Convulsão em cachorro: o que fazer antes, durante e depois da crise

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Por Redator Cobasi

Com colaboração: Joyce Lima
Tempo de leitura: 25 minutos

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 convulsão em cachorro

Ver um cachorro tendo convulsão é um dos momentos mais angustiantes para qualquer tutor. 

Sintomas como movimentos involuntários, rigidez muscular, salivação excessiva e até a perda momentânea de consciência indicam que o cérebro do animal está sofrendo uma descarga elétrica anormal.

De modo geral, o termo “convulsão” é usado popularmente para descrever uma alteração súbita na atividade elétrica cerebral, o que provoca reações involuntárias no corpo do cão.

O episódio pode ocorrer isoladamente ou estar associado a doenças que afetam o sistema nervoso central, como a epilepsia canina — uma condição neurológica crônica que exige diagnóstico preciso e acompanhamento veterinário contínuo.

Embora as convulsões em cães seja mais comum do que se imagina, suas causas nem sempre são fáceis de identificar, já que podem estar relacionadas a doenças neurológicas, intoxicações ou até ter origem idiopática (sem causa definida).

Neste guia completo, você vai aprender como agir antes, durante e depois da crise e reconhecer os principais sinais de alerta. 

Além disso, veja detalhes sobre as principais causas de convulsões em cães, formas de tratamento e cuidados necessários para proteger o seu pet com segurança e informação de qualidade.

O que fazer quando o cachorro tem uma convulsão?

Ver um cachorro convulsionando é assustador, mas manter a calma é o primeiro passo para ajudá-lo com segurança.

Durante a convulsão, o cão não tem consciência do que está acontecendo, seus movimentos são totalmente involuntários. 

Por isso, abaixo trouxemos um passo a passo completo de como agir antes, durante e após, com segurança e eficiência:

Antes da convulsão

Alguns cães demonstram mudanças sutis de comportamento antes de convulsionar. Essa fase, chamada de período pré-ictal, pode durar segundos ou minutos.

O que fazer?

  • Leve o cão para um local calmo, ventilado e sem escadas;
  • Afaste móveis e objetos pontiagudos;
  • Reduza ruídos e estímulos luminosos;
  • Evite contato direto com a boca do animal.

Essas ações simples podem evitar quedas e ferimentos quando a crise começar.

Durante a convulsão

Durante a crise (fase ictal), o cão perde o controle muscular, podendo cair, se debater, babar e urinar involuntariamente. Esse é o momento mais crítico, quando o tutor precisa agir com calma e segurança.

✅ O que fazer🚫 O que não fazer
Garanta um ambiente seguro, longe de degraus, piscinas, quinas e móveis que possam cair.Não coloque a mão ou qualquer objeto na boca do cão, ele pode morder involuntariamente.
Se possível, deite o cão de lado, com a cabeça apoiada sobre algo macio.Não ofereça comida, água ou remédios, pois há risco de engasgo e aspiração pulmonar.
Cronometre a duração da crise (se ultrapassar 5 minutos, é uma emergência veterinária).Não tente pegar o cão no colo, isso aumenta as chances de lesões na coluna ou quedas.
Filme o episódio, focando o rosto do cão (o vídeo ajuda o veterinário a identificar o tipo de convulsão).Não tente imobilizar o corpo dele.
Mantenha outros animais afastados, pois é comum que reajam de forma agressiva ao cão em crise.


Depois da convulsão

Após o fim da crise, o cão começa a recuperar a consciência. Nessa fase, o animal pode ficar desorientado, com medo, cego temporariamente ou até apresentar agressividade leve.

Essas alterações comportamentais podem durar minutos ou até um dia inteiro. Isso é esperado, mas deve ser relatado ao profissional, que poderá ajustar o tratamento.

Como agir após a convulsão?

