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A anemia em cachorro é uma condição caracterizada pela perda, destruição ou produção insuficiente de glóbulos vermelhos e hemoglobina no sangue.
Quando isso acontece, o organismo passa a transportar menos oxigênio para os órgãos e tecidos, o que compromete o funcionamento de diferentes sistemas do corpo.
Sem a oxigenação adequada, o cachorro com anemia também passa a apresentar sintomas como gengivas pálidas, fraqueza, perda de apetite e aumento da frequência cardíaca.
Apesar de preocupar muitos tutores, a anemia canina não é considerada uma doença, mas um sinal clínico associado a diferentes problemas de saúde.
Entre as causas mais comuns estão hemorragias, doença do carrapato, doenças autoimunes, tumores, insuficiência renal crônica, intoxicações e até deficiências nutricionais.
A gravidade do quadro varia conforme a origem e a intensidade da alteração sanguínea — mas alguns tipos de anemia, como a anemia hemolítica imunomediada, apresentam taxa de mortalidade de até 70%.
Como os riscos são grandes, reconhecer os sinais de alerta e buscar ajuda veterinária o quanto antes é fundamental para aumentar as chances de recuperação do seu amigo.
Quer saber tudo sobre a anemia em cães? Com a colaboração da Dra. Nathália Martins (CRMV/SP 39.844), médica-veterinária da Pet Anjo Valinhos, explicamos sintomas, causas, tipos, tratamento e prevenção para a anemia canina.
Continue a leitura e tire suas dúvidas!
A anemia em cachorro é um sinal clínico, não uma doença. O quadro é caracterizado pela redução da quantidade de glóbulos vermelhos e hemoglobina abaixo dos valores considerados normais para indivíduos saudáveis da mesma espécie, raça, sexo e idade.
Isso pode ocorrer devido à perda, destruição ou baixa produção dessas estruturas, geralmente associadas a doenças infecciosas, imunomediadas ou crônicas.
Os glóbulos vermelhos, também chamados de hemácias ou eritrócitos, são as células mais numerosas do sangue, responsáveis pelo transporte de oxigênio.
Produzidos pela medula óssea, esses componentes são formados a partir de nutrientes como ferro, proteínas e vitaminas essenciais.
Em condições normais, os glóbulos vermelhos ocupam aproximadamente 40% do volume sanguíneo e se renovam a cada 130 dias, em média. (ANTUNES, 2010).
Sua principal função é transportar oxigênio dos pulmões para os órgãos, músculos e demais tecidos do organismo através da hemoglobina — uma proteína presente no interior dos glóbulos vermelhos que liga e libera o oxigênio durante a circulação.
Quando algo afeta a quantidade ou a qualidade dos glóbulos vermelhos, o transporte de oxigênio é comprometido e o organismo passa a sofrer com baixa oxigenação dos tecidos.
Como o oxigênio é indispensável para a produção de energia, sua redução afeta a disposição e o funcionamento do corpo dos animais.
Em entrevista ao portal Vida de Bicho, o médico-veterinário Luis Fernando de Moraes trouxe um exemplo prático das consequências desse processo:
“Tudo na casa depende de energia para funcionar: a geladeira, o secador, etc. E, com o corpo, é a mesma coisa. Os órgãos e sistemas são altamente dependentes de energia. Se há queda, vários órgãos e sistemas vão entrar em sofrimento e passar por um quadro de fadiga e de cansaço”, exemplifica o profissional.
A anemia no cachorro é classificada em três níveis de gravidade: leve, moderada e grave.
Um dos principais parâmetros usados para a classificação é o hematócrito (ou volume globular), índice que mede a proporção de glóbulos vermelhos presentes no sangue.
Quanto mais acentuada for a diminuição de hemácias, menor será o percentual encontrado.
| Classificação da anemia | Hematócrito (%) |
| Leve | 26 a 37% |
| Moderada | 13 a 25% |
| Grave | Menor que 13% |
O hematócrito é uma ferramenta diagnóstica muito importante, mas que não deve ser analisada isoladamente.
Um cão com anemia leve pode apresentar sinais clínicos graves, como taquicardia, enquanto outro com valores mais baixos pode apresentar alterações menos evidentes.
