

Os machucados e feridas em cachorro fazem parte da rotina clínica veterinária e estão entre os atendimentos mais frequentes em cães de todas as idades. (TILLMAN et al.,2015).
As lesões, geralmente localizadas na pele dos animais, podem surgir por diversos motivos, como atropelamentos, brigas, queimaduras, parasitas e até casos de maus-tratos.
E embora possam parecer pequenas à primeira vista, as feridas caninas costumam ser perigosas — colocando, inclusive, a vida dos animais em risco!
Afinal, a pele é o maior órgão dos cachorros, e possui funções essenciais para o seu corpo, protegendo o pet contra a entrada de microorganismo e a ação de certas toxinas.
Por isso, quando o tecido cutâneo canino se rompe, os animais passam a ficar expostos a inflamações e infecções locais ou sistêmicas graves.
Além disso, muitos ferimentos causam inchaço, alopecia, sangramento e quadros de dor intensa em cães, comprometendo o bem-estar geral dos animais em diversas esferas.
Neste artigo, você vai entender quais são os principais tipos de feridas em cachorro, como identificá-las e em quais situações a avaliação veterinária imediata é indispensável.
Notou feridinhas na barriga do cachorro, machucados no pescoço, cabeça ou patas do seu animal? Então continue a leitura e descubra como agir rápido!
De acordo com Lopes (2016), as feridas são descontinuidades anatômicas ou celulares que comprometem as funções da pele dos animais.
Na prática, isso inclui qualquer machucado que rompa a pele do animal, seja uma contusão por trauma acidental ou uma ferida cirúrgica em cachorro.
Logo, as lesões dermatológicas em cães podem variar de cortes superficiais e arranhões leves até lacerações extensas, perfurações profundas e fraturas expostas.
Machucados pequenos, como feridas nas patas do cachorro ou crostas na região do lombo, podem esconder perigos maiores do que os responsáveis imaginam.
Na literatura veterinária, esse fenômeno é chamado de “efeito iceberg” — utilizado nos casos em que lesões externas aparentemente simples escondem grandes lacerações internas. (PAVLETIC, 2010; RABELO, 2012; WATANABE, 2010)
Para piorar, a veterinária Stefanie Poblete, entrevistada pela revista Cães e Gatos, explica que cada ferida responde de forma diferente ao tratamento, o que exige atenção constante.
Isso porque os machucados funcionam como uma porta de entrada para bactérias, vírus e fungos — e quando o cuidado é inadequado ou tardio, uma lesão simples pode evoluir para quadros complexos e até fatais.
Por isso, mesmo um cachorro com feridinhas aparentemente simples pode estar exposto a riscos maiores e deve ser avaliado com atenção.
Para entender por que as feridas podem evoluir tão rápido e seus riscos associados, é importante saber como a pele do cachorro funciona.
A pele é simplesmente o maior órgão do corpo do cão, representando cerca de 16% do peso corporal do animal, e sua principal função é a proteção — seja ela física ou química.
Além disso, como acontece com os humanos, o tecido cutâneo é o responsável pela percepção dos estímulos sensoriais, como o calor, a dor e o tato. (REESE; BUDRAS, 2016).
Em geral, a pele dos cães é formada por três camadas principais, que atuam de forma integrada nesta tarefa. São elas:
Epiderme
É a camada mais externa e funciona como a primeira linha de defesa. Atua na renovação celular e na impermeabilização da pele, evitando desidratação e contaminações.
Derme
Fica logo abaixo da epiderme e fornece sustentação, elasticidade e nutrição. Nela, estão os folículos pilosos, glândulas sebáceas e estruturas vasculares importantes.
Hipoderme
É a camada mais profunda, composta por tecido conjuntivo e gordura. Atua como isolante térmico, reserva energética e proteção contra impactos.

Como explicamos, as feridas em cães não são todas iguais, e por isso, os especialistas costumam seguir certos parâmetros para a avaliação correta de cada uma delas.
De acordo com Pavletic (2018) e Williams & Moore (2013), os três principais critérios para a classificação são o tipo de ferida (aberta ou fechada), o grau e a duração de contaminação.
