PIF em gatos: sintomas, diagnóstico e tratamento para a peritonite infecciosa felina

Por Redator Cobasi

Com colaboração: Dra. Talita Ellen Pastore
Tempo de leitura: 22 minutos

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Pif em gatos
Fonte: Envato

A PIF, também conhecida como peritonite infecciosa felina, é uma doença viral complexa que exige atendimento veterinário imediato.

A condição está diretamente ligada ao coronavírus felino, um vírus comum entre gatos que, em alguns casos, sofre mutações e desencadeia uma resposta inflamatória severa.

Embora seja considerada rara, a PIF responde por cerca de 0,3% a 1,4% das mortes felinas em hospitais veterinários, o que reforça sua gravidade clínica. (Thayer et al., 2025)

A doença possui sinais variados, mas costuma incluir febre persistente, apatia e aumento abdominal — sintomas considerados comuns, o que pode atrasar seu diagnóstico.

Felizmente, a doença propriamente dita não é contagiosa nem pode ser passada entre felinos, embora o coronavírus felino seja, sim, transmitido a outros gatos.

Neste guia completo com participação da médica-veterinária Talita Ellen Pastore (CRMV 45887), explicamos o que é a PIF, seus principais sintomas, tratamentos e mais!

Aproveite a leitura!

O que é PIF em gatos?

A peritonite infecciosa felina é uma doença viral grave que surge a partir de mutações do coronavírus felino (FCoV). (Addie & Jarret, 1998)

Nessa condição, o próprio sistema imunológico do gato reage de forma inadequada ao vírus, provocando inflamações intensas e danos em diferentes órgãos do animal.

A pós a mutação viral, o vírus passa a se replicar dentro dos macrófagos, as células de defesa do organismo.

Assim, uma resposta imunomediada inadequada é desencadeada e os felinos afetados desenvolvem uma inflamação profunda nos vasos sanguíneos, chamada de vasculite.

A inflamação aumenta a permeabilidade dos vasos, favorecendo o acúmulo de líquidos ricos em proteínas no abdômen, tórax ou ao redor do coração.

Felizmente, somente a minoria dos felinos apresenta a mutação necessária para o desenvolvimento da peritonite infecciosa felina.

“Apesar da alta prevalência do coronavírus felino em populações de gatos, a PIF é considerada uma doença relativamente rara, com incidência estimada entre 1% e 5% dos gatos infectados pelo FCoV, conforme estudos populacionais”, explica a especialista.

Como o coronavírus felino se transforma em PIF?

O FCoV (vírus da coronavirose felina) é um RNA vírus envelopado que pertence à família Coronaviridae e gênero Alphacoronavirus. (Kmetiuk et al., 2020)

Na maioria dos gatos, esse vírus permanece restrito ao intestino, causando infecções leves ou até assintomáticas e sendo chamado, então, como coronavírus entérico felino (FECV).

Em alguns casos, porém, o coronavírus felino sofre mutações dentro do próprio organismo do gato, devido à sua alta capacidade de recombinação genética. 

As transformações permitem que o vírus deixe o intestino e passe a infectar células de defesa do animal, espalhando-se pelo corpo e provocando uma inflamação geral grave.

A evolução para enfermidade é rara e está associada a fatores como idade, imunidade, estresse e ambientes com alta circulação, como abrigos e colônias felinas. (Minovich et al., 2021).

O coronavírus felino pode causar Covid em humanos?

Vale lembrar que o coronavírus felino é considerado espécie-específico e não pode ser transmitido para humanos ou outros animais. (Kmetiuk et al., 2020)

Ele também não é o responsável pela doença conhecida como Covid. Na verdade, o agente causador dessa enfermidade é o Sars-CoV-2.

Por isso, não: o coronavírus felino responsável pela PIF em gatos não pode causar Covid em humanos.

Por outro lado, a transmissão de Sars-CoV-2, entre felinos e humanos já foi registrado — mas é considerada muito rara pela maioria dos especialistas.

O que causa PIF felina?

Dois gatos laranjas se lambendo de maneira carinhosa.
Fonte: Envato

A peritonite é causada por uma mutação espontânea do coronavírus felino, geralmente associada a uma resposta imunológica ineficiente do organismo.