Por esse motivo, o diagnóstico e a definição do tratamento devem sempre considerar a intensidade dos sintomas e o quadro clínico completo do paciente.

Embora a anemia seja considerada um sintoma — não uma doença propriamente dita — cães com a condição apresentam uma série de sinais clínicos específicos, como:
Com menos oxigênio chegando aos tecidos, o organismo produz menos energia. Como consequência, o cão anêmico pode apresentar fraqueza, apatia e sonolência.
Muitos animais passam a ficar mais tempo deitados e demonstram menos interesse por atividades que antes faziam parte da sua rotina, incluindo brincadeiras e passeios.
Intolerância ao exercício e cansaço ao caminhar, mesmo após esforços leves, também são sinais clínicos de anemia em cachorro.
Fique atento se o seu pet apresentar mudanças comportamentais repentinas como:
A palidez é um sinal clássico da anemia. Isso acontece porque os glóbulos vermelhos — como o próprio nome diz — são os responsáveis pela cor avermelhada do sangue.
Com menos hemácias circulando pelo organismo, regiões normalmente rosadas podem ficar mais claras. Nesse cenário, gengivas, mucosas, focinho e até a parte interna das pálpebras adotam uma coloração esbranquiçada.
A redução da disposição e o mal-estar causado pela anemia também podem provocar falta de apetite, fazendo com que o animal se alimente menos do que o habitual.
Quando o quadro persiste por semanas ou meses, a diminuição da ingestão de alimentos pode resultar em perda de peso, o que agrava ainda mais o estado clínico do pet.
Para compensar a redução do transporte de oxigênio, o organismo aumenta o trabalho do coração e dos pulmões, causando alterações na frequência respiratória e cardíaca dos pets.
Logo, taquicardia, respiração acelerada, dificuldade respiratória ou mucosas cianóticas — quando gengivas adotam um tom azulado — são sinais associados à anemia.
A frequência cardíaca normal varia conforme porte, idade, estresse e condição clínica. Como referência geral:
Aumentos nessa frequência podem colocar a vida do pet em risco e devem ser investigados e tratados com urgência. Leve seu pet ao veterinário se notar alterações!
Dependendo da causa por trás do quadro de anemia, os cães também podem apresentar sinais inespecíficos como febre, icterícia (coloração amarelada das mucosas e da pele) e presença de sangue na urina.
A anemia em cachorro pode se manifestar por meio de alterações no comportamento e corpo do animal. Alguns sinais clínicos surgem com maior frequência, mas todos exigem uma visita ao veterinário.
| Sintoma | Frequência | Nível de alerta |
| Apatia, cansaço excessivo e perda de energia | Muito comum | Moderado, mas exige atenção e atendimento médico. |
| Mucosas pálidas | Muito comum | Moderado, mas exige atenção e atendimento médico. |
| Respiração acelerada e taquicardia | Comum | Alto, exige atendimento médico imediato. |
| Icterícia, febre e urina com sangue | Comum | Alto, exige atendimento médico imediato. |
Ao notar algum desses sintomas, procure o médico-veterinário com urgência. Apenas o profissional poderá descobrir o tipo de anemia do pet e indicar o melhor tratamento.

Existem várias formas de classificar a anemia canina, mas a mais utilizada na medicina veterinária se baseia na resposta da medula óssea à redução dos glóbulos vermelhos.
De acordo com esse critério, a condição pode ser dividida em anemia regenerativa e anemia não regenerativa.
Para identificá-las, o médico-veterinário avalia a quantidade de reticulócitos, que são hemácias jovens recém-produzidas pela medula óssea.
Quando esses precursores aparecem em maior quantidade na circulação, é um sinal de que o organismo está tentando compensar a anemia.
As anemias regenerativas e não regenerativas ainda podem ser classificadas em diversas subdivisões dependendo da causa do problema. Confira as principais!
A anemia por hemorragia ocorre quando o animal perde grandes quantidades de sangue em um curto período de tempo ou apresenta sangramentos persistentes ao longo dos dias.
Essa perda pode acontecer para o exterior do corpo, como em ferimentos e sangramentos visíveis, ou para o interior de cavidades como abdômen e tórax (hemorragia interna).
