Otohematoma em cães e gatos: o que é, causas, sintomas e tratamento

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Por Redator Cobasi

Com colaboração: Joyce Lima
Tempo de leitura: 20 minutos

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veterinário examinando orelha do cachorro

O otohematoma em cães e gatos é uma afecção auricular que provoca acúmulo de sangue ou líquido serossanguinolento na orelha, deixando a região inchada, quente, macia e sensível. 

Mais frequente em cães, o problema costuma surgir após traumas repetidos causados pelo ato de coçar a orelha ou sacudir a cabeça. 

Também conhecido como hematoma auricular ou hematoma aural, o otohematoma tem tratamento. A conduta pode envolver medicamentos, drenagem ou cirurgia, conforme as características da lesão e as condições de saúde do pet. 

Mas, a cura depende do tamanho da lesão, do tempo de evolução, da possibilidade de recidiva e da saúde do pet. Também é essencial tratar a causa base para evitar que o líquido volte a se acumular.

Sem atendimento adequado, o otohematoma pode causar dor, fibrose, espessamento e deformação permanente da orelha. Ao notar os sintomas procure um veterinário e não tente furar ou drenar o inchaço em casa. 

Com a orientação de Joyce Lima (CRMV/SP – 39824), médica-veterinária da Educação Corporativa da Cobasi, explicaremos como reconhecer o otohematoma, quais são suas causas e como funcionam o diagnóstico, o tratamento e a prevenção.

Resumo rápido sobre otohematoma em cães e gatos


  • Também conhecido como hematoma auricular, o otohematoma é uma bolsa de sangue formada na parte externa da orelha após o rompimento de pequenos vasos sanguíneos.

  • Na maioria dos casos, a lesão surge quando o pet coça a orelha ou sacode a cabeça repetidamente por causa de otite, alergia, ácaros, corpos estranhos ou outros incômodos.

  • Inchaço macio, calor, vermelhidão, sensibilidade e presença de líquido sob a pele estão entre os sinais mais comuns. Sem tratamento, a orelha pode ficar dura, grossa e deformada.

  • Durante a consulta, o médico-veterinário examina a orelha e investiga o problema responsável pela coceira ou pelo trauma.

  • Medicamentos, aspiração, drenagem e cirurgia estão entre as possibilidades de tratamento, escolhidas de acordo com o tamanho, o tempo de evolução e a gravidade da lesão.

  • Quando o atendimento começa cedo e a causa de base é controlada, a recuperação costuma ser favorável. Furando ou drenando o inchaço em casa, porém, aumenta-se o risco de dor, infecção e recorrência.

O que é o otohematoma?

O otohematoma é o acúmulo de sangue ou de conteúdo serossanguinolento, uma mistura de sangue com o líquido natural dos tecidos, no pavilhão auricular (parte externa e visível da orelha).

A lesão surge quando pequenos vasos sanguíneos se rompem e o conteúdo acumulado afasta a pele da cartilagem. Esse processo provoca um inchaço macio e flutuante, geralmente na face interna da orelha.

Apesar da relação frequente com problemas no ouvido, o otohematoma se forma no pavilhão auricular, não dentro do canal auditivo.

O que causa otohematoma em cães?

O otohematoma geralmente surge após traumas repetidos na orelha. Coçar a região com força ou sacudir a cabeça pode romper pequenos vasos sanguíneos e causar o acúmulo de sangue no pavilhão auricular.

Segundo a médica-veterinária Joyce Lima, “O otohematoma pode ter diversas causas, entre elas infecção bacteriana, por sarna e traumas/machucados”.

Para entender essa relação, veja quais condições podem provocar o trauma e como cada uma contribui para a formação do hematoma:

Fator associadoPor que pode causar otohematoma?
Otite externaProvoca dor, coceira e movimentos repetidos da cabeça.
Alergias e dermatitesCausam coceira na pele e podem favorecer inflamações no ouvido.
Ácaros e outros parasitasIrritam a orelha e levam o animal a coçar a região.
Corpos estranhosPodem causar dor e irritação no canal auditivo.
Brigas, acidentes ou brincadeirasMordidas, pancadas e arranhões podem romper diretamente os vasos sanguíneos.