Além deles, na prática clínica, são analisados fatores como profundidade das lesões — uma vez que, quanto mais fundo, maiores os riscos de infecção — e intenção dos ferimentos:
As feridas fechadas em cães ocorrem quando a pele dos animais permanece íntegra, mas tecidos internos são lesionados — caso das contusões, fraturas e hematomas.
Apesar da aparência externa preservada, essas lesões podem evoluir para necrose e se transformar em feridas abertas se não forem tratadas da maneira correta.
Além disso, podem esconder machucados dolorosos, como patas quebradas, causando dor ao caminhar e um comprometimento geral do estado de saúde do pet.
Já as feridas abertas em cachorros são aquelas que envolvem a ruptura da pele propriamente dita, seja por cortes, lacerações, perfurações, abrasões e avulsões.
Esse tipo de lesão apresenta maior risco de infecção, pois o tecido fica exposto ao ambiente externo, exigindo um olhar atento e cuidados médicos rápidos.
O nível de contaminação de cada lesão na pele do cachorro também é um fator de classificação importante, e indica a quantidade de microrganismos presentes no local.
Nesse eixo, podemos pensar em 4 categorias principais: feridas limpas, limpo-contaminadas, contaminadas e sujas e infectadas, como explicamos abaixo:
| Classificação | Origem |
| Ferida limpa | Ferida operatória realizada com condições assépticas. |
| Ferida não traumática. | |
| Ferida limpo-contaminada | Feridas limpas com “pouca” quebra da assepsia cirúrgica; Ferida operatória que foi aberto trato respiratório, digestório e geniturinário; Feridas com menos de 6 horas. |
| Ferida contaminada | Feridas abertas de origem traumática. |
| Feridas abertas por incisão em áreas de inflamação não purulenta. | |
| Feridas abertas que contém pelo ou poeira; Feridas de 6 a 12 horas. | |
| Ferida suja e infectada | Feridas abertas de traumáticas antigas. |
| Feridas por mordedura ou arranhão. | |
| Feridas com contaminação de pus. | |
| Feridas com perfuração de vísceras Feridas com mais de 12 horas. |
Como você viu, as feridas traumáticas em cachorro por mordedura ou arranhão são sempre consideradas infectadas, mesmo quando parecem pequenas.
Por outro lado, é raro encontrar um caso de ferida cirúrgica infectada em cães, já que os procedimentos costumam ser feitos com cuidados adequados.
Em geral, o tempo entre a ocorrência de um machucado aberto em cachorro e seu primeiro atendimento é decisivo para a evolução clínica do ferimento.
As primeiras 4–6 horas após o acidente são chamadas de período áureo, quando o risco de infecção é mínimo e a ferida é considerada limpa. (DERNELL, 2006; HEDLUND, 2007)
Depois, as lesões abertas passam a ser classificadas em três classes diferentes, enumeradas de 1 a 3:
Outro critério informal adotado por alguns veterinários é o nível de profundidade das lesões, que influencia diretamente na gravidade e no tratamento do quadro.
As feridas superficiais em cães geralmente atingem apenas a epiderme, a camada exterior da pele, e tendem a cicatrizar mais rápido.
Quanto mais profunda for a lesão, maior o risco de dor intensa, infecção e necessidade de intervenção veterinária.
Por isso, as feridas profundas em cães, que costumam alcançam camadas mais internas, incluindo a derme, a hipoderme, os músculos ou as articulações, são muito preocupantes.

Williams & Moore (2013) e Pavletic (2018), destacam 5 tipos principais de feridas abertas em cachorros. São elas:
A avulsão ocorre quando há separação brusca da pele e de seus anexos, geralmente causada por traumas intensos. (SIMAS, 2010)
É comum em casos de mordida entre cães, atropelamentos ou acidentes graves, resultando em feridas extensas e com grande perda de tecido.
As incisões são cortes de bordas regulares, causados por objetos cortantes ou procedimentos cirúrgicos.
Já as lacerações apresentam bordas irregulares, maior destruição tecidual e sangramento intenso, com risco de infecção elevado.