  • Mantenha o cão em um ambiente tranquilo e silencioso;
  • Fale em tom calmo, sem movimentos bruscos;
  • Não force contato físico, principalmente se ele estiver assustado;
  • Ofereça água apenas quando ele estiver totalmente consciente;
  • Anote ou registre a hora, duração e intensidade da crise;
  • Comunique o veterinário o quanto antes para avaliação e exames.

O tutor tem um papel essencial no manejo das convulsões: agir com calma, segurança e registrar os episódios ajuda o veterinário a identificar o tipo de crise e definir o melhor tratamento.

Resumo rápido: como agir em cada fase de convulsão em cães

MomentoO que fazer O que não fazer
Antes da criseLevar a local seguro e calmo, afastar objetos e outros animaisEstimular, segurar ou gritar
Durante a criseCronometrar, filmar, proteger o entornoTocar na boca, oferecer água ou segurar o cão
Depois da criseDeixar descansar, falar com calma, observar sinais neurológicosAcordar o cão, fazer carinho forçado ou medicar sem orientação

Mesmo quando a crise passa sozinha, é fundamental procurar um veterinário. Crises longas ou repetidas podem indicar doenças neurológicas que exigem tratamento contínuo.

Quando devo procurar uma emergência veterinária?

Na maioria dos casos, as convulsões em cães duram poucos segundos ou até três minutos, e o animal costuma se recuperar sozinho. No entanto, há situações em que a crise representa uma emergência e exige intervenção veterinária imediata.

Procure um hospital veterinário imediatamente se:

  • a crise durar mais de 5 minutos;
  • o cão tiver várias convulsões seguidas, sem recuperar a consciência entre elas;
  • o animal ficar desorientado por muito tempo após a crise;
  • houver salivação intensa, temperatura corporal elevada ou dificuldade para respirar;
  • for a primeira convulsão do animal, especialmente em filhotes ou cães idosos.

Essas situações podem indicar um quadro chamado estado epiléptico, em que o cérebro não consegue interromper as descargas elétricas anormais.

Mesmo que a convulsão cesse antes dos cinco minutos, é importante agendar uma consulta o quanto antes. O veterinário avaliará se há necessidade de ajustar a medicação anticonvulsivante, solicitar exames complementares ou indicar internação preventiva.

O que acontece no cérebro do cachorro durante uma convulsão?

Durante uma convulsão, o cérebro do cão entra em um estado de atividade elétrica descontrolada. Isso significa que os neurônios passam a enviar sinais de forma intensa e desordenada.

Normalmente, o cérebro mantém um equilíbrio entre dois tipos de substâncias químicas, chamadas neurotransmissores:

  • os excitativos, que estimulam a atividade cerebral (como o glutamato);
  • e os inibitórios, que acalmam o sistema nervoso (como o GABA, sigla para ácido gama-aminobutírico).

Essas substâncias funcionam como uma espécie de “acelerador e freio” do cérebro.

Quando há um desequilíbrio momentâneo entre elas, por exemplo, muita excitação e pouca inibição, o cérebro perde o controle e começa a emitir descargas elétricas desordenadas, desencadeando a convulsão.

Esse fenômeno causa uma falha temporária na comunicação entre as regiões cerebrais e altera o controle motor, sensorial e comportamental do animal.

A instabilidade neurológica explica por que alguns cães apresentam apenas tremores localizados, enquanto outros caem, se debatem e perdem a consciência.

Quais são os tipos de convulsão em cachorro?

convulsões em cachorros

Na medicina veterinária, as convulsões em cães são divididas de duas maneiras:

  1. pela causa (etiologia), ou seja, por que a convulsão acontece no cão;
  2. e pela forma de manifestação clínica, que mostra como o corpo do cão reage durante o episódio.