Otite, alergias, parasitas e corpos estranhos podem atuar como causas de base, pois provocam o incômodo responsável pelo trauma. Brigas, acidentes e pancadas são causas diretas.

Um cachorro com otite externa, por exemplo, pode coçar a orelha e sacudir a cabeça repetidamente. 

Sem o controle da otite, o trauma pode continuar e provocar um novo acúmulo de sangue após o tratamento do otohematoma. Em alguns casos, porém, não existe histórico ou causa auricular identificável.

O que causa otohematoma em gatos?

Em gatos, o processo de formação do otohematoma é semelhante ao observado nos cães. A médica-veterinária Joyce Lima explica: 

“Gatos também podem ter, embora com menor frequência do que os cães. Geralmente, em gatos o otohematoma é associado a presença de ácaros (sarna de ouvido),” afirmou. 

Os ácaros de ouvido podem causar irritação, inflamação e coceira intensa. Ao tentar aliviar o incômodo, o gato pode arranhar a orelha ou sacudir a cabeça até provocar o hematoma.

Por isso, a avaliação veterinária também deve investigar sarna otodécica e otite em gatos. 

Quais são os sintomas do otohematoma?

O principal sinal do otohematoma é o aumento de volume da orelha, como a médica-veterinária Joyce Lima explica: 

“Inicialmente o tutor percebe que, ao apalpar a orelha do cão, sente a região mais macia, quente, levemente inchada, avermelhada, sensível ao toque e que existe a presença de conteúdo líquido abaixo da pele”, disse.

A especialista da Cobasi, reforça outros sinais que podem acompanhar o inchaço:

  • orelha caída, pesada ou diferente da outra;
  • dor ou incômodo ao tocar a região;
  • coceira frequente;
  • movimentos repetidos da cabeça;
  • cabeça inclinada para o lado afetado;
  • menor interesse por brincadeiras ou alimentação devido à dor.

Nos gatos, os sintomas de otohematoma são semelhantes e podem incluir inchaço, calor, dor, coceira e movimentos repetidos da cabeça.

A veterinária também alerta para as mudanças observadas com a progressão do quadro: “Conforme a doença evolui, a orelha pode apresentar pus, se tornar mais dura (devido a fibrose) e deformada”, afirmou.

A presença de pus não faz parte de todos os casos e pode indicar uma infecção associada. O endurecimento ocorre quando o conteúdo acumulado começa a formar coágulos e tecido cicatricial.

Quais sinais do otohematoma exigem atendimento veterinário rápido?

Meu cachorro não quer comer e está vomitando e triste

Procure atendimento veterinário imediato diante de:

  • dor intensa;
  • aumento rápido do inchaço;
  • secreção ou mau cheiro;
  • sangramento;
  • escurecimento da pele;
  • endurecimento ou deformação da orelha;
  • abertura ou retirada acidental dos pontos após um procedimento.

Se o seu pet apresentou algum desses sinais, procure um veterinário. Nas unidades Pet Anjo, seu pet conta com atendimento veterinário para avaliar os sinais de otohematoma e indicar a conduta adequada. 

Existem raças mais predispostas ao otohematoma?

O otohematoma pode afetar cães e gatos de qualquer raça, idade ou porte, mas é diagnosticado com maior frequência em cães.

Um estudo britânico com 905.554 cães encontrou associação entre otohematoma, idade, peso, raça e formato da orelha. 

O risco aumentou com a idade até a faixa de 8 a 12 anos e com o peso corporal. Bull Terrier, São Bernardo, Bulldog Francês e Golden Retriever estavam entre as raças com maior predisposição.

Cães com orelhas caídas em formato de “V” ou semieretas também apresentaram maior risco. Em contrapartida, a pesquisa não confirmou a crença de que orelhas longas e pendulares aumentam, por si só, a predisposição ao otohematoma.

Nos gatos, a ocorrência é menos frequente e ainda não existem evidências suficientes para definir uma predisposição racial. Os resultados do estudo representam a população britânica analisada e não significam que outros animais estejam protegidos. 

Quais condições podem ser confundidas com otohematoma?