As queimaduras são lesões traumáticas causadas por calor, frio extremo, eletricidade, agentes químicos ou radiação.
Podem variar desde quadros leves, com sintomas como pele avermelhada em cachorro, até lesões profundas, sendo classificadas pelo nível de profundidade dos ferimentos:
As perfurações são causadas por objetos pontiagudos, projéteis ou dentes, sendo frequentes em brigas caninas.
Externamente, podem parecer pequenas, semelhantes a um arranhão em cachorro, mas internamente provocam danos extensos — o chamado efeito iceberg.
A abrasão ocorre pela fricção da pele contra superfícies ásperas, levando à perda da epiderme e, em alguns casos, de partes da derme.

As feridas na pele dos cães podem ter origens muito diferentes — e identificar a causa por trás da erupção é essencial para evitar recorrência, infecções e falhas na cicatrização.
Segundo a veterinária Renata Regadas, entrevistada pelo portal Vida de Bicho, doenças alérgicas, endócrinas, parasitárias e fatores ambientais estão entre os motivos principais.
A seguir, listamos as causas mais comuns envolvidas nos ferimentos.
As mordidas são uma das causas mais frequentes e graves de feridas na pele de animais, principalmente entre aqueles com acesso à rua.
Afinal, embora externamente a lesão possa parecer pequena, os dentes inoculam bactérias profundamente, favorecendo a formação de abscesso em cachorro dias depois do trauma.
Esse tipo de ferida é sempre considerado infectado e exige avaliação veterinária criteriosa, pois o risco de infecção profunda é alto. Então, nunca subestime o quadro!
Acidentes de trânsito, quedas, armas de fogo e objetos perfurantes também estão associados às feridas extensas e profundas.
Nestes casos, as lesões costumam causar sangramento intenso, destruição de tecidos e dor significativa, podendo evoluir rapidamente para infecções generalizadas.
Além da pele, músculos, articulações e até órgãos internos podem ser afetados, tornando o atendimento emergencial indispensável.
Felizmente, com os cuidados adequados, cerca de 88% dos animais atropelados sobrevivem aos acidentes. (SIMPSON et al. 2009)
A ferida por dermatite alérgica surge por conta da coceira intensa desencadeada por uma reação exagerada do organismo do cão, que leva o pet a se morder, lamber ou arranhar.
Em geral, os machucados costumam ser circulares e acompanham sintomas extras, como vermelhidão, formação de crostas e alopécia localizada.
Em entrevista ao portal Vida de Bicho, a veterinária Aline Gaino explica que algumas raças de cachorro apresentam maior predisposição às feridas por coceira ou alergia:
“As alterações cutâneas causadas pelas alergias são mais recorrentes em algumas raças com maior predisposição, como Lhasa Apso, Pug, Yorkshire, Bull Terrier, Bulldog Inglês e Francês e Golden Retriever”, orienta a profissional.
A ferida por lambedura excessiva, também conhecida como lesão por lambedura (granuloma de lambedura), acontece quando o cão lambe partes do corpo excessivamente.
O comportamento impede a cicatrização da pele, mantém o tecido constantemente úmido e favorece infecções bacterianas secundárias.
Por isso, o quadro geralmente está associado a lesões firmes, com formato oval, pruído intenso e perda de pelo localizada.
Para os pesquisadores, a dermatite por lambedura está ligada a distúrbios psicogênicos induzidos por conta do estresse, solidão e ansiedade canina. (SCOTT et al., 1996).
A ferida causada por fungos ou bactérias geralmente apresenta sinais claros de infecção, como pus, mau cheiro e inflamação local.
Em alguns casos, a lesão começa discreta, como uma ferida tipo espinha em cachorro, e em pouco tempo se torna um abscesso doloroso, colocando a vida do pet em risco.
Algumas doenças que se encaixam nessa categoria são a piodermite, infecção bacteriana de pele, e a dermatofitose, infecção causada por certos tipos de fungos.
Pulgas e carrapatos, insetos conhecidos como ectoparasitas, estão entre os principais desencadeadores de machucadinhos na pele do cachorro.