Por isso, quedas na imunidade felina podem favorecer a transformação do vírus em gatos já infectados. Nesse aspecto, alguns dos fatores que predispõe a condição são:

Idade do animal

A idade dos felinos influencia diretamente na capacidade do sei sistema imunológico de lidar com infecções virais.

Logo, filhotes e gatos jovens, entre 3 meses e 3 anos, são mais suscetíveis à peritonite devido à imaturidade do seu sistema imune. (Bissett et al., 2009)

Gatos idosos também apresentam maior risco, principalmente pela redução natural da função imunológica e pela predisposição a comorbidades que comprometem o bom funcionamento do corpo. (Worthing et al., 2012)

Predisposição genética da raça

Estudos indicam que a genética também tem um papel relevante entre os fatores de predisposição da peritonite felina. 

Segundo Pesteanu-Somogyi et al. (2006), os felinos com maior predisposição à PIF são Abissínio, Burmês, Bengal, Birmanês, Himalaio, Devon Rex e Ragdoll.

Por outro lado, os Siameses, os Persas, e os Gatos Exóticos de Pelo Curto são menos predispostos aos quadros.

Ainda assim, alguns pesquisadores argumentam que a susceptibilidade à doença pode estar mais relacionada à linhagem sanguínea dos pets do que à raça em si. (Little, 2016)

Estresse e ambientes com múltiplos gatos

Situações que geram estresse intenso comprometem a imunidade felina e podem favorecer a mutação do coronavírus em gatos já infectados. 

Por isso, segundo a GoldLabvet, ambientes com alta densidade populacional, como gatis, abrigos e casas com muitos gatos, aumentam o risco de infecção em até cinco vezes.

Eventos como mudanças de ambiente, introdução de novos animais, vacinação e transporte ao veterinário também podem afetar os níveis de estresse dos pets e merecem atenção.

Imunossupressão e doenças associadas

Doenças como a Leucemia Viral Felina (FeLV) e a Imunodeficiência Viral Felina (FIV) são fatores de predisposição à PIF por impactarem diretamente a resposta imune do animal. 

Afinal, gatos infectados por esses vírus apresentam maior dificuldade em conter infecções e inflamações persistentes.

Outras condições também contribuem para a imunossupressão, como desnutrição, doenças crônicas, infestações parasitárias e o uso contínuo de remédios imunossupressores

Como a peritonite em gatos é transmitida?

Uma boa notícia é que, apesar de letal, a PIF não é contagiosa — pelo menos não a doença propriamente dita. 

Afinal, o que se transmite entre os gatos é o coronavírus felino, não a forma mutada responsável pelos quadros de peritonite infecciosa felina.

Em geral, a transmissão do vírus ocorre principalmente pela via fecal-oral. Isso significa que o gato pode se infectar ao ingerir partículas presentes nas fezes de outros pets.

Dessa forma, o contágio pode acontecer durante situações do cotidiano, como as lambidas do famoso banho de gato, ao usar a caixa de areia ou por contato com objetos contaminados, como bebedouros e brinquedos. (Silva et al., 2017)

Segundo Minovicj et al. (2012), após o contato com vírus, cerca de 13% dos gatos se tornam portadores assintomáticos, e ajudam a manter o vírus em circulação, especialmente em ambientes com vários gatos.

Para piorar, os felinos podem eliminar o vírus nas fezes por semanas, meses ou até por toda a vida, mesmo sem apresentar sinais clínicos de infecção. 

Por isso, embora o coronavírus felino seja altamente transmissível, a PIF só surge a partir de uma mutação individual de cada gato — e não pelo contato direto com outros pets.

Quais são os tipos de peritonite infecciosa felina?

Veterinário examinando uma gata no consultório veterinário.
Fonte: Envato

Segundo a doutora Talita Pastore, a peritonite infecciosa felina pode se manifestar de duas maneiras diferentes: úmida efusiva ou seca não efusiva. 

Para Minovich et al. (2021), a forma como a PIF se manifesta depende da capacidade de resposta imunológica de cada gato.

Em geral, respostas fracas estão relacionadas à forma úmida da doença, enquanto respostas parciais favorecem quadros secos.

