

As doenças transmitidas por gatos fazem parte das zoonoses, um grupo de enfermidades que pode afetar tanto os animais quanto as pessoas.
Embora muita gente tema esse tipo de problema, estudos mostram que só 29% da população conhece o termo zoonose — mesmo sabendo que doenças como a raiva e a toxoplasmose existem.
A falta de informação favorece o surgimento de mitos, medo excessivo e até o abandono de gatos, quando, na realidade, esses riscos estão ligados a cuidados inadequados.
Os principais meios de transmissão envolvem contato com fezes, saliva, urina ou arranhões felinos, especialmente quando não há higiene ou acompanhamento veterinário regular.
Ainda assim, a maioria das doenças associadas aos gatos é prevenível com vacinação, controle de parasitas e o manejo correto do ambiente.
A seguir, entenda quais doenças podem ser transmitidas por gatos, seus sintomas, causas e cuidados simples ajudam a manter uma convivência segura em casa!
Segundo a Universidade Federal Rural de Pernambuco, as zoonoses são infecções ou doenças infecciosas transmitidas de animais a homens e vice-versa.
Dados levantados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que mais de 60% das doenças infecciosas que atingem humanos têm sua origem em animais — e os felinos são peças importantes na transmissão de algumas delas.
Afinal, a espécie pode servir como hospedeira para diversos organismos zoonóticos perigosos, incluindo bactérias, vírus, fungos e outros patógenos.
Dessa forma, os riscos à saúde humana por contato com gatos tendem a ser subestimados, especialmente quando há falta de informação sobre o assunto.
A Organização Pan-Americana da Saúde é responsável pela pesquisa mais abrangente de zoonoses e doenças comuns entre animais e humanos.
De acordo com a publicação, 98 doenças humanas são compartilhadas com cães e gatos. E desse total, 63 apresentam associação com os felinos.
As doenças que os gatos transmitem podem ser adquiridas de diferentes formas, geralmente envolvendo o contato direto com animais infectados e certos vetores biológicos.
No entanto, o ambiente também é um fator de risco, já que superfícies, objetos e espaços compartilhados podem atuar como reservatórios de agentes infecciosos.
Segundo a Feline Veterinary Medical Association, os principais meios de transmissão de zoonoses entre felinos e humanos são:
A diversidade de vias explica por que a prevenção das zoonoses felinas envolve cuidados com o animal, com o seu ambiente e com a rotina de higiene da casa. É um protocolo geral!

As doenças transmitidas pelo gato não podem ser tratadas como um grupo único, pois envolvem diferentes agentes infecciosos com impactos variados na saúde humana.
Levantamentos indicam que, entre as zoonoses gerais, há maior variedade de verminoses, seguidas por infecções bacterianas, fúngicas e parasitárias, como mostramos a seguir!
As doenças infecciosas transmitidas por gatos vindas de origem bacteriana ocupam posição de destaque entre as zoonoses felinas, e incluem a leptospirose, a bartonelose entre outras.
A campilobacteriose é uma infecção gastrointestinal causada por bactérias do gênero Campylobacter spp.
Embora pouco relatada no Brasil, gatos podem atuar como reservatórios naturais dessas bactérias, inclusive quando estão aparentemente saudáveis!
Isso porque muitos pets podem transmitir a bactérias via fezes contaminas mesmo assintomáticos — o que reforça a importância da higiene felina no convívio diário.
| Campilobacteriose (enterite) | |
| Agente causador | Bactérias do gênero Campylobacter spp., principalmente C. jejuni, C. coli e C. helveticus |
| Modo de transmissão | Ingestão de alimentos ou água contaminados; contato com fezes contaminadas |
| Sintomas em humanos | Diarreia, dor abdominal, náuseas, vômitos e febre; raramente, complicações neurológicas como a Síndrome de Guillain-Barré |
| Sintomas em gatos | Geralmente assintomáticos; quando presentes, incluem diarreia, vômitos, anorexia e desidratação |
A infecção por capnocytophaga é uma das doenças que os gatos podem passar através de mordidas ou do contato da saliva com feridas abertas na pele humana.
Isso acontece porque a bactéria Capnocytophaga canimorsus faz parte da microbiota oral dos felinos — e embora não cause sintomas em pets, pode provocar sepse em humanos.
