Como desengasgar cachorro: aprenda o que fazer em uma emergência

Por Cobasi   Tempo de leitura: 20 minutos

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aprenda como desengasgar cachorro
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Saber como desengasgar um cachorro é um dos cuidados mais delicados que um responsável por animais pode enfrentar. 

O engasgo é uma situação que pode evoluir rapidamente para risco de vida, exige ação imediata e, ao mesmo tempo, envolve decisões que, se tomadas de forma inadequada, podem agravar o quadro. 

A falta de informação clara sobre o que realmente deve (ou não) ser feito nesses momentos torna o cenário ainda mais complexo. E é importante reforçar: nem sempre tentar desengasgar em casa é a melhor escolha. 

A médica-veterinária Talita Ellen Pastore (CRMV-45887) explica que a intervenção caseira só é indicada em situações muito específicas, quando há obstrução real da via aérea e o cão não consegue respirar adequadamente.

Se o animal ainda está respirando, mesmo com tosse, desconforto ou parecendo engasgado, a conduta mais segura costuma ser não insistir em tentativas improvisadas e procurar atendimento veterinário imediatamente. 

Manobras feitas sem critério podem empurrar o objeto para uma posição mais perigosa, causar lesões na garganta, provocar aspiração de alimento ou atrasar o socorro correto.

A veterinária reforça que o objetivo de qualquer tentativa de primeiros socorros não é “resolver o problema” em casa, mas ganhar tempo quando há risco imediato de vida, até que o cachorro receba atendimento profissional adequado.

Neste conteúdo, você vai entender como reconhecer um engasgo de verdade, quais sinais indicam emergência, quando agir e como realizar os primeiros socorros com segurança. Tudo com orientações técnicas e explicações claras, como em uma consulta veterinária.

Como saber se o meu cachorro está engasgando de verdade?

cachorro marrom com sintoma de engasgo
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Nem todo cão que tosse, faz barulhos estranhos ou parece desconfortável está, de fato, engasgado. 

Por isso, antes de qualquer tentativa de primeiros socorros, o passo mais importante é entender se existe uma obstrução real da via aérea ou se o quadro se trata de uma condição que apenas imita o engasgo.

O engasgo verdadeiro acontece quando algo bloqueia parcial ou totalmente a traqueia, dificultando a passagem do ar. 

Nessas situações, o cachorro costuma apresentar dificuldade clara para respirar, com esforço intenso para inspirar (caracterizado por tentativas repetidas de puxar o ar sem sucesso), além da possível perda da capacidade de latir ou vocalizar.

Em quadros mais graves, a língua, as gengivas ou os lábios podem adquirir coloração arroxeada ou azulada. Um sinal evidente de que a oxigenação do sangue já está comprometida e de que se trata de uma emergência absoluta.

Qual a diferença entre engasgamento parcial e engasgamento total em cães? 

A médica-veterinária Talita Ellen explica que quanto mais próximo o quadro está de uma obstrução total, menor é a margem para erro.

No engasgamento parcial, ainda passa uma pequena quantidade de ar, o que geralmente provoca ruídos respiratórios e agitação.

Quando o engasgamento é total, praticamente não há passagem de ar, o que pode levar ao silêncio respiratório, colapso rápido e perda de consciência em poucos minutos.

Essa distinção é essencial para entender a gravidade da situação e definir os próximos passos com segurança.

Situações que parecem engasgo, mas não envolvem obstrução da traqueia

Existem condições relativamente comuns que assustam o tutor, mas que não são engasgos de verdade, como: 

  • tosse intensa;

  • ânsia;

  • tentativa de vomitar;

  • irritação da garganta. 

Um caso clássico é o colapso de traqueia, em que o cão apresenta um som alto e característico, muitas vezes comparado ao grasnar de um ganso.

Nessas situações, apesar do desconforto evidente, o pet geralmente ainda consegue respirar, o que muda completamente a conduta indicada.

Quando os sinais são mais sutis e aparecem aos poucos

A veterinária também alerta que nem sempre um corpo estranho provoca sintomas intensos logo no início. Em alguns casos, o objeto não é grande o suficiente para causar obstrução imediata e pode apresentar sinais mais discretos ao longo do tempo. 

