Manchas vermelhas na pele do cachorro: causas, sinais de alerta e como tratar

Por Redator Cobasi

Com colaboração: Dra. Talita Ellen Pastore
Tempo de leitura: 27 minutos

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manchas vermelhas em cachorro
Foto: Adobe Stock

As manchas vermelhas na pele do cachorro costumam chamar atenção logo no primeiro olhar. A pele muda de cor, o cão começa a se coçar, lamber com frequência ou demonstra incômodo — e a dúvida surge quase imediatamente: isso é grave?

De modo geral, as manchas avermelhadas estão entre os sinais dermatológicos mais comuns observados em cães de todas as idades.

Esse tipo de alteração pode surgir de forma discreta ou intensa, em um ponto específico do corpo ou espalhada por várias regiões, como barriga, patas, pescoço ou virilha.

A origem das manchas, no entanto, varia bastante. Há situações em que o problema está ligado a irritações pontuais, contato com substâncias inadequadas ou reações alérgicas passageiras.

Em outros cenários, as manchas funcionam como um alerta para doenças de pele em cachorros, infecções, presença de parasitas ou até desequilíbrios internos que exigem investigação.

É importante alinhar expectativas desde o início. Manchas vermelhas não representam um diagnóstico, mas sim um sinal clínico. Na prática, indicam que algo está interferindo na saúde da pele ou do organismo do animal, sem revelar a causa exata do problema.

Neste conteúdo, contamos com a colaboração da veterinária Talita Ellen Pastore (CRMV-45887) para explicar o que são as manchas vermelhas na pele do cachorro, quais causas merecem mais atenção, quando esse sinal se torna um alerta e como agir de forma segura para cuidar do seu pet.

Quando as manchas vermelhas na pele do cachorro são sinal de alerta?

Nem toda mancha vermelha na pele do cachorro indica um problema grave. Mas, em determinados contextos, o sintoma deixa de ser apenas uma alteração superficial e passa a indicar risco de agravamento ou sofrimento significativo.

As manchas merecem investigação veterinária quando apresentam um ou mais dos sinais abaixo:

  • surgem de forma repentina e intensa;
  • aumentam rapidamente de tamanho;
  • mudam de aparência em poucos dias;
  • causam dor ou desconforto ao toque;
  • apresentam sangramento;
  • liberam secreção;
  • exalam mau cheiro;
  • evoluem para feridas abertas ou áreas ulceradas.

Quando a mancha não melhora ou volta com frequência

Outro ponto importante é a persistência. Manchas que não melhoram após alguns dias, reaparecem com frequência ou se espalham para outras regiões do corpo sugerem que a causa não é pontual.

Nessas situações, a vermelhidão costuma estar associada a doenças de pele em cachorros, como dermatites crônicas e dermatites alérgicas, piodermite canina, infecções bacterianas recorrentes, fungos na pele ou até alterações hormonais.

Mudanças de comportamento associadas às manchas

Atenção redobrada quando as manchas vermelhas aparecem acompanhadas de alterações no comportamento. 

Apatia, irritabilidade, dificuldade para dormir, inquietação noturna ou recusa ao toque em determinadas áreas do corpo indicam dor ou desconforto contínuo e não devem ser ignorados.

Filhotes, cães idosos e animais com histórico dermatológico

Filhotes, cães idosos e animais com histórico de problemas dermatológicos ou doenças crônicas precisam de avaliação ainda mais criteriosa. 

Nessas fases da vida, a pele tende a ser mais sensível e a resposta do organismo pode ser mais lenta, favorecendo complicações. Diante desses sinais, a orientação é não aguardar a piora do quadro.

A avaliação veterinária permite identificar a causa, aliviar o desconforto do animal e evitar que a lesão evolua para infecções mais graves.

Sintomas que podem acompanhar as manchas vermelhas na pele do cachorro

As manchas vermelhas raramente surgem sozinhas. Na maioria dos casos, elas vêm acompanhadas de outros sinais cutâneos ou comportamentais que ajudam a entender como a pele está reagindo e quais sistemas do organismo podem estar envolvidos.

Esses sintomas não indicam, por si só, a gravidade do quadro, mas funcionam como pistas importantes para a avaliação veterinária.