Segundo a médica-veterinária Natália Gaeta, entrevistada pela revista Cães e Gatos, a infecção por Capnocytophaga canimorsus em pessoas saudáveis é rara.
No entanto, a condição evolui rapidamente e pode ser fatal, especialmente em indivíduos com imunidade comprometida.
Estudos indicam taxa de mortalidade em torno de 26% nesses casos, o que reforça a necessidade de atenção imediata após mordidas ou arranhões profundos.
| Infecção por capnocytophaga | |
| Agente causador | Bactérias do gênero Capnocytophaga, especialmente C. canimorsus |
| Modo de transmissão | Mordidas, arranhões profundos ou contato da saliva com feridas abertas |
| Sintomas em humanos | Dor local, inchaço, vermelhidão, taquicardia, hipotensão e, em casos graves, gangrena |
| Sintomas em gatos | Geralmente ausentes, pois gatos costumam ser portadores assintomáticos |
| Grupos de risco | Pessoas imunossuprimidas |
A leptospirose é uma zoonose causada por bactérias do gênero Leptospira — e é uma das doenças potencialmente transmitidas por urina de gato.
Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo, a enfermidade tem caráter epidêmico e ocorre com mais frequência em épocas de chuva.
Isso porque as bactérias leptospiras sobrevivem por longos períodos em água e solos úmidos, especialmente em áreas sem saneamento básico
Embora os roedores sejam os principais reservatórios, os gatos podem se infectar ao circular por áreas contaminadas e atuar como fontes indiretas de risco.
| Leptospirose | |
| Agente causador | Bactérias do gênero Leptospira |
| Modo de transmissão | Contato com água, solo ou superfícies contaminadas por urina de animais infectados, especialmente roedores |
| Sintomas em humanos | Febre alta súbita, dores musculares intensas, dor de cabeça, mal-estar; em casos graves, icterícia, insuficiência renal e hepática, hemorragias e meningite |
| Sintomas em gatos | Febre, tremores, icterícia, vômitos, diarreia, sede excessiva, aumento da urina, dificuldade respiratória e desidratação |
| Grupos de risco | Pessoas expostas a enchentes, como profissionais que trabalham em áreas inundadas (coletores de lixo, bombeiros) |
Em alguns casos, os gatos também podem transmitir uma doença chamada pasteurelose — zoonose bacteriana causada pela Pasteurella multocida.
Segundo Navajas et al. (2019) essa bactéria está presente em cerca de 70–90% dos felinos, e apesar de incomum, pode causar doenças graves na cavidade oral, trato respiratório e tecidos moles de humanos.
A transmissão da condição para pessoas ocorre, principalmente, por mordidas, arranhões ou pelo contato com saliva e secreções nasais de um animal infectado.
| Pasteurelose | |
| Agente causador | Bactéria Pasteurella multocida |
| Modo de transmissão | Contato direto com gatos infectados, especialmente por mordidas, arranhões ou exposição da pele lesionada à saliva e secreções respiratórias |
| Sintomas em humanos | Dor, vermelhidão, inchaço e secreção purulenta no local da lesão; em casos graves, pode evoluir para infecções respiratórias, conjuntivite, bacteremia, sepse, meningite e pericardite |
| Sintomas em gatos | Geralmente assintomáticos, pois a bactéria faz parte da microbiota oral dos felinos |
A doença da arranhadura do gato, também chamada de linforreticulose de inoculação ou febre da arranhadura do gato, é uma zoonose bacteriana associada principalmente ao contato com gatos domésticos.
Apesar de geralmente apresentar evolução benigna, a infecção merece atenção por seu potencial de complicações em pessoas imunocomprometidas.
De distribuição mundial, a condição ocorre com maior frequência em crianças e adolescentes, grupo que tende a manter contato mais próximo com gatos jovens.
A transmissão está relacionada a arranhões ou mordidas por felinos infectados com a bactéria — que chega até os pets através das pulgas.
Embora seja considerada uma doença subaguda e autolimitada na maioria dos casos, a infecção pode evoluir para quadros sistêmicos mais graves, com acometimento ocular, neurológico ou cardíaco.
| Doença da arranhadura do gato | |
| Agente causador | Bartonella henselae |
| Modo de transmissão | Contato da bactéria com a pele lesionada após arranhões ou mordidas de gatos infectados; pulgas são os principais vetores da doença em felinos |
| Sintomas em humanos | Lesão no local do arranhão, aumento de linfonodos, febre e mal-estar |
| Sintomas em gatos | Geralmente assintomáticos; verificar a presença de pulgas |
A peste bubônica é uma zoonose causada pela bactéria Yersinia pestis, organismo historicamente responsável pela transmissão de doenças entre animais e humanos.
