

O cachorro vomitando sangue é um sinal clínico importante de que algo não vai bem no organismo. Esse tipo de vômito é chamado de hematêmese e não é uma doença, mas indica que há sangramento em alguma parte do trato digestivo.
A presença de sangue no vômito pode variar desde pequenas estrias avermelhadas até grandes quantidades de sangue vivo ou escurecido, com aspecto semelhante à borra de café.
Na maioria dos casos, o sangramento está relacionado a alterações no estômago, esôfago ou na porção inicial do intestino.
Essas alterações podem ter causas mais simples, como uma inflamação gástrica aguda, ou representar uma situação grave, como intoxicações, infecções ou distúrbios de coagulação, que exigem avaliação veterinária imediata.
Segundo a médica-veterinária Talita Ellen Pastore (CRMV-45887), esse é um sinal que sempre merece atenção:
“O sangue no vômito indica que há irritação, inflamação ou sangramento ativo no trato digestivo. Nunca deve ser ignorado, mesmo em episódios únicos.”
Neste artigo, com a colaboração da médica-veterinária Talita Ellen Pastore, você vai entender o que pode causar vômito com sangue em cães, quais são os sinais de alerta, o que fazer (e o que não fazer) e quais tratamentos podem ser indicados.
O objetivo é ajudar você a agir com informação, rapidez e segurança em um momento que, naturalmente, gera muita preocupação.
Ao notar que o cachorro está vomitando sangue, a primeira orientação é não ignorar o sinal e observar alguns detalhes que podem ajudar o veterinário na avaliação clínica.
De acordo com a médica-veterinária Talita Ellen Pastore, informações como cor, aparência e frequência do sangue no vômito ajudam a indicar a origem do sangramento e o grau de risco, mas não substituem a consulta com um profissional.
Em episódios únicos, com pequena quantidade de sangue e o cão aparentemente ativo, o quadro pode ser considerado de baixo risco inicial, desde que haja observação cuidadosa.
A partir dessas observações iniciais, entender como a aparência do sangue e a frequência dos episódios se relacionam com o risco ajuda o responsável pelo pet a agir com mais clareza até o atendimento profissional.
Embora essas observações não substituam a avaliação veterinária, a cor, a aparência e a frequência do sangue no vômito ajudam a indicar de onde o sangramento pode estar vindo e o quão urgente é a situação.
Na prática, observar como esse sangue aparece no vômito permite entender se o sangramento é recente, ativo ou se já vinha acontecendo há algum tempo.
Quando o vômito apresenta sangue vermelho vivo, isso geralmente indica um sangramento recente. Pode estar relacionado a lesões na mucosa do estômago ou do esôfago e, em alguns casos, a ferimentos na cavidade oral.
Essa característica é considerada um sinal de risco elevado e merece avaliação veterinária rápida.
O sangue escuro, com aspecto semelhante à borra de café, indica que o sangue foi parcialmente digerido. Isso sugere sangramento no estômago ou na porção inicial do intestino, ou uma lesão que não é recente, mas permanece ativa.
A presença de coágulos no vômito indica sangramento ativo e volumoso. Esse tipo de achado é frequentemente associado a intoxicações por anticoagulantes ou distúrbios de coagulação e deve ser tratado como emergência veterinária.
A frequência dos vômitos também é um fator determinante, já que episódios múltiplos aumentam significativamente a chance de desidratação, comprometimento da circulação e choque, exigindo intervenção veterinária imediata.
Para ajudar a entender quando o vômito com sangue é uma emergência, a médica-veterinária Talita Ellen explica como os casos costumam ser classificados de acordo com os sinais apresentados pelo cão.
| Avaliação | Características | Risco |
| Baixo | Episódio único, pequena quantidade de sangue escuro, cão ativo e se alimentando | Monitorar e procurar orientação veterinária |
| Moderado | Vômitos repetidos, sangue mais escuro ou viscoso, apatia leve, perda de apetite | Avaliação veterinária o quanto antes |
| Alto (Emergência) | Sangue vivo ou com coágulos, fraqueza, mucosas pálidas, diarreia hemorrágica, desidratação, filhotes, cães idosos ou com doença prévia | Atendimento veterinário imediato |
Identificar corretamente o nível de risco é essencial, mas não substitui a avaliação veterinária. Mesmo quadros inicialmente leves podem evoluir rapidamente, dependendo da causa.