Região da manchaSintomas associadosO que pode sugerir
Barriga / virilhaCoceira, vermelhidão difusa, descamaçãoAlergias, dermatite de contato
Patas / entre os dedosLambedura intensa, inchaço, falhas de peloAlergia ambiental, irritação química
Dorso / base do raboCrostas, coceira localizadaReação à picada de pulga
OrelhasVermelhidão, secreção, sensibilidadeAlergias, infecções secundárias
Rosto / focinhoFalhas de pelo, pouca coceiraSarna demodécica, alterações imunológicas
Manchas espalhadasDescamação, queda de pelo, pele opacaAlterações hormonais, infecções fúngicas

O que o tipo da mancha vermelha pode indicar?

A aparência da mancha ajuda a direcionar a investigação clínica, mas é importante lembrar: o aspecto da lesão não confirma o diagnóstico sozinho.

Diferentes doenças podem produzir manchas muito parecidas, e somente a avaliação veterinária permite identificar a causa com segurança. 

Ainda assim, alguns padrões cutâneos costumam estar associados a determinados processos inflamatórios, como explica a veterinária Talita Ellen: 

Manchas vermelhas lisas e uniformes

São áreas avermelhadas, sem crostas ou feridas abertas, geralmente com superfície íntegra. Podem estar relacionadas a:

  • reações alérgicas iniciais;
  • dermatite de contato;
  • irritações recentes por produtos ou superfícies;
  • início de crises alérgicas ambientais.

Normalmente vêm acompanhadas de coceira leve a moderada e podem surgir de forma relativamente rápida.

Manchas vermelhas com crostas

As crostas indicam que houve inflamação persistente ou trauma repetido, como coceira ou lambedura constante. São comuns em quadros como:

  • piodermite superficial (infecção bacteriana);
  • dermatite alérgica não controlada;
  • sarna;
  • infecção secundária a outra doença de base.

Além disso, quando há crostas associadas a secreção ou odor, a chance de infecção bacteriana aumenta.

Manchas vermelhas com descamação branca

Quando há escamas ou aspecto de “caspa” sobre a área avermelhada, pode haver alteração na renovação da pele. Geralmente, o sintoma está relacionada a condições, como:

  • infecções fúngicas (dermatofitose);
  • proliferação de leveduras;
  • distúrbios hormonais;
  • dermatites crônicas.

Manchas vermelhas com mau cheiro

O odor desagradável costuma indicar crescimento excessivo de bactérias ou leveduras na pele. Nesses casos, pode haver:

O cheiro forte é um sinal clínico relevante e dificilmente melhora sem tratamento adequado.

Manchas vermelhas com feridas abertas

manchas vermelhas em cães com ferida aberta
Foto: Adobe Stock

Quando a mancha evolui para ferida aberta, significa que a barreira natural de proteção da pele já foi rompida. Isso geralmente ocorre após coceira intensa, lambedura constante ou inflamação prolongada, que fragilizam o tecido e facilitam infecções secundárias.

Esse tipo de lesão pode estar associado a:

  • dermatite úmida aguda (hot spot);
  • infecções bacterianas mais profundas (piodermite);
  • parasitas que causam coceira intensa;
  • alergias não controladas;
  • traumas repetitivos provocados pelo próprio animal.

Manchas vermelhas que coçam muito

A coceira intensa (principalmente quando o animal não consegue parar de se coçar) está fortemente associada a alergias, pulgas, sarna sarcóptica ou dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP). Quando é desproporcional ao tamanho da lesão, a suspeita de alergia ou parasitas aumenta.

Manchas vermelhas que não coçam

A ausência de coceira chama atenção para outras possibilidades, como: alterações hormonais em fases iniciais ou algumas infecções fúngicas. Nesses casos, a vermelhidão pode ser mais discreta no começo, mas tende a evoluir se a causa não for tratada.

Veterinária, alerta!

Lembrando que mesmo que a aparência da mancha ajude a orientar a investigação, isso não define a causa. Afinal, sinais semelhantes podem ter origens diferentes, e só a avaliação veterinária confirma o diagnóstico e o tratamento adequado.

Quais doenças podem causar manchas vermelhas na pele do cachorro?

Sarna, alergias e infecções estão entre as condições mais conhecidas, mas não são as únicas responsáveis pelas manchas vermelhas na pele do cachorro. 