Essa distinção ajuda o veterinário a compreender melhor o problema e definir o tratamento mais adequado. De acordo com o médico-veterinário Jericó et al. (2015), as classificações funcionam assim:

Classificação pela causa (etiologia)

O foco aqui é descobrir o que está provocando a convulsão. As crises podem ter três origens principais:

  • Idiopática: não existe uma causa visível, mas acredita-se que haja predisposição genética. É o caso da chamada epilepsia canina primária, mais comum em raças como Beagle, Border Collie e Labrador Retriever.
  • Estrutural (ou sintomática): provocada por doenças que afetam o cérebro, como tumores, inflamações, traumas ou infecções que comprometem o sistema nervoso central.
  • Reativa: o cérebro reage a problemas fora dele, como intoxicações, queda de açúcar no sangue (hipoglicemia) ou doenças do fígado e dos rins.

Essa análise da causa é importante para saber se a convulsão é apenas um sintoma passageiro ou se faz parte de uma doença neurológica mais séria.

Classificação pela manifestação clínica

Já quanto à manifestação clínica, a classificação considera como o cérebro e o corpo do cão reagem durante o episódio, resultando em dois tipos principais de convulsão.

Convulsão focal (ou parcial)

A convulsão focal acontece quando apenas uma área específica do cérebro é afetada por descargas elétricas anormais. Por atingir uma região localizada, os sintomas são mais sutis e podem passar despercebidos.

Durante o episódio, o cão pode apresentar:

  • movimentos repetitivos em apenas uma pata ou na face;
  • virar a cabeça sempre para o mesmo lado;
  • lamber os lábios de forma insistente;
  • ou morder o ar, como se estivesse tentando capturar algo invisível.

Esse último comportamento é conhecido como Fly Snapping Syndrome (ou Fly Biting), uma forma de convulsão focal em que o cão parece morder moscas imaginárias.

Esses episódios costumam acontecer sem aviso e o animal permanece consciente do ambiente. Em muitos casos, o tutor consegue distrair o cão ou interromper o movimento momentaneamente, o que ajuda a diferenciá-los das convulsões generalizadas.

Em geral, a convulsão focal pode ser dividida em dois tipos:

  • Focal simples: o cão permanece consciente, ainda que apresente movimentos anormais.
  • Focal complexa: o animal perde a consciência ou fica desorientado durante o episódio.

Convulsão generalizada

A convulsão generalizada ocorre quando os dois hemisférios do cérebro são afetados simultaneamente. Por envolver todo o corpo, é a forma mais perceptível para os tutores.

Durante o episódio, o cão perde a consciência, cai, se debate intensamente e pode apresentar movimentos rítmicos nas patas (chamados de movimentos tônicos e clônicos), além de salivação excessiva, micção ou defecação involuntária.

Além da forma clássica, também existem variações das crises generalizadas, incluindo:

Tônica: membros ficam rígidos e estendidos.

Clônica: contrações rápidas, sem rigidez muscular.

Mioclônica: pequenos espasmos musculares involuntários.

Atônica: o cão fica em pé, imóvel e sem reação, com olhar fixo.

Em alguns casos, a convulsão se inicia de forma focal, afetando apenas uma região do cérebro, e logo se espalha para todo o corpo. Esse tipo de progressão é chamado de generalização secundária e é comum em cães com epilepsia.

Quais são os sintomas associados à convulsão em cachorro?

Durante uma convulsão, o corpo do cão apresenta uma sequência de sinais físicos e comportamentais que costumam aparecer por fases:

1. Fase prodrômica (antes da crise)

Horas ou até dias antes da convulsão, o cão pode demonstrar mudanças sutis de comportamento, como:

  • esconder-se;
  • seguir o tutor de forma insistente;
  • mostrar inquietação, medo ou nervosismo sem motivo aparente.

Esses sinais indicam que o cérebro já está passando por alterações elétricas e ajudam o tutor a se preparar para uma possível crise.

2. Fase de aura (início da convulsão)

É o verdadeiro início da crise, quando surgem os primeiros movimentos involuntários.
Nessa fase, o cão pode:

A tendência é que a fase dure poucos segundos, mas é um alerta claro de que a convulsão está começando.