As principais causas desse tipo de anemia são:
Os cães com anemia hemorrágica precisam de atendimento veterinário imediato.
Até porque, a perda súbita e grave de sangue pode levar o animal a óbito se mais de 30 a 40% do volume sanguíneo total for perdido. (AL-GHAZLAT & HONENHAUS, 2016)
Quando a hemorragia é controlada rapidamente, a medula óssea dos cães costuma aumentar a produção de novas hemácias para compensar as perdas.
No entanto, hemorragias crônicas podem consumir gradualmente as reservas de ferro e proteínas do organismo.
Com isso, a produção de glóbulos vermelhos se torna cada vez mais difícil e a anemia pode evoluir para um quadro não regenerativo associado à deficiência de ferro.
A hemólise é um processo natural no qual glóbulos vermelhos envelhecidos são destruídos pelas células do Sistema Monocítico Fagocitário (SMF).
Quando a destruição aumenta e atinge, inclusive, glóbulos vermelhos normais, o organismo dos cães desenvolve a anemia hemolítica. (GARCIA-NAVARRO, 2003)
Diferente da anemia hemorrágica, esse quadro não está associado a uma perda sanguínea evidente, mas a um processo de destruição interna.
O combate das hemácias acontece principalmente no baço, fígado e medula óssea, e costuma aumentar a taxa de bilirrubina no sangue: pigmento amarelo produzido no fígado.
Por isso, a icterícia — condição que provoca o amarelamento das mucosas, da pele e da parte branca dos olhos — é um sinal clínico muito comum em cães com anemia hemolítica.
As causas da anemia hemolítica podem ser divididas em dois grupos:
Na maioria dos casos de anemia hemolítica, a medula óssea responde ao problema aumentando a produção de novas células sanguíneas.
A anemia imunomediada é um dos tipos mais comuns de anemia hemolítica em cães.
A grande diferença entre elas é que, nesse caso, a destruição dos glóbulos vermelhos acontece porque o próprio sistema imunológico passa a atacar essas células por engano.
A anemia hemolítica pode ser causada por infecções, intoxicações, medicamentos, alterações genéticas ou reações imunomediadas. Na forma imunomediada, o organismo identifica as hemácias como uma ameaça.
Esse processo pode acontecer na corrente sanguínea ou em órgãos como fígado e baço, reduzindo rapidamente a quantidade de células disponíveis para transportar oxigênio.
A anemia hemolítica imunomediada é classificada como primária ou secundária.
Na forma primária, também chamada de anemia hemolítica idiopática, não é possível identificar a causa que levou o sistema imunológico a atacar as hemácias.
Já na forma secundária, a resposta imunológica é desencadeada por outra condição de saúde que altera ou danifica os glóbulos vermelhos.
Entre os principais fatores associados à forma secundária estão:
Além da destruição dos glóbulos vermelhos, alguns cães também apresentam redução no número de plaquetas, aumentando o risco de tromboses e outras complicações.
Por esse motivo, a anemia hemolítica imunomediada é considerada uma emergência.
Estudos mostram que a taxa de mortalidade da doença pode variar entre 21% e 83%, e os animais costumam ir a óbito nas primeiras semanas após o diagnóstico.
A anemia nutricional surge quando o organismo não recebe ou não consegue aproveitar adequadamente os nutrientes necessários para a produção dos glóbulos vermelhos.
Embora muitos tutores associem esse problema à falta de ferro, outras deficiências também podem estar envolvidas, incluindo de cobre, vitaminas do complexo B e vitamina E.
Na maioria dos casos, esse quadro se desenvolve de forma lenta. Inicialmente, a medula óssea ainda consegue compensar parcialmente a redução dos nutrientes disponíveis.
Com o passar do tempo, porém, a produção de glóbulos vermelhos fica comprometida e o quadro pode evoluir para uma anemia não regenerativa em cachorro.
A deficiência de ferro, conhecida como anemia ferropriva, é uma das formas mais comuns desse grupo. Curiosamente, ela nem sempre está relacionada à alimentação inadequada.