Embora seja associada a epidemias antigas, como a Peste Negra, a doença ainda circula atualmente entre populações de roedores silvestres de algumas partes do mundo.
Nesse cenário, os gatos merecem atenção. Afinal, felinos que caçam ao ar livre podem se infectar ao ingerir roedores contaminados ou ao serem picados por pulgas.
Quando adoecem, além do risco elevado para o próprio animal, os gatos podem representar uma fonte indireta de exposição para humanos.
| Peste bubônica | |
| Agente causador | Bactéria Yersinia pestis |
| Modo de transmissão | Picada de pulgas infectadas ou contato com secreções respiratórias e fluidos corporais de gatos doentes |
| Sintomas em humanos | Febre súbita, calafrios, dor de cabeça, aumento dos gânglios linfáticos (bubões); em casos graves, pode evoluir para peste septicêmica ou pneumônica |
| Sintomas em gatos | Febre, letargia, perda de apetite e gânglios linfáticos inchados, especialmente na região do pescoço |
Vírus também podem causar doenças felinas transmissíveis a humanos, e costumam possuir uma alta capacidade de disseminação em ambientes urbanos.
A raiva felina é uma zoonose viral grave, frequentemente vista como uma doença de gatos de rua, devido ao maior contato com animais silvestres e à ausência de vacinação.
Embora os registros sejam baixos, dados da Coordenadoria de Defesa e Saúde Animal do Estado de São Paulo indicam a ocorrência de 20 casos de raiva gatos entre 2002 e 2020.
Segundo o órgão, subnotificações e mudanças no perfil clínico da doença podem dificultar a sua detecção, o que reforça a importância da vigilância epidemiológica constante.
Por ser quase sempre fatal, a prevenção via vacinação e a busca imediata por atendimento após mordidas de animais suspeitos são medidas essenciais de saúde pública relacionadas à condição.
| Raiva felina | |
| Agente causador | Lyssavirus |
| Modo de transmissão | Contato da saliva de animais infectados, como morcegos e outros mamíferos, com feridas ou mucosas humanas. |
| Sintomas em humanos | Febre, dor de cabeça, alterações neurológicas, paralisia e óbito |
| Sintomas em gatos | Agressividade, irritabilidade, dificuldade de engolir e andar, paralisias |
A rotavirose é uma infecção viral que provoca inflamação intestinal e pode afetar gatos de diferentes idades, com maior impacto em filhotes.
De maneira geral, o vírus está associado a quadros de diarreia e distúrbios gastrointestinais, podendo evoluir para desidratação quando não há manejo adequado.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com fezes contaminadas, o que exige atenção redobrada em ambientes compartilhados com crianças pequenas.
| Rotavirose | |
| Agente causador | Rotavírus |
| Modo de transmissão | Contato com matéria fecal contaminada e ambientes com higiene inadequada |
| Sintomas em humanos | Dor de estômago, diarreia, vômito e febre |
| Sintomas em gatos | Diarreia leve a moderada, perda de apetite, emagrecimento e desidratação |

Conhecidas como micoses de gatos, as doenças fúngicas de caráter zoonótico são causadas por certos tipos de fungos que afetam principalmente a pele de pets e humanos.
A dermatofitose é uma das principais doenças de pele causadas por gato e corresponde a um grupo de micoses cutâneas associadas a fungos dermatófitos.
Os agentes responsáveis pela condição pertencem aos gêneros Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton e estão distribuídos mundialmente.
Segundo Souza et al. (2022), cerca de 30% dos casos de dermatofitose em humanos têm origem zoonótica, sendo o Microsporum canis o agente mais frequente.
Geralmente, a infecção é superficial e afeta tecidos queratinizados, como pele, pelos e unhas, tanto em animais quanto em seres humanos.