3. Fase ictal (crise convulsiva)

É o momento mais intenso da convulsão. O cachorro pode apresentar os seguintes sintomas: 

  • cair de lado e perder a consciência;
  • apresentar movimentos tônicos e clônicos (rigidez alternada com espasmos musculares);
  • salivar em excesso;
  • urinar ou defecar involuntariamente;
  • emitir sons (grunhidos ou uivos) devido à contração involuntária da laringe.

4. Fase pós-ictal (após a crise)

Após a convulsão, o cão passa por um período de recuperação que pode durar minutos a várias horas. Durante essa fase, é comum observar:

  • desorientação e confusão;
  • andar compulsivo ou cambaleante;
  • cegueira ou surdez temporária;
  • agitação, apatia ou sono profundo.

Esses sinais são resultado da exaustão cerebral após o esforço extremo durante a crise. 

Se as crises e, consequentemente os sintomas, se tornarem frequentes ou o cão demorar muito para se recuperar, é essencial procurar um veterinário neurologista

Qual a diferença entre convulsão focal e generalizada em cães?

Para visualizar melhor as diferenças, veja o comparativo abaixo:

CaracterísticasConvulsão Focal (ou Parcial)Convulsão Generalizada
Área do cérebro afetadaUma região específicaAmbos os hemisférios cerebrais
Tipo de movimentoLocalizado (pata, face, cabeça)Generalizado (todo o corpo)
ConsciênciaMantida (focal simples) ou levemente alterada (complexa)Perdida completamente
Sintomas comunsLamber os lábios, virar a cabeça, “morder o ar”Quedas, tremores fortes, salivação, micção e defecação involuntárias
Exemplo clínicoFly Snapping Syndrome (Fly Biting)Crises epilépticas com perda total de controle
Gravidade aparenteMais leve e de curta duraçãoMais intensa e facilmente perceptível

Resumo rápido:

  • A convulsão focal é localizada e, muitas vezes, o cão continua consciente.
  • A convulsão generalizada afeta todo o cérebro e provoca perda de consciência e controle muscular.

O que pode causar convulsão em cachorro?

cachorro convulsionando

A convulsão em cães pode ter várias origens, e nem sempre há uma causa visível.

Segundo Nelson & Couto (2015), cerca de 65% dos casos são idiopáticos, ou seja, sem causa aparente, geralmente de origem genética.

Os outros 35% estão ligados a doenças neurológicas, metabólicas, tóxicas ou infecciosas.
Esse diagnóstico só é confirmado após a exclusão de outros fatores, com base em exames clínicos e neurológicos.

De forma prática, as causas de convulsão em cachorro se dividem em quatro grandes grupos:

1. Causas neurológicas (ou estruturais)

São aquelas em que há algo errado no próprio cérebro do cão, como lesões, inflamações ou tumores:

  • Tumores cerebrais: comuns em cães idosos, especialmente Boxers e Golden Retrievers;
  • Traumatismos cranianos: após quedas, atropelamentos ou pancadas na cabeça;
  • Infecções ou inflamações: como meningoencefalite e encefalite viral (cinomose é uma das principais);
  • Malformações congênitas: como hidrocefalia, observada em raças pequenas como Chihuahua e Maltês.

2. Causas metabólicas (ou extracranianas)

São causados por problemas que não estão no cérebro, mas em outros órgãos que afetam o funcionamento neurológico, como: 

  • Hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue): comum em filhotes, cães diabéticos ou de raças pequenas;
  • Insuficiência hepática: o acúmulo de toxinas no sangue (encefalopatia hepática) interfere na função cerebral;
  • Doenças renais: o acúmulo de ureia e creatinina altera a atividade elétrica do cérebro;
  • Distúrbios hormonais: como o hipotireoidismo, que reduz a produção de hormônios essenciais para o metabolismo.

Quando corrigido o desequilíbrio, a convulsão tende a desaparecer.

3. Causas tóxicas

Diversas substâncias e alimentos podem provocar crises convulsivas em cães. O cérebro reage à presença de compostos tóxicos, gerando descargas elétricas anormais.

