

Cruzamento é o nome dado ao processo de reprodução natural entre cachorro e cadela durante o período do cio, que resulta na gestação e no nascimento de filhotes.
Embora seja um processo instintivo para os cães, quando essa decisão parte do tutor, ela precisa ser cuidadosamente planejada e conduzida com responsabilidade.
Afinal, é preciso refletir sobre o futuro dos filhotes: onde eles vão viver, quem será responsável por seus cuidados e se haverá condições reais de garantir bem-estar a todos.
Por isso, para muitos veterinários, a castração é opção mais indicada, tanto para prevenir doenças quanto para evitar o abando animal em decorrência de cruzamentos indesejados.
Mais do que unir macho e fêmea, a escolha dos reprodutores também deve levar em conta saúde, temperamento e idade correta para o cruzamento, além das características da raça.
Segundo o médico-veterinário Marcelo Tacconi (CRMV-44031):
“É fundamental que o tutor estude a raça, entenda suas particularidades e saiba quais cuidados adotar em cada etapa do processo, garantindo que os animais estejam saudáveis, bem cuidados e adequados para reprodução.”
Neste guia completo, você vai descobrir a idade certa para o cruzamento, os riscos da consanguinidade, como preparar os cães, os cuidados após o acasalamento e muito mais.
O cruzamento de cães só deve acontecer quando eles atingem a maturidade sexual completa.
De acordo com Tacconi, o consenso entre os profissionais é de que o cruzamento aconteça a partir do 3º cio para as fêmeas, geralmente entre 18 e 24 meses, e após os 18 meses para o machos.
Essas idades podem variar de acordo com o porte e o sexo do animal. Abaixo, a tabela resume os principais parâmetros de maturidade reprodutiva em cães machos e fêmeas.
| Categoria | Idade recomendada | Detalhes importantes |
| Machos | A partir de 18 meses | A puberdade começa por volta dos 7 meses, mas o auge reprodutivo vai de 1,5 a 7 anos. Raças pequenas são mais precoces, enquanto raças grandes atingem a maturidade mais tarde. |
| Fêmeas | A partir do 3º cio (18 a 24 meses) | Entram no cio em média 2 vezes ao ano. A fase fértil ocorre entre o 10º e o 14º dia do proestro (a primeira fase do cio das cadelas). |
Cruzamentos antes da idade correta colocam em risco a saúde da mãe e a sobrevivência dos filhotes. As consequências mais comuns incluem partos difíceis, desgaste precoce do organismo da cadela e até aumento da taxa de mortalidade dos filhotes.
“Mesmo que o primeiro cio ocorra cedo (entre 6 e 9 meses), o cruzamento responsável só deve ser feito a partir do terceiro cio, quando a cadela já está fisicamente preparada para a gestação”, reforça o veterinário Marcelo Tacconi.
Por isso, criadores responsáveis evitam o acasalamento no primeiro cio e também não recomendam gestações em cios consecutivos, garantindo que a fêmea tenha tempo adequado para se recuperar entre uma ninhada e outra.
O auge reprodutivo do macho acontece entre 1,5 e 7 anos, variando conforme o porte.
Raças pequenas amadurecem mais cedo e permanecem férteis por mais tempo, enquanto raças grandes e gigantes atingem a maturidade mais tarde e têm queda reprodutiva precoce.
É importante ressaltar que os machos entram na puberdade cedo, geralmente entre 5 e 7 meses, quando começam a produzir espermatozoides e a demonstrar comportamento sexual.
Porém, nesse período o sêmen ainda é de baixa qualidade e o corpo do cão está em pleno desenvolvimento, tornando o cruzamento precoce ineficaz e arriscado.
Então, mesmo que o macho demonstre interesse sexual cedo, o cruzamento só é seguro e eficaz a partir dos 18 meses de idade.