Conhecida como dermatite alérgica por picadas de pulga (DAPP), as feridas relacionadas surgem por uma reação de sensibilidade à saliva do agente.
Isso faz com que os cães se cocem mais do que o normal quando entram em contato com o líquido, gerando inquietação, feridas avermelhadas e alopecia.
Além das lesões, as picadas de inseto em cachorro podem transmitir doenças graves, como a erliquiose e a babesiose canina.
Segundo a Vetericyn Animal Welness, as úlceras de pressão são mais comuns em cães idosos, obesos, debilitados ou que permanecem deitados por longos períodos.
Também conhecidas como escaras, as úlceras de pele em cachorro surgem por conta da interrupção do fluxo sanguíneo devido à pressão prolongada contra superfícies duras.
Os machucados aparecem principalmente na região dos cotovelos e quadris dos animais, e costumam evoluir de lesões fechadas arroxeadas para ferimentos abertos com odor fétido.
As queimaduras estão entre as causas mais graves de lesões cutâneas em cães, já que podem ser extensas e aumentam os riscos de infecções secundárias fatais.
Os acidentes geralmente envolvem situações do cotidiano do pet, como contato com líquidos quentes, produtos de limpeza e equipamentos elétricos.
Segundo o American Kennel Club, os sintomas de queimaduras em cachorros envolvem lesões avermelhadas, presença de bolhas e cicatrização lenta.
Feridas na pele do cachorro também podem ser resultado direto da crueldade animal e da falta de cuidados básicos associados a uma adoção responsável.
A agressão física provoca lesões como perfurações e lacerações, muitas vezes repetidas e em diferentes estágios de cicatrização, o que acende um alerta clínico importante.
Já a negligência ocorre quando o animal vive em ambientes insalubres, sem higiene, alimentação ou acompanhamento veterinário, favorecendo feridas e infecções persistentes.
Vale lembrar que, no Brasil, maltratar animais é crime, e a Lei n.º 9.605/1998 prevê sanções penais e administrativas para quem pratica esse tipo de ato.
Quando os crimes envolvem cães e gatos, a punição pode envolver pena de reclusão de dois a cinco anos, segundo a Lei n.º 14.064/2020.
Algumas feridas na pele do cachorro são sinais de doenças infecciosas graves, nas quais a lesão cutânea representa apenas parte de um problema clínico muito maior.
Entre elas, a leishmaniose canina merece destaque por ser uma zoonose sistêmica, potencialmente fatal e presente em diversas regiões do Brasil.
A doença pode causar lesões ulceradas, crostas, descamação intensa e espessamento da pele, sobretudo no focinho, orelhas e outras extremidades dos cães.
Em muitos casos, as feridas formam uma casca escura, evoluem lentamente e não cicatrizam, sendo confundidas com machucados ou dermatites comuns.
De acordo com um estudo da UNESP, alguns tumores de pele em cães se manifestam como feridas que não cicatrizam, sangram e aumentam com o passar do tempo.
Neste caso, as alterações dermatológicas podem parecer pequenas bolinhas firmes ou moles, verrugas avermelhadas ou manchas escuras.
Com tantas causas possíveis, nem sempre é fácil entender por que um cachorro está com feridas na pele ou o tipo de problema por trás do machucado.
A tabela abaixo pode dar pistas importantes sobre a origem da lesão, mostrando onde ela costuma aparecer, quais sinais acompanham o quadro e quando a situação é grave.