Dados levantados por Berliner (2021) indicam que cerca da metade dos gatos desenvolve cada apresentação, mas ambas podem coexistir no mesmo animal.

1. PIF úmida efusiva

A PIF úmida é caracterizada pelo acúmulo de líquido rico em proteínas em cavidades do corpo, como abdômen e tórax — é o que deixa o gato com o aspecto de barriga inchada.

Essa forma está associada a uma resposta imunológica pouco eficaz, o que leva a uma inflamação intensa dos vasos sanguíneos e uma evolução clínica rápida. 

2. PIF seca não efusiva

Já a PIF seca não causa acúmulo de líquido, mas provoca lesões inflamatórias em órgãos internos, como rins, fígado, olhos e sistema nervoso. 

A progressão costuma ser mais lenta e os sinais variam conforme os órgãos afetados, mas em estágios avançados, a doença pode evoluir da forma não efusiva para a efusiva.

Quais são os principais sintomas da PIF em gatos?

A peritonite infecciosa felina provoca sinais variados e progressivos, porque causa uma inflamação intensa no organismo do gato. 

No início, os sintomas costumam ser leves e por isso mesmo, são facilmente confundidos com outras condições, como doenças inflamatórias intestinais. (Minovich et al., 2021)

Muitos gatos ainda parecem bem nos primeiros dias, mas podem apresentar febre, apatia e perda de apetite. Com o avanço da doença, no entanto, os sinais ficam mais evidentes.

A seguir, veja os principais sintomas de acordo com a forma clínica da PIF.

Sintomas da PIF úmida efusiva

A peritonite infecciosa felina úmida é marcada pelo extravasamento de líquidos dentro do corpo do gato, que dá o aspecto de barriga inchada em felinos. (Jericó et al., 2015)

Seus sintomas são mais fáceis de identificar, e incluem:

  • acúmulo de líquido no abdômen;
  • febre em gatos;
  • perda de apetite;
  • vômitos em gatos;
  • falta de ar (dispneia);
  • diarreia em gatos;
  • perda de peso;
  • icterícia (mucosas amareladas);
  • inchaço ou aumento dos linfonodos.

Sintomas da PIF seca não efusiva

Já a peritonite infecciosa felina seca evolui de maneira mais lenta, afeta diferentes órgãos do animal e apresenta sinais menos específicos, como:

  • anorexia;
  • apatia felina;
  • diarreia crônica;
  • vômitos;
  • uveíte;
  • ataxia;
  • convulsões;
  • enterite;
  • doenças renais;
  • febre intermitente;
  • doença em sistema nervoso central.

Em ambas as formas, qualquer combinação desses sinais exige avaliação veterinária imediata, já que a PIF é uma doença fatal e de evolução rápida (Thayer et al., 2022).

Existem doenças parecidas com a PIF em gatos?

Como você viu, os sintomas da PIF em gatos não são exclusivos dessa doença — o que dificulta o diagnóstico da condição.

Por isso, a veterinária Talita Pastore reforça a importância de levar o felino a um profissional capaz de diferenciar a peritonite de outras doenças com manifestações semelhantes, como:

DoençaSintomas semelhantesComo diferenciar
Efusão pleuralCausa dor abdominal, febre e acúmulo de líquidoExames de imagem e avaliação do fluido pleural
Neoplasias (tumores)Provocam emagrecimento, apatia e abdômen distendidoExames de imagem e biópsias 
ToxoplasmosePode causar febre, apatia e sinais neurológicosTestes sorológicos e PCR 
PancreatiteGera dor abdominal, vômitos e perda de apetiteAlterações específicas em exames de sangue e ultrassom
Colangite linfocíticaAfeta o fígado e causa icterícia e apatiaAvaliação hepática e biópsia 
Insuficiência cardíaca congestivaPode causar líquido no tórax ou abdômenEcocardiograma
MicobacterioseDoença sistêmica com inflamação crônicaCultura e exames específicos 
Traumas internosPodem levar a sangramento e aumento abdominalHistórico de quedas e exames de imagem 

Atenção: só um profissional pode identificar a PIF com segurança. Por isso, leve o seu felino ao veterinário assim que notar os primeiros sintomas da condição.