Em cães adultos, na verdade, a principal causa são as perdas sanguíneas crônicas, especialmente no trato gastrointestinal.
Entre as situações que podem contribuir para esse tipo de anemia estão:
Como a redução das reservas de ferro acontece gradualmente, os sinais clínicos costumam surgir aos poucos e incluem fraqueza, apatia, perda de apetite e diminuição da disposição.

Como explicamos, a anemia pode surgir por diferentes motivos, como sangramentos, doenças infecciosas, alterações no sistema imunológico e doenças crônicas.
Para facilitar a visualização, listamos as principais causas da condição abaixo:
Além dos casos citados acima, há outras causas bastante comuns para a anemia em cachorro, incluindo distúrbios hormonais como síndrome de Cushing e hipotireoidismo.
Vale lembrar que alguns animais também possuem predisposição ao quadro, ou seja, correm mais riscos de desenvolver a condição.
A anemia pode afetar cães de qualquer raça, idade ou porte. No entanto, fatores genéticos, nutricionais ou relacionados ao estilo de vida podem aumentar a ocorrência do quadro.
Algumas raças parecem ter maior tendência a desenvolver doenças hematológicas caninas, como o Cocker Spaniel Americano e o Schnauzer Miniatura.
Isso não significa que todos os cães dessas raças terão anemia, mas seus tutores precisam ter atenção redobrada para sintomas como apatia, fraqueza e mucosas pálidas.
Os filhotes estão entre os grupos mais vulneráveis, principalmente porque seu sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.
Além disso, infecções virais, verminoses e infestações por pulgas e carrapatos são comuns nessa fase da vida e podem favorecer o aparecimento da anemia.
Nos cães idosos, o risco costuma estar relacionado ao surgimento de doenças crônicas que afetam a absorção de nutrientes como o ferro, essencial para a produção das hemácias.
Condições como insuficiência renal, câncer e doenças inflamatórias são mais comuns com o avanço da idade e podem contribuir para o desenvolvimento da anemia.
Cães que não recebem antipulgas e vermífugos regularmente também correm mais risco.
Afinal, pulgas, carrapatos e vermes intestinais podem causar perda de sangue e transmitir doenças como babesiose e erliquiose, duas importantes causas de anemia em cães.
Animais com dieta desequilibrada ou ingestão insuficiente de nutrientes podem desenvolver deficiências nutricionais.
A falta de ferro, vitaminas do complexo B e outros nutrientes essenciais compromete a produção de glóbulos vermelhos e aumenta o risco de anemia ao longo do tempo.
A evolução da anemia depende principalmente da velocidade com que os glóbulos vermelhos são perdidos ou destruídos.
Em geral, a condição pode se manifestar na forma aguda ou crônica, apresentando sinais clínicos e níveis de gravidade diferentes.
Na anemia aguda, a redução dos glóbulos vermelhos acontece de forma rápida, geralmente em decorrência de hemorragias, traumas ou intoxicações.
Como o organismo não tem tempo para se adaptar à queda repentina da oxigenação, os sinais costumam surgir de forma intensa e o quadro exige atendimento imediato.
Alguns sintomas comuns de anemia aguda em cachorro são:
Quando a perda sanguínea é muito severa, o animal pode entrar em choque. Estudos indicam que a perda de mais de um terço do volume sanguíneo total pode colocar a vida do pet em risco se não houver atendimento imediato.
Na anemia crônica, a redução dos glóbulos vermelhos acontece de forma lenta. O quadro geralmente está associado a doenças renais, inflamatórias, infecciosas e hormonais.
Como a queda ocorre gradualmente, o organismo consegue desenvolver mecanismos de compensação para tentar manter a oxigenação dos tecidos.
Por isso, os sintomas costumam ser mais discretos e podem passar despercebidos por semanas ou até meses. Alguns sinais de alerta para o quadro são:
Sem tratamento, a redução contínua da oxigenação pode comprometer o funcionamento de órgãos importantes e prejudicar significativamente a qualidade de vida do animal. Na dúvida, leve o pet ao veterinário assim que notar os sintomas de anemia crônica.

Sintomas como gengivas pálidas e apatia podem levantar suspeitas iniciais, mas só um médico-veterinário é capaz de diagnosticar a anemia em cachorro com precisão.