O sinal de inchaço na orelha não é exclusivo do otohematoma, doenças como abscessos, cistos, tumores, reações alérgicas e ferimentos também podem causar aumento de volume, dor ou mudanças na aparência do pavilhão auricular.

Possível alteraçãoCaracterísticas mais comuns
Abscesso em cães e gatosBolsa com pus causada por infecção, geralmente dolorosa e quente.
CistoCaroço localizado, com tamanho e consistência variáveis.
Tumor em cães e gatosNódulo firme ou irregular, com crescimento gradual e possível sangramento.
Reação alérgica ou picadaInchaço repentino, vermelhidão e coceira, podendo atingir outras áreas.
Ferimento ou traumaCorte, mordida, sangramento ou lesão visível na orelha.

É essencial ressaltar que a aparência ajuda a perceber que existe uma alteração, mas não confirma a causa. A avaliação veterinária é necessária para diferenciar o otohematoma de outros problemas e indicar o tratamento correto. 

Como é feito o diagnóstico do otohematoma?

O diagnóstico do otohematoma costuma ser feito quando o médico-veterinário examina e apalpa o pavilhão auricular para avaliar o tamanho e a localização do inchaço, a temperatura da região, a consistência do conteúdo acumulado e a presença de dor.

Como o otohematoma costuma surgir após traumas provocados por coceira, dor ou inflamação, a avaliação não se limita ao inchaço. O veterinário também investiga o que causou o incômodo e quais fatores podem provocar um novo acúmulo.

As etapas de avaliação seguem as recomendações da nota técnica sobre a conduta diagnóstica e terapêutica do otohematoma em cães, publicada pela Universidade de Vassouras em 2026. 

Dependendo dos sinais apresentados e do histórico do pet, a investigação pode incluir:

Avaliação ou exameQual é a finalidade?
Histórico e exame físicoInvestigar coceira, traumas, alergias, otites anteriores e recorrências.
Inspeção das orelhasVerificar secreção, vermelhidão, dor, calor, espessamento e deformações.
OtoscopiaExaminar o canal auditivo e procurar inflamações, corpos estranhos, estreitamentos, pólipos ou massas.
Citologia otológicaAnalisar a secreção e identificar leveduras, bactérias e células inflamatórias relacionadas à otite.
Avaliação dermatológicaProcurar alergias, dermatites ou parasitas que possam provocar coceira.
Punção aspirativaAnalisar o conteúdo em casos de dúvida e diferenciar o otohematoma de abscessos, cistos, seromas ou tumores.

A realização de todos esses exames não é obrigatória em todos os casos, pois a conduta depende do histórico e dos sinais encontrados durante a consulta. 

A punção usada para confirmar o diagnóstico também não deve ser confundida com o tratamento definitivo, já que apenas retirar o líquido pode não impedir um novo acúmulo. 

Por esse motivo, identificar e controlar a causa de base é essencial para reduzir o risco de recorrência.

O otohematoma é grave? Quais são os riscos? 

O otohematoma geralmente não representa risco imediato de morte, mas causa dor e precisa de atendimento veterinário. 

Sem tratamento adequado, o sangue acumulado pode formar coágulos e tecido cicatricial, deixando a orelha mais espessa, firme e permanentemente deformada. 

A presença de pus não faz parte de todos os casos e pode indicar uma infecção associada. A dor e o desconforto também podem provocar mudanças no comportamento. 

Sem tratamento adequado, o otohematoma pode causar:

  • dor e desconforto persistentes;
  • formação de coágulos e fibrose;
  • espessamento do pavilhão auricular;
  • deformação permanente da orelha;
  • infecção secundária;
  • recorrência quando a causa de base não é tratada;
  • comprometimento da circulação e necrose nos casos mais graves.

A deformação provocada pela fibrose também é conhecida como “orelha em couve-flor”. A dor pode deixar o pet mais quieto, reduzir o interesse por brincadeiras e afetar o apetite.

Como é feito o tratamento do otohematoma?

veterinário administrando medicamento na orelha de gato

O tratamento do otohematoma é escolhido após a avaliação do tamanho da lesão, do tempo de evolução, da intensidade da dor, da presença de coágulos e do histórico de recorrência. 

Como não existe uma única técnica indicada para todos os casos, a conduta deve considerar as características do hematoma e as condições de saúde do pet. 