Como a PIF evolui e quais complicações podem surgir?

A PIF felina é uma doença progressiva, e sem o acompanhamento correto, pode causar falência de órgãos e levar o pet à morte em semanas ou meses. (Minovich et al., 2021)

Por isso, em estágios avançados, os felinos podem apresentar diversas complicações como anemia, neutrofilia e linfopenia — enfermidades que comprometem a circulação e a defesa do organismo do pet.

A evolução da doença também costuma causar a redução do número de plaquetas (trombocitopenia) no organismo, lesões no fígado e uveíte, afetando a visão do animal.

Além disso, a doença é uma das principais causas de transtornos neurológicos em gatos com menos de um ano de idade. (Minovich et al., 2021)

Segundo Rissi (2018), lesões neurológicas graves, incluindo meningoencefalite e meningomielite, são outras possíveis complicações da peritonite em felinos.

Como é feito o diagnóstico de PIF em gatos?

Paciente de medicina veterinária realizando exame de um gato de pelagem cinza na clínica veterinária, com veterinária usando equipamento de diagnóstico.
Fonte: Envato

De acordo com a doutora Talita Pastore, não existe um exame único capaz de detectar a peritonite infecciosa felina com precisão. Por isso, o diagnóstico da doença é feito a partir da combinação de achados clínicos e exames, como:

Avaliação clínica completa

O diagnóstico da peritonite felina começa com uma avaliação clínica completa, onde o veterinário analisará sinais como febre, apatia e inchaço abdominal.

Neste momento, a experiência do profissional é decisiva para correlacionar sintomas com exames laboratoriais e decidir os próximos passos da investigação.

Exame de sangue felino e bioquímica sérica

Um dos primeiros testes solicitados é o hemograma e a bioquímica sérica, onde um profissional poderá observar a hiperglobulinemia associada à hipoalbuminemia.

Segundo Berliner (2021), o baixo gradiente albumina/globulina (A/G) (frequentemente <0,4) é um dos marcadores laboratoriais mais relevantes para a suspeita.

Ultrassonografia

Outro exame importante para fechar o diagnóstico de PIF é a ultrassonografia abdominal, especialmente quando a condição se manifesta em sua forma efusiva.

O teste permite identificar alterações como espessamento do peritônio e alterações granulomatosas em órgãos como fígado, rins e linfonodos. (Tasker  et al., 2023)

Análise de líquidos corporais

A análise do líquido cavitário também pode ser uma grande aliada para o diagnóstico de  peritonite infecciosa felina úmida.

Segundo Kennedy (2020), o material apresenta uma textura viscosa amarelada, rica em proteínas e com predomínio de macrófagos e linfócitos.

Exames complementares

Outros exames adicionais também ajudam a confirmar as suspeitas de PIF em gatos, incluindo radiografia torácica, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

Radiografias torácicas e abdominais podem mostrar efusões discretas, aumento de linfonodos e, em alguns casos, fígado ou baço aumentados. (Geraldo Jr., 2021)

Se houver sinais neurológicos ou oculares, a tomografia e a ressonância magnética revelam lesões granulomatosas e hidrocefalia, em certos casos.

Testes sorológicos

Apesar de existirem testes sorológicos capazes de identificar certos coronavírus felinos, sua capacidade de diagnosticar a PIF através desse método ainda é limitada.

Isso porque resultados positivos indicam apenas contato prévio com o agente causador da doença, mas não diferencia a forma mutante do coronavírus responsável pela condição.

Em geral, uma titulação acima de 3200 nos testes de ELISA, IFI e imunocromatografia podem levantar suspeitas do quadro. 

No entanto, é bom lembrar que pets saudáveis também podem apresentar a média.

Em alguns casos, o uso do RT-PCR também pode ser de grande ajuda, já que o teste possui alta sensibilidade para a detecção do coronavírus felino.

O que observar no animal para repassar ao veterinário e ajudar no diagnóstico?

Para auxiliar o diagnóstico veterinário da peritonite, é essencial que os responsáveis observem e comuniquem quaisquer mudanças no comportamento e na saúde do gato

Por isso, anote quando os sintomas de PIF em gatos surgiram, dando atenção especial ao aparecimento de febre e aumento abdominal felino.