A investigação começa com a anamnese, uma conversa em que o médico-veterinário pergunta sobre o histórico de saúde e os sinais observados.
Nesse momento, os responsáveis devem estar preparados para informar:
Durante a consulta, o médico-veterinário também costuma examinar as gengivas, verificar a frequência cardíaca e respiratória e buscar sinais de sangramentos ou doenças associadas.
Em seguida, solicitará exames laboratoriais para confirmar a presença da anemia e avaliar sua gravidade. Na tabela, reunimos os principais.
| Exame | O que avalia? | Quando é indicado? |
| Hemograma | Contagem de hemácias, hemoglobina, hematócrito e reticulócitos. | É o principal exame para confirmar a anemia e ajudar na classificação do quadro. |
| Volume Globular (VG) ou PCV | Percentual de glóbulos vermelhos no sangue. | Utilizado como triagem rápida para detectar anemia. |
| Perfil bioquímico | Função dos rins, fígado e outros órgãos, além dos níveis de proteínas. | Indicado para investigar doenças associadas à anemia, como insuficiência renal e alterações hepáticas. |
| Dosagem de ferritina e ferro sérico | Estoques de ferro e disponibilidade do mineral no organismo. | Solicitado quando há suspeita de deficiência de ferro ou anemia nutricional. |
| Teste de Coombs | Presença de anticorpos aderidos aos glóbulos vermelhos. | Utilizado na investigação de anemia hemolítica imunomediada. |
| Perfil de coagulação | Capacidade de coagulação do sangue. | Indicado em casos de suspeita de hemorragias, intoxicações ou distúrbios hemorrágicos. |
| Análise de urina | Presença de sangue, hemoglobina e alterações renais. | Auxilia na investigação de sangramentos urinários e doenças renais. |
| Exame de fezes | Presença de parasitas intestinais e sinais de perda sanguínea digestiva. | Recomendado quando há suspeita de verminoses ou sangramento gastrointestinal. |
| Testes para hemoparasitoses (ELISA, RIFI ou PCR) | Doenças transmitidas por carrapatos, como erliquiose e babesiose. | Indicados em cães com histórico de infestação por carrapatos ou suspeita de hemoparasitoses. |
| Ultrassonografia e radiografias | Alterações em órgãos internos, tumores e hemorragias ocultas. | Utilizadas na investigação de sangramentos internos e outras causas da anemia. |
| Avaliação da medula óssea | Produção de células sanguíneas pela medula. | Indicada em casos persistentes, graves ou de difícil diagnóstico. |
Muitos quadros de anemia em cachorro têm cura — mas isso depende da causa por trás da redução de glóbulos vermelhos no organismo.
Como a condição pode estar associada a diferentes distúrbios do sangue e doenças sistêmicas, o prognóstico varia de um caso para outro.
Quadros relacionados a hemorragias controladas, infestações por parasitas e algumas deficiências nutricionais costumam ser corrigidas e tratadas em poucas semanas.
Mas se a anemia estiver associada a doenças crônicas, alterações da medula óssea, condições autoimunes ou câncer, os pets podem precisar de acompanhamento contínuo.
Nesses casos, o objetivo do tratamento geralmente é controlar a doença de base, reduzir os sintomas e preservar a qualidade de vida do animal.
Seja como for, cães com anemia precisam receber cuidados especializados, então jamais tente tratar a condição em casa, sem orientação veterinária.
Como a condição é apenas um sinal clínico, o tratamento para anemia em cachorro vai variar de acordo com a doença responsável pela redução de hemácias.
“Se é uma anemia ferropriva, é preciso suplementar com ferro; se é uma anemia de inflamação, é necessário afastar as causas inflamatórias e tentar tratar a doença base da melhor forma possível. Cada anemia tem o seu tipo de tratamento”, explica o médico-veterinário Luis Fernando de Moraes, ao portal Vida de Bicho.
De forma geral, o plano terapêutico costuma envolver o controle da causa primária e o suporte ao organismo do animal, com protocolos como:
O primeiro passo para tratar a anemia em cachorro é identificar e controlar a condição responsável pela perda ou destruição dos glóbulos vermelhos.