Independentemente da técnica escolhida, o tratamento tem três objetivos principais: 

Medicamentos e tratamento da causa de base

Joyce Lima explica: “Para aliviar e minimizar a inflamação na orelha do cão, é comum a administração de anti-inflamatórios. 

O tratamento da causa também pode incluir antibióticos para infecções bacterianas, antifúngicos quando há proliferação de fungos ou leveduras e medicamentos antiparasitários contra ácaros. 

Nos casos relacionados à alergias, pode ser necessário controlar a coceira e a doença dermatológica. A escolha depende do diagnóstico veterinário, e nenhum desses medicamentos deve ser utilizado por conta própria”.

Aspiração, drenagem e colocação de dreno

A aspiração com agulha ou a drenagem pode ser considerada em hematomas pequenos, recentes e pouco dolorosos. 

A retirada do líquido alivia o volume e a pressão na orelha, mas a drenagem isolada apresenta maior risco de recorrência porque não elimina o espaço formado entre a pele e a cartilagem. 

Em casos selecionados, o veterinário pode associar a drenagem a medicamentos aplicados no local ou instalar um dreno para permitir a saída contínua do conteúdo. Essas abordagens exigem acompanhamento e retornos para verificar se houve um novo acúmulo.

Cirurgia de otohematoma

A cirurgia costuma ser indicada quando o hematoma é grande, doloroso, antigo ou recorrente, principalmente quando existem coágulos, fibrose ou deformação inicial da orelha.

Joyce explica: “Existem diversas condutas possíveis para o tratamento, que podem abranger inclusive procedimentos cirúrgicos para drenar o hematoma (aquele líquido contido abaixo da pele na orelha do cão) e manter a posição correta da pele e cartilagem da orelha”, disse.

Durante o procedimento, o conteúdo é drenado, os coágulos podem ser removidos e a pele é aproximada da cartilagem com pontos. Essa aproximação reduz o espaço onde o sangue poderia voltar a se acumular.

Um relato de caso publicado pela Pubvet descreveu o tratamento de um cão com drenagem cirúrgica e suturas apoiadas por botões estéreis. 

Após 14 dias, o paciente não apresentava novo acúmulo de líquido, dor ou deformação da orelha. Como se trata do acompanhamento de um único animal, o resultado exemplifica uma técnica possível.

Além de tratar o hematoma, é indispensável controlar a otite, a alergia, os parasitas ou qualquer outra causa associada. 

Sem esse cuidado, o pet pode continuar coçando a orelha ou sacudindo a cabeça, aumentando o risco de recorrência mesmo após a drenagem ou a cirurgia.

A velocidade da evolução varia conforme o tamanho do hematoma, o tempo de formação e a causa associada. Quanto mais cedo ocorrer a avaliação veterinária, menor será o risco de complicações e alterações permanentes.

Como cuidar do pet durante a recuperação?

Depois da drenagem ou da cirurgia, os cuidados em casa ajudam a proteger a orelha durante a cicatrização e reduzem o risco de infecção, abertura dos pontos ou novo acúmulo de líquido. 

A veterinária Joyce Lima compartilha algumas orientações de cuidados, que variam conforme o procedimento, mas geralmente incluem:

  • usar o colar elizabetano pelo período indicado para impedir que o pet coce a orelha, retire o curativo ou machuque os pontos;

  • fazer a limpeza corretamente, utilizando apenas os produtos e a frequência orientados pelo veterinário;

  • administrar os medicamentos nos horários prescritos, sem interromper ou alterar o tratamento por conta própria;

  • proteger a orelha contra novos traumas, evitando brincadeiras intensas e situações que favoreçam impactos ou movimentos bruscos da cabeça;

  • manter o curativo limpo e seco, quando esse cuidado fizer parte do tratamento;

  • comparecer aos retornos veterinários, mesmo quando o inchaço e a dor já tiverem diminuído.

Joyce Lima alerta: “automedicação é extremamente contraindicada, pois pode agravar os sintomas ou mascará-los por um período, ação que acaba gerando consequências desagradáveis para o animal, como bactérias resistentes a antibióticos e até mesmo a deformação da orelha do cão”, avisa.