Também é importante informar ao veterinário o histórico de convivência do gato com outros animais, especialmente em ambientes superlotados 

Esses detalhes ajudam o profissional a avaliar a suspeita clínica e direcionar os exames corretos, tornando o diagnóstico mais rápido e preciso.

A PIF tem cura?

Durante muitos anos, a peritonite infecciosa felina (PIF) foi considerada uma doença sem tratamento específico, sendo associada a um prognóstico reservado ou fatal.

Segundo a médica-veterinária Talita Pastore, esse cenário começou a mudar com o avanço da ciência:

“Estudos científicos recentes demonstraram que antivirais capazes de inibir a replicação do coronavírus felino podem levar à remissão clínica da doença, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente”, explica a profissional.

Pesquisas internacionais apontam taxas elevadas de recuperação em gatos tratados com medicamentos antivirais felinos, associadas a um acompanhamento veterinário rigoroso.

No entanto, é importante destacar que, atualmente, esses antivirais ainda não possuem registro ou homologação oficial para uso veterinário no Brasil. 

Por isso, não existe um medicamento aprovado no país especificamente para o tratamento da doença PIF.

Logo o manejo da condição deve ser avaliado caso a caso, sempre com orientação do médico-veterinário e respeito à legislação vigente.

Qual é o tratamento para PIF em gatos?

Veterinário segurando gato sphynx em clínica veterinária, com estetoscópio ao redor do pescoço, pronto para cuidados veterinários.
Fonte: Envato

No Brasil, o manejo da PIF ainda é baseado principalmente em cuidados paliativos para gatos, com foco no conforto e na melhora da qualidade de vida do animal. 

Uma das estratégias utilizadas neste contexto é a terapia imunossupressora com corticosteroides, especialmente a prednisolona.

O objetivo, neste caso, é controlar a inflamação imunomediada característica da doença. (Casagrande & Machado, 2016; Crivellentin & BorinCrivelletin, 2015)

Em casos selecionados, o veterinário pode prescrever o uso associado de interferon, fármaco com ação antiviral e imunomoduladora. 

Apesar de relatos de benefício clínico, essa é uma terapia de alto custo, o que limita seu uso rotineiro. (Barros, 2014; Pedersen, 2014)

Quando há infecções bacterianas secundárias, antibióticos como a amoxicilina com clavulanato podem ser prescritos, pois possuem alta eficácia contra bactérias oportunistas.

Outras medidas de suporte incluem vitaminas, ácido ascórbico e fármacos esteroides anabolizantes, que podem auxiliar na resposta imune do animal (Fischer et al., 2011). 

A abdominocentese, técnica usada para retirar o excesso de líquido do abdômen, pode ser indicada quando o acúmulo de líquido compromete a respiração do felino. (Mota, 2010).

O suporte nutricional felino também é fundamental para estabilizar o quadro, ajudando a preservar o peso corporal e a imunidade do animal conforme a doença avança.

Medicamentos antivirais felinos: novos avanços científicos

Nos últimos anos, estudos científicos internacionais trouxeram avanços significativos no tratamento da PIF com medicamentos antivirais felinos.

O GS-441524, um análogo de nucleosídeo, provou ser capaz de inibir a replicação do vírus da PIF em certas células e macrófagos de felinos infectados. (Murphy et al., 2018)

Os gatos tratados apresentaram remissão dos sinais clínicos, mínimos efeitos adversos e aumento significativo da sobrevida. (Dickinson et al., 2020; Pedersen et al., 2019)

Outro antiviral estudado é o GC376, um inibidor da protease viral 3C que impede a síntese  de proteínas capsídeos virais e a montagem do vírus da PIF. (Yang H. et al.,2005

Quando utilizados em conjunto, GS-441524 e GC376 apresentaram taxas de remissão superiores a 90%, além de redução expressiva no tempo total de tratamento, quando comparados ao uso isolado de cada fármaco (Pedersen et al., 2018).

É possível prevenir a PIF em gatos?