Cães com erliquiose ou babesiose canina costumam receber antibióticos e antiparasitários para o combate de agentes infecciosos.
Animais com vermes devem ser vermifugados e pets com anemia hemolítica podem iniciar uma terapia com medicamentos imunossupressores ou corticosteroides, por exemplo.
Nos casos relacionados a deficiências nutricionais, o tratamento pode incluir suplementação nutricional e reposição de nutrientes essenciais para a produção de glóbulos vermelhos.
Os suplementos vitamínicos minerais com ferro quelato de alta biodisponibilidade costumam ser os mais utilizados, principalmente em quadros de anemia ferropriva.
No entanto, a suplementação deve sempre ser prescrita pelo médico-veterinário, já que o excesso de ferro também causa prejuízos à saúde do animal.
Animais com redução acentuada das células vermelhas ou doenças renais crônicas podem precisar repor eritropoetina.
Esse hormônio estimula a medula óssea a produzir novas hemácias e costuma ser uma ferramenta importante em determinados protocolos terapêuticos.

Nem todos os cachorros com anemia precisam passar por uma transfusão de sangue. A decisão depende da gravidade do quadro e do estado clínico do paciente.
Ainda assim, em casos de anemia severa, especialmente com hematócrito abaixo de 20% e Volume Globular crítico, o procedimento se torna uma opção.
Nessas situações, a transfusão de sangue em cachorro ajuda a estabilizar o paciente enquanto a equipe veterinária investiga e trata a causa da anemia.
O procedimento é realizado por via intravenosa e pode durar entre 1 e 4 horas, dependendo do volume de sangue necessário.
Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), os cães doadores devem atender a alguns critérios básicos de segurança:
Quer saber tudo sobre transfusão sanguínea em cachorro? Então leia nosso artigo completo e descubra o que é, quando fazer e como o procedimento funciona!
Muitos casos de anemia em cães estão relacionados a fatores que podem ser monitorados ou controlados no dia a dia, como parasitas, alimentação inadequada e doenças.
Por isso, manter uma rotina de cuidados preventivos é uma das melhores formas de proteger a saúde do seu pet.
“A prevenção de pulgas e carrapatos, bem como o check-up semestral do seu pet, é uma forma de cuidado e prevenção, não só da anemia, mas de muitas outras doenças que podem acometer os cães”, explica a médica-veterinária Nathália Martins.
Abaixo, mostramos as principais recomendações para proteger seu cachorro:
Mudanças na alimentação de um cão com anemia são essenciais para ajudar no restabelecimento e na prevenção da saúde do animal.
A dieta precisa ser rica em proteínas, ferro e vitaminas B12 e E. Normalmente, elas são encontradas em rações Super Premium e alimentos como carnes e ovos.
No entanto, para evitar problemas, siga à risca a rotina alimentar fornecida pelo médico-veterinário. Servir alimentos proibidos para cães pode agravar o quadro do pet.
O controle de carrapatos é uma das medidas mais importantes para evitar doenças como erliquiose e babesiose, frequentemente associadas à anemia canina.
A vermifugação periódica também merece atenção, já que algumas verminoses podem causar perda de sangue e deficiência de nutrientes.
Durante os check-ups, o médico-veterinário poderá atualizar o protocolo antiparasitário, sugerir mudanças na alimentação e alertar o tutor sobre os sintomas da anemia.
Além disso, exames de sangue periódicos ajudam a diagnosticar precocemente doenças infecciosas, inflamatórias, renais e hematológicas associadas à condição.
Nas clínicas Pet Anjo, os tutores encontram uma estrutura completa para realizar consultas, exames e até pequenas cirurgias com tranquilidade e segurança.
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Medicamentos humanos, raticidas, produtos químicos e plantas perigosas devem permanecer fora do alcance dos animais.
Essas substâncias podem provocar hemorragias, destruição das hemácias e outras alterações capazes de desencadear anemia.
A vacinação fortalece o organismo do pet contra diversas doenças que podem favorecer o desenvolvimento da anemia — incluindo a parvovirose e outras infecções virais.
