Intoxicação alimentar em cachorro: saiba como identificar e o que fazer

Por Cobasi   Tempo de leitura: 20 minutos

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Cachorro da raça labrador deitado com aparência abatida

A intoxicação alimentar em cachorro é uma emergência veterinária comum e perigosa que ocorre quando pets ingerem alimentos ou substâncias inadequadas ao seu organismo.

Esse risco é ainda maior entre os cães, animais curiosos que adoram explorar coisas com a boca — a espécie representa de 70 a 80% dos atendimentos veterinários por intoxicação. (Gupta, 2007).

Comidas humanas, plantas ornamentais e outros produtos aparentemente inofensivos estão entre as principais causas do problema, que pode levar o pet a óbito em poucas horas.

Não por acaso, cerca de 90% das intoxicações em animais são acidentais e agudos, ocorrendo principalmente no ambiente doméstico. (Godbold et al., 1979).

Sinais como vômito, diarreia, apatia e tremores são os primeiros indicativos de um cachorro intoxicado — e é muito importante que os responsáveis procurem atendimento veterinário imediato nestas circunstâncias.

A seguir, você vai descobrir como identificar os sinais, o que fazer e como prevenir a intoxicação alimentar em cachorro. Continue a leitura!

O que é intoxicação alimentar em cachorro?

A intoxicação alimentar em cachorro é uma enfermidade causada pela ingestão de substâncias inadequadas ou tóxicas para o organismo do animal.

Na prática, a condição pode afetar diferentes sistemas do corpo, especialmente o digestivo e o neurológico, dependendo do tipo de substância ingerida.

A gravidade do quadro está diretamente relacionada à quantidade de toxinas consumida e à sensibilidade individual do pet, o que explica por que alguns casos evoluem rápido.

Quais são os sintomas de intoxicação alimentar em cães?

Cachorro de cachorro de raça retriever dourado descansando deitado no chão com expressão relaxada e olhos fechados, ambiente interno confortável.

Segundo a veterinária Mariana Lisboa, entrevistada pelo portal de notícias G1, os primeiros sintomas de intoxicação alimentar em cachorro são vômito, apatia, diarreia e dor abdominal.

Em geral, os sinais iniciais estão ligados a distúrbios digestivos em cães porque o sistema gastrointestinal costuma ser o primeiro a reagir à presença das substâncias.

No entanto, quadros mais avançados de intoxicação alimentar canina podem afetar o sistema nervoso do animal, causando alterações como:

  • desorientação;
  • andar cambaleante;
  • convulsões;
  • pupilas dilatadas ou contraídas;
  • quedas de consciência que podem evoluir para coma.

Mudanças comportamentais também fazem parte dos sinais da enfermidade e costumam ser percebidas rapidamente pelos tutores.

Apatia, fraqueza, perda de apetite, isolamento e salivação excessiva são comuns, especialmente quando há irritação do trato digestivo ou contato com substâncias químicas.

Como diferenciar sintomas leves de sinais graves?

Sinais de intoxicação alimentar canina que se intensificam ou surgem simultaneamente indicam quadros mais graves e urgentes.

Sintomas como diarreia e vômito em cachorro acompanhados de sangue ou dor abdominal intensa exigem atenção imediata. 

Até porque a perda de líquidos pode levar rapidamente à desidratação em cães, agravando o estado clínico do animal.

Outros sinais que indicam quadros mais graves de intoxicação alimentar são:

  • gengivas pálidas ou arroxeadas;
  • dificuldade para respirar;
  • mudanças importantes na frequência cardíaca;
  • comprometimento neurológico.

O que fazer em caso de intoxicação alimentar em cachorro?

O que fazer quando o cachorro está rouco

Se você identificou sintomas de cachorro com intoxicação alimentar, como vômitos frequentes, diarreia, apatia, é preciso agir rapidamente — mas mantenha a calma!

Sempre que possível, tente identificar o que o cachorro pode ter comido para se intoxicar, pois a informação ajuda o veterinário a definir o tratamento mais eficaz e seguro.

Independentemente do caso, a avaliação de um profissional é indicada, e algumas medidas iniciais ajudam a proteger o pet até o atendimento. Veja como agir a seguir!

Quais são os primeiros socorros para cachorro intoxicado?

O primeiro passo para socorrer um cachorro intoxicado é identificar e afastar o animal da possível fonte de intoxicação imediatamente. 