Na prática clínica, algumas causas aparecem com mais frequência e ajudam a orientar a investigação inicial. Entre as mais comuns estão:

Dermatite alérgica

A dermatite alérgica é uma das causas mais comuns de manchas vermelhas na pele do cachorro, especialmente quando a vermelhidão vem acompanhada de coceira persistente.

A pele reage de forma inflamatória a substâncias presentes no ambiente ou a agentes externos, como ácaros, poeira, mofo, pólen e a saliva de parasitas.

Segundo o Guia de Cuidados para Cães Alérgicos da Zoetis, cães geneticamente predispostos podem desenvolver esse tipo de reação ao longo da vida, com períodos de melhora e piora dos sintomas. 

A inflamação contínua compromete a barreira da pele, tornando-a mais sensível, avermelhada e vulnerável a feridas e infecções secundárias.

Um exemplo clássico é a dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP). Em cães sensibilizados, uma única picada pode desencadear manchas vermelhas intensas e coceira persistente, mesmo quando não há infestação visível.

As lesões costumam aparecer com mais frequência em regiões como patas, orelhas, axilas, virilha e barriga. Em muitos casos, a coceira surge antes das alterações visíveis, o que faz com que o responsável perceba o problema apenas quando a pele já está bastante irritada.

Infecções bacterianas e piodermite

Quando a pele perde a capacidade de se proteger, as manchas vermelhas deixam de ser apenas um sinal inflamatório e passam a indicar infecção. É nesse contexto que surgem as infecções bacterianas de pele, conhecidas como piodermite.

Esse tipo de infecção acontece quando bactérias que já vivem naturalmente na superfície cutânea encontram condições favoráveis para se multiplicarem. 

Coceira intensa, feridas abertas, lambedura persistente ou doenças de base fragilizam os mecanismos naturais de defesa da pele e permitem que esses microrganismos avancem para camadas mais profundas.

Na maior parte dos casos, a piodermite não surge de forma isolada. Dermatite alérgica, dermatite alérgica à picada de pulga, alterações hormonais, sarna ou quadros de imunidade reduzida criam o ambiente ideal para o desenvolvimento da infecção. 

Por isso, as manchas vermelhas associadas a esse quadro costumam aparecer acompanhadas de outros sinais.

Vale destacar que as manifestações clínicas variam conforme a profundidade da infecção. Por exemplo, em quadros mais superficiais, surgem áreas avermelhadas, descamação, crostas e falhas no pelo

Já quando a infecção avança, podem aparecer feridas dolorosas, secreção, mau cheiro e espessamento da pele, indicando um processo inflamatório mais intenso.

Um dos agentes mais frequentemente envolvidos é a bactéria Staphylococcus pseudintermedius, apontada como responsável por grande parte das infecções cutâneas em cães.

Estudos da Universidade de Sorocaba (Uniso) destacam que o uso inadequado de antibióticos contribui para recorrências, tornando a piodermite um problema persistente quando a causa inicial não é controlada.

Por esse motivo, manchas vermelhas acompanhadas de crostas, secreção ou odor desagradável raramente se resolvem sozinhas. 

O tratamento exige não apenas o controle da infecção, mas também a identificação do fator que permitiu que ela se instalasse. Caso contrário, as lesões tendem a reaparecer.

Dermatite úmida aguda (hot spot)

mancha vermelha no corpo de cachorro
Foto: Adobe Stock

Em poucas horas, uma pequena área avermelhada pode se transformar em uma lesão extensa, úmida e extremamente dolorida. Esse ritmo acelerado é uma das principais características da dermatite úmida aguda, conhecida como hot spot.

A lesão costuma surgir após episódios de coceira intensa ou lambedura persistente, desencadeados por fatores, como:

  • picada de inseto;
  • crise alérgica;
  • presença de pulgas;
  • umidade retida na pelagem;
  • desconforto localizado que leva o animal a lamber ou coçar repetidamente a região.

À medida que o animal insiste em coçar ou lamber a região, a área afetada se expande rapidamente. As manchas vermelhas passam a apresentar aspecto úmido, quente ao toque e sensível, com queda de pelos ao redor da lesão.

De acordo com a literatura veterinária, microrganismos que normalmente vivem em equilíbrio na superfície cutânea passam a proliferar de forma descontrolada, intensificando a inflamação e a vermelhidão.

O desconforto é imediato e costuma alterar o comportamento do animal, com inquietação constante e dificuldade para descansar. Por conta da evolução rápida, esse tipo de lesão exige avaliação precoce para evitar complicações.