O período fértil da cadela, chamado estro, acontece geralmente entre o 10º e o 14º dia após o início do cio. É nessa fase que ela aceita o macho e há maior chance de fecundação.
Para entender melhor, o ciclo reprodutivo das cadelas tem quatro fases:
Quando os sinais não são evidentes, o veterinário pode confirmar o período fértil com exames hormonais ou citologia vaginal.
Em geral, o cio da cadela chega ao fim com o encerramento da fase de estro, geralmente entre 14 e 21 dias após o início do ciclo.
Nesse momento, a fêmea deixa de aceitar o macho, o interesse dos outros cães diminui e o comportamento começa a voltar ao normal.
Além disso, a vulva perde o inchaço característico e o sangramento vaginal cessa completamente
O cruzamento entre cães de portes muito diferentes não é recomendado. O maior perigo ocorre quando a fêmea é de porte pequeno e o macho bem maior, pois os filhotes podem nascer grandes demais para sua estrutura corporal, levando a distocias (dificuldades no parto).
Essas distocias podem gerar complicações sérias, como:
Quando a fêmea é maior que o macho, os problemas tendem a ser menores, já que sua estrutura óssea e muscular suporta melhor os filhotes. Ainda assim, o acompanhamento de um médico-veterinário é indispensável.
| Situação | Possíveis consequências | Recomendação |
| Fêmea pequena x Macho grande | Filhotes muito grandes, risco de parto difícil, cesariana ou até morte da cadela. | Deve ser evitado. |
| Fêmea grande x Macho pequeno | Parto geralmente sem complicações. | Permitido, mas com supervisão veterinária. |
| Porte semelhante | Maior segurança no parto e menor risco de complicações. | É a condição mais indicada. |
Segundo especialistas do G1, mesmo quando o macho é menor, os filhotes podem nascer compatíveis com o porte da mãe, já que herdaram 50% de sua carga genética.
No entanto, em casos de feto único, o risco é maior: por ter acesso a todos os nutrientes sozinho, o filhote pode crescer demais, aumentando a chance de parto difícil.
Neste caso, a fêmea pode não conseguir parir naturalmente, e a recomendação é que o animal seja submetido a uma cesariana para garantir a saúde da mãe e da ninhada.

Um cão só está pronto para o cruzamento quando reúne três pontos fundamentais: saúde, vacinas e vermífugos em dia, além de maturidade física e emocional.
A Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) reforça no Manual Técnico de Reprodução de Cães que, para garantir segurança e bem-estar, é preciso avaliar cada um desses pontos com cuidado:
O primeiro passo é o check-up veterinário completo. Dependendo da raça e do histórico do cão, o veterinário pode solicitar:
Esse acompanhamento ajuda a garantir que o cão esteja saudável e não transmita doenças aos filhotes, como destaca o Dr. Marcelo Tacconi:
“Selecionar cães saudáveis e livres de doenças genéticas é fundamental. Por isso, todo o processo, do preparo ao nascimento dos filhotes, deve ser acompanhado por um médico-veterinário”, explicou.
A vacinação deve estar em dia, pois a fêmea transmite anticorpos importantes aos filhotes nos primeiros dias de vida. Entretanto, vacinar uma cadela já prenha não é recomendado, pois pode causar reabsorção embrionária (morte fetal precoce) ou aborto.
O controle de vermes e parasitas externos também é essencial. O tratamento deve ser feito com produtos seguros para reprodutores, já que alguns medicamentos podem prejudicar o desenvolvimento dos filhotes.
A nutrição dos pets é decisiva, pois o sobrepeso (obesidade) e a magreza excessiva (caquexia) reduzem as chances de uma gestação saudável.
A fêmea precisa de ração de qualidade, água fresca sempre disponível e, em alguns casos, suplementação indicada pelo veterinário.
Durante a gravidez, há ajustes específicos: por exemplo, maior consumo de energia no terço final da gestação e suplementação de ácido fólico nos estágios iniciais.
O temperamento também importa: o cão deve ser equilibrado, sem agressividade ou medo excessivo, para que o acasalamento ocorra de forma segura. Fêmeas ansiosas ou machos muito dominantes podem ter dificuldade no acasalamento.