Entre os sinais mais sutis estão apatia, perda de apetite, desconforto ao engolir e mudanças no comportamento, como demonstrações de dor ou até dificuldade para realizar as necessidades normalmente.

Esses quadros não devem ser ignorados, pois podem evoluir ou indicar a presença de um corpo estranho ainda não identificado.

Como desengasgar um cachorro em casa? Veterinária explica o que fazer

As orientações a seguir explicam o que pode ser feito em situações específicas de emergência e em quais momentos a tentativa deve ser interrompida.

O conteúdo é baseado nas recomendações da médica-veterinária Talita Ellen Pastore (CRMV-45887) e tem caráter informativo, sem substituir a avaliação veterinária.

Avaliação inicial

como desengasgar cachorro
Foto: Adobe Stock

Antes de qualquer intervenção, o primeiro cuidado é avaliar a respiração. Essa avaliação define se alguma ação imediata pode ser considerada ou se o mais seguro é não tentar nada em casa e buscar atendimento veterinário.

1. Verifique se o cachorro ainda está respirando

Quando o cachorro ainda respira e há passagem de ar pelas vias respiratórias, não se deve tentar manobras em casa.

A conduta mais segura é interromper qualquer tentativa e levar o animal para atendimento profissional, já que intervenções desnecessárias podem deslocar o objeto, provocar trauma local nas vias aéreas ou agravar o quadro.

Na ausência de respiração adequada, presença de colapso ou sinais claros de asfixia, a situação passa a ser de risco imediato de vida, e medidas de primeiros socorros podem ser consideradas apenas como suporte emergencial.

Fazer apenas uma inspeção visual rápida

Em situações graves, pode ser feita uma inspeção visual rápida. Abra a boca com cuidado, puxe levemente a língua para frente e observe o interior da cavidade oral por poucos segundos.

Essa etapa serve apenas para verificar se existe algo claramente visível na região da garganta. Não forçar a abertura nem insistir caso haja muita agitação.


2. Remoção manual

responsável tentando fazer remoção manual de corpo estranho na garganta de cachorro
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A remoção manual não é uma manobra de desengasgo e só deve ser considerada quando o corpo estranho está claramente visível, solto e fácil de alcançar. Antes de qualquer tentativa, é importante confirmar:

  • o objeto está visível na boca ou garganta;

  • existe acesso fácil, sem empurrar para dentro;

  • há condições de fazer isso com calma e segurança.

Quando essas condições são atendidas, pode-se utilizar uma lanterna e uma pinça, sempre com movimentos delicados e atenção redobrada.

Nunca tentar “procurar” o objeto às cegas com os dedos. Essa atitude pode empurrar o corpo estranho ainda mais para dentro, alcançando regiões como a faringe e a laringe ou provocar aspiração do conteúdo. 

Em alguns casos, essa aspiração pode evoluir para pneumonia aspirativa, uma complicação grave causada pela entrada de alimento ou objetos nas vias respiratórias.

Se o objeto não estiver visível ou não puder ser retirado com facilidade, a tentativa deve ser interrompida.


3. Manobra de Heimlich em cães

Manobra de Heimlich em cães
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A manobra de Heimlich não é a primeira opção em casos de engasgo. De acordo com a veterinária Talita Ellen, essa técnica só deve ser considerada quando há obstrução grave da via aérea, com ausência de respiração adequada, sinais claros de asfixia ou colapso.

Com respiração preservada e sem sinais de asfixia, a manobra não é indicada. A compressão pode deslocar o corpo estranho e causar traumas internos.

Quando realmente indicada, a técnica precisa ser aplicada com cuidado e de forma adequada ao porte do cachorro.

Como fazer a manobra de Heimlich em cães pequenos 

Em cães de pequeno porte, as compressões devem ser mais suaves, realizadas atrás das costelas, sempre com controle total do corpo. A força excessiva pode causar lesões graves, por isso o cuidado deve ser redobrado.