Infecção por fungos (dermatofitose)

Em alguns casos, a alteração das manchas surgem com bordas bem definidas e perda de pelos ao redor, um padrão típico das infecções fúngicas, como a dermatofitose (micose).

Nesse tipo de quadro, fungos que utilizam a queratina da pele, dos pelos e das unhas como fonte de nutrição passam a se multiplicar de forma descontrolada. 

Esse processo compromete a barreira cutânea e favorece o aparecimento de manchas vermelhas bem delimitadas, geralmente acompanhadas de falhas no pelo.

O agente mais frequentemente envolvido é o Microsporum canis, considerado o principal causador da dermatofitose em cães. 

Também podem estar associados fungos presentes no solo, como Microsporum gypseum, e espécies transmitidas por outros animais, como Trichophyton mentagrophytes, sobretudo em cães com acesso frequente a ambientes externos.

Ambientes quentes e úmidos favorecem a proliferação fúngica, assim como situações em que o sistema imunológico está mais vulnerável. Alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver dermatofitose, como:

  • filhotes;
  • cães idosos;
  • animais debilitados ou com doenças prévias;
  • cães submetidos a estresse constante;
  • raças de pelagem longa, nas quais a umidade tende a ficar retida na pele.

Um ponto de atenção é o potencial de transmissão. De acordo com materiais técnicos da Zoetis, a dermatofitose é uma zoonose, o que significa que pode ser transmitida entre animais e humanos por contato direto ou por meio de objetos e ambientes contaminados.

Os esporos fúngicos podem permanecer viáveis no ambiente por meses, o que dificulta o controle da doença quando o diagnóstico é tardio.

Sarna 

A sarna é causada por ácaros microscópicos que se instalam na pele e provocam inflamação contínua. Esses parasitas desencadeiam uma reação cutânea agressiva, que deixa a pele avermelhada, sensível e propensa à descamação.

Com o tempo, a coceira persistente leva o cachorro a se ferir ao se coçar ou morder, favorecendo crostas, infecções secundárias e agravamento das lesões.

Existem diferentes formas da doença, mas duas concentram a maior parte dos casos clínicos e provocam manchas vermelhas com padrões e riscos distintos:

Sarna sarcóptica (sarna canina)

A sarna sarcóptica é considerada a forma mais intensa e preocupante. Causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei var. canis, provoca coceira extrema, manchas vermelhas difusas e rápida progressão das lesões.

As áreas mais afetadas costumam incluir orelhas, face, abdômen, peito, cotovelos, patas e regiões de pouco pelo.

Além do desconforto significativo, trata-se de uma doença altamente contagiosa, com potencial de transmissão entre cães e também para humanos. Por esse motivo, a sarna sarcóptica é considerada uma zoonose e exige atenção imediata.

Sarna demodécica

Já a sarna demodécica tem um comportamento diferente. O ácaro envolvido (Demodex canis) faz parte da microbiota normal da pele de muitos cães, mas passa a causar doença quando há falhas no sistema imunológico.

Nesses casos, as manchas vermelhas tendem a surgir de forma mais discreta no início, com falhas de pelo localizadas, especialmente no rosto, patas e tronco. 

A coceira pode ser leve ou ausente nas fases iniciais, o que costuma atrasar a percepção do problema pelo tutor. Com a progressão do quadro, a inflamação se intensifica e pode evoluir para infecções bacterianas associadas.

Independentemente do tipo, as manchas vermelhas causadas por sarna não costumam regredir sem tratamento adequado.

Os ácaros continuam se multiplicando, mantendo a inflamação ativa e favorecendo a progressão das lesões.

Pulgas e outros parasitas externos

A presença de pulgas está entre as causas mais subestimadas de manchas vermelhas na pele do cachorro, principalmente porque nem sempre a infestação é facilmente identificada.

Em cães sensíveis, a saliva do parasita atua como um potente gatilho inflamatório, capaz de provocar reações cutâneas intensas mesmo quando há poucas picadas.

O primeiro sinal costuma ser comportamental. O pet passa a se coçar com insistência, morder regiões específicas ou esfregar o tronco em móveis e no chão. Quando a alteração inflamatória se torna visível, a pele já vem reagindo há algum tempo à ação do parasita.

