratamento tópico

Casos de acne felina leve normalmente são tratados de maneira tópica, com o uso de shampoos dermatológicos formulados especialmente para pets.

A clorexidina para gato é uma das opções que podem ser prescritas, assim como produtos à base de iodopovidona, peróxido de benzoíla e ácido salicílico. 

A frequência e o modo de aplicação dependem do produto e da condição clínica de cada pet, então siga as orientações dadas pelo profissional para evitar irritações.

Antibióticos e anti-inflamatórios 

Quando a acne evolui para uma infecção bacteriana secundária, o uso de antibióticos sistêmicos pode ser necessário. 

Algumas opções utilizadas são a amoxicilina com clavulanato e a clindamicina — mas somente um médico-veterinário pode definir o fármaco ideal.

Sempre que possível, a escolha do antibiótico deve considerar o exame bacteriológico e o antibiograma, que ajudam a identificar o agente envolvido e orientar o tratamento.

Em casos de inflamação intensa, o profissional também pode prescrever o uso de corticosteroides por um curto período para controlar dor, coceira e inflamação.

Como esses fármacos podem causar efeitos adversos, jamais automedique seu gato ou utilize medicamentos prescritos para outro pet.

Existe tratamento caseiro para acne felina?

Apesar de geralmente não ser grave nos estágios iniciais, a acne felina não deve ser tratada por conta própria.

Pomadas, medicamentos e produtos destinados a outras espécies podem irritar a pele ou agravar a afecção cutânea, além de dificultar a identificação da causa das lesões.

A avaliação veterinária define o tratamento para acne em gato mais adequado para cada caso. Por isso, antes de aplicar qualquer pomada ou medicamento no seu pet, procure orientação profissional.

Como limpar a acne felina em casa?

Gatos com episódios recorrentes de acne podem precisar de uma rotina de higienização facial para reduzir o acúmulo de oleosidade e resíduos na região do mento.

A limpeza do queixo do gato deve ser feita de maneira delicada e com produtos indicados para a pele felina.

Em alguns casos, o médico-veterinário pode prescrever medidas específicas para remover o acúmulo de secreções, como uma esfoliação suave, mas confirme a necessidade.

Dependendo do quadro, o médico-veterinário também pode recomendar a higiene local com lenços com peróxido de benzoíla específicos para gatos.

Produtos de higiene humana não devem ser utilizados, pois suas formulações podem ser agressivas para a pele felina.

Pode espremer acne felina?

Não. Apertar ou espremer os cravos dos gatos pode provocar trauma local, piorar a inflamação, aumentar o risco de infecções secundárias e causar muita dor ao animal.

Se você percebeu pontos pretos, inchaço, secreção ou feridas no queixo do gato, não manipule as lesões e procure um médico-veterinário.

Como evitar acne felina?

A acne felina nem sempre pode ser evitada, já que a doença tem origem multifatorial e suas causas exatas ainda não são conhecidas. 

Ainda assim, alguns cuidados ajudam a reduzir fatores que favorecem o acúmulo de oleosidade, sujeira e microrganismos, reduzindo as chances de surgimento das lesões, como:

  1. Cuidar da higiene: mantenha o queixo e a região da boca do seu gato sempre limpos, especialmente se notar qualquer resíduo de comida após uma refeição, para evitar o acúmulo de óleo e sujeira.
  2. Usar recipientes fáceis de higienizar: dê preferência a comedouros de inox ou cerâmica e evite a tigela de plástico, que pode apresentar microfissuras, acumular resíduos e biofilme com facilidade ou causar reações de hipersensibilidade;
  3. Fazer a limpeza diária dos acessórios de alimentação: lave comedouros e faça a higiene do bebedouro ao menos uma vez ao dia para evitar restos de comida e a proliferação de microrganismos.
  4. Reduzir o estresse e manter os cuidados dermatológicos: ofereça enriquecimento ambiental, mantenha o controle de ectoparasitas em dia e acompanhe a saúde da pele do seu amigo com ajuda de um médico-veterinário.

Se os cravos ou espinhas começarem a aparecer novamente, procure orientação veterinária logo no início

O tratamento precoce evita que a inflamação avance e facilita o controle da acne felina recorrente, trazendo mais qualidade de vida para o seu amigo.