A presença de substâncias tóxicas no ambiente doméstico pode agravar o quadro ou colocar outros cães da casa em risco.

Depois, providencie os cuidados emergenciais para pets, como:

  • observar alterações na respiração, coordenação ou comportamento;
  • entrar em contato com o veterinário assim que os sinais surgirem.

Em casos de vômito, pode ser indicado manter o pet em jejum por até 24 horas, oferecendo apenas água neste período. Ainda assim, essa medida não substitui a avaliação veterinária.

O que não fazer com um cachorro com intoxicação alimentar?

No desespero, muitos responsáveis podem tomar algumas atitudes comuns que pioram o quadro de intoxicação alimentar canina. 

Por isso, também é muito importante saber o que não fazer nesse momento, como:

  • oferecer alimentos sem comprovação científica para cortar o efeito do problema;
  • induzir o vômito (técnica que pode comprometer o sistema digestivo do cão);
  • administrar medicamentos veterinários ou humanos sem prescrição veterinária;
  • esperar que o pet melhore sozinho, mesmo diante de sinais persistentes.

Quando levar o cachorro ao veterinário por intoxicação?

A menor suspeita de toxicidade alimentar canina é suficiente para a procura de um médico-veterinário — e essa sempre será a opção mais segura para o seu pet. 

No entanto, o atendimento deve ser imediato se o animal apresentar sinais como:

Mesmo em casos aparentemente leves, o histórico de comportamentos de risco em cães, como acesso a alimentos humanos, lixo ou produtos químicos, justifica a consulta.

 O tratamento precoce tende a ser mais simples, eficaz e até mais econômico para os responsáveis, já que reduz o risco de complicações graves.

Quais são as principais causas de intoxicação alimentar em cães?

planta venenosa

As causas de intoxicação alimentar em cães estão ligadas, na maioria das vezes, ao contato com produtos comuns da casa, presentes no dia a dia do pet.

Estudos organizados por Cope et al. (2006) e Martinez-Haro et al. (2008) mostram que os agentes mais envolvidos nestes quadros são rodenticidas, chocolates, medicamentos, pesticidas, plantas e metais.

Dentre eles, o chocolate é responsável por cerca de um quarto de todos os casos registrados — e merece atenção especial em épocas de festividades, como a páscoa.

Alimentos tóxicos para cães

Alguns alimentos consumidos por humanos e até outros pets podem oferecer riscos para os cães devido às diferenças na metabolização das substâncias pelo seu organismo.

Neste caso, o problema pode surgir não só quando as comidas são oferecidas em grandes quantidades, mas também em pequenas doses!

De acordo com Kovalkovičová et al. (2009), os principais alimentos que causam intoxicação em cachorros são chocolate, café, xilitol, nozes, cebola, alho, uva, etc.

Veja as doses, sinais clínicos e exames laboratoriais utilizados para diagnosticar o consumo de alimentos considerados tóxicos para cães e gatos na tabela abaixo:

AlimentoDose tóxicaSinais clínicosExames laboratoriais
Cebolas, alhos, cebolinha, alho-poróSuperior
a 0,5% do
peso vivo
Vômito, diarreia, mucosas pálidas, dispneia, taquicardia, pulso fraco, desidratação, etc.Anemia regenerativa,
corpúsculos de Heinz,
metahemoglobina, trombocitose, linfopenia, etc.
Chocolates, chás, cafés e produtos cafeinadosSuperior a
20 mg/kg
Vômito, diarreia, tremores, dor abdominal, hiperatividade, taquicardia, hipertermia, etc.Presença de metilxantinas em soro, plasma, tecido hepático, urina e conteúdo estomacal.
AbacateDesconhecidaDispneia, abaulamento abdominal, ascite, anasarca, vômitos, diarreia, taquicardia, letargia, etc.Aumento sérico de
fosfatase alcalina, alanina aminotransferase e lactato desidrogenase;
leucocitose, neutrofilia, proteinúria.
Nozes-de-macadâmia2,4 a 64,2 g/kgLetargia, fraqueza, tremores, ataxia, inchaço nos membros, dispneia, vômitos, taquicardia, reação alérgica, etc.Aumento sérico de
triglicerídeos, lipases e
fosfatase alcalina.
Uvas e passas10 a 57 g/kgVômitos, diarreia, dor abdominal, desidratação, fraqueza, letargia, oligúria, etc.Aumento sérico de
ureia, creatinina, glicose, cálcio, fósforo e enzimas hepáticas e pancreáticas; hiperfosfatemia, leucocitose, proteinúria, glicosúria, hematúria.
Balas, confeitos, gomas de mascar, geleias e outros alimentos com xilitol3 g/kgVômito, depressão, ataxia, tremores, colapsos, petéquias
generalizadas,
equimoses, etc.
Hipoglicemia,
hipocalemia, aumento
sérico de enzimas hepáticas, fósforo e bilirrubina; trombocitopenia, tempo de coagulação prolongado.
Alimentos ricos em sal2 mg/kgLetargia, vômitos, diarreia, taquicardia, taquipneia, ataxia, hipertermia, convulsões, etc.Hipernatremia.