Use essas informações como orientação inicial — mas lembre-se que elas não substituem a avaliação de um veterinário.
| Causa | Local mais comum | Sinais característicos | Gravidade |
| Brigas e mordidas de outros animais | Pescoço, cabeça e membros | Orifícios pequenos, inchaço, dor intensa, pus e abscesso | Alta |
| Traumas e acidentes | Membros, tórax e abdômen | Feridas profundas, sangramento intenso, dor acentuada e possível fratura | Alta |
| Alergias de pele e dermatites | Abdômen, axilas, patas e orelhas | Coceira intensa, vermelhidão, crostas e alopecia | Média |
| Lambedura excessiva | Principalmente patas | Lesão oval, úmida, espessada e de difícil cicatrização | Média |
| Infecções bacterianas e fúngicas | Qualquer região do corpo | Pus, mau cheiro, inflamação e ferida que não cicatriza | Alta |
| Parasitas (pulgas e carrapatos) | Dorso, pescoço e base da cauda | Coceira persistente, feridas avermelhadas e perda de pelo | Média |
| Úlceras de pressão | Cotovelos e quadris | Espessamento da pele, escurecimento e feridas abertas com odor | Média |
| Queimaduras térmicas, químicas ou elétricas | Local de contato com o agente | Vermelhidão, bolhas, necrose e dor intensa | Alta |
| Maus-tratos e negligência | Múltiplas regiões | Feridas repetidas e infecções recorrentes | Alta |
| Doenças infecciosas graves (leishmaniose) | Múltiplas regiões | Lesões ulceradas, crostas persistentes e feridas crônicas | Alta |
| Neoplasias cutâneas | Múltiplas regiões | Feridas que sangram, não cicatrizam ou crescem progressivamente | Alta |

Somente um médico-veterinário pode identificar com precisão o tipo de ferida apresentado por um cachorro — e a avaliação vai muito além da observação do machucado.
Em geral, para fechar um diagnóstico, os profissionais costumam considerar o histórico do animal, seus sinais associados e, quando necessário, exames complementares.
O primeiro passo para a identificação da lesão é entender o histórico do animal ferido, incluindo mudanças de comportamento, acesso à rua e doenças pre-existentes.
Por isso, esteja preparado para repassar o máximo de informações possíveis ao médico-veterinário, incluindo:
A análise desses pontos ajuda o profissional a diferenciar feridas traumáticas, infecciosas, alérgicas ou associadas a doenças sistêmicas.
Durante a avaliação física, é normal que o veterinário observe a localização, o tamanho, a profundidade e o aspecto das feridas nos cães.
A presença de pus, crostas, tecido necrosado ou mau cheiro na ferida são dicas importantes para determinar a origem e o estado de cada quadro.
As feridas em cães raramente aparecem sozinhas, e por isso, o profissional investiga outros sinais associado, como inchaço ou dor local, lambedura intensa e sensibilidade ao toque.
Em quadros mais graves, podem surgir febre e apatia por infecção — indicativo de casos mais graves.
Outro achado relevante é o linfonodo inchado próximo à ferida, que pode ser um sinal de resposta inflamatória ou infecciosa ativa.
Quando mesmo assim a causa por trás da lesão não é evidente ou a cicatrização não acontece, exames complementares ajudam o veterinário a chegar a um diagnóstico preciso.
Para isso, o profissional pode solicitar:

O tratamento das feridas começa antes do manejo dermatológico propriamente dito.
Primeiro, o veterinário avalia o estado geral do cão e realiza um exame físico completo para identificar riscos imediatos à vida.
Em casos de trauma, como mordeduras ou queimaduras, a prioridade é estabilizar o paciente, avaliando a respiração, a circulação e a capacidade neurológica do pet.
Durante essa fase inicial, a ferida deve ser protegida com uma compressa estéril para reduzir contaminações. (DERNELL, 2006; FÉLIX, 2010; HOLOWAYCHUK, 2011).
A analgesia também é essencial e deve ocorrer antes de qualquer manipulação dolorosa, assim como a sedação segura, em quadros graves.
Após a estabilização, inicia-se o manejo da ferida — e a própria inspeção pode orientar o plano terapêutico inicial.
O primeiro passo para o tratamento correto das feridas em cães é lavar a região com produtos antissépticos de baixa citotoxicidade.