Perguntas frequentes sobre acne felina (FAQ)

acne felina sintomas

Acne felina é contagiosa?

Não. A acne felina não é considerada contagiosa e a inflamação não é transmitida diretamente de um gato para outro — muito menos para outras espécies.

Ainda assim, algumas doenças que podem causar lesões semelhantes ou estar associadas ao quadro são, sim, transmissíveis. 

A dermatofitose, por exemplo, pode passar entre animais pelo contato direto ou pelo compartilhamento de objetos e superfícies contaminados.

Por isso, se vários gatos da mesma casa apresentarem cravos no queixo ou outras alterações na pele, é importante buscar avaliação veterinária.

Acne felina tem cura?

A acne felina pode surgir como uma doença crônica para alguns gatos e, nesses casos, não existe uma cura definitiva. 

O tratamento busca controlar as lesões, evitar complicações e manter o animal confortável.

Com os cuidados adequados, muitos gatos permanecem assintomáticos por longos períodos. Ainda assim, a acne felina pode voltar, exigindo ajustes no manejo.

Acne felina passa sozinha?

Uma acne felina leve pode apresentar melhora com cuidados de higiene e mudanças no manejo simples, como trocas de comedouros, mas raramente passa sozinha.

Alguns animais desenvolvem um quadro persistente, que pode durar meses ou anos e exige cuidados contínuos para controlar as lesões.

Mesmo quando os sinais parecem leves, uma avaliação veterinária é sempre indicada para confirmar o diagnóstico e investigar possíveis doenças associadas.

Qual o melhor comedouro para gato com acne?

Vários estudos sugerem que comedouros de materiais não porosos, como cerâmica e aço inoxidável, podem ser mais benéficos para gatos com espinhas e acne.

Mas é bom lembrar que não há evidências de que a substituição de tigelas de plástico, sozinha, seja suficiente para tratar ou prevenir a condição.

A acne felina é uma doença multifatorial, e a higiene do comedouro é só um dos fatores envolvidos no desenvolvimento das lesões.

Acne felina pode virar infecção?

Sim. A ruptura dos folículos obstruídos pode desencadear um processo inflamatório e favorecer uma infecção no queixo do gato, que agrava o quadro clínico do animal.

Os sinais de uma infecção bacteriana secundária à acne felina incluem:

  • pústulas;
  • vermelhidão intensa;
  • coceira;
  • secreção;
  • mau odor;

A presença de pus ou fluido purulento pode indicar uma infecção mais intensa. Nesses casos, a citologia ajuda a identificar células inflamatórias e bactérias presentes nas lesões.

Segundo o Manual de Dermatologia de Pequenos e Grandes Animais, os principais microrganismos envolvidos nessas situações são Pasteurella multocita, B-hemolytic Streptococci, and Staphylococcus spp.

Em quadros mais graves, gatos com infecção bacteriana também podem apresentar sinais sistêmicos, como febre, o que exige avaliação veterinária imediata.

Acne felina é igual a micose?

Não. A acne felina é uma alteração associada à obstrução dos folículos pilosos do queixo, enquanto a micose, chamada de dermatofitose, é uma infecção provocada por fungos.

Além de serem desencadeadas por mecanismos diferentes, as duas doenças provocam sinais clínicos levemente distintos.

Enquanto a acne forma comedões no queixo do animal, a dermatofitose costuma provocar queda de pelos, descamação, vermelhidão e lesões circulares em diferentes regiões.

Ainda assim, as duas alterações podem coexistir no mesmo gato. Por isso, uma lesão no queixo do gato que não apresenta o aspecto típico de acne sempre deve ser investigada.

Qual pomada usar para acne felina?

Não existe uma pomada indicada para todo caso de acne em gato. O tratamento depende da aparência das lesões e da presença ou não de infecção bacteriana.

Nos casos mais leves, o médico-veterinário pode recomendar a limpeza diária do queixo do animal com soluções antissépticas suaves, como a clorexidina.

Quando há uma infecção bacteriana secundária, pomadas com antibióticos tópicos podem até fazer parte do tratamento, mas somente com acompanhamento profissional.

Pomadas humanas ou receitas caseiras não devem ser aplicadas por conta própria, pois podem irritar a pele e agravar o quadro do animal.

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Referências

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