Durante a recuperação, aumento do inchaço, secreção, mau cheiro, sangramento, escurecimento da pele ou abertura dos pontos exigem contato com o veterinário antes do retorno programado.

A retirada do colar, do curativo ou dos pontos também deve ocorrer somente após a liberação profissional.

O otohematoma tem cura? Qual é o prognóstico?

O otohematoma tem cura e, na maioria dos casos, apresenta prognóstico favorável quando o diagnóstico e o tratamento ocorrem precocemente. 

O resultado depende do tamanho da lesão, do tempo de evolução, da presença de coágulos ou fibrose, do histórico de recorrência e do controle da causa de base.

Hematomas pequenos e recentes costumam apresentar melhor resposta, enquanto quadros antigos, endurecidos ou recorrentes podem exigir cirurgia e deixar algum espessamento ou deformação na orelha, mesmo após a resolução do acúmulo.

A cura do hematoma não significa que a causa responsável pelo trauma também foi eliminada. Quando otites, alergias ou parasitas permanecem ativos, o pet pode continuar coçando a orelha ou sacudindo a cabeça, favorecendo uma nova lesão.

O prognóstico costuma ser melhor quando o tratamento começa cedo e a doença associada é controlada. O acompanhamento veterinário até a cicatrização é essencial para avaliar a recuperação e reduzir o risco de recorrência.

Quanto tempo demora para o otohematoma sarar?

O tempo de recuperação do otohematoma varia conforme o tamanho da lesão, o tratamento realizado, o tempo de evolução e a presença de otite, alergia ou outro problema associado.

A redução do inchaço pode ocorrer logo após a drenagem, mas isso não significa que a orelha já esteja cicatrizada.

Nos casos tratados com cirurgia, os pontos costumam permanecer por aproximadamente 14 a 21 dias, conforme a técnica utilizada e a resposta do organismo. 

Durante esse período, o veterinário acompanha a aproximação entre a pele e a cartilagem, a presença de secreção e o risco de um novo acúmulo.

Já quadros de hematomas antigos, recorrentes ou com fibrose podem levar mais tempo para cicatrizar e deixar algum espessamento ou deformação. 

A recuperação só pode ser considerada completa quando não existe novo acúmulo de líquido, a orelha está cicatrizada e a causa de base também está controlada.

Como prevenir o otohematoma em cães e gatos?

A prevenção do otohematoma depende principalmente do controle das condições que provocam dor, coceira e inflamação nas orelhas. 

Esses cuidados reduzem traumas na região e o risco de rompimento dos vasos sanguíneos, embora alguns casos possam ocorrer sem uma causa identificável. 

Para prevenir o otohematoma, a veterinária Joyce Lima recomenda:

  • manter o controle de ácaros, pulgas, carrapatos e outros parasitas em dia;

  • procurar atendimento ao perceber sinais de otite, como coceira, mau cheiro, secreção ou movimentos frequentes da cabeça;

  • controlar alergias e dermatites que provoquem coceira recorrente;

  • limpar as orelhas somente com produtos adequados e conforme a orientação veterinária;

  • evitar o uso de hastes flexíveis, objetos ou soluções caseiras no canal auditivo;

  • proteger a região contra traumas e observar possíveis ferimentos após brigas ou acidentes;

  • manter o acompanhamento veterinário, principalmente quando existe histórico de otite ou otohematoma.

A prevenção também depende do tratamento completo da causa de base. Interromper os medicamentos antes do período indicado ou aplicar produtos por conta própria pode manter a inflamação ativa e favorecer novos episódios.

Nos gatos, a atenção ao controle de ácaros é especialmente importante, já que a sarna de ouvido pode provocar coceira intensa e lesões no pavilhão auricular.

Perguntas frequentes sobre otohematoma

veterinário fazendo um exame na orelha do cachorro

O otohematoma pode sumir sozinho?

O organismo pode absorver naturalmente parte do conteúdo em hematomas pequenos, mas a melhora costuma ser lenta e a orelha pode ficar mais grossa, endurecida ou deformada.

A avaliação veterinária é necessária em todos os casos para controlar a dor, investigar a causa e indicar o melhor tratamento, se necessário. 

O que acontece se não drenar o otohematoma?