Em gatos, as lesões costumam ser mais discretas, o que favorece a transmissão silenciosa da enfermidade dentro de casa.
| Dermatofitose | |
| Agente causador | Fungos dermatófitos dos gêneros Microsporum, Trichophyton e Epidermophyton |
| Modo de transmissão | Contato direto com animais infectados ou objetos contaminados, incluindo utensílios, camas e caixas de transporte. |
| Sintomas em humanos | Lesões avermelhadas, descamação, coceira e calvície |
| Sintomas em gatos | Descamação, crostas, alopecia focal, difusa ou generalizada, hiperpigmentação e prurido |
A esporotricose felina é uma das principais doenças contagiosas de gatos — e pode causar lesões graves na pele de felinos e humanos.
A condição é causada por fungos do complexo Sporothrix, especialmente Sporothrix brasiliensis, espécie mais agressiva e associada a surtos urbanos no país.
Os gatos são os principais transmissores domésticos, pois apresentam alta carga fúngica nas lesões, facilitando a disseminação durante brigas, arranhões e mordidas.
| Esporotricose felina | |
| Agente causador | Fungos dimórficos do complexo Sporothrix, principalmente S. brasiliensis e S. schenckii |
| Modo de transmissão | Arranhões, mordidas ou contato direto com lesões de gatos infectados, ou ambiente/objetos contaminados pelo fungo (solo, vegetações, madeira) |
| Sintomas em humanos | Lesões elevadas, avermelhadas, ulceradas ou crostosas; nódulos em cadeia (cutâneo-linfática); formas sistêmicas atingem órgãos internos |
| Sintomas em gatos | Lesões nodulares ou ulceradas, crostas, exsudato purulento, alopecia, disseminação pelo corpo, linfonodos aumentados, febre, prostração, anorexia e emagrecimento |
As doenças parasitárias felinas são infecções causadas principalmente por protozoários e vermes que afetam a saúde animal.
Entre os principais exemplos estão os parasitas intestinais em gatos, que podem causar diarreia, anemia e outros problemas graves em pets e pessoas.
A toxoplasmose é uma doença transmitida pelo gato bastante conhecida. O seu agente transmissor é o protozoário Toxoplasma Gondii, cujos hospedeiros definitivos são os felinos.
O contágio se dá por meio da ingestão do parasita, geralmente alojado nas fezes de gatos infectados, presentes na caixa de areia ou no ambiente.
Em humanos, a toxoplasmose varia de assintomática a intensa. Gestantes fazem parte do grupo de risco da condição — já que ela pode ser transmitida de maneira grave aos bebês.
Nestes casos, as crianças afetadas pela toxoplasmose congênita pode desenvolver sequelas visuais, neurológicas, cognitivas, comportamentais e motoras.
| Toxoplasmose felina | |
| Agente causador | Protozoário Toxoplasma gondii, parasita intracelular obrigatório |
| Modo de transmissão | Exposição a fezes de gatos infectados, ingestão de carne crua ou mal cozida, leite não pasteurizado |
| Sintomas em humanos | Assintomática ou leve (febre, linfonodos aumentados); grave em gestantes e imunodeprimidos (retinite, complicações fetais) |
| Sintomas em gatos | Felinos geralmente são assintomáticos |
A giardíase é uma doença causada pelo protozoário Giardia duodenalis que atinge diferentes tipos de mamíferos — incluindo gatos e humanos.
Conhecida como giárdia, o parasita se instala no intestino delgado, prejudicando a absorção de nutrientes e causando diarreia intensa, principalmente em filhotes.
A transmissão ocorre pela via fecal-oral, ou seja, essa é uma doença transmitida por fezes de gatos infectados.
E o pior: mesmo felinos assintomáticos podem eliminar cistos no ambiente, mantendo o ciclo de infecção e representando risco para outros animais e pessoas.
| Giardíase felina | |
| Agente causador | Protozoário Giardia duodenalis (G. lamblia ou G. intestinalis) |
| Modo de transmissão | Via fecal-oral, através da ingestão de cistos em fezes, água ou alimentos contaminados |
| Sintomas em humanos | Diarreia intensa, dor abdominal, perda de apetite; crianças podem apresentar má absorção e desnutrição |
| Sintomas em gatos | Diarreia com muco ou sangue, vômitos, perda de peso ou apatia. |
Bicho geográfico é o nome popular da infecção causada pela Larva migrans cutânea, relacionada ao verme Ancylostoma.
A zoonose é transmitida principalmente pelo contato com fezes de animais contaminados pelo parasita, seja pela ingestão de água ou alimentos infectados.