Entre os principais agentes tóxicos que podem causar convulsão em cães estão:

  • Chocolate (teobromina);
  • Xilitol (adoçante presente em balas e gomas);
  • Cafeína, álcool e nicotina;
  • Medicamentos humanos, como antidepressivos, anti-hipertensivos e ansiolíticos;
  • Veneno para ratos, pesticidas e produtos de limpeza.

Em casos de suspeita de intoxicação, procure um veterinário imediatamente. Essas crises podem evoluir para estado epiléptico, quadro grave e potencialmente fatal.

4. Causas idiopáticas (epilepsia canina)

A epilepsia idiopática é a causa mais comum de convulsão em cães e tem origem genética.

De modo geral, a condição ocorre quando o cérebro apresenta predisposição para gerar descargas elétricas anormais, sem que haja uma lesão detectável.

  • Costuma aparecer entre os 6 meses e 6 anos de idade;
  • O cachorro convulsionando pode parecer completamente normal entre uma crise e outra;
  • As crises surgem, geralmente, durante o repouso, ao acordar ou em momentos de excitação.

Embora não tenha cura, a epilepsia idiopática pode ser controlada com medicamentos anticonvulsivantes, como fenobarbital (Gardenal) ou brometo de potássio, sempre sob prescrição veterinária.

Em quais raças as convulsões são mais comuns?

Importante: até o momento, não existe comprovação científica definitiva que vincule raça e convulsão como causa e efeito.

O que há são registros estatísticos e relatos clínicos que indicam maior incidência em determinadas raças, possivelmente por fatores genéticos ou neurológicos ainda em estudo.

Algumas raças demonstram, segundo estudos e observações clínicas, uma predisposição maior a determinados tipos de convulsões. Confira abaixo as mais citadas:

Raças com maior predisposiçãoPossível relação
Beagle, Border Collie, Labrador Retriever, Golden RetrieverMaior incidência de epilepsia idiopática (predisposição genética suspeita)
Yorkshire Terrier, Maltês, Lhasa ApsoTendência a doenças inflamatórias do encéfalo (meningoencefalite)
Boxer, Bernese Mountain Dog, Irish WolfhoundMaior risco de tumores cerebrais relacionados a crises convulsivas
Schnauzer, Cocker Spaniel, Basset Hound, PoodleCasos frequentes de convulsões idiopáticas e reativas
Pastor Alemão, Pastor Belga, Vizsla, English Springer SpanielObservações clínicas de epilepsia hereditária e distúrbios neurológicos estruturais

Mas, mesmo que a raça do seu cão esteja na lista, isso não significa que ele terá convulsões. O que existe é uma predisposição genética, e o acompanhamento veterinário regular é a melhor forma de identificar sinais precoces e garantir qualidade de vida.

Como é feito o diagnóstico de convulsão em cachorro?

O diagnóstico começa com uma avaliação detalhada do histórico do cão e dos sinais observados durante e depois da crise.

Além disso, para entender a causa, o veterinário pode solicitar:

  • Exames de sangue e urina: avaliam glicose, fígado, rins, cálcio e eletrólitos.
  • Exames de imagem (ressonância magnética ou tomografia): investigam tumores, inflamações e traumas cerebrais.
  • Análise do líquor: detecta infecções ou inflamações no sistema nervoso central.
  • Eletroencefalograma (EEG): registra a atividade elétrica cerebral e confirma a presença de descargas anormais.

Esses exames ajudam a descobrir se a convulsão foi idiopática (sem causa definida, geralmente genética), estrutural (por lesão ou tumor) ou reativa (decorrente de intoxicação ou alterações metabólicas).

Convulsão em cachorro tem cura?

A convulsão em si não é uma doença, mas sim um sintoma de algo que está acontecendo no organismo do cão. Por isso, a cura depende da causa.

  • Quando a convulsão é reativa, causada por hipoglicemia, intoxicação, infecção ou distúrbio metabólico, o quadro pode desaparecer completamente após o tratamento da causa principal.
  • Já nos casos de epilepsia idiopática, sem causa identificável, a doença não tem cura, mas é possível controlar as crises e garantir boa qualidade de vida ao cão com o uso contínuo de medicamentos e acompanhamento veterinário.