De acordo com a médica-veterinária Talita, em situações consideradas de baixo risco (como um episódio único de vômito com pequena quantidade de sangue e o cão ativo) algumas medidas iniciais podem ajudar até a avaliação profissional.
A veterinária orienta:
Vale ressaltar que mais de um episódio de vômito com sangue já caracteriza risco moderado. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento veterinário, mesmo que o animal pareça bem.
A veterinária Talita reforça que algumas atitudes devem ser evitadas porque podem agravar o quadro ou atrasar o diagnóstico correto:
Essas orientações ajudam a reduzir riscos e garantem que o animal receba o atendimento adequado no momento certo.

O vômito com sangue em cães é um sintoma inespecífico, ou seja, pode estar associado a diferentes doenças ou condições, com níveis variados de gravidade.
Identificar a origem do sangramento é essencial para definir a urgência do atendimento veterinário e o tratamento mais adequado para cada caso.
A seguir, a médica-veterinária Talita Ellen Pastore, explica quais são as principais causas do vômito com sangue em cachorro, quais outros sintomas costumam acompanhar cada uma e por que esses quadros sempre merecem atenção.
A gastrite hemorrágica é uma das causas mais frequentes de cachorro vomitando sangue. Ocorre quando a mucosa do estômago sofre uma inflamação intensa, levando a pequenas erosões e sangramentos.
Esse quadro pode ser desencadeado por ingestão de alimentos inadequados, restos de comida, lixo, mudanças bruscas de dieta, estresse intenso ou uso de medicamentos como anti-inflamatórios.
Além do vômito com sangue, o cão pode apresentar náusea, apatia, dor abdominal e, em alguns casos, diarreia.
As úlceras são lesões mais profundas na parede do estômago ou do intestino. Quando sangram, costumam causar vômito com sangue escuro, com aparência semelhante à borra de café, indicando que o sangue já passou pelo processo de digestão.
Esse problema pode estar associado ao uso prolongado de anti-inflamatórios não esteroides, corticoides, doenças renais ou hepáticas, estresse crônico e até tumores.
Entre os principais sintomas, o animal pode apresentar também perda de apetite, dor abdominal e emagrecimento progressivo.
Objetos como brinquedos, ossos, pedaços de pano, pedras ou madeira podem provocar cortes, perfurações ou inflamação grave no trato gastrointestinal, levando ao sangramento e à hematêmese.
Nesses casos, o vômito costuma ser persistente, acompanhado de dor abdominal intensa, distensão da barriga, apatia e recusa alimentar. Muitas vezes, a ingestão de corpo estranho exige intervenção cirúrgica, o que torna o atendimento rápido essencial.
Os venenos anticoagulantes interferem diretamente na coagulação do sangue, provocando hemorragias internas generalizadas, inclusive no trato digestivo.
O cachorro pode vomitar sangue vivo ou com coágulos, além de apresentar fraqueza, mucosas muito pálidas, sangramentos na gengiva ou na pele e dificuldade respiratória.
Segundo a médica-veterinária Talita Ellen Pastore, esse é um dos quadros mais graves:
“A intoxicação por rodenticidas causa sangramentos intensos e rápidos. Qualquer suspeita deve ser tratada como emergência veterinária.”
A parvovirose é uma doença viral grave que ataca as células do intestino, causando vômitos intensos, diarreia hemorrágica, dor abdominal e desidratação rápida.
Em filhotes, o quadro pode evoluir rapidamente para uma queda grave da circulação e da pressão arterial (choque), com risco de morte em pouco tempo.