Em humanos, o primeiro sinal da infecção é a eclosão de um ponto vermelho na pele. A doença também pode causar coceira, inchaço e lesões em forma de linhas avermelhadas.
| Bicho geográfico (dermatite por Larva migrans) | |
| Agente causador | Larvas de Ancylostoma (verme nematódeo) |
| Modo de transmissão | Contato com fezes de animais infectados ou ambiente contaminado |
| Sintomas em humanos | Linhas avermelhadas e tortuosas na pele, coceira intensa, sensação de movimento sob a pele |
| Sintomas em gatos | Diarreia, vômitos, perda de peso, coceira anal, sensibilidade abdominal, gengiva pálida, alterações na pelagem |
A escabiose, popularmente conhecida como sarna, é uma dermatose parasitária causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei.
Embora seja considerada uma zoonose, a infestação em pessoas geralmente possui caráter transitório — e a transmissão ocorre pelo contato direto com animais infectados ou superfícies contaminadas, incluindo roupas, camas e utensílios.
O ácaro sobrevive pouco tempo fora de seu hospedeiro habitual, mas penetra na pele humana causando coceira, irritação e pequenas lesões avermelhadas.
| Escabiose (sarna zoonótica) | |
| Agente causador | Ácaro Sarcoptes scabiei, variantes canis e hominis |
| Modo de transmissão | Contato direto com animais infectados ou superfícies contaminadas |
| Sintomas em humanos | Coceira intensa e pápulas (lesões) avermelhadas. |
| Sintomas em gatos | Coceira, irritação e crostas na pele |
A alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico a substâncias estranhas ao corpo, que acontece em pessoas geneticamente mais sensíveis.
No caso dos felinos, essa reação não tem nada a ver com a saúde do animal — e por isso, mesmo um gato saudável e bem cuidado pode desencadear problemas.
Afinal, segundo a Purina, o responsável por 95% das alergias a gatos é o Fel d1, uma proteína naturalmente presente na saliva e nas glândulas sebáceas dos animais.
Quando o gato se lambe, essa substância se espalha por seus pelos, chegando ao ambiente e podendo causar reações nos responsáveis.
| Alergia a gatos | |
| Agente causador | Fel d1, proteína presente na saliva e nas glândulas sebáceas do gato. |
| Gatilho para as reações | Contato direto com o gato ou contato com o alérgeno no ambiente (ar, móveis, roupas). |
| Sintomas em humanos | Espirros, coceira nos olhos e nariz, inchaço das pálpebras, congestão e asma. |
| Sintomas em gatos | Nenhum; todos os gatos produzem Fel d1 e isso é algo natural. |

Os gatos podem, sim, transmitir algumas doenças para humanos — mas a boa notícia é que muitas delas podem ser prevenidas com cuidados simples.
Segundo o médico-veterinário Alexandre Pina, entrevistado pelo jornal O Globo, a principal forma de prevenção de doenças zoonóticas felinas é lavar as feridas de arranhões e mordidas com água e sabão imediatamente e procurar atendimento médico.
Observar sinais de infecção, como dor, vermelhidão e inchaço, garante que o tratamento correto seja prescrito o mais rápido possível e evita infecções.
Outras medidas que ajudam a manter a saúde dos gatos em dia e evitam a transmissão de doenças entre pets e pessoas são:
Manter o calendário de vacinas do seu gato atualizado é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças graves e transmissíveis aos humanos, como a raiva!
O Programa Nacional de Profilaxia da Raiva (PNPR), criado em 1973, implantou a vacinação antirrábica obrigatória de cães e gatos em todo o território nacional.
Essa medida reduziu drasticamente os casos de raiva urbana — de 1.200 casos em 1999 para apenas 8 em 2024, segundo dados oficiais.
No entanto, novos estudos mostram que a cobertura vacinal de gatos domiciliados ainda é insuficiente para manter as condições controladas.
Segundo Filho (2020), a maioria das unidades federativas brasileiras apresenta cobertura vacinal abaixo dos 70% recomendados pelo Ministério da Saúde.
Isso significa que o risco de surtos de doenças preveníveis, incluindo a raiva, continua alto — e a vacinação continua essencial para proteger não só o animal, mas toda a sua família!
Oferecer uma alimentação segura é essencial para a saúde do gato e também para prevenir doenças que podem ser transmitidas aos humanos.