Passo a passo:

  1. Sustentar o corpo com firmeza, mantendo controle total do movimento.

  2. Posicionar as mãos atrás das costelas, com cuidado redobrado por causa do porte.

  3. Realizar compressões suaves para dentro e para cima, sem aplicar força excessiva.

  4. Fazer uma série curta de 5 compressões.

  5. Reavaliar rapidamente a boca após a série, sem manipular às cegas.

  6. Buscar atendimento veterinário, mesmo com melhora aparente.

Como fazer a manobra de Heimlich em cães médios e grandes 

A orientação é posicionar-se atrás do cachorro, envolver a região logo abaixo das costelas e realizar compressões firmes para dentro e para cima, em séries curtas. Após cada série, a boca deve ser reavaliada rapidamente para verificar se houve deslocamento do objeto.

Passo a passo:

  1. Posicionar-se atrás do cachorro, garantindo controle do corpo e mantendo estabilidade.

  2. Localizar a região logo abaixo das costelas, onde será feita a compressão.

  3. Envolver o abdômen nessa região e aplicar compressões para dentro e para cima, com firmeza e controle.

  4. Fazer uma série curta de 5 compressões.

  5. Reavaliar rapidamente a boca após a série, apenas para verificar se houve deslocamento do objeto.

  6. Após a manobra, o cão deve ser observado continuamente até receber avaliação profissional.

Por que as séries devem ser curtas e reavaliação rápida?

A recomendação de séries curtas e reavaliação serve para evitar compressões prolongadas sem necessidade e para verificar rapidamente se houve deslocamento do corpo estranho, sem perder tempo antes do atendimento profissional.

Erros comuns ao tentar desengasgar um cachorro (o que nunca fazer)

Em situações de engasgo, atitudes tomadas por impulso podem agravar rapidamente o quadro e colocar a vida do cachorro em risco. A maioria dos erros acontece quando o tutor tenta resolver o problema sem avaliar a gravidade da obstrução.

“Muitos dos casos que chegam à clínica em estado grave estão associados a tentativas inadequadas feitas em casa”, alerta a médica-veterinária Talita Ellen.

A seguir, a especialista destaca erros comuns observados na prática clínica e orientações importantes para evitar que uma tentativa de ajuda acabe piorando a situação.

Oferecer líquidos ou tentar “empurrar” o objeto

Engasgo não se resolve com líquidos. Oferecer água, leite, azeite ou tentar empurrar o objeto para descer é uma prática baseada em mitos comuns em humanos, mas insegura em cães.

Essa tentativa pode provocar aspiração do conteúdo para os pulmões, deslocar o corpo estranho para uma posição mais difícil de remover e atrasar o atendimento adequado.

Sacudir o corpo ou colocar de cabeça para baixo

Movimentos bruscos não ajudam a desobstruir a via aérea. Sacudir o corpo ou virar o cachorro de cabeça para baixo aumenta o risco de aspiração, trauma e perda de controle da situação, além de comprometer ainda mais a respiração.

Acreditar que a melhora aparente encerra o problema

Mesmo quando o objeto parece ter sido removido, podem existir microlesões, inflamação, edema ou risco de complicações respiratórias que não são perceptíveis de imediato.

Por que evitar esses erros faz diferença?

O engasgo não é apenas um problema mecânico. Esse tipo de quadro pode evoluir rapidamente para falta de oxigenação, inflamação das vias aéreas e complicações graves.

Evitar manobras inadequadas ajuda a prevenir complicações e reduz o risco de piora da condição antes da avaliação veterinária.


Quando NÃO tentar desengasgar e ir direto ao veterinário?

Nem todo engasgo permite tentativa em casa. Em alguns cenários, qualquer intervenção improvisada aumenta o risco e pode atrasar o socorro adequado.

Procure atendimento veterinário imediatamente se o cachorro apresentar:

  • dificuldade respiratória intensa ou ausência de respiração;

  • perda de consciência, colapso ou desmaio;

  • língua, gengivas ou lábios azulados;

  • sangramento pela boca ou garganta;

  • piora da respiração após alguma tentativa de desengasgo;

  • engasgo com ossos, objetos pontiagudos ou anzóis;

  • insegurança do responsável para intervir com calma e controle.