Plantas para manter fora do alcance de pets 

A ingestão de plantas ornamentais, como Lírio (Lilium spp.), é outra causa comum de vômito por intoxicação em cães

Afinal, muitas espécies de plantas presentes em residências contêm toxinas capazes de irritar o sistema digestivo e provocar quadros clínicos variados em cachorros.

Além disso, o risco costuma passar despercebido pelos responsáveis, já que essas plantas fazem parte da decoração.

Algumas plantas ornamentais que devem ficar longe do alcance de cães são:

  • Azaleia (Rhododendron spp.)
  • Costela de Adão (Monstera deliciosa)
  • Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia spp.)
  • Espada-de-São-Jorge (Sansevieria trifasciata)
  • Dracena (Dracaena spp.)
  • Mamona (Ricinus communis)
  • Antúrio (Anthurium spp.)

Além dessas, outras plantas também oferecem risco aos animais, como: copo-de-leite, violeta, babosa, begônia, arruda, espirradeira, coroa-de-cristo e bico-de-papagaio.

Produtos químicos e de limpeza

Produto para tirar cheiro de xixi de cachorro

Além das plantas, produtos de limpeza domésticos são causas frequentes de intoxicação alimentar no cachorro, como:

  • água sanitária;
  • desinfetantes à base de fenol;
  • inseticidas;

Essas substâncias costumam estar presentes em áreas de fácil acesso e podem causar desde irritações locais até quadros tóxicos sistêmicos.

Portanto, atente-se à forma de armazenamento, tome cuidado ao utilizar nos ambientes onde os animais ficam e prefira produtos de limpeza pet friendly ou menos agressivos.

Medicamentos humanos e veterinários

A intoxicação por medicamentos humanos é uma preocupação séria para cães, e muitos fármacos seguros podem prejudicar o organismo da espécie mesmo em pequenas doses.

Segundo o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado do Alagoas (CRMV-AL), alguns remédios humanos perigosos para cachorros são:

  • ácido acetilsalicílico (aspirina);
  • paracetamol;
  • ibuprofeno;
  • dipirona;
  • diclofenaco.

Além disso, remédios veterinários usados sem prescrição médica e de maneira indevida também podem representar riscos significativos em caso de superdosagem.

Em caso de ingestão medicamentosa acidental, leve o pet ao veterinário com urgência e informe qual medicamento e qual quantidade foram ingeridos.

Lixo doméstico

A ingestão de lixo por cães é um comportamento muito comum, e você mesmo já deve ter conhecido um pet que adora revirar os cestos e latas da casa.

Ainda assim, o hábito é extremamente perigoso, já que alimentos estragados, mofados ou contaminados são fontes de intoxicação alimentar.

Para pior, a ingestão de lixo aumenta o risco de contato com bactérias, parasitas e animais mortos responsáveis pela transmissão de doenças ainda mais graves, como infecções e verminoses.

Envenenamento acidental

O envenenamento acidental de cães ocorre, na maioria das vezes, pelo uso inadequado de substâncias químicas para eliminar pragas em ambientes frequentados pelos animais.

Alguns estudos realizados em clínicas veterinárias mostram que os pesticidas piretróides, organofosforados, carbamatos, cumarínicos e estricnina são os mais comuns nesses casos.

Os cachorros também podem sofrer intoxicação por venenos escondidos em petiscos, especialmente aqueles que trabalham como cães de guarda. (ASSIS et al., 2009)

Se você mora em casa, ou se o seu pet tem acesso ao pátio ou quintal, por exemplo, onde podem ser jogadas essas iscas com veneno, é preciso tomar cuidado redobrado.

Quais doenças podem ser confundidas com intoxicação alimentar em cachorro?

cachorro vomitando sangue

Identificar uma intoxicação alimentar em cachorro nem sempre é fácil, já que diversas doenças gastrointestinais geram sinais similares aos da enfermidade.