Evite dar alimentos crus ou mal cozidos aos felinos, pois eles podem conter microrganismos prejudiciais à saúde do animal e de quem convive com ele.
Além disso, é importante estar atento aos hábitos de caça do pet:
“Os gatos têm um fator agravante em relação aos cães. Eles caçam morcegos que podem estar infectados e, assim, contrair a doença”, alerta Karin Botteon, médica-veterinária entrevistada pela Boehringer Ingelheim.
Logo, garantir uma alimentação equilibrada, com rações Super Premium de alta qualidade ajuda não só na prevenção de zoonoses, mas também, a manter o seu gato saudável.
Manter a higiene do ambiente é outro ponto fundamental para a convivência segura com gatos, pois reduz o risco de transmissão de doenças aos humanos.
Limpar as caixas de areia diariamente e lavar as mãos após cada contato previne a contaminação por parasitas e bactérias presentes nas fezes e urinas dos pets.
A higienização completa das caixas também deve ser feita periodicamente, com água e sabão, garantindo a eliminação de microorganismos perigosos.
É bom lembrar que animais que têm acesso a áreas externas podem defecar em terra, canteiros ou vasos de plantas.
Por isso, o uso de luvas durante a jardinagem e a lavagem das mãos depois dessas atividades são medidas simples, mas eficazes para reduzir o risco de infecções zoonóticas.
As garras dos gatos também podem transmitir doenças para humanos, e apará-las regularmente evita arranhões que possam servir como porta de entrada para bactérias.
Outro ponto importante na prevenção de doenças causadas pelos gatos é o controle preventivo de parasitas, como pulgas, carrapatos e ácaros.
Por isso, é essencial administrar produtos antiparasitários indicados pelo veterinário mesmo em felinos que vivem somente dentro de casa.
Moscas, baratas e mosquitos também podem transportar parasitas para dentro de casa, então o cuidado com insetos deve entrar no radar dos responsáveis.
Limitar o acesso dos gatos à rua é uma ótima forma de prevenir doenças comuns em gatos e seus riscos para humanos.
Afinal, felinos que circulam livremente estão mais expostos a vírus, bactérias e parasitas que também podem afetar pessoas.
Telar janelas, sacadas e varandas permite que os pets aproveitem o ambiente sem riscos de fuga e reduz as chances de contato com outros animais infectados.
Fazer visitas periódicas a um veterinário especializado em gatos também é uma medida importante para garantir que seu pet esteja sempre saudável e seguro.
As consultas ajudam a identificar riscos de doenças que podem afetar pessoas, especialmente as imunocomprometidas.
O veterinário, então, poderá indicar vacinas, protocolos de higiene e cuidados preventivos específicos para cada animal.
Além de ser um problema social, o abandono expõe gatos a doenças e aumenta riscos à saúde pública, uma vez que felinos errantes estão mais predispostos a enfermidades.
Por isso, quando a adoção ocorre, o gato deve passar por um exame veterinário completo. Assim, é possível avaliar o risco de zoonoses antes do convívio com a família.
Em caso positivo, é fundamental iniciar o tratamento e a quarentena. Dessa forma, é possível evitar a transmissão de agentes infecciosos a outros animais e pessoas da casa.

A convivência com felinos ainda é cercada por desinformação, especialmente quando o assunto envolve saúde.
Muitos mitos sobre doenças de gato que se espalharam ao longo do tempo geram medo desnecessário, estigmatizando os felinos e confundindo tutores.
A seguir, compilamos o que é fato e o que não passa de crença popular quando assunto são zoonoses felinas. Confira!
Mito. O câncer não é uma doença transmissível — nem para humanos e nem para outros animais. Tumores em gatos surgem por alterações celulares próprias de cada organismo e não são transmitidos por contato, arranhões ou convivência com humanos.
Mito. Alguns agentes podem ser transmitidos mesmo na ausência de sintomas de doenças em gatos. Afinal, parasitas, bactérias e alérgenos também podem estar presentes em animais saudáveis, como a Capnocytophaga.
Verdade. Embora a maioria dos arranhões de felinos não evolua para quadros de infecção, o risco depende da profundidade da lesão, da higiene local e da presença de agentes zoonóticos nas unhas ou saliva do gato.
Por isso, é muito importante lavar qualquer ferimento com água e sabão imediatamente após o acidente e prestar atenção em possíveis sintomas de infecção, como inchaço.