Segundo Bell (2021), as soluções mais utilizados nestes caso são:
A higienização inicial remove detritos, microrganismos e exsudatos, reduzindo a carga bacteriana e preparando o tecido para a cicatrização correta. (SWAIN, 1997)
O desbridamento é a próxima etapa, e é caracterizado pela remoção do tecido necrosado, corpos estranhos e microrganismos que atrasam a cicatrização e comprometem a defesa local da ferida. (FORD; MAZZAFERRO, 2013)
Na prática veterinária, diferentes técnicas podem ser utilizadas nessa fase, de acordo com o tipo, a profundidade e o estado da lesão, incluindo:
O uso de antibióticos para feridas em cachorros pode ser indicado tanto para a prevenção quanto para o controle de infecções associadas aos ferimentos.
No entanto, esse grupo de medicamentos não substitui as etapas anteriores e nunca deve ser utilizado sem orientação veterinária!
Dependendo do tipo e extensão da ferida, os profissionais podem usar antibióticos e antimicrobianos tópicos, como pomadas e cremes, ou sistêmicos, como comprimidos.
Os antibióticos tópicos atuam como terapia complementar, com o objetivo de reduzir a carga bacteriana local sem interferir no processo de cicatrização da lesão.
Para isso, os profissionais costumam preferir fórmulas de amplo espectro e baixa toxicidade tecidual, como gentamicina, sulfadiazina de prata e nitrofurazona. (FOSSUM, 2014)
Já os antibióticos sistêmicos são reservados para situações mais graves, quando as feridas apresentam infecção profunda ou sinais generalizados. (WILLIAMS & MOORES, 2009)
Sempre que possível, a escolha do medicamento deve ser guiada pelos resultados de cultura e antibiograma, mas a terapia pode começar com um fármaco de amplo espectro.
Segundo Hedlund (2007), ampicilinas, tetraciclinas, penicilinas, neomicinas, cefalosporinas, carbencilinas, canamicina e bacitracina trazem bons resultados nesse contexto.
Ainda assim, o uso de antibióticos deve ser feito apenas sob orientação veterinária, evitando falhas terapêuticas e resistência bacteriana.
A aplicação de curativos para feridas em cães é parte central do tratamento, já que eles protegem a lesão, controlam as secreções e criam um ambiente favorável à cicatrização.
Além disso, as bandagens ajudam a manter medicamentos tópicos no local, evitam novos traumas e reduzem o risco de contaminação externa. (CAMPBELL, 2006; FOSSUM, 2014; PAVLETIC, 2018)
Na prática veterinária, os curativos geralmente são formadas por três camadas, cada uma com função específica no manejo da ferida, como explicamos na tabela:
| Camada da bandagem | Função principal | Características e indicações | Principais produtos / materiais |
| Camada primária | Contato direto com a ferida | Protege o leito da lesão, absorve secreções e serve de suporte para medicamentos tópicos. Pode ser aderente ou não aderente, conforme a fase da cicatrização. | Curativos hidrocoloides, hidrogel e alginato de cálcio. |
| Camada secundária | Absorção e acolchoamento | Absorve exsudatos, reduz edema e protege contra impactos. A espessura varia conforme a quantidade de secreção da ferida. | Algodão hidrófilo, compressas absorventes, espumas. |
| Camada terciária | Fixação e proteção externa | Mantém o curativo no lugar, promove leve compressão e protege contra sujeira e traumas externos. | Ataduras de algodão, faixas elásticas, fita adesiva cirúrgica. |
A decisão de fechar ou não uma ferida com sutura depende da extensão, localização, tempo da lesão e o seu grau de contaminação. (ARIAS & PEREIRA, 2002; FOSSUM, 2014)
Em geral, a prática é realizada em machucados abertos, permitindo o fechamento acelerado e reduzindo o tempo de cicatrização do ferimento.
Quando indicada, a ferida com pontos é suturada em 4 momentos diferentes:
Além do tratamento convencional, algumas terapias complementares podem auxiliar na cicatrização das feridas com cães, quando ministradas como suporte veterinário.
A acupuntura, da Medicina Tradicional Chinesa, por exemplo, ajuda no controle da dor, reduz inflamação, melhora a circulação local e estimula a reparação tecidual. (BEHEREGARAY et al., 2009; HANKS &SPODNICK, 2005)
Técnicas associadas, como moxabustão e eletroacupuntura, potencializam a resposta inflamatória saudável e aceleram a limpeza e regeneração do tecido lesionado.