Pessoa limpando caixa de areia de gato.
Fonte: Envato

A prevenção da PIF é desafiadora, pois a doença surge a partir da mutação do coronavírus entérico felino dentro do organismo do gato — e não há muito o que fazer nesse aspecto.

Por isso, o principal objetivo dos responsáveis deve ser reduzir os riscos de transmissão do vírus, o que pode ser feito com a adoção de pequenos cuidados regulares, como:

Entre as principais medidas preventivas e de controle, destacam-se:

Limpeza frequente das caixas de areia

A principal forma de eliminação do coronavírus felino ocorre pelas fezes. Por isso, a limpeza regular das caixas de areia reduz a carga viral no ambiente (Mota, 2010).

O ideal é remover as fezes pelo menos uma vez ao dia e higienizar as bandejas regularmente com produtos adequados, evitando acúmulo de material contaminado.

Evitar superlotação de gatos

Ambientes com muitos gatos favorecem a circulação do coronavírus felino e aumentam o estresse — fator associado à queda da imunidade e à mutação viral.

Por isso, sempre que possível, evite a superpopulação em casas, gatis ou abrigos, mantendo número adequado de animais por espaço disponível.

Atenção com felinos externos

Manter o gato exclusivamente dentro de casa reduz o contato com felinos de origem desconhecida e diminui o risco de exposição do animal ao coronavírus felino.

Isso porque gatos com acesso à rua estão mais sujeitos a infecções, brigas e situações de estresse, fatores que favorecem a disseminação do FCoV no ambiente.

Ainda nesse contexto, adotar ou introduzir um novo felino no lar, é essencial realizar quarentena, com isolamento temporário e avaliação veterinária prévia.

Esse período permite observar sinais clínicos, realizar exames indicados e proteger os demais gatos da casa contra possíveis infecções. (Mota, 2010).

Reduzir situações de estresse

Como explicamos anteriormente, o estresse é um fator importante no desenvolvimento da peritonite infecciosa felina. 

Afinal, mudanças bruscas, conflitos entre gatos, falta de enriquecimento ambiental e rotina instável afetam diretamente o sistema imunológico.

Ambientes previsíveis, com recursos suficientes — como caixas de areia, comida e locais de descanso — ajudam a manter o equilíbrio emocional dos felinos.

Manter boa higiene do ambiente

Além das caixas de areia, é muito importante que os responsáveis mantenham comedouros, bebedouros e superfícies limpos, reduzindo a exposição indireta ao vírus.

Via de regra, a comida e a água dos felinos devem ficar afastadas das caixas de areia, evitando contaminação fecal e ingestão acidental do coronavírus. (Mota, 2010)

Acompanhamento veterinário dos demais gatos

Em lares com múltiplos felinos, o acompanhamento veterinário regular é essencial para monitorar a saúde coletiva do grupo.

Check-ups periódicos permitem identificar alterações clínicas ou laboratoriais precoces, além de orientar medidas preventivas individualizadas.

Vacinação felina e fortalecimento da imunidade

A vacinação felina é fundamental para proteger o gato contra outras doenças que comprometem seu sistema imunológico.

Lembre-se que outras infecções graves, como FIV e FeLV reduzem as defesas do organismo, aumentando a vulnerabilidade do animal a infecções e inflamações graves.

Por isso, manter o calendário vacinal do gato em dia ajuda a preservar a imunidade geral do pet, favorecendo uma resposta mais eficiente do organismo frente ao coronavírus felino.

Perguntas frequentes sobre PIF em gatos

Filhote de gato deitado de barriga para cima.
Fonte: Envato

Gatos com coronavírus sempre desenvolvem PIF?

Não. Segundo a doutora Talita Pastore, apenas cerca de 1% a 5% dos gatos com FCoV desenvolvem PIF, pois isso depende de uma mutação específica do coronavírus no organismo do animal.

A PIF passa para humanos ou outros animais?

Não. A peritonite infecciosa pode ser considerada uma doença de gato, já que o vírus responsável pela infecção é exclusivo dos felinos — domésticos ou selvagens.

Logo, a condição não é uma zoonose e não há risco de transmissão para humanos, cães ou outros animais domésticos.

Quanto tempo vive um gato com PIF?