Verdade. Mesmo vivendo dentro de casa, os felinos ainda podem transmitir doenças. Isso acontece porque microrganismos podem entrar no ambiente por alimentos, insetos, pessoas ou outros animais.
Além disso, arranhões, mordidas e o contato com fezes podem representar risco quando não há higiene adequada.
Mito. Segundo a Gazeta do Povo, as chances de infecção por toxoplasmose apenas pela convivência com gatos são muito baixas — e só 1% dos felinos dissemina a doença.
Em geral, a condição é fácil de prevenir, e durante a gestação, o principal cuidado é evitar contato direto com fezes.
O ideal é que outra pessoa faça a limpeza da caixa de areia. Mas caso isso não seja possível, lavar bem as mãos após o manejo já reduz significativamente os riscos.
Verdade. Por uma questão cultural, os gatos costumam ser os animais mais associados à toxoplasmose — e a condição até ficou popularmente conhecida como doença do gato.
A associação vem por conta do ciclo do parasita Toxoplasma gondii, cujos únicos hospedeiros definitivos são os felinos.
No entanto, isso não significa que a espécie seja a principal fonte de infecção para humanos. Na prática, o Ministério da Saúde do Brasil estima que apenas 10 a 15% dos gatos carreguem o parasita.
A infecção costuma ocorrer quando o animal ingere carne crua, aves ou roedores contaminados, geralmente durante a caça.
Por isso, gatos alimentados exclusivamente com ração e que vivem dentro de casa, sem acesso à rua, têm chances muito baixas de contrair e transmitir a toxoplasmose.
Já para humanos, a principal forma de contágio está relacionada ao consumo de carnes cruas ou malcozidas e alimentos contaminados.
Mito. Gatos podem, sim, transmitir doenças para outros animais — inclusive cães e diferentes tipos de mamíferos.
Na verdade, diversas infecções passam de um pet para outro por contato direto ou compartilhamento de ambientes.
Mito. A vacinação é fundamental para proteger a saúde do gato e reduzir riscos à saúde pública, mas não elimina totalmente a possibilidade de zoonoses.
Afinal, nem todas as doenças transmissíveis são cobertas pelas vacinas disponíveis, então cuidados como higiene, controle de parasitas e visitas regulares ao veterinário continuam sendo indispensáveis.

As principais doenças de gatos que afetam humanos são a toxoplasmose, a esporotricose, a dermatofitose, a raiva, a leptospirose, a giardíase, o bicho-geográfico, a sarna e a doença da arranhadura do gato.
No entanto, os felinos também podem transmitir condições como campilobacteriose, infecção por capnocytophaga, pasteurelose, peste bubônica, rotavirose, etc.
Os sinais variam conforme a zoonose, mas podem incluir febre persistente, aumento de gânglios, lesões na pele, sintomas respiratórios ou gastrointestinais.
No entanto, a melhor forma de confirmar um diagnóstico com assertividade é buscar orientação de um médico.
A principal doença transmitida pela saliva do gato é a raiva. Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, a transmissão ocorre principalmente por meio da mordedura de animais infectados, mas também pela arranhadura e/ou lambedura dos pets.
Outras zoonoses transmitidas por essa via são a infecção por capnocytophaga, a pasteurelose e alergias.
O manejo de um gato portador de zoonose deve ser feito sob orientação veterinária. Mas, em geral, inclui o tratamento da condição e a higiene rigorosa do ambiente.
Dependendo da enfermidade em questão, o profissional poderá prescrever a restrição temporária do contato do animal com pessoas e outros pets da casa.
Manter a vacinação em dia, controlar pulgas e carrapatos, higienizar mãos e ambientes, evitar arranhões e mordidas e realizar consultas veterinárias regulares são medidas essenciais para reduzir o risco de zoonoses felinas.
Zoonoses nem sempre causam sinais evidentes nos gatos. Por isso, alterações comportamentais, feridas persistentes, febre ou perda de peso devem ser avaliadas por um veterinário, que poderá identificar os riscos reais à saúde humana.
No Blog da Cobasi, você encontra guias completos sobre saúde dos gatos, prevenção de zoonoses, vacinação, alimentação e curiosidades felinas.