A drenagem não é obrigatória em todos os casos, pois a decisão depende do tamanho da lesão, do tempo de evolução e das condições de saúde do pet. 

Quando o otohematoma não recebe o tratamento adequado, o sangue acumulado pode formar coágulos e deixar a orelha mais grossa, endurecida, dolorida ou permanentemente deformada.

Posso drenar o otohematoma em casa?

A drenagem não deve ser feita em casa, pois pode causar dor, sangramento, infecção e lesões na cartilagem, estrutura que dá forma à orelha.

Mesmo quando o líquido é retirado, a bolsa pode voltar a encher se o espaço entre a pele e a cartilagem e a causa de base não forem tratados.

Todo otohematoma precisa de cirurgia?

A cirurgia não é necessária em todos os casos, pois hematomas pequenos e recentes podem ser tratados com procedimentos mais simples, como aspiração ou drenagem.

Enquanto lesões grandes, antigas, dolorosas ou recorrentes costumam ter indicação cirúrgica. 

O otohematoma pode voltar?

O otohematoma pode voltar quando a causa responsável pela coceira ou pelo trauma permanece ativa. 

Um novo acúmulo também pode ocorrer quando a drenagem não elimina o espaço formado entre a pele e a cartilagem, por isso o acompanhamento até a cicatrização é importante.

O otohematoma passa de um animal para outro?

O otohematoma não é contagioso, mas algumas causas associadas podem afetar outros animais. Ácaros responsáveis pela sarna de ouvido, por exemplo, podem passar entre pets que mantêm contato próximo.

Otohematoma e otite são a mesma doença?

Embora possam estar relacionadas, o otohematoma e a otite são doenças otológicas diferentes:

CondiçãoOnde ocorre?O que acontece?
OtohematomaNa parte externa e visível da orelhaOcorre o acúmulo de sangue entre a pele e a cartilagem, formando um inchaço.
OtiteNo canal auditivoOcorre uma inflamação que pode causar dor, coceira, vermelhidão, secreção e mau cheiro.

O tratamento do otohematoma sempre precisa de antibiótico?

O antibiótico não é necessário em todos os casos, a indicação depende da presença de uma infecção causada por bactérias na pele ou no ouvido, identificada por meio da avaliação e dos exames veterinários.

Por que o otohematoma fica duro com o tempo?

O otohematoma fica duro porque, com o passar do tempo, o sangue acumulado forma coágulos e o organismo produz um tecido mais rígido durante a cicatrização. Como resultado, a orelha pode ficar mais grossa, firme e com alteração permanente no formato. 

A orelha volta ao formato normal depois do tratamento?

A aparência da orelha pode ser preservada quando o tratamento começa cedo, antes da formação de tecido cicatricial e deformações.

Em quadros antigos ou recorrentes, algum espessamento ou alteração no formato pode permanecer mesmo após a cura do hematoma.

O otohematoma pode afetar as duas orelhas?

O otohematoma pode surgir em apenas uma ou nas duas orelhas, ao mesmo tempo ou em momentos diferentes. Quando existe otite, alergia ou infestação por parasitas, as duas orelhas devem ser examinadas, mesmo que o inchaço esteja presente somente de um lado.

cachorro husky siberiano com colar

Este conteúdo ajudou você a entender o otohematoma em cães e gatos? No Blog da Cobasi, você encontra outros conteúdos com orientações de especialistas sobre saúde, cuidados e bem-estar de cães e gatos. Até a próxima! 

Joyce Lima

Com colaboração: Joyce Lima

Médica-Veterinária

Formada pela USP, Joyce possui especializações em Medicina Veterinária Preventiva e um MBA em Liderança de Alta Performance. Apaixonada por sua gata, Mia, ela reflete todo o carinho e dedicação que tem por ela em sua prática profissional.

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2 Comentários

  1. Roselene disse:

    Carrapatos podem deixar a orelha inchada d
    o cão?

    • Cobasi disse:

      Olá, Roselene! Como vai?
      Além da coceira, a picada pode provocar inchaço e vermelhidão na pele. Mas o sintoma de orelha inchada pode ser desencadeado por uma série de motivos. Portanto, leve-o ao veterinário o quanto antes.

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