Segundo a Pubmed, o prognóstico da PIF varia conforme a forma da doença. Na forma efusiva, a sobrevida pode ser de dias a semanas. Já na forma não efusiva, alguns gatos vivem semanas ou meses.

Felizmente, com o diagnóstico precoce e o manejo adequado, o tempo de sobrevida dos felinos pode aumentar.

Quanto tempo dura o tratamento de PIF?

O tempo de acompanhamento varia conforme a forma da doença, a resposta clínica e a condição individual de cada gato infectado. Portanto, não há um prazo fixo para o tratamento.

Mitos e verdades sobre a PIF em gatos

Por conta da sua letalidade, a peritonite infecciosa felina ainda gera muitas dúvidas entre os responsáveis de gatos. A seguir, a médica-veterinária Talita Pastore explica o que é verdade e o que não passa de mito sobre o assunto!

A PIF é altamente contagiosa

Mito. O que se transmite entre gatos é o coronavírus felino (FCoV), geralmente pela via fecal-oral, sobretudo em ambientes com caixas de areia compartilhadas.

“A PIF surge quando esse coronavírus sofre uma mutação dentro do próprio organismo do gato, e essa mutação não é transmitida para outros animais”, explica a especialista.

Portanto, um gato com PIF não transmite a PIF diretamente para outros gatos da casa.

Todo gato com coronavírus terá PIF

Mito. O coronavírus felino é bastante comum, principalmente em lares com vários gatos, mas apenas uma pequena parcela dos animais desenvolve a mutação associada à PIF.

Segundo Pastore, o desenvolvimento da doença depende de fatores como resposta imunológica individual, idade, estresse e condições de saúde associadas.

Logo, ter coronavírus não significa que o gato terá PIF.

Não existe tratamento para PIF

Mito. Estudos científicos demonstram que existem, sim, abordagens terapêuticas capazes de promover remissão clínica da doença.

No Brasil, o uso desses tratamentos ainda depende de orientação veterinária e do respeito às normas legais vigentes. 

Ainda assim, afirmar que não existe tratamento para PIF já não condiz com a realidade científica atual.

Gostou do conteúdo?

A peritonite infecciosa felina (PIF) é uma doença grave, que pode evoluir rapidamente e colocar a vida do seu animal em sério risco.

Por isso, é muito importante ficar atento a mudanças de comportamento, apetite, peso e rotina do seu gato e buscar ajuda veterinária assim que as suspeitas surgirem.

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No Blog da Cobasi, você também encontra outros conteúdos completos sobre saúde, prevenção, alimentação e comportamento felino. Continue explorando nossos artigos!


Referências:

Revista Foco | Abordagens terapêuticas para a peritonite infecciosa felina (PIF) em gatos domésticos

Revista Ciência Rural | Peritonite infecciosa felina: 13 casos

Unicruz | Peritonite Infecciosa Felina – Revisão Bibliográfica

Pubvet | Peritonite infecciosa felina: Revisão

Royal Canin – Portal Vet | Peritonite Infecciosa Felina

National Center for Biotechnology Information (NCBI) | Feline Infectious Peritonitis

BBC News Brasil | Doença rara em gatos causada por mutação do coronavírus

G1 – Globo | Gato com doença causada por mutação do coronavírus felino comove a web no litoral de SP

Saúde Abril | Coronavírus em gatos: saiba o que é a PIF

Zoetis Brasil | Peritonite Infecciosa Felina

Gold Lab Vet | Peritonite Infecciosa Felina

Dra. Talita Ellen Pastore

Com colaboração: Dra. Talita Ellen Pastore

Médica-veterinária formada pela Universidade Metodista de São Paulo, com pós-graduação em clínica e cirurgia de pequenos animais. Possui experiência em hospital veterinário 24 horas e atua no atendimento de cães e gatos, com foco em cuidado técnico e humanizado.

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12 Comentários

  1. Aparecida Aguiar disse:

    Olá! Tenha uma gatinha já três anos e recentemente resgatei uma gatinha ainda filhote na rua e acabei descobrindo sua letal doença PIF. Hj está praticamente na reta final com muito sofrimento e veio a perguntar: porque não há pesquisa para uma vacina? Porque no meio veterinário procura desenvolver um estudo mais aprofundado? É lamentável ver os bichanos morrerem assim.