No entanto, observar pequenas diferenças na evolução e gravidade dos sintomas é uma boa forma de descartar quadros mais graves, como pancreatite e gastroenterite canina.

Na tabela abaixo, reunimos condições que podem causar confusão no diagnóstico de intoxicação alimentar e os pontos-chave para diferenciá-las:

CondiçãoO que éPistas para diferenciar
Pancreatite caninaProcesso inflamatório do pâncreas.Causa dor abdominal intensa e pode evoluir para sinais sistêmicos.
Gastroenterite caninaInflamação ou infecção da mucosa do estômago e intestinos, causada por agentes infecciosos, parasitas, alimentos estragados ou toxinas.Costuma estar associada a vômitos em forma de espuma branca ou gosma amarelada, febre e gases frequentes.
Indigestão (dispepsia)Distúrbio digestivo funcional causado por erro alimentar, ingestão rápida, estresse ou mudanças bruscas na dieta.Sintomas leves e transitórios, não há piora progressiva nem sinais sistêmicos e geralmente melhora em poucas horas com manejo alimentar.
VerminosesInfecção por parasitas internos que competem por nutrientes e causam inflamação intestinal ou sistêmica.Evolução mais lenta, causa perda de peso progressiva, inchaço abdominal, coceira anal e presença de vermes nas fezes.
Obstrução gastrointestinalBloqueio parcial ou total do trato digestivo por corpo estranho ingerido, impedindo a passagem de alimentos.Vômitos contínuos e ausência de fezes.

Como diferenciar intoxicação alimentar de outras doenças?

Embora alguns sinais ajudem a levantar a suspeita, não dá para saber se um cachorro está intoxicado ou com outra enfermidade gastrointestinal só pela observação.

Vômito, diarreia, apatia e dor abdominal também estão presentes em diversas doenças, o que torna o diagnóstico caseiro um desafio.

Assim, sempre que os sinais forem intensos, persistentes ou progressivos, o mais seguro é procurar atendimento profissional imediatamente

Somente o médico-veterinário pode diferenciar a intoxicação alimentar de outras doenças e garantir o tratamento correto para proteger a saúde do seu cachorro.

Quais complicações a intoxicação alimentar em cachorro pode causar?

Primeiros socorros em caso de intoxicação em pets

A intoxicação alimentar em cachorro pode, sim, ser grave, justamente pela velocidade com que algumas toxinas atuam no organismo canino. 

Em muitos casos, o quadro evolui em poucas horas, e o tempo entre reconhecer os sinais e iniciar o atendimento influencia diretamente o prognóstico.

Afinal, certas substâncias causam sintomas discretos no início, mas continuam agindo internamente, afetando órgãos como fígado, rins e sistema nervoso dos cães.

Nos quadros mais intensos, o animal pode apresentar complicações sistêmicas, sofrer com insuficiência renal ou hepática, ficar com sequelas e até chegar ao óbito. 

Como é feito o diagnóstico de intoxicação alimentar em cachorro?

O diagnóstico da intoxicação alimentar em cachorro é feito exclusivamente por um médico-veterinário.

Para isso, o profissional costuma utilizar a combinação entre histórico clínico e exames físicos e laboratoriais, que ajudam a identificar o agente tóxico e a gravidade do quadro.

Hemograma veterinário

O hemograma avalia como o organismo do cão está reagindo à intoxicação, e pode revelar parâmetros importantes como:

  • diminuição de glóbulos vermelhos (eritropenia);
  • alterações nos glóbulos brancos (leucopenia);
  • sinais de inflamação ou resposta tóxica no sangue.

Ultrassom abdominal

O ultrassom permite a observação do fígado, rins, estômago e intestinos do cachorro em tempo real. Ele é importante para identificar inflamações, alterações nos órgãos e sinais de sofrimento interno causados pela ingestão de substâncias tóxicas.

Exame de urina 

A análise da urina é essencial quando há suspeita de comprometimento renal em cachorros intoxicados, e avalia:

  • aumento ou diminuição na quantidade de urina produzida;
  • presença de proteínas ou outras substâncias anormais;
  • indícios de insuficiência renal.

Raio-X veterinário

O raio-X ajuda a identificar corpos estranhos ingeridos e é especialmente útil em casos de intoxicação por metais pesados, que aparecem com maior contraste nas radiografias.