O que fazer após o engasgo, mesmo se parecer resolvido?

Quando o objeto sai e o cachorro volta a respirar melhor, é comum o tutor achar que o problema acabou. Mas, não é bem assim! 

O engasgo pode deixar alterações internas que só se manifestam horas, ou até dias,  depois. Entre as complicações mais comuns estão:

Edema das vias aéreas

O inchaço da laringe ou da faringe pode surgir de forma progressiva, dificultando a respiração após um intervalo de aparente normalidade.

Microlesões internas

Traumas discretos na garganta, traqueia e esôfago podem causar dor, inflamação e dificuldade para engolir.

Pneumonia aspirativa

Durante o engasgo, saliva, alimento ou líquidos podem atingir os pulmões, levando a um processo inflamatório que nem sempre é imediato.

Após um episódio de engasgo, o recomendado é:

  • observar o cachorro atentamente por 24 a 48 horas;
  • procurar avaliação veterinária, mesmo que ele pareça bem;
  • ficar atento a sinais como tosse, respiração ruidosa, apatia ou dificuldade para comer.

Essa avaliação permite identificar complicações precoces e evita que um episódio aparentemente simples evolua para um quadro mais grave.

Quais são as causas mais comuns de engasgo em cães?

cachorro roendo osso
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O engasgo em cães quase sempre está ligado a situações cotidianas que passam despercebidas pelo tutor. Na prática clínica, entre as causas mais frequentes estão:

  • ossos (especialmente os cozidos);
  • petiscos grandes demais;
  • brinquedos pequenos ou danificados;
  • restos de comida encontrados no ambiente;
  • cães que comem muito rápido, disputam alimento com outros animais ou têm o hábito de “engolir sem mastigar” apresentam risco aumentado.

A médica-veterinária Talita Ellen explica que fatores anatômicos e clínicos também influenciam. 

“Raças com vias aéreas mais estreitas, cães idosos, animais com colapso de traqueia ou alterações neurológicas têm menor margem de segurança quando algo entra na boca de forma inadequada.

Em muitos casos, o engasgo não acontece por um único fator isolado, mas pela combinação entre objeto inadequado, momento de distração e ausência de supervisão.”

Como o veterinário avalia um cachorro que sofreu engasgo?

Ao chegar à clínica, a prioridade do atendimento é garantir que o cachorro esteja respirando de forma adequada. 

A avaliação começa pela observação clínica imediata, considerando padrão respiratório, coloração das mucosas, nível de consciência e sinais de dor ou desconforto.

Mesmo quando o objeto já foi expelido ou removido, o veterinário investiga possíveis consequências do episódio. Esse diagnóstico inclui a análise da garganta, laringe e traqueia, além da ausculta pulmonar para descartar aspiração de alimento ou secreções.

Quando necessário, exames complementares são utilizados para aprofundar a investigação, como:

  • radiografias cervicais e torácicas;

  • laringoscopia;

  • endoscopia;

  • broncoscopia. 

Esses exames ajudam a identificar corpos estranhos residuais, inflamações internas, edema das vias aéreas ou sinais iniciais de pneumonia aspirativa.

A médica-veterinária Talita Ellen reforça que um erro comum é subestimar o episódio quando o cachorro “volta ao normal” rapidamente. A ausência de sintomas imediatos não exclui a possibilidade de lesões internas ou complicações respiratórias nas horas seguintes.

Como é o tratamento após um episódio de engasgo em cães?

O tratamento após um engasgo varia conforme a gravidade do episódio e os efeitos que a obstrução causou nas vias respiratórias. Mesmo situações aparentemente simples exigem avaliação veterinária, pois nem sempre os danos são visíveis logo após o evento.

Tratamento nos casos mais simples de engasgo em cachorro

Um episódio de engasgo tende a ser considerado mais simples quando o corpo estranho é eliminado rapidamente, o cachorro não apresenta coloração arroxeada das mucosas, não ocorre desmaio e a respiração se normaliza logo após o evento.

A ausência de dor intensa, rouquidão persistente ou dificuldade respiratória também sugere menor gravidade inicial.

O que o veterinário avalia na clínica?