As manchas associadas a pulgas tendem a seguir um padrão bem característico, concentrando-se principalmente na região lombar (próxima ao rabo), no abdômen, na parte interna das coxas e nas patas.

Nessas áreas, além da vermelhidão, é comum observar pequenas crostas, feridas superficiais e queda de pelos, resultado direto do trauma causado pela coceira contínua.

Outros parasitas externos, como carrapatos e piolhos, também podem desencadear inflamação local. A fixação prolongada desses ectoparasitas irrita a pele e abre porta para infecções secundárias no ponto da picada, o que amplia o quadro inflamatório.

Um fator que frequentemente confunde o tutor é a ausência de parasitas visíveis no momento da avaliação. Mesmo quando o cachorro já não apresenta pulgas aparentes, a resposta inflamatória da pele pode permanecer ativa por dias ou semanas.

Por isso, manchas vermelhas associadas a coceira intensa, principalmente na região do dorso e do abdômen, devem sempre levantar a suspeita de parasitas externos — mesmo quando o controle antipulgas está em dia.

Alterações hormonais e doenças sistêmicas

As chamadas endocrinopatias (desequilíbrios hormonais internos) afetam diretamente a integridade da pele e dos pelos, deixando essas estruturas mais frágeis e suscetíveis a inflamações.

Doenças como o hipotireoidismo e o hiperadrenocorticismo (Síndrome de Cushing) alteram o metabolismo cutâneo, interferem no ciclo de crescimento dos pelos e comprometem a capacidade de regeneração da pele. 

Segundo estudos, alterações cutâneas estão presentes em 60% a 90% dos cães com hiperadrenocorticismo e em mais de 80% dos casos de hipotireoidismo, muitas vezes surgindo antes mesmo dos sinais sistêmicos.

Nesses casos, as manchas vermelhas costumam vir acompanhadas de outros achados característicos, como queda de pelos simétricos, pelagem opaca, hiperpigmentação da pele e ausência de coceira intensa no início. 

Diante de sinais como mudanças de comportamento, ganho de peso ou apatia, a investigação clínica deve ir além da pele e considerar doenças sistêmicas como causa primária das manchas.

Dermatite de contato

Produtos de limpeza domésticos, desinfetantes, inseticidas, perfumes, plantas ou superfícies recém-higienizadas podem causar dermatite de contato, principalmente em áreas mais expostas, como patas, barriga, focinho e região inguinal. 

A vermelhidão costuma ser localizada e aparece exatamente nas regiões que entram em contato com o agente irritante. Inicialmente, a reação pode parecer leve, mas a exposição contínua favorece o surgimento de coceira, feridas e infecções bacterianas secundárias.

Em situações mais raras, reações de hipersensibilidade intensa podem provocar edema importante das mucosas, exigindo atenção imediata. Um ponto importante é que, a melhora costuma ocorrer quando o agente causador é removido do ambiente. 

Então, em resumo, manchas vermelhas localizadas, de surgimento recente e sem histórico prévio de alergias devem sempre levantar a suspeita de reação por contato químico ou ambiental.

O que fazer ao perceber manchas vermelhas na pele do cachorro?

veterinário olhando mancha vermelha na pele de cachorro
Foto: Adobe Stock

Quando surgem manchas na pele, o passo mais importante não é tratar por conta própria, e sim preparar o caminho para uma avaliação com um veterinário dermatologista, que é o profissional capacitado para investigar alterações cutâneas de forma precisa.

Organizar informações faz parte desse processo. A pele reage a estímulos externos, internos e até sistêmicos, e a mancha visível é apenas a ponta do problema. 

Então, quanto mais claros forem os detalhes sobre o início e a evolução da lesão, mais rápido o veterinário consegue identificar a causa real e definir o tratamento correto.

Para esses cuidados iniciais aqui vão algumas dicas: 

Anote o que mudou antes do surgimento da mancha

Antes da consulta, vale registrar qualquer alteração recente na rotina do animal, mesmo que pareça simples. Informações como essas fazem diferença no diagnóstico:

  • mudança de ração ou petiscos;
  • uso de shampoos, perfumes ou produtos novos no ambiente;
  • contato recente com grama, plantas ou outros animais;
  • histórico de pulgas, carrapatos ou falhas no controle antiparasitário;
  • episódios anteriores semelhantes.

Com os dados organizados, o veterinário consegue direcionar melhor a investigação clínica e decidir quais exames são realmente necessários. Isso torna o diagnóstico mais rápido, preciso e seguro para o animal.