Quando há vômito com sangue em filhotes, a parvovirose deve sempre ser considerada como uma possibilidade importante, exigindo atendimento imediato e isolamento do animal.
Alterações na coagulação podem levar a sangramentos espontâneos, inclusive no estômago. Isso ocorre em doenças do carrapato, como erliquiose e babesiose, intoxicações, trombocitopenia imunomediada e doenças hepáticas graves.
O vômito pode conter sangue vivo ou escurecido, geralmente acompanhado de fraqueza, apatia, anemia e mucosas pálidas.
A pancreatite é a inflamação do pâncreas e pode causar vômitos repetidos. Em casos mais severos, a irritação gástrica secundária pode levar à presença de sangue no vômito.
O cão costuma apresentar dor abdominal intensa, postura encurvada, apatia, tremores e diarreia, sendo mais comum em animais que ingeriram alimentos muito gordurosos.
Doenças graves do fígado e dos rins afetam a coagulação e a proteção da mucosa gástrica, favorecendo sangramentos. Já tumores no estômago ou esôfago podem ulcerar e sangrar progressivamente.
Esses quadros tendem a apresentar sintomas mais crônicos, como vômitos frequentes, perda de peso, apetite reduzido e fraqueza gradual.

Identificar a causa da hematêmese exige uma avaliação cuidadosa, já que o vômito com sangue pode ter origens diferentes e níveis variados de gravidade. Entre os principais procedimentos realizados estão:
Segundo a médica-veterinária Talita Ellen Pastore, a investigação começa com uma anamnese detalhada, ou seja, uma conversa aprofundada com o responsável pelo cão.
Nessa etapa, o veterinário avalia informações como:
Após a avaliação inicial, o veterinário pode solicitar exames de sangue, como hemograma, exames bioquímicos, coagulograma e eletrólitos.
Esses exames ajudam a identificar infecções, alterações na coagulação, anemia, além de problemas no fígado ou nos rins.
Em alguns casos, também são solicitados testes específicos para doenças do carrapato e parvovirose, especialmente quando se trata de filhotes.
Os exames de imagem, como ultrassonografia abdominal ou raio X, são indicados principalmente quando há suspeita de corpo estranho, obstrução intestinal ou massas no trato gastrointestinal.
Esses exames ajudam a localizar alterações que não aparecem apenas nos exames de sangue.
Em situações específicas, pode ser necessário realizar uma endoscopia digestiva, exame que permite visualizar diretamente o estômago e o esôfago. O procedimento ajuda a identificar úlceras, tumores ou o local exato do sangramento, orientando o tratamento de forma mais precisa.
Quanto mais cedo essa investigação é iniciada, maiores são as chances de controlar o sangramento e garantir a recuperação do animal, principalmente nos quadros considerados moderados ou graves.
O tratamento do cachorro vomitando sangue varia conforme a causa identificada, a gravidade do quadro e o estado clínico do animal no momento do atendimento. Ou seja, não existe um único protocolo que sirva para todos os casos.
Conforme explica a médica-veterinária, o foco inicial do tratamento costuma ser estabilizar o paciente e controlar o sangramento, antes mesmo de tratar a causa específica.
Entre os tratamentos mais indicados para casos de vômito com sangue em cães estão:
Em muitos casos, especialmente quando há vômitos repetidos ou sinais de desidratação, o veterinário inicia o tratamento com medidas de suporte, que têm como objetivo estabilizar o animal, aliviar os sintomas e evitar complicações.
Após identificar a causa do sangramento, o tratamento passa a ser direcionado especificamente ao problema de base, sempre considerando a gravidade do quadro e a condição clínica do animal.
Cada caso exige uma abordagem individualizada, de acordo com o quadro clínico.

Em quadros mais graves — como gastroenterite hemorrágica intensa, intoxicações ou sangramentos volumosos — a internação veterinária pode ser necessária para garantir monitoramento constante e suporte intensivo.