Vale lembrar que, nesses casos, o tratamento não elimina a epilepsia, mas mantém o cão estável, ativo e com bem-estar preservado. 

O acompanhamento veterinário regular é indispensável para ajustar doses, monitorar exames e prevenir efeitos colaterais dos anticonvulsivantes.

Com tratamento adequado e cuidados diários, os cães vivem por muitos anos com as crises controladas, levando uma vida praticamente normal.

Qual é o tratamento para convulsões em cães?

convulsão em cachorro precisa ser avaliada por um veterinário

O tratamento vai depender da causa da convulsão. Quando o problema está ligado a doenças de base, como infecções, intoxicações, traumas ou tumores, o foco inicial é corrigir o distúrbio que provocou a crise.

Já nos casos de epilepsia idiopática, em que não há uma causa identificável, o objetivo principal é controlar a frequência, a intensidade e a duração das crises, mantendo o cão estável e com qualidade de vida.

Segundo a veterinária Joyce Lima (CRMV/SP 39824), um dos medicamentos antiepilépticos mais utilizados em cães é o Fenobarbital, um fármaco pertencente à família dos barbitúricos.

“Popularmente conhecido como Gardenal, o Fenobarbital é um medicamento antiepiléptico indicado para cães que apresentam crises convulsivas, ajudando a reduzir a frequência, a gravidade e a duração dos episódios”, explica a veterinária.

Além do Fenobarbital, existem outros fármacos antiepilépticos para cães utilizados na medicina veterinária, com eficácia e segurança comprovadas que podem ser usados sozinhos (monoterapia) ou em associação (tratamento adjuvante).

No pet shop online da Cobasi, você encontra os medicamentos indicados pelo seu veterinário para cuidar da saúde do seu cachorro, com praticidade e segurança.

Como saber se o tratamento está funcionando?

O principal objetivo do tratamento de convulsão é reduzir a frequência e a intensidade das crises, permitindo que o cão tenha uma vida equilibrada e tranquila.

Em geral, os veterinários consideram aceitável até uma crise a cada três meses, desde que o animal se mantenha bem entre os episódios, com comportamento, apetite e disposição normais.

Para acompanhar a evolução, é fundamental que o tutor registre cada crise, anote data, horário, duração, sintomas observados e, se possível, filme o episódio.

Essas informações ajudam o veterinário a avaliar a eficácia do tratamento e decidir se é preciso ajustar a dose ou trocar a medicação.

Cuidados diários que fazem diferença no tratamento

Cada cão tem um protocolo personalizado, definido pelo veterinário de acordo com os resultados dos exames e possíveis efeitos colaterais.

Alguns hábitos simples no dia a dia fazem toda a diferença no controle das convulsões:

Administração do remédio

  • Dê a medicação sempre nos mesmos horários.
  • Use alarmes e lembretes para não esquecer nenhuma dose.

Rotina e alimentação

  • Evite jejum prolongado, calor excessivo e situações de estresse.
  • Mantenha o peso sob controle, já que as doses são calculadas por quilo.

Prevenção de riscos

  • Nunca mude a dose ou o horário da medicação por conta própria.
  • Nunca suspenda o tratamento sem orientação veterinária.
  • Nunca introduza novos remédios, suplementos ou terapias sem avisar o veterinário.

Essas medidas simples ajudam a manter o tratamento estável e evitam recaídas, garantindo mais segurança e qualidade de vida ao seu cão.

É possível prevenir as convulsões em cães?

Nem sempre é possível evitar completamente uma convulsão, especialmente nos casos de epilepsia idiopática, em que não há uma causa definida. Mas é possível reduzir os riscos e controlar as crises com acompanhamento veterinário e hábitos consistentes de cuidado.