Vale reforçar: a mancha vermelha é um sintoma, não a causa. O sucesso do tratamento depende diretamente de identificar o que está causando essa alteração na pele.

Observe e descreva a mancha com atenção

Sem manipular excessivamente a pele, observe características que ajudam na avaliação clínica:

  • local exato onde a mancha surgiu;
  • se há apenas uma lesão ou várias áreas afetadas;
  • aparência predominante (lisa, úmida, com crostas, descamativa);
  • presença ou não de perda de pelos no local.

Se possível, fotografar a lesão ao longo dos dias também é útil, principalmente quando a aparência muda rapidamente.

O que NÃO fazer ao ver manchas vermelhas na pele do cachorro?

Diante de manchas vermelhas na pele do cachorro, algumas atitudes comuns podem parecer inofensivas, mas acabam dificultando o diagnóstico e agravando o quadro. Até a avaliação veterinária, é importante evitar:

  • Não usar pomadas humanas ou receitas caseiras
    Produtos feitos para humanos podem irritar ainda mais a pele do cachorro, mascarar sinais importantes e piorar infecções.

  • Não administrar medicamentos sem prescrição
    O uso inadequado de remédios pode atrasar o diagnóstico, favorecer resistência bacteriana e tornar o problema recorrente.

  • Não lavar a área afetada de forma excessiva
    Banhos frequentes ou uso de shampoos inadequados comprometem a barreira natural da pele e intensificam a inflamação.

  • Não ignorar coceira persistente ou lesões que não melhoram
    Coçar constante, lambedura intensa ou manchas que evoluem indicam que o problema não é apenas superficial e precisa de investigação.

Essas medidas ajudam a proteger a pele até que a causa seja corretamente identificada pelo veterinário.

Como o veterinário investiga manchas vermelhas na pele do cachorro?

Na dermatologia veterinária, a lesão visível é tratada como um sinal externo de algo que pode estar acontecendo na pele ou no organismo como um todo.

Por isso, ao chegar à clínica, o foco do veterinário não é apenas “olhar a mancha”, mas entender por que aquela alteração apareceu.

Avaliação clínica completa (mais do que só a pele)

A investigação começa pela anamnese, que é a conversa detalhada sobre o histórico do animal. Aqui entram exatamente as informações que o tutor organizou antes da consulta:

  • início do problema;
  • evolução da mancha;
  • mudanças recentes na rotina;
  • alimentação;
  • ambiente;
  • histórico de doenças.

Em seguida, o veterinário avalia a distribuição das lesões no corpo, aparência da pele e dos pelos, presença de coceira, dor, sensibilidade e outros sinais que possam indicar causas sistêmicas (hormonais ou imunológicas).

Esse conjunto já ajuda a excluir algumas causas e priorizar outras, antes mesmo de qualquer exame.

Exames dermatológicos mais comuns

tratamento para doença dermatologica em cães
Foto: Adobe Stock

Quando necessário, o veterinário pode solicitar exames simples e pouco invasivos, escolhidos conforme a suspeita clínica:

Raspagem de pele

Usada para identificar ácaros, fungos ou alterações celulares. É um exame rápido e muito útil na investigação de sarna e infecções parasitárias.

Citologia cutânea

Consiste na análise de células da pele para detectar bactérias, leveduras e sinais de inflamação. Ajuda a diferenciar processos infecciosos de inflamatórios.

Testes para alergia

Indicados quando há suspeita de dermatite alérgica. Podem incluir dieta de exclusão alimentar ou testes específicos para alérgenos ambientais.

Quando exames mais aprofundados são necessários?

Em casos de lesões que não cicatrizam ou quando os exames iniciais não esclarecem a causa, o veterinário pode avançar na investigação:

Exames de sangue

Avaliam condições sistêmicas, como hipotireoidismo ou síndrome de Cushing, que frequentemente se manifestam primeiro pela pele.

Biópsia de pele

Indicada quando há dúvida diagnóstica, suspeita de doenças autoimunes, tumores cutâneos ou alterações crônicas. Um fragmento da pele é analisado em laboratório especializado.

Quais tratamentos são indicados para manchas vermelhas na pele do cachorro?