O atendimento começa com um exame físico completo, com atenção especial ao sistema respiratório.  O processo avalia a cavidade oral e a região da garganta em busca de irritações ou pequenos ferimentos, além de realizar a ausculta pulmonar para descartar aspiração de alimento ou secreções. 

Em muitos atendimentos, o cachorro permanece em observação por um curto período, apenas para confirmar a estabilidade da respiração.


Tratamentos mais comuns após avaliação veterinária

A médica-veterinária Talita Ellen explica que o manejo pode incluir:

  • analgésicos ou anti-inflamatórios, principalmente quando há irritação local;
  • protetores de mucosa, se existir suspeita de inflamação na faringe ou no esôfago.

Após a liberação, o responsável recebe orientações para observar o cachorro em casa por 24 a 48 horas. Esse acompanhamento é importante porque o inchaço das vias aéreas pode surgir de forma tardia, mesmo quando o animal aparenta estar bem logo após o episódio.


Tratamento nos quadros graves ou com suspeita de lesões internas

Os quadros mais graves são aqueles em que o engasgo compromete a respiração ou deixa suspeita de aspiração, inflamação intensa ou trauma das vias aéreas. Nessas situações, o problema deixa de ser pontual e passa a exigir manejo de emergência.

Prioridades no atendimento veterinário

A prioridade do atendimento é restabelecer e manter a oxigenação. Para isso, o cachorro pode receber oxigenoterapia, permanecer em ambiente com estímulos reduzidos e ser monitorado continuamente.

Em situações com risco de obstrução progressiva da via aérea por edema, o manejo pode incluir sedação controlada e, em casos extremos, intubação ou traqueostomia de emergência.


Tratamento das complicações associadas

Complicações como edema de laringe ou faringe, pneumonia por aspiração e lesões na traqueia ou no esôfago exigem abordagem clínica mais intensiva.

De modo geral, o manejo pode envolver:

  • analgesia mais potente;

  • protetores gastrointestinais ou esofágicos;

  • adaptação da dieta para consistência pastosa;

  • procedimentos cirúrgicos ou endoscópicos, em situações específicas.

Como prevenir novos episódios de engasgo em cães?

como prevenir engasgo em cães
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Reduzir o risco de engasgo em cães envolve ações práticas no dia a dia, especialmente relacionadas à alimentação, aos brinquedos e à organização do ambiente onde o animal circula.

“Muitos casos atendidos em clínicas poderiam ser evitados com ajustes básicos no ambiente e na rotina de alimentação e brincadeiras. 

E cães que já passaram por episódios de engasgo, comem muito rápido ou têm condições respiratórias exigem cuidados ainda mais rigorosos”, explica a médica-veterinária.

Quais objetos devem ser evitados para prevenir engasgos?

Uma das principais medidas preventivas é retirar do alcance do cão objetos que oferecem risco, mesmo aqueles que parecem inofensivos. Entre os mais comuns estão:

  • Ossos, especialmente cozidos ou que se fragmentam facilmente;

  • Bolinhas pequenas, que podem se encaixar na garganta;

  • Tampas plásticas de garrafas, produtos de limpeza ou cosméticos;

  • Meias e peças de roupa, sobretudo para cães que mastigam tecidos;

  • Brinquedos quebrados ou desgastados, que soltam partes menores;

  • Anzóis e objetos pontiagudos, em quintais, praias ou áreas de pesca.

Manter esses itens fora do alcance do animal reduz significativamente o risco de acidentes, principalmente em momentos sem supervisão direta.

Como a alimentação e os brinquedos ajudam a prevenir o engasgo?

A forma como o cachorro se alimenta e interage com brinquedos tem impacto direto no risco de engasgo. A velocidade ao comer é um fator de atenção frequente, especialmente em cães ansiosos ou com histórico de disputa por comida. 