O cruzamento natural entre cães é instintivo e acontece em duas fases principais: a etapa de monta e a etapa de junção.
Na fase de monta, durante o cio da fêmea, o macho a monta pela parte traseira e ocorre a penetração, dando início à cópula.
Após a penetração, ocorre o chamado laço copulatório (ou tie), que mantém os cães unidos pelas partes traseiras por 10 a 30 minutos.
Isso acontece porque o bulbo peniano do macho incha dentro da vagina da fêmea, garantindo que o sêmen seja liberado de forma eficiente. É um fenômeno normal da reprodução canina.
É comum que, durante a primeira cópula, um ou ambos os cães fiquem agitados, ou tentem se mover durante o laço copulatório.
Nesse caso, o tutor deve manter a calma, evitar gritos ou movimentos bruscos e nunca tentar separá-los à força, pois isso pode causar ferimentos graves no macho e na fêmea.
O ideal é apenas manter os animais em um ambiente tranquilo, garantindo que fiquem seguros até que a separação ocorra naturalmente, quando o inchaço do bulbo diminuir.
Após a separação, deixe os cães descansarem em ambientes tranquilos e evite estímulos excessivos. Observe, também, se há sinais de dor ou desconforto intenso.
Caso algo fora do normal seja percebido, procure a orientação de um veterinário.
Para aumentar as chances de sucesso, recomenda-se permitir 2 a 3 cruzamentos em dias alternados durante o estro.
Nesses casos, pode ser realizada a inseminação artificial (IA), uma técnica utilizada há mais de 200 anos na reprodução canina.
O procedimento consiste em introduzir o sêmen diretamente no aparelho reprodutivo da fêmea, permitindo maior controle sobre o momento da fecundação.
Segundo o Manual Técnico de Reprodução de Cães da CBKC, as principais vantagens da inseminação artificial são:
As técnicas de Inseminação Artificial são:
As taxas de sucesso chegam a 75–90% quando se utiliza sêmen fresco ou refrigerado, sendo menores no caso do sêmen congelado.
Para que funcione, o procedimento deve sempre ser acompanhado por um médico-veterinário especialista em reprodução, que monitora o cio da cadela com exames como citologia vaginal ou dosagem hormonal.

Além da saúde, preparar os cães para o cruzamento é essencial para reduzir o estresse e aumentar as chances de sucesso. A socialização, o ambiente e a forma de apresentação entre macho e fêmea fazem toda a diferença.
Antes do cruzamento, é essencial que macho e fêmea já tenham contato prévio e positivo entre si, pois a falta de familiaridade pode gerar estresse, rejeição ou agressividade.
Por isso, o ideal é que os cães sejam apresentados antes do início do cio, em encontros curtos e tranquilos onde possam interagir no próprio ritmo.
O contato gradual ajuda os animais a reconhecerem o cheiro um do outro e cria uma base segura para quando o período fértil chegar.
Durante essas interações, o tutor deve reforçar comportamentos calmos e receptivos com reforço positivo, como petiscos, elogios ou carinho.
Isso contribui para que os cães associem a presença um do outro a experiências agradáveis, aumentando a probabilidade de um cruzamento natural e seguro.
O local do cruzamento deve ser seguro, limpo e tranquilo, sem a presença de outros animais ou estímulos que possam gerar estresse ou distração.
Quando possível, a cópula deve ocorrer no espaço do macho, pois ele tende a se sentir mais confiante e seguro em seu próprio território.
Para a fêmea, esse cenário também pode ser positivo, já que estar fora do próprio território reduz comportamentos defensivos ou agressivos.
Caso não seja viável realizar o cruzamento no ambiente do macho, é fundamental escolher um local neutro, calmo e que ambos os animais já conheçam.
O cruzamento entre cães da mesma família, como irmãos, pais e filhos, é chamado de consanguinidade canina.
Essa prática aumenta o risco de doenças graves porque reduz a diversidade genética e faz com que mutações recessivas, normalmente “escondidas”, apareçam nos filhotes.
Todo cão carrega pequenas alterações no DNA que, sozinhas, não causam doenças. Mas quando dois animais parentes se reproduzem, essas mutações têm mais chance de se encontrar em dose dupla, o que aumenta a probabilidade de problemas de saúde.
O resultado pode ser filhotes com:
Entre as doenças mais associadas à consanguinidade estão:
Para medir esse risco, os geneticistas usam uma ferramenta chamada COI – coeficiente de consanguinidade, que mostra o quanto os reprodutores são aparentados.
Quanto maior o COI, maior a chance de os filhotes herdarem doenças genéticas, problemas de fertilidade ou más-formações.
De forma simples: quanto mais parentes próximos se cruzam, mais o “pool genético” vai se fechando. A cada geração de cruzamentos consanguíneos, as mutações que antes estavam silenciosas se acumulam, tornando as raças mais frágeis, com menor expectativa de vida e mais propensas a doenças.
Esse problema é ainda mais preocupante no Brasil, onde alguns criadores ainda fazem cruzamentos entre parentes de forma excessiva. Em países com regras mais rígidas de bem-estar animal, essa prática já está sendo banida para proteger a saúde das raças.