As manchas vermelhas na pele do cachorro podem ter causas completamente diferentes e, consequentemente, tratamentos opostos. Por isso, tentar “adiantar” o tratamento sem diagnóstico pode mascarar sintomas, atrasar a melhora e até agravar o quadro clínico.

Quando a causa é corretamente identificada, a maioria das doenças dermatológicas em cães responde bem ao tratamento adequado.

O ponto central é entender que não existe uma solução única para manchas vermelhas: o sucesso está em tratar a origem do problema, não apenas a aparência da pele.

Para facilitar esse entendimento, reunimos abaixo um panorama geral das principais causas abordadas ao longo do conteúdo, indicando se há possibilidade de cura e quais abordagens costumam fazer parte do tratamento, sempre de forma orientativa.

Causa das manchas vermelhasTem cura?O que o tratamento pode envolver
Dermatite alérgicaControle contínuoManejo ambiental, controle de pulgas, dietas específicas, medicamentos antialérgicos e acompanhamento a longo prazo
Dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP)ControleControle rigoroso de pulgas no animal e no ambiente, alívio da inflamação e da coceira
Dermatite úmida aguda (hot spot)SimLimpeza da lesão, secagem adequada, controle da coceira e tratamento da causa primária
Piodermite (infecção bacteriana)Sim*Antibióticos tópicos ou sistêmicos, conforme gravidade, e tratamento da causa de base
Dermatofitose (micose)SimAntifúngicos tópicos e/ou orais, controle ambiental e higiene rigorosa
Sarna sarcópticaSimAntiparasitários específicos e controle do contato com outros animais
Sarna demodécicaPode variarTratamento antiparasitário prolongado e suporte ao sistema imunológico
Pulgas e ectoparasitasSimUso de antiparasitários adequados e controle ambiental contínuo
Alterações hormonais (hipotireoidismo, Cushing)ControleTratamento hormonal específico e acompanhamento veterinário contínuo
Dermatite de contatoSimIdentificação e remoção do agente irritante + cuidado com a pele

* Na piodermite, a infecção pode ser curada, mas a recidiva é comum se a causa primária não for controlada.

Importante: as informações da tabela não substituem a consulta com um médico-veterinário. Na verdade, elas servem para esclarecer sobre as possibilidades de manejo e a importância do diagnóstico correto.

Como prevenir manchas vermelhas na pele do cachorro?

A prevenção passa por manter a pele protegida, o ambiente controlado e a rotina do animal estável. Quando esses três pontos estão em equilíbrio, o risco de inflamações e infecções cutâneas diminui consideravelmente.

Entre as principais medidas preventivas estão:

Manter o controle regular de pulgas e outros ectoparasitas

Mesmo cães sem acesso à rua podem ser expostos a parasitas, que estão entre as causas mais comuns de inflamação cutânea.

Adotar uma rotina de higiene adequada

Banhos na frequência correta ajudam a preservar o equilíbrio natural da pele.

Usar shampoos, sabonetes e produtos indicados para o tipo de pele do animal

Produtos inadequados ou muito agressivos favorecem irritações, ressecamento e dermatites recorrentes. Use sempre shampoos, condicionadores, sabonetes e outros produtos de higiene especificos para cães.

Oferecer uma alimentação adequada e nutricionalmente equilibrada

Deficiências nutricionais e dietas inadequadas interferem diretamente na saúde da pele e dos pelos, aumentando a predisposição a inflamações e alergias.

Observar a pele e a pelagem com frequência

Verificar barriga, patas, orelhas, virilha e dobras da pele permite identificar manchas, falhas de pelo ou alterações ainda no início.

Manter acompanhamento veterinário periódico

Consultas regulares ajudam a ajustar a prevenção antiparasitária, identificar doenças hormonais precocemente e evitar que alterações cutâneas evoluam silenciosamente.

Perguntas frequentes sobre manchas vermelhas na pele do cachorro

mancha vermelha em cão
Foto: Adobe Stock

Manchas vermelhas na pele do cachorro sempre coçam?

Muitas manchas vermelhas vêm acompanhadas de coceira, especialmente em casos de alergias, pulgas ou sarna sarcóptica. 

No entanto, algumas condições podem causar manchas com pouca ou nenhuma coceira, como alterações hormonais, sarna demodécica em fases iniciais ou infecções fúngicas. A ausência de coceira não significa que o problema seja leve.

Manchas vermelhas podem ter causa emocional?