Controle e acompanhamento

De acordo com estudos (Carneiro et al., 2017), com o uso contínuo de medicamentos anticonvulsivantes e uma rotina estável, a terapia pode reduzir até 80% das crises.

E o acompanhamento veterinário é indispensável para:

  • Ajustar doses dos medicamentos e monitorar efeitos colaterais;
  • Realizar exames periódicos de sangue e fígado;
  • Reforçar orientações sobre manejo e rotina.

Cuidados diários que ajudam na prevenção

Mesmo em cães saudáveis, algumas atitudes simples diminuem o risco de crises:

  • Evitar exposição a toxinas, como chocolate, xilitol, venenos e medicamentos humanos;
  • Manter alimentação equilibrada e níveis adequados de glicose;
  • Garantir hidratação constante;
  • Evitar estresse, calor excessivo e jejum prolongado;
  • Fazer check-ups regulares com o veterinário, especialmente em raças predispostas.

Com atenção e rotina preventiva, o tutor pode minimizar as chances de novas crises e proporcionar ao pet uma vida longa, estável e feliz. 

Dúvidas mais comuns sobre convulsão em cachorro

pet olhando para cima

Convulsão e epilepsia são a mesma coisa?

Não! A convulsão é um sintoma, uma reação do cérebro a uma descarga elétrica anormal.
Já a epilepsia é uma doença neurológica crônica, em que essas crises ocorrem de forma recorrente e espontânea.

Ou seja: nem todo cão que convulsiona tem epilepsia. Apenas o veterinário, com base em exames e histórico clínico, pode determinar o diagnóstico correto.

Quais são as possíveis sequelas de uma convulsão em cachorro?

Na maioria dos casos, o cachorro se recupera totalmente após a convulsão. No entanto, quando as crises são muito longas, frequentes ou não tratadas corretamente, podem deixar sequelas neurológicas temporárias ou permanentes.

Essas alterações acontecem porque, durante a crise, o cérebro sofre com a falta momentânea de oxigênio. Ou seja, quanto maior o tempo de crise, maior o risco de lesões cerebrais.

Sequelas temporárias (fase pós-ictal)

Logo após a convulsão, é comum o cão apresentar:

  • Desorientação e andar em círculos;
  • Cegueira passageira;
  • Agressividade leve ou confusão;
  • Sono profundo ou apatia;
  • Dificuldade para caminhar ou levantar.

Esses sintomas geralmente duram de minutos a algumas horas, mas em alguns casos podem persistir por até 24 horas.

Sequelas permanentes

Crises muito intensas e repetidas sem controle podem causar danos irreversíveis ao tecido cerebral, resultando em:

  • Déficits motores (andar cambaleante, perda de coordenação);
  • Alterações comportamentais (ansiedade, medo ou irritabilidade);
  • Problemas de memória e aprendizado;
  • Predisposição a novas convulsões.

Como o cachorro fica depois de uma crise de convulsão?

Após a crise, o cão entra em um período chamado fase pós-ictal, que pode durar de alguns minutos a várias horas, e apresentar alguns sinais como:

  • ficar desorientado;
  • cansado;
  • assustado;
  • temporariamente cego;
  • alguns cães também andam em círculos, babam ou tentam se esconder.

Esses comportamentos são normais, mas devem ser relatados ao veterinário, especialmente se durarem mais de um dia.

O cachorro pode ter efeitos colaterais com anticonvulsivantes?

Sim, no início do tratamento, é comum o cão apresentar sonolência, aumento de sede e apetite. Esses efeitos costumam diminuir conforme o organismo se adapta à medicação, mas devem ser acompanhados pelo veterinário.

O que devo saber sobre os remédios anticonvulsivantes para cachorro?

Os anticonvulsivantes, como o fenobarbital (Gardenal), levam de 15 a 21 dias para atingir níveis estáveis no organismo. Após esse período, o veterinário costuma solicitar exames de sangue para verificar se a dose está adequada e avaliar a função hepática.

Com que frequência devo voltar ao veterinário?