Além delas, a terapia a laser apresenta efeito analgésico e anti-inflamatório, além de estimular fibroblastos, colágeno e formação de tecido de granulação. (NASCIMENTO et al., 2006; SILVERIO, 2013)
Já a ozonioterapia tem ação bactericida e fungicida, melhora a oxigenação local e contribui para a organização do colágeno na pele.

Algumas feridas leves podem receber cuidados iniciais em casa. Ainda assim, observar a evolução é essencial para saber quando é hora de levar o cachorro ao veterinário.
Segundo os especialistas da PetMD, alguns passos fundamentais para o tratamento de machucados em casa são:
1. Avaliar a gravidade da lesão
Arranhões e cortes superficiais podem ser limpos em casa. Feridas profundas, abertas ou com sangramento intenso exigem atendimento veterinário imediato.
2. Proteger as mãos
Use luvas descartáveis para evitar contaminação da ferida e proteger o animal de microrganismos presentes na pele humana.
3. Aparar os pelos ao redor
Cortar os pelos facilita a limpeza e evita que fios entrem na ferida e atrasem a cicatrização.
4. Fazer a limpeza inicial
Lave com água corrente para remover sujeira visível. Em seguida, use produto próprio para feridas, como uma solução ou spray cicatrizante para cachorro.
5. Aplicar o produto adequado
Se você não sabe o que passar na ferida do seu cachorro, peça indicação de pomadas ou produtos com ação cicatrizante para um veterinário.
6. Proteger com curativo
Feridas em tronco, pescoço ou abdômen podem ser cobertas com curativo leve. Em patas e cauda, a bandagem deve ser feita com cuidado.
7. Usar o colar elizabetano
O uso de colar elizabetano é fundamental se o cão tenta lamber, morder ou coçar a ferida, evitando infecções secundárias e atraso na cicatrização.
8. Trocar o curativo corretamente
Nos primeiros três dias, limpe e troque o curativo diariamente. Depois, o intervalo pode ser de dois a três dias, se não houver sinais de infecção.
Embora nem toda ferida em cachorro exija uma visita imediata à clínica mais próxima, algumas podem representar um risco real à saúde e à vida do seu cão.
No checklist abaixo, mapeamos algumas situações nas quais os machucados devem ser tratados como emergências veterinária:
Na dúvida, não espere. Feridas podem parecer simples e esconder infecções profundas, então procurar ajuda cedo é a melhor forma de evitar complicações.
Após uma lesão, o organismo do cão ativa uma sequência de eventos bioquímicos para reparar a pele e restaurar sua função. (OLIVEIRA& DIAS, 2013)
Esse processo ocorre em três fases consecutivas — inflamatória, proliferativa ou de reparação e de maturação ou de remodelação.
| Etapa da cicatrização | O que acontece na prática | Quanto inicia |
| Inflamação | O corpo limita a hemorragia e forma coágulos. Surgem vermelhidão, inchaço, calor e dor, sinais normais no início da cicatrização. | Assim que a lesão é formada. |
| Proliferativa ou de reparação | A ferida começa a fechar. Aparece um tecido rosado (tecido de granulação), a pele cresce pelas bordas e o machucado diminui de tamanho. | Entre 48-72h após a injúria. |
| Maturação ou de remodelação | A pele fica mais firme e resistente. A cicatriz se fortalece, mas sua força jamais retornará a 100%, atingindo apenas 80% da força original. (HOSGOOD, 2006; PAVLETIC, 2010) | Após 20 dias da lesão. |
Embora a cicatrização das feridas em cães siga um processo mais ou menos linear, alguns fatores podem impactar diretamente no tempo e na qualidade da recuperação.
Quando esses fatores não são controlados, a lesão pode evoluir lentamente, infeccionar ou se transformar em feridas crônicas em cães — aquelas que parecem nunca cicatrizar.
Em geral, os principais fatores que interferem na cicatrização canina são:
Quando um ou mais desses fatores estão presentes, a ferida tende a demorar mais para fechar e exige atenção redobrada.