Exame de fezes

O exame coproparasitológico complementa a investigação, auxiliando na identificação de parasitas, toxinas e outras alterações intestinais. É uma ótima ferramenta para diferenciar a intoxicação alimentar de outras causas gastrointestinais.

Quais informações levar ao veterinário em caso de intoxicação alimentar canina?

Para agilizar o diagnóstico e aumentar as chances de recuperação, o tutor deve fornecer o máximo de informações possível ao profissional responsável pelo atendimento. 

Por isso, sempre que houver suspeita de intoxicação alimentar em cachorro, informe os seguintes dados ao profissional:

  • nome da substância ingerida, preferencialmente com a embalagem;
  • quantidade aproximada ingerida, inalada ou absorvida;
  • horário estimado da ingestão ou início dos sintomas.

Nos casos de intoxicação por plantas, informe o nome popular e, se possível, o nome científico, pois diferentes espécies podem compartilhar o mesmo nome comum. 

Já em situações envolvendo medicamentos humanos ou veterinários, leve a caixa e a bula, mesmo que o remédio seja indicado para pets.

Qual é o tratamento para intoxicação alimentar em cachorro?

tratamento para diarreia em cachorro

O tratamento da intoxicação alimentar em cachorro varia conforme a substância ingerida, a quantidade tóxica presente no corpo do animal e o tempo levado até o atendimento.

Por isso, não existe um único protocolo de cuidado ou um remédio para intoxicação alimentar em cachorro que funcione em todos os casos.

O veterinário Caio Rabelo, entrevistado pelo portal de notícias da Globo, explica que é comum que os profissionais prescrevam um plano terapêutico amplo.

Em geral, o manejo clínico envolve fluidoterapia e o uso de antieméticos, protetores gástricos e repositores de flora. Casos graves de infecção também exigem antibióticos.

O objetivo principal do cuidado é estabilizar os sinais clínicos do pet, eliminar a substância tóxica do organismo, monitorar a evolução do quadro e prevenir ou tratar complicações.

Atenção: alguns casos de intoxicação podem exigir a indução ao vômito e/ou lavagem gástrica. Esses procedimentos devem ser feitos exclusivamente por um profissional — então nunca tente fazer sozinho em casa.

Como prevenir a intoxicação alimentar em cachorro?

A prevenção de intoxicação alimentar em pets começa com informação confiável, organização e atenção ao ambiente. 

A alimentação adequada é uma peça-chave e reduz o risco de ingestão de toxinas, especialmente quando rações e petiscos são armazenados da maneira correta.

Além disso, a segurança alimentar canina envolve controle do que o cachorro come, onde ele circula e quais substâncias ficam ao seu alcance. 

Afinal, pequenos descuidos do dia a dia estão entre as principais causas de acidentes.

Felizmente, algumas medidas simples ajudam a evitar a intoxicação alimentar em cães, incluindo:

  • Guardar alimentos humanos, medicamentos e produtos de limpeza em locais fechados, longe do alcance do animal.
  • Fechar latas de lixo e evitar restos de comida sobre bancadas ou mesas.
  • Orientar visitas e familiares (especialmente crianças) a não oferecerem alimentos proibidos ou sobras humanas ao cachorro;
  • Oferecer ração e petiscos de qualidade nas quantidades que o cão realmente precisa para se sentir satisfeito;
  • Armazenar a ração corretamente, sempre bem vedada e dentro do prazo de validade;
  • Descartar alimentos mofados, vencidos ou mal conservados com cuidado, evitando o consumo pelo pet;
  • Verificar o quintal ou áreas externas da casa com frequência para remover restos de comida, plantas tóxicas ou lixo;

Perguntas Frequentes (FAQ)

Carvão ativado ajuda a curar intoxicação alimentar?

Depende. Em entrevista para a revista Vida de Bicho, o veterinário Fernando Bento explicou que o carvão ativado pode ser utilizado em alguns casos, mas é preciso atenção.

O produto é eficaz em casos de ingestão de venenos e toxinas, como raticidas, inseticidas, alguns pesticidas e chumbinho, podendo diminuir em até 75% a absorção de toxinas.

No entanto, sua ação é limitada quando a intoxicação envolve ácidos, álcool ou etanol, reforçando a necessidade de avaliação profissional.

Quanto tempo dura uma intoxicação alimentar em cães?

A duração da intoxicação alimentar em cães varia conforme a substância ingerida, a quantidade consumida e a rapidez do atendimento veterinário. 