Nos primeiros meses, as consultas são mais frequentes para ajustar a dose e avaliar os exames. Com o tratamento estabilizado, os retornos costumam ocorrer a cada 3 a 6 meses.

Meu cão vai precisar tomar remédios para o resto da vida?

Na maioria dos casos, sim. Estudos indicam que apenas 15% dos cães podem suspender os anticonvulsivantes com segurança.

Quando há necessidade de interromper ou trocar o medicamento, isso deve ser feito de forma lenta e supervisionada, nunca de forma abrupta.

É possível um cachorro ter convulsão mesmo tomando Gardenal?

Sim, mesmo com o tratamento correto, alguns cães podem ter crises ocasionais, especialmente se houver alterações na dose, estresse, calor excessivo ou jejum prolongado. Nesses casos, o veterinário deve reavaliar o protocolo para ajustar a medicação.

A crise convulsiva pode matar?

Sim, em situações graves e prolongadas. Convulsões com duração superior a 5 minutos ou várias crises seguidas sem recuperação podem levar à hipertermia e falta de oxigênio, colocando a vida do cão em risco. Trata-se de uma emergência veterinária.

O cachorro pode dormir depois da crise convulsiva?

Sim. Após a crise, é comum o cão ficar exausto e sonolento. Deixe-o descansar em um ambiente calmo e seguro, observando se ele recupera a consciência normalmente.

O cachorro pode beber água depois da crise?

Pode, mas somente quando estiver totalmente consciente. Ofereça pequenas quantidades e observe se o cão engole sem engasgar.

Acho que meu cachorro teve uma convulsão muito rápida. Devo me preocupar?

Sim, mesmo crises curtas podem indicar um problema neurológico, metabólico ou tóxico. Registre o episódio e procure o veterinário para investigar a causa.

como funciona a eutanasia em cachorros

Gostou do conteúdo? Agora que você já sabe o que fazer em caso de convulsão em cães, lembre-se: informação é o melhor cuidado que você pode oferecer ao seu pet.

No Blog da Cobasi, você encontra mais conteúdos sobre saúde, comportamento e bem-estar animal, com dicas validadas por veterinários. Até a próxima!


Referências técnicas

  • UFMG – Cartilha para tutores com cães epilépticos. Faculdade de Medicina Veterinária. Disponível em: vet.ufmg.br/wp-content/uploads/2024/06/Cartilha-para-tutores-com-caes-epilepticos-1.pdf
  • Portal Vet Royal Canin. Convulsão em cães: causas, diagnóstico e tratamento. Disponível em: portalvet.royalcanin.com.br
  • G1 – Vida de Bicho. Convulsão em cachorro: entenda as causas e saiba como ajudar o seu pet. Disponível em: vidadebicho.globo.com
  • G1 Sorocaba e Jundiaí. Saiba os cuidados para prevenção de crises de convulsão em cães. Disponível em: g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai
  • G1 Sorocaba e Jundiaí. Convulsão em pets: especialista explica causas, sintomas e possíveis sequelas. Disponível em: g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai
  • VCA Animal Hospitals (EUA). Seizures in dogs – general overview. Disponível em: vcahospitals.com
  • PUBVET. Revisão: epilepsia e convulsões em cães e gatos – fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. Disponível em: pubvet.com.br
  • Cornell University College of Veterinary Medicine. Managing seizures in dogs. Disponível em: vet.cornell.edu
  • Jericó, M. M., et al. (2015). Doenças Neurológicas em Cães e Gatos: Diagnóstico e Tratamento. São Paulo: MedVet.
  • Nelson, R. W. Couto, C. G. (2015). Medicina Interna de Pequenos Animais. 5ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier.

Joyce Lima

Com colaboração: Joyce Lima

Médica-Veterinária

Formada pela USP, Joyce possui especializações em Medicina Veterinária Preventiva e um MBA em Liderança de Alta Performance. Apaixonada por sua gata, Mia, ela reflete todo o carinho e dedicação que tem por ela em sua prática profissional.

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