A melhor forma de proteger os filhotes é prevenir cruzamentos entre parentes próximos, como irmãos, pais, filhos ou até avós. Esses acasalamentos aumentam muito as chances de doenças genéticas.
Além disso, alguns cuidados ajudam a garantir cruzamentos mais seguros:
Na reprodução canina, os cruzamentos são classificados conforme o grau de parentesco entre os animais. Isso ajuda a entender melhor os riscos:
Na prática, criadores responsáveis buscam sempre o outbreeding, já que garante maior diversidade genética e ninhadas mais saudáveis.
Já o inbreeding e o line breeding, embora possam fixar características desejadas de uma raça, também aproximam os defeitos indesejáveis e aumentam o risco de comprometer a saúde das próximas gerações.
Para manter a segurança do processo, o cruzamento deve ser orientado por profissionais especializados.
O laço copulatório é o momento em que o macho e a fêmea permanecem unidos após a penetração.
Isso acontece porque o bulbo peniano incha dentro da vagina da cadela, mantendo os cães grudados por alguns minutos e aumentando as chances de fecundação. É um fenômeno normal e esperado.
Em média, a cópula dura de 15 a 30 minutos, mas pode chegar a 1 hora dependendo do porte, da idade e da experiência dos animais. Esse tempo se deve ao laço copulatório, quando o bulbo peniano incha e prende o macho à cadela até o fim da ejaculação.
O ideal é apenas esperar. A separação acontece naturalmente quando o bulbo peniano desincha. Tentar separar os cães à força pode causar graves lesões, como hemorragias, fraturas penianas, prolapso vaginal e até risco de morte.
É importante supervisionar discretamente para garantir um ambiente seguro e sem distrações. Porém, não se deve interferir na cópula, apenas observar e deixar que o processo siga naturalmente.
Nas fêmeas, nunca em cios consecutivos, pois o organismo precisa de tempo para se recuperar entre gestações. Isso garante uma ninhada saudável e evita o desgaste físico precoce.
Já os machos podem cruzar algumas vezes por semana durante o auge reprodutivo (entre 1,5 e 7 anos), mas sempre respeitando idade, saúde e bem-estar.

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Sou jornalista desde 2016 e vivo cercado pelos meus pets! Sou pai do Zé e do Tobby, um Shih Tzu e um Vira-lata, da Mary, uma gatinha branca, e do Louro, um papagaio (claro!). Escrevo para Cobasi ajudando outros tutores a cuidar dos seus pets.
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