Ajustar esses pontos da rotina é uma das medidas preventivas mais eficazes. Confira algumas práticas que ajudam a reduzir significativamente esse risco:

  • Escolher brinquedos compatíveis com o porte e a força da mordida, evitando peças pequenas ou fáceis de quebrar;

  • Descartar brinquedos danificados ao primeiro sinal de desgaste ou soltura de partes;

  • Supervisionar a mastigação de petiscos e brinquedos, principalmente os mastigáveis;

  • Evitar ossos e petiscos que quebram facilmente ou que não são adequados ao tamanho do cão;

  • Reduzir ou eliminar a competição por alimento entre animais da casa;

  • Utilizar comedouros lentos para cães que comem com muita pressa.

Essas medidas não exigem mudanças complexas, mas fazem diferença na prevenção de episódios de engasgo, especialmente em cães mais impulsivos ou ansiosos.

Checklist básico de ambiente seguro contra engasgos

Evitar o engasgo não depende de uma única regra isolada, mas da combinação de decisões conscientes na rotina

Quando o ambiente e os hábitos do cachorro são ajustados preventivamente, o risco de novos episódios diminui de forma consistente e sustentável. Um checklist simples inclui:

  • Brinquedos sempre do tamanho correto;

  • Lixo bem fechado e fora do alcance;

  • Objetos pequenos guardados em locais altos ou fechados;

  • Supervisão durante refeições e brincadeiras.

Perguntas frequentes sobre engasgo em cães

tutora beijando cachorro e tirando foto
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O que é bom para desengasgar o cachorro?

Não existe nenhum alimento, líquido ou substância segura para “desengasgar” um cachorro. Água, pão, azeite ou soluções caseiras não resolvem a obstrução e podem piorar o quadro, aumentando o risco de aspiração e atrasando o atendimento adequado.

Existe algum produto seguro para desengasgar cachorro?

Não há produtos, sprays ou soluções comerciais capazes de desengasgar um cachorro com segurança. A abordagem correta envolve avaliação adequada da respiração, aplicação de técnicas específicas de primeiros socorros apenas em situações muito pontuais e atendimento veterinário.

Um cachorro pode morrer engasgado?

Sim, infelizmente o engasgo pode levar rapidamente à queda da oxigenação do sangue, comprometendo órgãos vitais como cérebro e coração. Sem intervenção adequada, há risco real de perda de consciência, parada respiratória e óbito.

Quanto tempo depois do engasgo podem surgir complicações?

Algumas complicações surgem horas após o episódio, especialmente entre 24 e 48 horas. Edema das vias aéreas, inflamação local ou pneumonia aspirativa nem sempre aparecem imediatamente, mesmo quando o cachorro parece ter melhorado.

Um cachorro que melhorou após o engasgo ainda precisa ir ao veterinário?

Mesmo com melhora aparente, a avaliação veterinária é recomendada sempre que possível. Microlesões, inflamação ou aspiração silenciosa podem não causar sinais imediatos, mas evoluir nas horas seguintes.

Cachorros idosos têm mais risco de engasgo?

A médica-veterinária Talita Ellen explica que cães idosos podem apresentar redução dos reflexos de proteção da via aérea, problemas dentários e menor eficiência respiratória, o que aumenta tanto o risco de engasgo quanto a gravidade das complicações.

Engasgo em cachorro pode causar pneumonia?

Quando alimento, saliva ou líquidos são aspirados para os pulmões durante o engasgo, existe risco de pneumonia aspirativa, uma condição grave que exige tratamento veterinário específico.

Existe alguma outra técnica de primeiros socorros que pode ajudar em casos extremos?

Em situações raras, se o cachorro perder a consciência após a tentativa de desobstrução, pode ser necessário iniciar reanimação cardiopulmonar (RCP). Isso reforça que o engasgo é um evento médico grave, e não apenas um problema mecânico.

Sacudir o cachorro ou colocá-lo de cabeça para baixo ajuda?

Não, essas atitudes geralmente pioram a situação, aumentando o risco de aspiração, trauma e perda de controle da respiração.

veterinária cuidado de cachorro em consulta
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Quanto mais pessoas souberem como agir (e quando não agir), maiores são as chances de um desfecho seguro para os pets. Cuidar também é saber se informar.

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2 Comentários

  1. Maria Almeida disse:

    Formidável, td que precisamos saber na hora da aflição com nossa pet é conduzir de uma maneira correta.

  2. Super importante essas informações disse:

    Ótimo

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