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Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário | Análise do conhecimento sobre as principais zoonoses transmitidas por gatos
Universidade Federal Rural de Pernambuco | Manual de controle das zoonoses e agravos
Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo | Zoonoses correspondem a mais de 60% das doenças humanas
Feline Veterinary Medical Association | O que posso apanhar do meu gato? Zoonoses felinas
Câmara dos Deputados | Relação entre cães, gatos e zoonoses
Pubvet | Infecção gastrointestinal causada por Campylobacter em felino: relato de caso
Revista Cães e Gatos | Veterinária alerta sobre bactéria em animais que pode levar à morte
Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo | Animais domésticos podem transmitir leptospirose
Fatec Botucatu | Transmissão zoonótica de Pasteurella multocida
Governo do Estado de São Paulo | Doença da arranhadura do gato (DAG)
O Globo | Peste bubônica: gatos podem transmitir a doença? Entenda
Governo do Estado de São Paulo | Mudanças nos sintomas da raiva em animais requer atenção redobrada
PetMD | Infecção viral intestinal (rotavírus) em gatos
Portal Vet Royal Canin | Dermatofitose em gatos e cães: saiba como diagnosticar e tratar
Governo do Estado de São Paulo | Esporotricose
Governo do Estado de São Paulo | Toxoplasmose
Goldlabvet | Giardia em gatos: 5 sinais que seu gato está sofrendo em silêncio
Portal Drauzio Varella | Bicho geográfico (larva migrans cutânea)
Chemitec | Bicho geográfico em pets: o que é e como prevenir?
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Purina | Alergia a gatos: Mitos x Verdades. Veja fatos científicos!
O Globo | Conheça cinco doenças que gatos podem transmitir para humanos
Ministério de Saúde | Raiva Animal
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia Universidade de São Paulo | Raiva em felinos domésticos
Boehringer Ingelheim | Vacinação contra Raiva: proteja seu gato e sua família
Gazeta do Povo | Gestação e gatos: entenda os riscos de toxoplasmose em grávidas
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Meu filho tem uma gata e ela é o chodozinho da casa e eu e ele são alergicos
Vcs apresentaram as doenças transmissíveis dos gato, né? Mas quais os sintomas que o ser humano infectado tem? Como vou saber se meu filho esta com alguma doença transmitida por gatos? Essas doenças causam dor de barriga? Coceira nas pernas? Bolotas no couro cabeludo???
Olá, Leticia. Tudo bem?
As zoonoses são doenças que podem ser transmitidas entre animais e pessoas. Essas doenças podem ser causadas por fungos, bactérias, vírus ou parasitas.
Desta maneira, cada uma delas pode apresentar sintomas diferentes, deixaremos aqui um conteúdo completo sobre as zoonoses, mas em casos de dúvidas, procure um médico rapidamente!
https://blog.cobasi.com.br/o-que-sao-zoonoses/
Se engerir um pelo de gato no alimento esse ficar parado no organismo que consequência pessoa vai ter
Olá, Leila! Tudo bem?
Bom, cada organismo pode reagir de uma forma, recomendamos que vá ao hospital para se certificar de que está tudo bem!
Desde pequena tenho gatos, com 9 anos eu dormia com 4 e eram meio largadinhos, não tínhamos acesso a tudo que tem hoje. Bom, nunca adoeci por causa deles. Até hoje. Tenho 48 anos. Porém, qd casei deixei meus gatos com minha mãe e hoje meu filho tem 7 anos e ele espirra muito na presença dos gatos. Ele fica parecendo estar resfriado. Então cada um reage de um jeito. Só sei que temos que cuidar com responsabilidade, castrar, vacinar, limpar a areia todo dia e etc…
Os médicos estão respeitando medicamentos que não resolva está micose transmite pelos Gatos
Meu Gato está com esporotricose
Tenho que sacrificar ele não tem mais oque fazer as medições não fizeram efeito e acho que fui contaminada com a doença dele não sei onde procurar ajuda
Regina, lamento saber que seu gato está com esporotricose e que o tratamento não teve efeito. Em casos como esse, é crucial consultar um veterinário especializado em doenças infecciosas e pedir orientações sobre possíveis opções de tratamento.
Virilha inchada nariz escorrendo coceiras nos olhos parece olhos estão meio inchado , suponho que tenho alguma doença de gato.
Olá Valter, se você está apresentando sintomas como virilha inchada, nariz escorrendo e coceiras nos olhos após interações com gatos, recomendamos procurar um profissional de saúde para avaliação e orientação adequada sobre possíveis causas e tratamentos.