Com cuidados simples e consistentes, é possível prevenir e reduzir o risco de cortes, infecções e feridas em cachorro.
Para a médica-veterinária Stefanie Poblete, consultada pelo portal Vida de Bicho, o grande segredo é estar atento aos ambientes que o pet tem acesso e prever possíveis acidentes:
“Na rua, a recomendação é que os cães não andem sem guias, coleiras ou o acompanhamento de seus tutores em vias públicas. E caso o responsável observe qualquer alteração na pele do animal, deve levá-lo a um atendimento”, afirma a especialista.
No dia a dia, outros cuidados que ajudam a prevenir os acidentes dermatológicos são:
Manter o ambiente seguro é um dos primeiros passos. Objetos cortantes, pisos escorregadios e acesso livre à rua aumentam o risco de cortes, quedas e acidentes.
Durante os passeios, o uso de guia e a supervisão constante ajudam a evitar brigas e traumas, especialmente em cães mais agitados ou curiosos.
Os cuidados com a pele também fazem diferença. A higiene e a tosa preventiva reduzem o acúmulo de sujeira, umidade e nós, que podem esconder feridas ou favorecer infecções.
Criar o hábito de inspecionar a pele e as patas dos cães diariamente também facilita a identificação de pequenas alterações antes que elas evoluam para lesões maiores.
O controle de parasitas é outro ponto essencial, pois pulgas e carrapatos provocam coceira, inflamação e feridas, infligidas pelo próprio animal na tentativa de aliviar o desconforto.
Manter a prevenção antiparasitária em dia, com antipulgas e vermífugos, ajuda a proteger a integridade da pele e evita infecções secundárias.
Além de evitar objetos cortantes e superfícies escorregadias, é importante manter os locais que o pet frequenta sempre limpos e organizados.
Afinal, ambientes sujos, úmidos ou com acúmulo de lixo favorecem quadros de dermatites e a presença de parasitas.
Consultas veterinárias periódicas, anuais ou semestrais, ajudam a identificar alterações na pele do animal antes que se tornem feridas graves.
Além disso, as consultas são essenciais para manter o calendário de vacinação e de controle de parasitas atualizados, melhorando a saúde geral do pet.
Depende. Feridas pequenas em cachorro, superficiais e que não causam dor intensa, podem ser monitoradas em casa em um primeiro momento. No entanto, feridas profundas, extensas, dolorosas ou que não melhoram exigem, sim, avaliação veterinária.
Fazer a limpeza correta, usar antissépticos adequados e proteger a região afetada com um curativo são algumas das formas de impedir que as feridas em cachorro infeccionem.
A presença de secreção ou pus na ferida, mau cheiro, inchaço, dor, vermelhidão progressiva e apatia podem ser sinais de infecção bacteriana secundária.
Nestes casos, é importante procurar atendimento veterinário imediato e avaliar a necessidade de tratamento com antibióticos.
Depende do tipo lesão. Feridas fechadas com pontos podem cicatrizar em cerca de 4 a 7 dias após a incisão. Já feridas traumáticas caninas, com cicatrização por segunda intenção, podem levar semanas ou até meses.
Não. Apesar de ser um mito comum, a lambedura não acelera a cicatrização — pelo contrário! A boca do cachorro tem muitas bactérias e, ao lamber, ele pode contaminar a lesão, aumentar a inflamação e até ampliar o machucado.
Por isso, quando o cachorro lambe muito o machucado, o ideal é usar um colar elizabetano, curativos ou roupinhas cirúrgicas, conforme orientação veterinária.
Sim. Nem toda ferida é apenas um acidente pontual. Lesões que surgem com frequência, não cicatrizam, voltam no mesmo local ou aparecem sem causa aparente podem estar relacionadas a alergias, infecções (como leishmaniose) e até neoplasias cutâneas.

Viu como as feridas em cachorro podem ter diferentes causas e níveis de gravidade? Por isso, observar a pele do pet e agir rápido faz toda a diferença para evitar complicações.
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Matéria muito boa e Oi nstrutkva sobre pets gostei muito.