Neste artigo, explicamos quais vacinas os cachorros precisam tomar, quando cada dose deve ser aplicada e contra quais doenças cada imunizante oferece proteção. Confira!

Nem sempre. A gengiva branca em cachorro é um dos sinais mais comuns de anemia, mas também pode estar associada a desidratação, infecções e doenças hepáticas.
Os sinais mais comuns de anemia em cachorro são apatia (cachorro com fraqueza), perda de energia, cansaço excessivo, falta de apetite, respiração acelerada, mucosas pálidas e taquicardia. Em alguns casos, também podem ocorrer perda de peso, febre e icterícia.
A alimentação deve ser definida por um médico-veterinário, de acordo com a causa por trás da anemia. Em geral, um cachorro anêmico deve receber uma ração rica em proteínas, ferro e vitaminas, além de suplementos vitamínicos minerais, quando indicados.
Sim. A anemia por carrapato em cachorro é bastante comum e geralmente está associada a doenças transmitidas por esses parasitas, como babesiose, erliquiose e anaplasmose — conhecidas popularmente como doença do carrapato.
| Característica | Erliquiose canina | Babesiose canina | Anaplasmose canina |
| Agente causador | Bactéria Ehrlichia spp. | Protozoário Babesia spp. | Bactéria Anaplasma spp. |
| Transmissão | Principalmente pelo carrapato-marrom (Rhipicephalus sanguineus) | Principalmente pelo carrapato-marrom (Rhipicephalus sanguineus) | Carrapato-marrom (Riphicephalus sanguineus) ou Ixodes spp. |
| Células afetadas | Glóbulos brancos (leucócitos) | Glóbulos vermelhos (hemácias) | |
| Principal alteração sanguínea | Redução de plaquetas e comprometimento do sistema imunológico. | Destruição das hemácias que causa anemia hemolítica progressiva. | Afeta leucócitos e plaquetas, impactando a resposta imunológica do pet. |
| Sintomas mais comuns | Febre, apatia, sangramentos, petéquias, mucosas pálidas, aumento dos linfonodos, alterações oculares e neurológicas. | Anemia, febre, mucosas pálidas, perda de apetite, perda de peso, depressão, petéquias e, em alguns casos, icterícia. | Letargia, anorexia, vômito, diarreia, perda de peso,distúrbios hemorrágicos etensão abdominal. |
As causas mais frequentes incluem perda de sangue, traumas, doenças transmitidas por carrapatos, verminoses, deficiências nutricionais, doenças autoimunes, insuficiência renal, tumores, intoxicações e doenças crônicas.
O principal exame é o hemograma, que permite identificar deficiências de glóbulos vermelhos, redução de hemoglobina e alterações no hematócrito.
Dependendo do caso, o veterinário também pode solicitar exames de imagem, testes para hemoparasitoses, perfil bioquímico e avaliação da medula óssea.
O tutor deve procurar atendimento veterinário o mais rápido possível. O tratamento da anemia em cães varia conforme a origem do problema e pode incluir medicamentos, suplementação, controle de parasitas e, em situações graves, transfusão.
A anemia em cachorro mata, então jamais confie em receitas caseiras ou tente cuidar do seu pet em casa, sem orientação de um médico-veterinário.
O tempo de recuperação varia de acordo com a causa e a gravidade da doença. Algumas doenças sanguíneas em cães respondem ao tratamento em poucos dias ou semanas, enquanto outras exigem acompanhamento contínuo por meses ou por toda a vida do pet.
A anemia em cachorro pode ter diferentes causas, mas uma coisa é certa: quanto mais cedo o diagnóstico acontecer, maiores serão as chances do seu pet vencer esse quadro!
Agora que você já sabe identificar e ajudar um cão anêmico, assista ao vídeo abaixo e descubra como prevenir outras 5 doenças comuns na espécie:
A Cobasi TV tem vídeos especiais para tutores que querem cuidar melhor da saúde e do bem-estar dos seus pets. Dê uma olhada e aproveite as dicas dos nossos especialistas!
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Nathalia é reconhecida pela abordagem próxima e cuidadosa no atendimento, valorizando a saúde integral dos pets e o vínculo de confiança com os tutores.
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