Casos leves podem se resolver em 24 a 48 horas, desde que o animal receba suporte adequado e acompanhamento clínico.

Já intoxicações mais graves podem exigir internação, exames complementares e tratamento prolongado, com recuperação que pode levar dias ou até semanas.

Quais alimentos são tóxicos para cachorro?

Alguns dos principais alimentos perigosos para pets são chocolate, uvas e passas, cebola, alho, alimentos com xilitol, álcool e algumas frutas. Você pode conferir a lista completa neste artigo sobre comidas tóxicas para cachorro!

Animais podem ficar com sequelas após uma intoxicação alimentar?

Sim. Dependendo da gravidade do quadro, a intoxicação alimentar pode deixar sequelas, como diarreia frequente, dificuldade para ganhar peso e alterações intestinais mais sérias.

Em alguns casos, ocorre a chamada síndrome de má absorção, caracterizada pela destruição das microvilosidades intestinais, estruturas essenciais para a absorção de nutrientes. 

Por isso, o acompanhamento veterinário após a intoxicação é fundamental para garantir a recuperação completa do animal.

Mitos e verdades sobre intoxicação alimentar em cachorro

o que dar para cachorro com diarreia

A intoxicação alimentar sempre passa sozinha

Mito. Embora quadros leves de indigestão possam melhorar com hidratação e repouso, a maioria dos casos de intoxicação alimentar exige atendimento veterinário imediato. 

Leite corta intoxicação em cachorro

Mito. Em geral, cães não devem consumir leite de vaca. O único leite indicado para o cachorro é o materno, restrito ao período de amamentação, que dura cerca de 45 dias.

Isso porque conforme o pet cresce, sua produção da enzima lactase diminui, dificultando a digestão da lactose. 

Logo, o consumo do leite pode causar diarreia, vômitos e piorar os sinais da intoxicação alimentar em cachorro.

Provocar vômito ajuda em caso de intoxicação alimentar canina

Verdade, mas com ressalvas. A indução do vômito nunca deve ser feita sem orientação veterinária, pois algumas substâncias causam lesões graves ao serem regurgitadas, podendo provocar queimaduras no esôfago e na boca.

Somente o médico-veterinário pode avaliar se essa conduta é segura ou indicada. Em muitos casos, provocar vômito aumenta o sofrimento e agrava o quadro clínico do pet.

Existem plantas que não representam risco para cães

Verdade. Nem todas as plantas são perigosas para cães. Algumas espécies são consideradas seguras e podem fazer parte do ambiente doméstico sem problemas!

Entre elas estão: areca-bambu, bromélia, amor-perfeito, bambu, camélia, lavanda, orquídea, marantas, peperômia, lágrimas-de-bebê, clorofito, samambaia americana, plantas aromáticas (alecrim, hortelã, capim-limão, manjericão) e suculentas.


Referências

Veterinária em Foco | Intoxicações em cães e gatos por alimentos humanos: o que não fornecer aos animais?

Ciência Rural | Intoxicação em cães e gatos: diagnóstico toxicológico empregando cromatografia em camada delgada e cromatografia líquida de alta pressão com detecção ultravioleta em amostras estomacais

Colloquium Agrariae | Alimentos tóxicos para cães e gatos

Pubmed | Alguns alimentos são tóxicos para animais de estimação

G1 | Intoxicação alimentar pode levar à morte dos cães, diz veterinária

G1 | Veterinário alerta para os riscos da intoxicação alimentar em pets

Vida de Bicho (G1) | Carvão ativado pode ajudar cães em casos de envenenamento

VetSmart  | Alimentos tóxicos para os cães

PetMD  | Can dogs get food poisoning?

Pedigree  | Cachorro envenenado: conheça os sintomas e o que fazer

Chemitec | Intoxicação em cachorro e gato: causas, sintomas e prevenção

Ourofino Pet  |  O pet intoxicou, e agora? Como agir

CRMV-AL | Medicamentos humanos são perigosos para cães e gatos

Royal Canin Portal Vet  |  Pancreatite em cães

Purina |  Cachorro com indigestão: causas e cuidados

Gold Lab Vet  |  Cachorro com verme: sintomas e tratamento

Gold Lab Vet  | Intoxicação alimentar em cachorros

Cornell University  |  Gastrointestinal foreign body obstruction in dogs

Royal Canin Portal Vet  |  Plantas tóxicas para animais

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Por Cobasi

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