  2. MARCIA ALE disse:

    TENHO 3 Q SÃO FELV POSITIVOS PQ À MEDICINA VETERINÁRIA NÃO DESCOBRIU NENHUMA VACINA OU REMÉDIO FOI DESENVOLVIDO PRA GATOS JÁ POSITIVADOS PRA FELV?

  3. Mara Silvana disse:

    Tive uma gata que apareceu em meu quintal com a doença pif, infelizmente ela morreu. Como desinfetar o local por onde ela passou? Tenho outros gatos e fica a preocupação deles estar contaminados pelo mesmo vírus. Tem alguma medicação preventiva ou vacina?
    Obrigada desde já pela atenção.

  4. Thamires disse:

    Olá, recentemente resgatei duas gatinhas, elas tinham PIF e conviviam com a minha cachorra, ela tem risco de ter pego das gatinhas ou não passa de gatos para cães e vs

  5. Vitória disse:

    Tem muitas pesquisas sim em relação a Felv, muitas vacinas tem a eficácia altíssima, de 80-90%, mas não isenta de contágio, assim como qualquer outra vacina. Gatos não são animais de vida livre, tem que ficar em casa, não pode ter um animal Felv + e outro Felv-, mesmo vacinado, pois o contato constante, assim como qualquer outro vírus, pode se contaminar e desenvolver. Além disso, gatos Felv + não devem ser criados com outro Felv+, máximo se for da mesma família, tipo irmãos que contraíram da mãe, pois os vírus são mutagênico e isso dificulta ainda mais tratamentos e imunização. Em relação ao tratamento, é difícil, pois a Felv tem o comportamento igual ao vírus da herpes humana, esconde nos tecidos e fica latente, então os anticorpos não identificam, existem tratamentos com a utilização da própria vacina, evitando sua progressão e em casos identificados logo no início, pode viver normalmente, sem complicações, além de controle medicamentoso, isso varia de acordo com o estágio, sintomas etc, apenas o vet pode indicar o melhor tratamento. Seu animal pode ser vacinado e posteriormente ficar positivo para Felv (raro), por causa da latência, e porque como nenhuma vacina, a eficácia não é 100%. Então, faça reforço de todas vacinas, brasileiras de preferência, os tem diferenças dos de outros países, junto com exame de RT-PCR para Felv todo ano, esse é o ideal. E só manter seu gato em casa, e vacinar, já é suficiente. Brasil tem uma taxa altíssima de Felv, infelizmente, então, se puder pagar um teste, vacina e castração para gato de abrigo, ou o gato da comunidade, vai ajudar muito a diminuir a circulação desse vírus terrível.

  6. Alessandro disse:

    PIF tem cura sim! Tratamento é caro, muito caro, mas são já muitos e muitos gatinhos que conseguiram voltar a vida normal graças ao tratamento. Pesquisem por “GS” Cobasi, entrem em contato com locais com êxito neste tratamento, como por exemplo o @abrigoanjogabriel que foi um dos primeiros a terem êxito na cura de gatinhos com essa doença, e que atualmente tem muitos outros em tratamento, desta forma quem lê este artigo vai estar melhor informado.

  7. Josy disse:

    Abandonaram uma gatinha na garagem, infelizmente foi diagnosticada com PIF, está em tratamento e é bastante ativa, o problema é que ela não é castrado e estou muito preocupada que possa entrar no cio. Tem algum risco de castra lá nesse momento?:Agradeço!!

    • Cobasi disse:

      Oi Josy, como vai? PIF é uma doença muito seria, o melhor a se fazer e levar o seu gato no medico-veterinário. Assim com o tratamento certo poderá realizar a castração!

  8. Alessandra disse:

    Adotei uma gatinha gestante e ela teve uma complicação no parto e descobri que ela tinha Felv, foi terrível porquê estava já em fase terminal. Eu tive que ver o animal morrer lentamente, o veterinário fez de tudo mas não conseguimos salvar. É muito triste que não existe a cura para essa doença cruel.

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