Em alguns casos, sim. Situações de estresse, ansiedade ou tédio podem levar o cachorro a lamber ou coçar excessivamente determinadas áreas do corpo, favorecendo inflamação local e surgimento de manchas. 

Esse quadro é conhecido como dermatite psicogênica, mas só deve ser considerado após a exclusão de causas clínicas, infecciosas e alérgicas.

Manchas vermelhas na pele do cachorro são contagiosas?

Depende da causa. Por exemplo, doenças como a dermatofitose (micose) e a sarna sarcóptica, são contagiosas entre animais e também podem ser transmitidas para humanos.

Outras, como alergias, dermatite de contato ou alterações hormonais, não são contagiosas. Apenas a avaliação veterinária permite identificar o risco real de transmissão.

Quanto tempo demora para as manchas vermelhas sumirem?

O tempo de melhora varia conforme a causa e o tratamento. Quadros simples podem apresentar melhora em poucos dias após o início do manejo correto(repetição de melhora).

Já doenças crônicas, hormonais ou alérgicas podem exigir controle contínuo, com melhora gradual. Quando não há diagnóstico adequado, as manchas tendem a persistir ou reaparecer.

Quais são as causas mais comuns e as menos conhecidas de manchas vermelhas na pele do cachorro?

As manchas vermelhas na pele do cachorro podem ter origens muito diferentes. Algumas causas aparecem com mais frequência, enquanto outras são menos óbvias e costumam ser investigadas apenas quando o quadro é recorrente ou não melhora com cuidados iniciais.

Tipo de causaExemplosCaracterísticas frequentes
Causas mais comunsDermatite alérgica (ambiental ou alimentar)

Pulgas e dermatite alérgica à picada de pulga (DAPP)

Dermatite úmida aguda (hot spot)

Piodermite (infecção bacteriana superficial)
Coceira intensa, inflamação visível, lesões que podem evoluir rapidamente se não tratadas
Causas menos óbvias, mas importantesAlterações hormonais (hipotireoidismo, síndrome de Cushing)

Sarna demodécica (especialmente no início)

Infecções fúngicas (dermatofitose)

Dermatite de contato por produtos químicos ou superfícies irritantes
Coceira leve ou ausente no início, evolução mais lenta, sinais cutâneos discretos

É possível tratar manchas vermelhas na pele do cachorro em casa?

O uso de pomadas humanas, receitas caseiras ou medicamentos sem prescrição pode mascarar sintomas, atrasar o diagnóstico e agravar o problema. A mancha é apenas um sinal clínico, e tratar sem identificar a causa pode tornar o quadro recorrente mais difícil de controlar.

Manchas vermelhas podem virar feridas?

Sim. Quando há coceira intensa, lambedura constante ou infecção associada, a pele pode se romper, evoluindo para feridas abertas, crostas e infecções secundárias. Quanto mais cedo a causa for identificada, menor o risco de complicações.

Cachorro com manchas vermelhas pode tomar sol?

Em casos de inflamação ativa, feridas abertas ou infecções, a exposição ao sol pode piorar a sensibilidade da pele. Porém, quando a doença é controlada, o sol não costuma ser um fator agravante direto. O ideal é seguir a orientação do veterinário conforme o diagnóstico e o estágio da lesão.

cachorro com veterinário em consultório
Foto: Adobe Stock

O conteúdo te ajudou? As manchas vermelhas na pele do cachorro não devem ser ignoradas, mas também não precisam gerar pânico. São sinais clínicos que indicam que algo está interferindo na saúde da pele ou do organismo e merecem atenção adequada.

Observar o animal, organizar informações e buscar avaliação veterinária são passos fundamentais para identificar a causa correta. 

Quanto mais cedo isso acontece, maiores são as chances de controle do problema, alívio do desconforto e preservação da qualidade de vida do cachorro.

Se você quiser continuar se informando sobre saúde, bem-estar e cuidados essenciais com cães, explore outros conteúdos do Blog da Cobasi, com orientações confiáveis e foco no cuidado responsável. Até a próxima!

Dra. Talita Ellen Pastore

Com colaboração: Dra. Talita Ellen Pastore

Médica-veterinária formada pela Universidade Metodista de São Paulo, com pós-graduação em clínica e cirurgia de pequenos animais. Possui experiência em hospital veterinário 24 horas e atua no atendimento de cães e gatos, com foco em cuidado técnico e humanizado.

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