Nesses casos, o animal pode precisar de:
Após o controle do vômito e do sangramento, o veterinário pode orientar uma dieta leve e de fácil digestão, introduzida de forma gradual, conforme a recuperação do trato digestivo.
A evolução e o prognóstico dependem diretamente da causa do vômito com sangue e da rapidez no atendimento veterinário. Em muitos casos, o tratamento precoce permite recuperação completa. Já em quadros graves, o risco de sequelas ou risco de vida é maior.
Nem todos os casos de cachorro vomitando sangue podem ser evitados, mas algumas medidas simples no dia a dia ajudam a reduzir o risco de alterações gastrointestinais e facilitam a identificação precoce de problemas de saúde.
Manter uma alimentação balanceada, adequada à idade, porte e condição de saúde do cão é fundamental. Evite oferecer restos de comida, alimentos gordurosos ou mudanças bruscas na dieta, que podem irritar o trato digestivo e desencadear inflamações.
Supervisionar o ambiente é essencial para prevenir a ingestão de corpos estranhos, produtos tóxicos, venenos, plantas perigosas e objetos cortantes. Brinquedos devem ser adequados ao tamanho do animal e estar em bom estado.
Nunca administre medicamentos por conta própria, especialmente anti-inflamatórios e analgésicos. Qualquer tratamento deve ser feito apenas com orientação veterinária, já que alguns remédios podem causar lesões gástricas e sangramentos.
Manter o calendário de vacinação atualizado, especialmente contra a parvovirose, e realizar vermifugação regular ajuda a prevenir doenças que podem causar vômitos intensos e sangramentos intestinais, principalmente em filhotes.
O controle de carrapatos e pulgas reduz o risco de doenças que afetam a coagulação do sangue. Além disso, consultas veterinárias periódicas permitem identificar alterações hepáticas, renais ou gastrointestinais antes que evoluam para quadros mais graves.
Mudanças no apetite, episódios frequentes de vômito, apatia, perda de peso ou alterações no comportamento nunca devem ser ignoradas. Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de tratamento eficaz e recuperação.
O cachorro vomitando sangue é sempre um sinal de alerta e nunca deve ser ignorado, mesmo que o animal pareça bem no momento.
Em muitos casos, tratar a situação como emergência ou, no mínimo, buscar avaliação veterinária em poucas horas, pode fazer toda a diferença no prognóstico.
Nessa situação, agir com rapidez, informação e orientação profissional é a melhor forma de proteger a saúde e a vida do seu cão.

Sim, tossir sangue geralmente está relacionado a problemas respiratórios ou na cavidade oral, como pulmões, traqueia, gengivas ou boca.
Já vomitar sangue (hematêmese) indica sangramento no trato digestivo, como estômago, esôfago ou intestino. Por isso, é importante observar se o sangue vem acompanhado de vômito ou de tosse para relatar corretamente ao veterinário.
Sim, muitas doenças graves podem ter início silencioso, e o sangue no vômito nunca é normal. Mesmo que o animal pareça bem após o episódio, a avaliação veterinária é fundamental para descartar causas mais sérias.
Em situações como sangue vivo em grande quantidade, presença de coágulos, vômitos repetidos, fraqueza, mucosas pálidas ou diarreia com sangue, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente, sem aguardar consulta de rotina.
O ideal é manter o animal calmo e aquecido, reduzindo ao máximo o estresse. Utilize caixa de transporte ou segure o cão de forma firme e segura, evitando movimentos bruscos.
Uma dica é levar toalhas ou papel absorvente, o que pode ajudar a conter novos episódios de vômito durante o trajeto.
Algumas condições apresentam alto risco de vida, especialmente sem tratamento rápido, como:
Se quiser saber mais sobre quadros de vômito em cães, a médica-veterinária Natália Fevereiro respondeu às principais dúvidas em um episódio da TV Cobasi. Dê o play!
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